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ENCONTRO COM A CIENTISTA: UMA INICIATIVA INDEPENDENTE DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E INCENTIVO DE MENINAS NA CIÊNCIA

Jessica Yule Da Costa, Raquel Gurgi Bueno, Thaís Rabito Pansani

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Mídias Digitais, Divulgação E Comunicação Científica No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ENCONTRO COM A CIENTISTA: UMA INICIATIVA INDEPENDENTE DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E INCENTIVO DE MENINAS NA CIÊNCIA

Jessica Yule da Costa 1 , Raquel Gurgi Bueno 2 , Thaís Rabito Pansani 3

- 1 Universidade Federal de São Carlos/Departamento de Física, Química e Matemática, yule.costa.jeeh@gmail.com

Palavras-chave : Divulgação científica; Mulheres na Ciência; Encontro com a cientista.

## Resumo expandido

De acordo com Nobre e Queiroz (2012), a divulgação do conhecimento científico para todos os públicos tende a resultar em diversos benefícios, desde a compreensão dos conceitos abordados até o desenvolvimento de hábitos de leitura e o aprimoramento de argumentações acerca de temas técnico-científicos. Dessa forma, analisando pela perspectiva do ensino de ciências da natureza, é possível notar que esses benefícios se dão principalmente pela aproximação dos conteúdos dessa grande área com o cotidiano do estudante, o que muitas das vezes, infelizmente, não ocorre apenas com a leitura de um livro didático ou de um material escolar tradicional.

Além desta necessidade de aproximar a ciência do cotidiano dos estudantes, outra problemática observada e disponível na literatura é a predominância masculina nos ambientes científicos (LETA, 2003). No meio acadêmico, as mulheres foram historicamente excluídas durante séculos e, embora sua inserção esteja recentemente crescendo, ainda trata-se de um número consideravelmente pequeno em diversas áreas (SCHIEBINGER, 1991).

- O tratamento desigual e episódios de assédios contra profissionais do sexo feminino dentro da academia tem se mostrado uma realidade em nível internacional. A desigualdade de gênero no meio profissional é associada parcialmente a concepções tradicionais e conservadoras atribuídas a um idealístico papel da mulher na sociedade. Entre diversas esferas profissionais, destaca-se a escassa participação de mulheres na ciência e na tecnologia, especialmente nas ciências físicas. A física, particularmente, é uma área na qual a representatividade feminina tem aumentado lentamente no Brasil, principalmente devido ao desencorajamento de jovens no ensino básico a seguirem carreira nessa área (AGRELLO, GARG; 2009).

Diante do exposto, o projeto 'Encontro com a Cientista' foi idealizado, de forma independente e sem vínculos institucionais, por duas estudantes (graduação e pós-graduação) da Universidade Federal de São Carlos, (UFSCar), com intuito de divulgar as pesquisas científicas feitas por mulheres brasileiras e aproximá-las de

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meninas interessadas em ciência. Devido ao contato entre meninas e cientistas ser ainda mais difícil com o cenário da pandemia do COVID-19 em 2020, considerou-se a realização de um projeto no qual essa aproximação poderia acontecer de forma on-line. Em julho de 2020, foi criada uma página na plataforma digital Instagram para a realização de lives (vídeos ao vivo) entre as organizadoras e diversas mulheres cientistas, que divulgaram suas histórias e temas de pesquisas de forma simplificada e acessível. A iniciativa obteve sucesso e apoio logo nos seus primeiros meses ao ar, conseguindo alcançar mais de 2.000 seguidores, espalhados em todo Brasil, em 6 meses, e obteve destaque e avaliações positivas em grandes mídias sociais (e.g. Rede Record de televisão (R7)).

Figura 01: Logo do projeto Encontro com a Cientista e capa de algumas lives realizadas entre meninas e cientistas e organizadoras e cientistas.

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www.instagram.com/encontrocomacientista

As primeiras lives resumiram-se em conversas no encontro ao vivo entre as organizadoras e mulheres cientistas (áreas: Biologia da Conservação, Entomologia, Herpetologia, Biologia Marinha, Biotecnologia, Ciências Agrárias, Arqueologia, Paleontologia, Astrobiologia, Astronomia, Meteorologia, Criminologia, Neurociência, Neuropsicofarmacologia, Psicologia Cognitiva, Psicologia polar, Ecologia da Antártica, Divulgação Científica, Medicina, Física Médica, Proteômica, Oncologia, Engenharia Química, Engenharia de Materiais, Neuroengenharia, Neurofarmacologia, Ciências Metalúrgicas e Química). Posteriormente, foram realizados episódios 'especiais' (especial dia das crianças e especial de natal), onde as conversas e encontros eram diretamente entre meninas (crianças e adolescentes) e mulheres cientistas que trabalham em áreas que essas meninas já sonham em seguir. Muitas dessas meninas tiveram, pela primeira vez, a oportunidade de conversar com uma cientista das suas profissões dos sonhos. Um total de 16 meninas, de 7 a 16 anos, participaram desses encontros.

Finalmente, os objetivos que têm sido alcançados por este projeto incluem: i) promover a divulgação da ciência e das pesquisas de cientistas mulheres brasileiras, com foco para o público feminino de jovens do Ensino Fundamental; ii) responder questões como: quem faz Ciência no Brasil? e quais os caminhos para se tornar uma cientista no Brasil?; iii) trabalhar na desconstrução de ideias equivocadas sobre padrões na ciência relativos a gênero, área de pesquisa, e genialidade; e iv) incentivar meninas na fase pré-adulta interessadas em Ciência a seguirem seus sonhos em carreiras científicas, tornando esse sonho mais realista e alcançável a partir do contato com mulheres cientistas.

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Em resumo, este projeto visou aproximar meninas, crianças e adolescentes de mulheres cientistas, principalmente dentro de um contexto de isolamento e distanciamento social. Este contexto peculiar acabou também destacando a importância de iniciativas digitais devido ao maior alcance de meninas de diversas localidades e rendas (cidades grandes, pequenas, de diferentes estados, escolas públicas e privadas) e maior possibilidade de aproximá-las de cientistas, que muitas vezes estão fisicamente distantes e que seria difícil de viabilizar se não fosse on-line. O projeto teve sucesso em relação aos seus objetivos iniciais e continua ativo, contando atualmente com o desenvolvimento de novas ideias e aperfeiçoamento para próximos passos.

## Referências

AGRELLO, D.A. e GARG, R. Mulheres na física: poder e preconceito nos países em desenvolvimento. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 31, n. 1, 1305 (2009).

FERREIRA, L. N. A.; QUEIROZ, S. L. Textos de Divulgação Científica no Ensino de Ciências: uma revisão. Revista de Educação em Ciência e Tecnologia, v.5, n.1, Maio, 2012.

LETRA, J. 2003. As mulheres na ciência brasileira: crescimento, contrastes e um perfil de sucesso. Estudos avançados, v. 17, n. 49, São Paulo.

SCHIEBINGER, L. 1991. The Mind Has No Sex? - Women in the Origins of Modern Science. Harvard University Press.

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