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ELABORAÇÃO DE MATERIAL TÁTIL ACESSÍVEL A ALUNOS DEFICIENTES VISUAIS PARA ABORDAGEM DE FÍSICA DE PARTÍCULAS EM UM ESPAÇO NÃO FORMAL DE APRENDIZAGEM

Dálete Rodrigues Alves, Andriele Da Silva Vieira, Nathália Gobira Galvão

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Políticas Públicas E De Inclusão No Ensino De
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ELABORAÇÃO DE MATERIAL TÁTIL ACESSÍVEL A ALUNOS DEFICIENTES VISUAIS PARA ABORDAGEM DE FÍSICA DE PARTÍCULAS EM UM ESPAÇO NÃO FORMAL DE APRENDIZAGEM

Dálete Rodrigues Alves , Andriele da Silva Vieira , Nathália Gobira Galvão 1 2 3

- 1 Universidade Federal do Espírito Santo/Centro de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde, daletev@hotmail.com

Palavras-chave : ensino de física; deficiência visual; material didático.

## Resumo expandido

O ensino de Física de Partículas é importante, tanto em sala de aula quanto em espaços não formais de aprendizagem por oferecer oportunidade de compreensão do processo de produção do conhecimento científico e por promover a busca de uma compreensão maior da natureza (OSTERMANN, 1999). Diante disso, este trabalho apresenta a construção de mapas táteis e maquetes tridimensionais, representando a evolução dos modelos atômicos e as partículas bariônicas próton e nêutron de forma acessível a alunos com deficiência visual (DV). O material foi utilizado na oficina intitulada 'De que são feitas todas as coisas?', realizada na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia do Museu de História Natural do Sul do Estado do Espírito Santo (MUSES) como divulgação científica.

Para a confecção dos materiais, foram realizados estudos sobre Deficiência Visual utilizando os estudos de Domingues (2010), Gil (2000) e outros, bem como a elaboração de livro tátil baseado em Elizabeth Romani (2016). Isso permitiu compreender qual técnica utilizar conforme nossos recursos; os tamanhos, formas, texturas e cores dos elementos empregados para melhor compreensão dos alunos e quais elementos, considerados ruídos de leitura, poderiam prejudicar a interpretação dos conceitos.

Para cada modelo atômico foram elaborados mapas táteis em duas dimensões, maquetes em três dimensões, para melhor assimilação dos alunos com

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DV, e banners em formato A3 destacando o responsável pela proposição de cada modelo (Figura 01).

Figura 01: Mapas táteis, banners e modelos tridimensionais.

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A partir da análise bibliográfica, foi decidido que era pertinente a confecção de óculos que simulasse tipos de deficiência visual, tais como perda de nitidez, escotomas, contração de campo visual, cegueira parcial e total, com a finalidade de melhor compreender as dificuldades e necessidades de um aluno com DV ao se deparar com materiais adaptados e da mesma forma auxiliar na seleção dos contrastes de cores, para cada item dos mapas e maquetes, e no tamanho de cada representação.

Durante a confecção dos mapas táteis, construídos com a técnica de imagem em relevo com recorte e colagens de vários materiais, foram utilizados EVAs de diferentes texturas, tamanhos e cores dispostos em cartolina preta, tomando sempre cuidado em escolher cores que contrastam e texturas agradáveis, para que a leitura háptica do aluno com DV não fosse cansativa, além dos títulos em Braille e legendas dos materiais usados com o propósito de facilitar sua localização e abstração das relações essenciais.

Já nos modelos atômicos tridimensionais mantivemos as cores utilizadas nos modelos bidimensionais para facilitar a compreensão dos alunos com DV, porém, no lugar do EVA utilizou-se isopor, tinta, arames e molas de encadernação (Figura 01). Como já mencionado, também produzimos banners em tamanho

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ampliado do cientista propositor de cada modelo atômico para facilitar a leitura dos alunos videntes e/ou alunos com baixa visão.

