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CARACTERÍSTICAS DAS QUESTÕES SOBRE FÍSICA NOS VESTIBULARES

Dulce Consuelo Whitaker, Marco Aurélio Alvarenga Monteiro, Isabel Cristina De Castro Monteiro, Tania Cristina Arantes Macedo De Azevedo, Marisa Andreata Whitaker

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
06/06/2011
Linha de pesquisa
Ensino / Aprendizagem / Avaliação Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## CARACTERÍSTICAS DAS QUESTÕES SOBRE FÍSICA NOS VESTIBULARES

## CHARACTERISTICS OF THE QUESTIONS ABOUT PHYSICAL FOR SELECTION IN THE COLLEGE

Marco Aurélio Alvarenga Monteiro , Isabel C. C. Monteiro , Tânia C. A. M. 1 2 Azevedo 3 , Marisa A. Whitaker , Dulce C. A. Whitaker 4 5

1

FEG-UNESP- DFQ- marco.aurelio@feg.unesp.br

2

FEG-UNESP- DFQ- monteiro@feg.unesp.br

3 FEG-UNESP- DFQ- tmacedo@feg.unesp.br

4 FEG-UNESP- DFQ-

marisaw@feg.unesp.br

5 PG- FCL- Araraquara- UNESP- dulcewhi@pq.cnpq.br

Palavras-chave:

avaliação- interdisciplinaridade - ensino de física

## 1 - Justificativa e objetivos

- O estudo de França & Lima (2002) sobre a história do acesso ao ensino superior no Brasil mostra que podemos caracterizar o processo de seleção dos alunos em três períodos:
- · O primeiro, relativo aos anos compreendidos entre 1810 e 1911, no qual os exames de madureza e de saída definiam os alunos que ingressariam no ensino superior.
- · O segundo, caracterizado pela Reforma Rivadavia Correia, a partir do Decreto n.º 8659, de 5 de abril de 1911 que estabeleceu, pela primeira vez, as diretrizes para a realização de exames de vestibular.
- · O terceiro período, caracterizado entre os anos de 1964 à 1985, no contexto da ditadura militar. Gatti (1987) destaca que nesse último período, as questões dos exames vestibulares são predominantemente fechadas, descontextualizadas, focadas, exclusivamente, na memorização de informações.

Com a democratização, os objetivos educacionais se alteram e já não basta mais ser bem informado, pois com a revolução tecnológica dos meios de comunicação e os desafios atuais de nossa sociedade globalizada, são exigidos, cada vez mais, dos cidadãos um posicionamento crítico e reflexivo sobre o conhecimento produzido. Assim, o exame vestibular nas últimas décadas, com um percentual cada vez maior na taxa de candidatos por vagas, carece de um processo seletivo capaz de selecionar o aluno mais adequado para assumir as novas exigências da sociedade. Propostas inovadoras, vinculadas ao modelo de interdisciplinaridade, são aplicadas com esse intuito, ainda que de maneira limitada. Nesse trabalho, apresentamos um perfil das questões vinculadas aos conteúdos de física dos exames vestibulares dos últimos anos em três universidades públicas do estado de São Paulo.

- 2 - Marco Teórico: a interdisciplinaridade no processo de ensino e aprendizagem em sala de aula e na avaliação

Vários pesquisadores ( e.g. JAPIASSU, 1976; FAZENDA, 1979; 1994; VEIGA-NETO, 2002; LÜCK, 1994; MORIN, 2002) destacam que a adoção de um ensino com abordagem interdisciplinar não nega o caráter disciplinar do conhecimento científico, mas propõem um trabalho pedagógico que estabeleça as conexões entre as diferentes disciplinas.

Também segundo as orientações oficiais contidas na LDBEN, DECNEM, PCNEM e PCN+, a base nacional comum dos currículos do ensino médio deve ser organizada em áreas de conhecimento estruturadas pelos princípios pedagógicos da interdisciplinaridade, visando que as escolas utilizem os conhecimentos de várias disciplinas na compreensão e na busca por soluções de problemas, bem como para entender um fenômeno sob vários pontos de vista.

