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DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA NA PLATAFORMA YOUTUBE: ANÁLISE DAS INTERAÇÕES ENTRE OS COMENTADORES EM VÍDEO SOBRE VIDA FORA DA TERRA NO CANAL DO SCHWARZA

Antonio Barbosa Dos Santos Junior, Esdras Viggiano

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Mídias Digitais, Divulgação E Comunicação Científica No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA NA PLATAFORMA YOUTUBE: ANÁLISE DAS INTERAÇÕES ENTRE OS COMENTADORES EM VÍDEO SOBRE VIDA FORA DA TERRA NO CANAL DO SCHWARZA

Antonio Barbosa dos Santos Junior 1 , Esdras Viggiano 2

- 1 Universidade Federal do Triângulo Mineiro / Licenciando em Física, d201710361@uftm.edu.br
- 3 Universidade Federal do Triângulo Mineiro / Departamento de Educação em Ciências, Matemática e Tecnologias, esdras@pecpe.com.br

Palavras-chave : divulgação científica; comentários em vídeos; ensino de ciências.

## Resumo expandido

Desde os primórdios da humanidade, o homem tem fascínio em observar o céu em busca de várias respostas. Uma delas persiste até hoje, que é tentar compreender nosso posicionamento diante a vastidão do Cosmos e se realmente estamos sozinhos nele. Carl Sagan, divulgador da ciência do século passado, afirmava que se não existisse vida fora da Terra, o Universo seria um desperdício de espaço. Diante desta cobiça, o tema vida extraterrestre ainda desperta a imaginação da população de forma mística, inclusive em histórias de contatos com esses tais seres e possíveis visualizações de Objetos Voadores não Identificados ( OVNI) no céu.

Apesar das especulações e da natureza popular dessas questões, também encontramos estudos, especulações e teorias relacionados à vida fora da Terra (BARCELOS, 1999). Nas últimas décadas, emergiu uma nova área da ciência com propósito de buscar compreender o que é a vida e como podemos estender esse evento para fora da Terra: Astrobiologia (QUILLFELDT, 2010). Algumas missões foram executadas atrás dessas respostas pelo Sistema Solar e buscas de exoplanetas pelo Cosmos com morfologia semelhante às do nosso planeta para tentar responder questões da área. Pelas influências dessas missões e as primeiras descobertas de exoplanetas em meados da década de 1990, é recorrente observarmos em jornais, podcasts, sites, livros e vídeos em várias plataformas comentando sobre essas pesquisas e seus possíveis impactos que podem emergir em nossa sociedade.

Embora conhecimentos mais recentes dessa área estejam presentes nos meios de comunicação e, também, nos de divulgação científica, nota-se que uma parcela significativa da população desconhece ou conhece apenas visões distorcidas, inclusive teorias da conspiração. Além disso, boatos e fake news (SANTOS, 2019) influenciam o público geral. Com o agravante que as discussões de Ensino de Ciências e divulgação científica acabam, muitas vezes, por se afastar das discussões filosóficas (BARCELLOS, 2020), os não cientistas acabam por divulgar informações nem sempre com sustentação científica e até mesmo com visões deformadas da ciência, (PÉREZ et al. , 2001), inclusive constituindo fake news ou boatos.

Para suprir a demanda social de conhecimento científico, é necessária uma nova postura de cientistas, professores e divulgadores científicos, que precisam

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

respeitar e dialogar com os interlocutores e não apenas tentar impor verdades de forma bancária (BARBELLOS, 2020).

Um dos veículos utilizados para divulgação científica, atualmente, são as plataformas de vídeo sob demanda, por exemplo, o Youtube. Algumas dessas permitem a criação de canais em que os usuários podem inscrever e receber informações de novas publicações, comentar o vídeo e interagir com outras pessoas.

Não podemos desconsiderar que o vídeo é um instrumento de ensino-aprendizagem relevante para o ensino de ciências e, por isso, é importante compreendermos as caracterizações de vídeos educativos (BONETTI, 2008) e também de divulgação científica.

Nessa perspectiva, além de ser relevante analisar os vídeos de canais ditos de divulgação científica, também é importante investigar comentários a esses vídeos, pois podem revelar visões de ciência, conceitos, valores atribuídos pelos sujeitos à Ciência, ao trabalho científico e, também, o status da ciência frente ao senso comum.

