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ELABORAÇÃO DE MATERIAL TÁTIL PARA O ENSINO DE FÍSICA DE PARTÍCULAS PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL

Dálete Rodrigues Alves, Simone Aparecida Fernandes Anastácio

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Políticas Públicas E De Inclusão No Ensino De
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ELABORAÇÃO DE MATERIAL TÁTIL PARA O ENSINO DE FÍSICA DE PARTÍCULAS PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL

## Dálete Rodrigues Alves , Simone Aparecida Fernandes Anastácio 1 2

- 1 Universidade Federal do Espírito Santo, dalete-v@hotmail.com
- 2 Universidade Federal do Espírito Santo, simonef.ufes@gmail.com

Palavras-chave : ensino de física; material didático; deficiência visual.

## Resumo expandido

Considerando a relevância do ensino de Física de Partículas Elementares no Ensino Médio de forma a incluir alunos com deficiência visual, que engloba pessoas com baixa visão ou cegueira (DOMINGUES, 2010), e a carência de materiais instrucionais que auxiliam o processo de ensino/aprendizagem em uma perspectiva apropriada da evolução científica (SIQUEIRA, 2006), foi elaborado um livro tátil representando a evolução do modelo atômico, os físicos responsáveis pelo desenvolvimento destes modelos e as partículas bariônicas próton e nêutron. O trabalho foi desenvolvido com base em Romani (2016) e foi avaliado por uma professora da sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE) de uma escola pública estadual e que é especialista em atendimento a alunos com Deficiência Visual (DV).

Para sua elaboração, foram realizados estudos a respeito da Deficiência Visual e suas particularidades, como o processo de leitura de um aluno DV, os atributos de confecção de livro tátil e a leitura háptica. Este estudo permitiu levar em consideração pontos importantes como: (i) a disposição dos elementos na página de forma a contribuir para o reconhecimento espacial e, seguidamente, para o reconhecimento dos elementos; (ii) as texturas serem agradáveis; (iii) a utilização de formas significativas, identificáveis, fáceis de reconhecer; (iv) a altura na variação dos relevos e a escolha de cores para os contrastes e a inserção de legendas.

Com base nestes estudos, foi possível escolher a técnica de imagem em relevo com recorte e colagens de múltiplos materiais que possibilitem sensações diversas e contribuam para o enriquecimento verbal e imaginativo mediante a

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percepção, uma vez que o processo de leitura através do tato precisa ser realizado de forma ativa, sistêmica e intencional, não apenas um toque sobre o objeto de exploração (ROMANI, 2016). Portanto, fez-se uso da cartolina em formato A4 de cor preta como plano de fundo, facilitando o destaque na sobreposição de cores; na parte superior das páginas os títulos de cada modelo foram impressos em português com letras pretas grandes e será inserido o título em Código Braille. No centro da página foram representados os modelos, desde o modelo atômico de Dalton ao modelo de Schroedinger, utilizando-se diferentes materiais, como: EVA, linhas de lã, algodão, fibra de poliéster, papel paraná, esponja de lavar, bexiga, ondas de viscose, com texturas diversificadas e contraste de cores que atendem tanto a alunos videntes quanto a alunos cegos ou com baixa visão (Figura 01).

Figura 01: Representação dos modelos atômicos, próton e nêutron.

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É importante ressaltar que a produção de um material instrucional para o público DV, que apresenta a esses alunos conceitos fundamentais da natureza, não é algo intuitivo. Portanto, é necessária muita pesquisa para definir quais materiais podem ser utilizados, qual a melhor forma de estruturá-lo, bem como entender quais equívocos podem tornar seu trabalho não aplicável e, o mais grave, proporcionar ao aluno uma interpretação inadequada dos conceitos abordados. Torna-se necessário que a disposição dos elementos seja compreendida no espaço de suas duas mãos

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unidas e as texturas sejam agradáveis, visto que o processo de leitura do DV é cansativo. Além disso, para que haja distinção entre o plano de fundo e a figura, o relevo deve ser de, pelo menos, 1 mm de altura e o uso de tinta 3D não é recomendado. Deve-se evitar o uso de tons pastéis ou materiais brilhantes, pois estes podem causar desconforto e, por fim, é imprescindível o uso de legendas tanto em Código Braille quanto com letras grandes, uma vez que auxiliam o aluno a se localizar e fazer as relações fundamentais durante a leitura.

A avaliação de uma especialista em DV e professora do AEE, embora vidente, nos proporcionou maior garantia quanto à aplicabilidade do material elaborado. O próximo passo seria elaborar a parte textual e os títulos em Braille, além de apresentar a algum aluno com deficiência visual para melhor avaliação, no entanto, este processo foi interrompido pela pandemia.

Para futuros trabalhos, o intuito é desenvolver materiais instrucionais com outras temáticas da Física e utilizar como metodologia a multissensorialidade, que trabalha com o estímulo dos sentidos remanescente possibilitando, ao aluno DV, explorar o material, os conceitos envolvidos e experienciar outros modos de leitura de modo à contribuir com seu crescimento intelectual.

## Referências

DOMINGUES, C. A. et al . A Educação especial na perspectiva da inclusão escolar : os alunos com deficiência visual: baixa visão e cegueira. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2010. (Coleção A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar, v. 3)

ROMANI, E.; MAZZILLI, C.T. S.. Design do livro tátil ilustrado : processo de criação centrado no leitor com deficiência visual e nas técnicas de produção gráfica da imagem e do texto. 2016. Tese (Doutorado - Área de Concentração: Design e Arquitetura) - FAUUSP.

SIQUEIRA, Maxwell Roger D.P.. Do Visível ao Indivisível : uma proposta de Física de Partículas Elementares para o Ensino Médio. 2006. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.