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Linguagem utilizada em sala de aula no ensino de física: Câmara Escura para alunos cegos

Gabriel Fernandes Siva, Caio Nabuco Barbosa, Lucas Brasil De Cerqueira, Catarine Canellas Gondim Leitão, André Tato, Robson Costa De Castro

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Políticas Públicas E De Inclusão No Ensino De
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## LINGUAGEM UTILIZADA EM SALA DE AULA NO ENSINO DE FÍSICA: CÂMARA ESCURA PARA ALUNOS CEGOS

Gabriel Fernandes Silva 1 , Lucas Brasil de Cerqueira 2 , Caio Nabuco Barbosa 3 , Catarine Canellas Gondim Leitão 4 , André Tato 5 , Robson Costa de Castro 6

- 1 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, silva.gabriel\_2@graduacao.uerj.br
- 2 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, cerqueira.lucas\_1@graduacao.uerj.br
- 3 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, barbosa.caio@graduacao.uerj.br
- 4 Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Instituto de Física Armando Dias Tavares, c.canellas@uerj.br

5 Colégio Pedro II, andretato@gmail.com

6 PROFEPT/Colégio Pedro II, robsonfiscp2@gmail.com

Palavras-chave : Ensino de Física; Atividade Prática; Educação Especial.

## Resumo expandido

Os estudos de Ensino de Física em uma perspectiva inclusiva vêm aumentando e tendo sua importância reconhecida, vide os trabalhos de Santos (2001), Camargo (2008, 2012, 2016), Tato & Barbosa-Lima (2009), Cambuhy (2013, 2016) e Ferreira (2020) dentre tantos outros.

Por isso, nossa proposta de atividade dentro do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) é uma atividade inclusiva/acessível de análise de uma câmara escura de orifício em uma classe regular com a presença de um aluno cego. A ênfase de nossa proposta envolve a linguagem utilizada em sala de aula ou, mais especificamente, adaptação do material didático com a devida transposição da estrutura empírica da linguagem proposta por Camargo (2012).

Ainda de acordo com Camargo (op.cit.) essa adaptação pode ser útil aos demais alunos, ratificando o preparo de uma aula única para todos os alunos. O esperado, e mais comummente encontrado, é o professor pretendendo duas aulas ao mesmo tempo, no mesmo horário e espaço, denominado pelo autor de aula para (40+1) alunos e não 41 alunos.

De acordo com Tato e Barbosa-Lima (2009):

'A adaptação de materiais, para torná-los adequados aos estudantes, é de suma importância para alcançar o sucesso escolar. Quando se trata de alunos com necessidades especiais, a adequação de recursos materiais é condição sine qua non para mantê-los frequentando a escola com a dignidade à qual têm direito.' (p.,1)

Devido a importância dos atos comunicativos em sala de aula, cuja importância é apontada por Charaudeau (2008, 2012), o desenvolvimento da proposta consistiu em transformar um roteiro de uma aula experimental de Câmara

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

escura de orifício ( Figura 01 ) em um material adaptado em relevo ( Figura 07 ). O produto não consiste em uma atividade de laboratório, mas em um material de atividade prático-experimental para sala de aula regular. Dessa forma, pretendemos a igualdade de oportunidades entre o aluno cego e os alunos videntes em uma única aula como supracitado.

Tal processo de adaptação de material em função da necessidade do aluno tem sua importância explicada por Pacheco et al (2007):

'As práticas pedagógicas em uma escola inclusiva precisam refletir uma abordagem mais diversificada, flexível e colaborativa do que em uma escola tradicional. A inclusão pressupõe que a escola se ajuste a todas as crianças que desejam matricular-se em sua localidade, em vez de esperar que uma determinada criança com necessidades especiais se ajuste à escola.' (p., 15)

## Na figura 1, mostramos o roteiro anteriormente citado.

Figura 01: Roteiro original, páginas 1 e 2

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Para fazer a adaptação desse roteiro experimental de câmara escura, utilizamos o software livre 'Braille Fácil versão 4.1', um editor de texto integrado a um mecanismo automatizado de transcrição braile (impressora Braille). Nossa primeira preocupação, além de transcrever o material para o braile com alto relevo é manter, dentro do possível, a experiência de medição para participação do aluno. Tendo isso em vista, elaboramos um esquema de câmara escura adaptado em alto relevo, pretendendo oportunizar a aprendizagem dos conceitos físicos básicos que explicam o fenômeno.

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Na sequência, definimos os elementos que serão usados e os símbolos que os representam: Objeto ( Figura 02 ), Imagem ( Figura 03 ), Câmara Escura ( Figura 04 ), Régua adaptada ( Figura 05 ) e Raios de Luz na direção do orifício ( Figura 06 ) demonstrados abaixo. Essa descrição aparece em cada uma das figuras, na parte superior, escrito com código braille em relevo.

