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EDUCAÇÃO ESPECIAL NO ENSINO DE FÍSICA: UMA ANÁLISE DE PUBLICAÇÕES EM PERIÓDICOS

Erick Da Silva Campos, Alisson Antonio Martins

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Políticas Públicas E De Inclusão No Ensino De
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## EDUCAÇÃO ESPECIAL NO ENSINO DE FÍSICA: UMA ANÁLISE DE PUBLICAÇÕES EM PERIÓDICOS

## Erick da Silva Campos 1 , Alisson Antonio Martins 2

1 UTFPR/PPGFCET/GEPEF, erickcampos@alunos.utfpr.edu.br

2 UTFPR/DAFIS/PPGFCET/GEPEF; UFPR/PPGE/NPPD, amartins@utfpr.edu.br

Palavras-chave : Ensino de Física; Educação Especial; Revisão de literatura

## Resumo expandido

De acordo com a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, a educação é um direito de todos, o que inclui educandos com necessidades educacionais especiais. Porém, mesmo com os diversos decretos, resoluções, entre outros documentos oficiais e o considerável aumento de alunos com necessidades educacionais especiais matriculados na rede regular de ensino, ainda não se percebem avanços significativos.

É necessário compreender de que modo a Educação Especial se configura enquanto objeto de pesquisa no contexto do Ensino de Física. Neste sentido, o objetivo deste trabalho foi identificar, por meio de um levantamento bibliográfico em periódicos, de que modo a área de pesquisa em ensino de Física tem abordado a temática Educação Especial.

Atualmente, percebe-se um aumento nos estudos para o ensino de pessoas com deficiência auditiva e deficiência visual (CAMARGO; VIVEIROS; NARDI, 2006) mas na área de transtornos globais do desenvolvimento e de deficiência intelectual ainda há carência de pesquisas. A inclusão dos alunos com necessidades especiais educativas está cada vez mais presente na realidade das escolas públicas de ensino, resultado da Política Nacional de Educação Especial, a qual instituiu diretrizes e práticas pedagógicas voltadas à inclusão destes alunos.

Segundo Mantoan (2003), a inclusão questiona as políticas e a organização da educação especial e regular, bem como tem por objetivo por objetivo não deixar ninguém fora do ensino regular, impulsionando as modificações na formação oferecida aos professores.

Este levantamento bibliográfico, de natureza qualitativa e de cunho exploratório, faz parte de uma pesquisa em desenvolvimento, e teve por objetivo identificar as caraterísticas da produção acadêmica na área de Ensino de Física sobre a temática da Educação Especial. Para este levantamento foi utilizando o Portal de Periódicos da CAPES, com as seguintes combinações de palavras-chave e com o operador booleano 'AND': 'Ensino de Física' AND inclusão; 'Ensino de Física ' AND educação especial, 'Ensino de Física ' AND sala de recurso; 'Ensino de Física ' AND acessibilidade.

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

Foram considerados apenas os artigos revisados por pares, com a delimitação temporal de publicações entre 2006 e 2020, resultando, no total, em 148 artigos, dos quais, após análises e com os devidos filtros, descartou-se os artigos que não faziam menção às relações entre Educação Especial e Ensino de Física, restando, deste modo, 18 artigos, que constituíram o corpus da presente análise.

Como resultados, foi possível perceber que a quantidade de artigos relacionados ao Ensino de Física e Educação Especial inclusiva é, ainda, bastante baixa, mesmo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9394 de 1996, definindo a Educação Especial como uma modalidade de ensino em escolas regulares desde sua promulgação (BRASIL, 1996).

Neste sentido, verifica-se que foram necessários dez anos para que se iniciassem as publicações na temática, destacando-se que o Prof. Dr. Éder Pires de Camargo tem sido o maior expoente da educação inclusiva na área de Ensino de Física, com expressiva contribuição para as discussões.

No Gráfico 01 se apresenta uma distribuição das publicações nesta temática ao longo dos anos, podendo-se perceber que ela se inicia em 2006, com uma publicação. De 2008 em diante é possível notar uma queda nesses números onde de quatro publicações por ano, um número já bastante baixo, após ficou na média entre uma a duas publicações por ano. Em alguns anos não houve sequer uma publicação a respeito que é o caso de 2007, 2009, 2018 e 2019

Gráfico 01: Publicações por anoFonte: Autoria própria (2021).

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Dos 18 artigos analisados, 10 (56%) se referem a alunos com deficiência visual, 5 artigos (28%) abordam deficiência auditiva, 2 artigos (11%) não especificam qual deficiência, falando de maneira geral, e 1 (5%) abordada a deficiência intelectual (Gráfico 02). Pode-se perceber que o ensino de Física para alunos com deficiência visual possuiu maior quantidades de artigos publicados.

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Gráfico 02: Deficiências mais abordadas nos artigos analisadosFonte: Autoria própria (2021).

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Notou-se que as universidades públicas paulistas são as instituições em que mais se têm realizado pesquisas da temática. Isso evidencia que as pesquisas na área vêm sendo realizadas majoritariamente pelos mesmos grupos de pesquisa. Esse resultado indica, também, a necessidade de ações objetivem a ampliação de grupos de pesquisas que enfoquem o assunto da Inclusão no âmbito do Ensino de Física em outras regiões do país.