Depois de concluídos, os mapas e as maquetes foram expostos e explicados no MUSES para público distinto, tanto em grau de escolarização quanto em faixa etária, e pode-se observar a interação dos alunos videntes com o material e como poderiam ser auxiliados no processo de aprendizagem com representações que proporcionam clareza ao elucidar conceitos muito abstratos. Após as exposições foram aplicados questionários aos alunos e demais visitantes a fim de obter uma avaliação qualitativa do trabalho exposto. Os resultados foram satisfatórios, pois verificou-se que a maioria dos alunos videntes compreenderam melhor as informações por meio do material tátil. Não tivemos alunos DV visitando o evento, mas os materiais foram avaliados por uma professora especializada em DV, que trabalha na sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE) de uma escola da rede pública que orientou sobre a necessidade de passar todo texto para Código Braille e apresentar o material a um aluno com DV para resultados mais satisfatórios (ALVES, 2019).

Como avaliação informal, fotos do material foram apresentadas, durante um curso de texturização no Instituto Benjamin Constant, pela professora orientadora deste trabalho. Foram recebidos comentários positivos e fomos orientados sobre a necessidade de legenda impressa e em Braille para os mapas, igualmente, sobre os riscos de utilizar materiais, como tinta 3D, que produzem variações que podem ser percebidas ocasionando desorientação no aluno.

Para a construção e, até mesmo, reprodução deste material, a finalidade deve ser o entendimento háptico que o aluno deve desenvolver, porquanto a imagem tátil é um meio de transmitir informações e conhecimento ao leitor. Por isso, as formas usadas na elaboração devem ser expressivas, reconhecíveis de maneira automática e completas, pois, cada detalhe (e a falta dele) pode ser compreendido de forma diferente, assim, devem ser estáveis e com percepções táteis distintas. As texturas devem conter disparidades e diversidades, admitindo identificação das partes e a espessura dos materiais deve ser perceptível para discriminar o fundo e as figuras que nele estão (ROMANI, 2016; ALVES, 2019).

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Em vista disso, um dos desafios do professor em sala de aula é lidar com as diferentes necessidades educacionais dos estudantes em geral e pensar em práticas que superam os modelos pedagógicos atuais para uma didática de fato inclusiva (RODRIGUES, 2003 apud CAMARGO, 2012). Dentro desta concepção de educação, esta pesquisa foi satisfatória, pois auxiliou a compreensão dos direitos do aluno DV em sala de aula, das possíveis práticas que dão o suporte necessário ao processo de ensino-aprendizagem dos alunos de modo geral, além de despertar um olhar crítico em relação às condutas de professores que não enxergam seu trabalho de forma profissional, porquanto ensinar não é transmitir conhecimento, mas criar oportunidades para a construção deste (ALVES, 2019).

## Referências

ALVES, D. R. Proposta de elaboração de material didático para o ensino de física de partículas para alunos videntes e alunos com deficiência visual. Orientadora: Simone Aparecida Fernandes Anastácio. 70 f. TCC (Graduação) Curso de Licenciatura em Física, Centro de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde, Universidade Federal do Espírito Santo, Alegre. 2019.

CAMARGO, E. P. Saberes docentes para a inclusão do aluno com deficiência visual em aulas de física . 1. ed. São Paulo: Unesp, 2012.

DOMINGUES, C. A. et al . A educação especial na perspectiva da inclusão escolar : os alunos com deficiência visual: baixa visão e cegueira. Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2010. (Coleção A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar, v. 3)

GIL, M. (org.). Deficiência visual . Brasília: MEC. Secretaria de Educação a Distância, 2000. p. 80.

OSTERMANN, F. Um texto para professores do ensino médio sobre partículas elementares. Revista brasileira de ensino de física . São Paulo, v. 21, n. 3, p. 415-436, 1999.

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ROMANI, E.; MAZZILLI, C.T. S. Design do livro tátil ilustrado : processo de criação centrado no leitor com deficiência visual e nas técnicas de produção gráfica da imagem e do texto. 2016. Tese (Doutorado - Área de Concentração: Design e Arquitetura) - FAUUSP.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.