Apesar disso, levando-se em conta as exigências feitas às escolas de ensino básico, tanto em relação à adoção de um ensino com caráter interdisciplinar, quanto à preparação de seus alunos para os exames de vestibular, poucos trabalhos discutem formas de se avaliar a aprendizagem interdisciplinar. Esse trabalho apresenta algumas características observadas na análise das questões investigadas.

## 3 - Metodologia e análise da pesquisa

Nesse trabalho analisamos questões das provas de Física de exames de vestibulares desde o ano de 2007, para o ingresso em Universidades Públicas do Estado de São Paulo, coordenadas pela VUNESP, aplicadas pelas seguintes instituições públicas de Ensino Superior: UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), UNESP (Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho') e UFABC (Universidade Federal do ABC).

Para a realização da análise das questões de vestibulares elaboramos as seguintes categorias gerais:

Ausência total de interdisciplinaridade (ATI) : Questão fechada, sem contextualização.

Intenção ou tentativa de interdisciplinaridade (ITI) : A questão está colocada em um contexto social ou ambiental ou situada no 'cotidiano' do aluno, mas a descrição do contexto não influencia a compreensão do problema envolvido pela questão. Essa descrição apenas sugere um dos conhecimentos de Física, mas isso não é indispensável a solução da questão.

Tangenciamento na interdisciplinaridade (TI) : Quando a solução da questão até dispensaria o contexto, porém o enunciado mostra que esse conhecimento é essencial para a solução de problemas ambientais, sociais, ou tecnológicos etc. Nesse sentido, o enunciado da questão exige atenção ou desperta o interesse e ajuda a estimular.

Interdisciplinaridade (I): A contextualização da questão o envolve um ou mais conceitos de outra área do saber, sem o qual a questão não pode ser resolvida. Assim cria-se uma situação na qual o candidato mobiliza conhecimentos de duas ou mais disciplinas para resolver o problema proposto e relaciona portanto duas diferentes ciências, criando assim um esquema mental com real intersecção entre as duas.

Transdiciplinaridade (T) : Questões que apresentam problemas cuja solução envolve aplicação concomitante de conhecimentos de duas ou mais disciplinas. Ou seja, o enunciado funde as disciplinas na busca de explicar e descrever o fenômeno estudado.

Foram analisadas 1021 questões avaliativas dos últimos vestibulares. Desse total, cerca de 17% eram de física. Dessas questões de física, em aproximadamente 30% há ausência total de interdisciplinaridade (ATI), em cerca de 38% observa-se a intenção ou tentativa de interdisciplinaridade (ITI), 28% tangenciam a interdisciplinaridade (TI) e apenas cerca de 4% são interdiciplinares (I).

## 4 - Conclusões

Observa-se uma tendência nos vestibulares de se buscar a interdiciplinaridade, tendo em vista que 70% das questões de física, intenciona (38%), tangencia (28%) ou atinge essa meta (4%), apesar do número ainda muito baixo de questões interdisciplinares. Acreditamos que a análise desses dados possam nos dar algumas indicações importantes sobre como seria possível ampliar a porcentagem das questões interdisciplinares, com vistas a alcançar questões transdisciplinares, e futuramente, investigar quantos alunos acertaram essas questões ou mesmo, qual o perfil cultural desses alunos.

## 5 - Referências

BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio/ Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Brasília: MEC/SEFM, 1999.

FAZENDA, I. C. Integração e interdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetividade ou ideologia . 4ª ed. São Paulo: Loyola, 1979.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa . São Paulo: Papirus,1994.

GATTI, B. A. 1987. Testes e Avaliações do Ensino no Brasil. Educação e Seleção , São Paulo, SP, n. 16, p. 12-21.

JAPIASSU, H. Interdisciplinaridade e patologia do saber . Rio de Janeiro: Ed. IMAGO,1976.

LIMA, Helena Ibiapina; FRANÇA, Flávio Antonio de Souza (2002). O acesso ao ensino superior no Brasil: resgatando a história do vestibular (1925-1961). Educação Brasileira . Brasília, v. 24, n. 48 e 49, p. 125-150, jan./dez.

MORIN, E. Educação e complexidade: os sete saberes e outros ensaios . São Paulo:Cortez, 2002.

VEIGA-NETO, A. Uma lança com duas pontas. In: ROSA, D. E. G. & SOUZA, V. C. Políticas organizativas e curriculares: educação inclusiva e formação de professores . Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

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