Em linhas gerais, apesar de a LDB definir a Educação Especial como uma modalidade de ensino em escolas regulares desde 1996, as publicações referentes à temática são recentes, tendo maior representatividade no ano de 2008 onde foi o ano de maiores quantidades de artigos publicado.

Considera-se que ainda existem poucas publicações referente à relação entre ensino de Física e Educação Especial. Destaca-se uma lacuna de conhecimentos sobre as relações entre dislexia, TDAH, autismo, imperatividade, sendo necessário compreender de que modo estas questões podem ser consideradas no ensino da disciplina.

Por fim, ressalta-se que o número ainda exíguo de pesquisas na interface Ensino de Física/Educação Especial, expressa, por um lado, a necessidade de se ampliar o interesse acadêmico pela temática e, por outro, a necessidade de políticas públicas de fomento e apoio à comunidade acadêmica no que tange à temática de Educação Inclusiva em todas as suas dimensões para todos os conteúdos das disciplinas escolares.

## Referências

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional . Lei nº 9.434, de 20 de dezembro de 1996. Disponível em: &lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil\_03/leis/l9394.htm&gt;. Acesso em: 10 abril. 2020.

CAMARGO, E.P.; VIVEIROS, E. R.; NARDI, R. Trabalhando conceitos de óptica e eletromagnetismo com alunos com deficiência visual e videntes. X Encontro de Pesquisa Ensino de Física. Londrina. PR. Anais. 2006.

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MANTOAN, M.T. Inclusão escolar: o que é? Por quê? como fazer? São Paulo: Editora Moderna, 2003.

## Trabalhos analisados no levantamento bibliográfico

CAMARGO E.P.; NARDI, R. O emprego de linguagens acessíveis para alunos com deficiência visual em aulas de óptica. Rev Bras Ed Esp . v. 14, n. 3, p. 405-26, 2008.

CAMARGO, E. P. A comunicação como barreira à inclusão de alunos com deficiência visual em aulas de mecânica. Ciência &amp; Educação , Bauru, v. 16, n. 1, p. 259-275, 2010.

CAMARGO, E. P.; NARDI, R.; Correia, J. N. A comunicação como barreira à inclusão de alunos com deficiência visual em aulas de Física Moderna. Revista Brasileira De Pesquisa Em Educação Em Ciências , v. 10, n. 2, 2011.

CAMARGO, E. P.; NARDI, R. Contextos comunicacionais adequados e inadequados à inclusão de alunos com deficiência visual em aulas de mecânica. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências, Belo Horizonte, v. 12, n. 2, 2010.

CAMARGO, E. P.; NARDI, R. Contextos comunicacionais adequados e inadequados à inclusão de alunos com deficiência visual em aulas de mecânica. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências , Belo Horizonte. 2010.

CAMARGO, E. P.; NARDI, R. Panorama geral das dificuldades e viabilidades para a inclusão do aluno com deficiência visual em aulas de ópticas. Alexandria Revista de Educação em Ciências e Tecnologia . v, 1, n. 2, p. 81 -106, 2008.

CAMARGO, E. P.; SILVA, D.; BARROS, F., J. Ensino de física e deficiência visual: Atividades que abordam o conceito de aceleração da gravidade. Investigações em Ensino de Ciências , Porto Alegre, v. 11, n. 3, 2006

CAMARGO E.P.; NARDI, R.; VERASZTO, E. V. A comunicação como barreira à inclusão de alunos com deficiência visual em aulas de óptica. Rev. Bras. Ensino Fís. [online]. v. 30, n. 3, 2008.

COSTA, L. G.; NEVES, M. C. D.; BARONE, D. A. C. O ensino de Física para deficientes visuais a partir de uma perspectiva fenomenológica. Ciênc. educ. (Bauru). v.12, n. 2, pp.143-153, 2006.

COZENDEY, S. G.; COSTA, M. P. R.; PESSANHA, M. C. R. Ensino de Física e Educação Inclusiva: o Ensino da primeira Lei de Newton. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação . v. 8, n. 2, 2013.

COZENDEY S. G.; PESSANHA, M. C. R. COSTA, M. P. R. Vídeos didáticos bilíngues no ensino de leis de Newton. Rev. Bras. Ensino Fís. [online]. v. 35, n. 3, pp.1-7, 2013.

PESSANHA, M.; COZENDEY, S. G.; ROCHA, D. M. O compartilhamento de significado na aula de Física e a atuação do interlocutor de Língua Brasileira de Sinais. Ciência e Educação , Bauru, v.21, n. 2, p. 435-456, 2015.

SANTOS, Â. M.; CARVALHO, P. S.; ALECRIM, J. L. O ensino de física para jovens com deficiência intelectual: uma proposta para facilitar a inclusão na Escola Regular. Revista Educação Especial , v. 32, p.1-19, 2018.

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SILVA, M. R. C.; CAMARGO, E. P. Estado do conhecimento no ensino de física para alunos surdos e com deficiência auditiva: incursão nas teses e dissertações brasileiras. ALEXANDRIA (UFSC), v. 13, p. 251-275, 2020.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.