Neste trabalho, entendemos por bem analisar os comentários do Canal do Schwarza no youtube, um dos canais brasileiros considerados de divulgação científica com: 1,02 milhão de inscritos; cerca de mil comentários por vídeo diário publicados desde 2011; 164 milhões de visualizações que abordam Ciência. O Canal apresenta vídeos com média de 9 minutos e relacionados a notícias ou estudos nos seguintes campos do conhecimento: Astronomia, Ciência e Filosofia.

Escolhemos um vídeo sobre a temática de Astrobiologia, de título: 'NASA: Estamos perto de Anunciar Vida em Marte, mas o mundo não está preparado', na busca por responder a seguinte pergunta de pesquisa: Como os comentadores do vídeo sobre vida fora da Terra no canal do Schwarza de divulgação científica no Youtube interagem entre si e com o vídeo? Do conjunto de comentários, elegemos dois que desencadearam mais de cem respostas.

O conjunto de categorias de análise que escolhemos foram: fontes externas, referências ao próprio vídeo, correção conceitual, concepções alternativas ou de senso comum, entendimento do vídeo, visão de Ciência, curtidas ( likes ) e 'descurtidas' ( dislikes ).

Os resultados indicam que a maior parte dos comentários não invocam fontes externas nas opiniões dos internautas, sobretudo, aquelas de natureza científica. Além disso, a análise indicou predomínio de concepções de senso comum, que nem sempre correspondem às explicações científicas mais aceitas. O cunho pessoal e não de conhecimento consolidado cientificamente pode ser identificado devido à grande frequência do pronome 'eu', seguidos de comentários com palavras de baixo calão em algumas ocasiões. Tais comentários, eventualmente, foram emitidos em contraposição àqueles com sustentação científica. Por outro lado, uma minoria apresenta-se visões reflexivas e com sustentação científica.

Identificamos alguns vídeos com piadas e sarcasmo dos conhecimentos de natureza científica presentes no vídeo. A falta de pontuação adequada a alguns

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problemas de linguagem não permitem afirmar que alguns comentários tinham natureza sarcástica ou assertiva. Assim, não era possível compreender quais outros comentários esses comentários ratificavam ou procuravam refutar. Por fim, houve predomínio em visões deformadas de Ciência, sobretudo, em alguns comentários apresenta concepções diversa à visão perante o desenvolvimento científico. A maioria vê a Ciência como algo absoluto, infalível e concreto.

Perante os resultados expostos acima, visões de deformações da Ciência se mostraram presentes em comentários de um vídeo de divulgação científica. Entendemos, como bem aponta Barcellos (2020) que são necessárias ações de respeito ao pensamento dos participantes e que são necessárias ações dialógicas para a construção de visões de ciências adequadas ao nosso tempo, bem como incentivar que divulgadores da ciência busquem compartilhar conhecimentos levando em conta as naturezas da Ciência. Ainda decorre disso, que professores, ao utilizar materiais de divulgação científica, precisam problematizar o vídeo e não apenas utilizá-lo como se todas as questões pedagógicas, de natureza da ciência e conhecimentos científicos já estejam devidamente postos. Ademais, a problematização do professor pode propiciar que os alunos passem a olhar os vídeos de forma mais crítica e que busquem argumentar em vídeos desta natureza sustentando-se em conhecimentos científicos.

## Referências

BARCELOS, E. D. A sopa quente: breve histórico das teorias sobre a origem da vida e a vida extraterrestre (1920-1959). Revista Multipla , v. 4, n. 6, p. 9-20, 1999.

BARCELLOS, M. Ciência não autoritária em tempos de pós-verdade. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 37, n. 3, p. 1496-1525, 16 dez. 2020.

QUILLFELDT, J.A. Astrobiologia: água e vida no sistema solar e além. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 27, n. 4, p. 685-697, 2 mar. 2011.

PÉREZ, D. G.; MONTORO, I.F.; ALÍS, J.C.; CACHAPUZ, A.; PRAIA, J. Para uma imagem não deformada do trabalho científico. Ciência & Educação (Bauru), v. 7, n. 2, p. 125-153, 2001.

SANTOS, F.R.L. Ética da Crença, Fake News e Responsabilidade. Perspectiva Filosófica , v. 46, n. 1, p. 128-158, 2019.

BONETTI, M. de C. A linguagem de vídeos e a natureza da aprendizagem. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências). Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ensino de Ciências, Universidade de São Paulo: USP, 2008.

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