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ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO POR SEXO E COR/ETNIA DE DOCENTES EM FÍSICA DO RIO GRANDE DO SUL

Laís Gedoz, Luiz Felipe De Moura Da Rosa, Alexsandro Pereira De Pereira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Políticas Públicas E De Inclusão No Ensino De
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO POR SEXO E COR/ETNIA DE DOCENTES EM FÍSICA DO RIO GRANDE DO SUL

Laís Gedoz¹, Luiz Felipe de Moura da Rosa ² , Alexsandro Pereira de Pereira ³

- 1 UFRGS/Instituto de Física/Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física, lais.gedoz@ufrgs.br
- 2 UFRGS/Instituto de Física/Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física, profluizfis@gmail.com
- ³ UFRGS/Instituto de Física/Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física, alexsandro.pereira@ufrgs.br

Palavras-chave : Docentes; Desigualdades; Física.

## Resumo expandido

Nascimento (2020) busca identificar as desigualdades sociais que permeiam os profissionais que atuam como docentes em Física em escolas estaduais de nosso país. A investigação do autor contempla algumas características dos professores (e.g., sexo, cor/etnia), com foco na adequação da formação (AFD). No entanto, defendemos, nesse trabalho, a importância de olhar para recortes mais restritos. Desse modo, o objetivo desse trabalho é analisar a distribuição por sexo e cor/etnia de docentes em Física em diferentes dependências administrativas (DAs) no estado do Rio Grande do Sul (RS).

Para alcançarmos tal objetivo, olhamos para os microdados do Censo da educação básica disponibilizados mais recentes, ou seja, referentes ao ano de 2019. Mobilizamos como ferramenta para tratamento dos dados o ambiente de programação R, no qual foram aplicados uma série de filtros no arquivo disponibilizado. Os filtros aplicados para esta análise foram os mesmos utilizados por Nascimento (2020), exceto os filtros da unidade federativa, sendo selecionado apenas os dados referentes ao estado do RS e o filtro das DAs, sendo analisado todas elas. Nossa primeira análise tem como objetivo identificar quantos docentes que ministram aulas de Física possuem licenciatura em Física. Os resultados são apresentados na Tabela 01.

Tabela 01: Proporção de docentes que ministram aulas de Física nas diferentes DAs do RS

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Percebe-se que a única DA em que a maior parte dos professores de física são formados em Física é a federal (cerca de 77%). Em nosso estudo é possível perceber que a segunda DA com melhores índices de AFD em Física é a privada (cerca de 42%). Ademais, salientamos que um mesmo professor pode atuar em mais de uma DA.

A próxima questão que nos surge é será que as mulheres estão atuando nos mesmos espaços que os homens? Dentre as asserções identificadas no trabalho de Nascimento (2020) está a maior proporção de mulheres atuando enquanto professoras de Física na região Sul do país. No RS, se olharmos apenas para o recorte da DA estadual (o que fez o autor) corroboramos tal constatação, afinal 55,7% dos professores nesta DA são mulheres. Entretanto, em todas as demais DAs isso não se repete, conforme ilustra a Tabela 02.

Tabela 02: Número e proporção de docentes de Física nas diferentes DAs por Sexo

## Mas, afinal: por que existem mais mulheres na DA Estadual?

Com base nos estudos sobre questões de gênero, nossa hipótese é de que essa distribuição das mulheres nas DAs não se dá por acaso, mas sim, é um reflexo da posição social das mulheres no Brasil. A sociedade brasileira é marcada por relações de poder em que o homem branco possui um status superior, se inserindo no topo da pirâmide social, seguindo pela mulher branca, homem negro (estes dois últimos podendo oscilar) e, por último, a mulher negra (RIBEIRO, 2019). Em linhas gerais, conforme o setor econômico do Brasil foi se modificando ao longo das décadas, os setores de mais baixo nível foram cada vez mais se feminizando. Dessa forma, as mulheres e, principalmente as mulheres negras, passaram a desempenhar os 'papéis sociais desvalorizados em termos de população economicamente ativa' (GONZALES, 2018, p.73). Esse cenário se mantém nos tempos atuais, muitas vezes as mulheres acabam ocupando cargos de trabalho menos valorizados, enquanto os homens atuam em cargos de maior prestígio, poder e salário (TEIXEIRA; FREITAS, 2014). Nossa hipótese é de que existem mais mulheres do que homens apenas na rede Estadual, pois é justamente nessa DA que os docentes são mais desvalorizados.

Olhando para os recortes de cor/etnia, apresentados na Tabela 03, não há surpresa na grande maioria dos professores declarados serem identificados enquanto brancos, frente ao perfil socioeconômico da população gaúcha (IBGE, 2016). Assim como no caso das mulheres, os pretos estão na sua maioria na DA Estadual, o que também reforça a hipótese desta distribuição refletir as desigualdades sociais presentes no Brasil. Em relação a esse cenário nos surgem outros questionamentos (e.g., será que o número de docentes pertencentes aos grupos de Cor/etnia com menor percentual é apenas um reflexo demográfico do estado do RS? ), os quais, precisaríamos de mais estudos para respondê-los, pois as pesquisas que abordam questões de gênero e raça ainda são escassos na área de Ensino de Física (GEDOZ; PEREIRA; PAVANI, 2018).

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Tabela 03: Distribuição de professores de Física nas diferentes DAs por cor/etnia

Por fim, salientamos que ter um número maior de mulheres docentes em Física do que em outros estados não garante que estamos nos encaminhando para uma equidade de gênero, visto que, foi possível observar que existem mais professoras atuando na DA estadual, a mais desvalorizada. Ademais, o Censo escolar limitar as opções de gênero a uma classificação binária baseada apenas no sexo, é entendido por nós como um atraso frente a ampla discussão sobre gênero e sexualidade na sociedade contemporânea.

Esperamos que esse trabalho possa instigar cada vez mais questionamentos e estudos que explorem as questões de gênero e cor/etnia que permeiam a docência em Física e também sobre políticas públicas de formação de professores de Física, especialmente, no que tange a melhoria de índices de AFD.

## Referências

IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios: síntese de indicadores: 2015 . Rio de Janeiro: IBGE, 2016.

GEDOZ, Laís.; PEREIRA, Alexandro Pereira; PAVANI, Daniela Borges. Questões de Gênero no Ensino de Física: Uma Revisão da Literatura Nacional. In: XVII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF) , Campos do Jordão, SP, 2018.

NASCIMENTO, Matheus Monteiro. O professor de Física na escola pública estadual brasileira: desigualdades reveladas pelo Censo escolar de 2018. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 42, n.e20200187, p. 1-4, 2020.

NASCIMENTO, Matheus Monteiro. O acesso ao ensino superior público brasileiro: um estudo quantitativo a partir dos microdados do Exame Nacional do Ensino Médio . 2019. Tese (Doutorado em Ensino de Física) Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Física. Programa de PósGraduação em Ensino de Física, Porto Alegre, 2019.

GONZALES, Lélia. Primavera para as rosas negras . São Paulo: UCPA Editora, 2018.

RIBEIRO, Djamila. Lugar de fala . Pólen Produção Editorial LTDA, 2019.

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TEIXEIRA, Adla Betsaida Martins; FREITAS, Marcel de Almeida. Mulheres na docência do ensino superior em cursos de física. Ensino em Re-Vista, v. 21, n. 2, 2014.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.