Figura 02: Objeto

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Figura 03: Imagem

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Figura 05: Régua adaptada

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Figura 04: Câmara EscuraFigura 06: Raios de Luz na direção do orifício

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O objeto deve ser algo com possibilidade de distinção de direção e sentido, mas com poucos detalhes pela limitação imposta pelos recursos existentes. A aplicação desse critério de ordem prática resultou na escolha de uma seta como Objeto cuja imagem se deseja projetar.

Na adaptação da régua, consideramos cada ponto consecutivo da linha de cota equivalendo a medida de 2cm. Porém no restante do esquema a imagem e objeto podem ser medidos com a razão de 1cm/ponto. Durante a leitura do material em braile, o aluno é instruído a identificar os elementos contidos na figura em relevo, seguido da contagem de pontos das linhas de cota. Dessa forma, ele consegue

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interpretar a imagem assim como os demais alunos. O objetivo principal não é realizar uma medição exata, admitindo margem de erro como seria o caso de quaisquer outros alunos com instrumentos de medição convencionais.

- O material adaptado está representado na figura 7, com o objeto em diferentes distâncias. Assim, a relação inversa da distância com o tamanho da imagem torna-se acessível ao aluno cego.

Figura 07: Material adaptado em braile, esquema da câmara escura

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O roteiro original, previsto exclusivamente para alunos videntes, contém questionamentos avaliativos da aprendizagem. Na versão adaptada, fizemos escolhas didáticas parametrizadas pelas necessidades educacionais do aluno cego fornecida por professores do Núcleo de Atendimento à Pessoa com Necessidades Específicas (NAPNE) da Instituição de atuação. Esclarecemos nossa intenção de dar a mesma aula para todos os alunos presentes na classe, mas isso não significa deixar de discutir aspectos estritamente visuais com os alunos videntes. A transposição da estrutura empírica da linguagem contemplou todos os meios possíveis pensados por este grupo, respeitando individualidades e ampliando os recursos de aprendizagem disponíveis com a respectiva ampliação das oportunidades de aprendizagem.

Enfatizamos que a presença de uma nova necessidade, referente a um caso específico da educação inclusiva, nos levou a repensar uma prática pedagógica consolidada. Como consequência da busca de novos recursos, pudemos ainda

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repensar a efetividade da didática tradicional e melhorar a relação ensinoaprendizagem.

A evolução científica foi baseada na diversidade, diante de novos fatos apresentados. Com a educação não é diferente: nossa proposta ratifica a ampliação de horizonte vindo inclusão da diversidade é útil para todos.

## Referências

CAMARGO, E.P. Ensino de Física e Deficiência Visual: dez anos de investigação no Brasil. Revista Ensaio . São Paulo: FAPESP, 2008.

CAMARGO, E.P. Saberes docentes para a inclusão do aluno com deficiência visual em aulas de física: 1° ed. São Paulo: UNESP Editora, 2012. Belo Horizonte | v.16 | n. 01 | p. 211-230 | jan-abr | 2012.

CAMARGO, E.P. Inclusão e necessidade educacional especial: compreendendo identidade e diferença por meio do ensino de física e da deficiência visual. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2016.

CAMBUHY, J.F.S O Ensino de Física com as Mãos: Libras e inclusão. Dissertação (Mestrado em Ensino de Física) - Ensino de Ciências (Física, Química e Biologia), Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013.

CAMBUHY, J. F.S.; MATTOS, C. R. Quando a inclusão é exclusão: a falta de instrumentos mediadores no ensino de física para surdos . In: N.M.D. Garcia; M.A. Auth; E.K. Takahashi. (Org.). Enfrentamentos do ensino de física na sociedade contemporânea. 1ed.São Paulo: LF Editorial, 2016, v. 1, p. 291-314.

CHARAUDEAU, Patrick. Linguagem e Discurso: Modos de Organização . São Paulo: editora contexto, 2008.

CHARAUDEAU, Patrick. O contrato de comunicação na sala de aula . In: Revista Inter Ação, v. 37, n. 1, p. 1-14, 2012.

FERREIRA, B.A. O Que Não Se Pode Ver: Uma Prática De Ensino Sobre O Estudo De Ondas Para Deficientes Visuais . Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino de Física), UFRJ, Rio de Janeiro, 2020.

INSTITUTO BENJAMIM CONSTANT - IBC. Programa Braille Fácil. Manual do Braille Fácil 4.1. 2009. Disponível em &lt; http://intervox.nce.ufrj.br/brfacil/&gt;. Acesso em 05.03.2021.

PACHECO, J.; EGGERTSDÓTTIR, R.; MARINÓSSON, G.L. Caminhos para a inclusão: um guia para o aprimoramento da equipe escolar . Porto Alegre: Artmed, 2007.

SANTOS, L.T. O Olhar do Toque: Aprendendo com o Aluno Cego a Tecer o Ensino de Física . Dissertação de Mestrado, Instituto de Física e Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.

TATO, A.L.; BARBOSA-LIMA, M. C. A. Escrita matemática para alunos usuários do braille: análise do Colégio Pedro II . Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, VII. Florianópolis, SC, p. 1-9, 2009.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.