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CADERNO DE APOIO AO PROFESSOR COMO ESTRATÉGIA DE APROXIMAÇÃO ENTRE MUSEU E ESCOLA

Debora Garcia, Silvia Martins

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Mídias Digitais, Divulgação E Comunicação Científica No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## CADERNO DE APOIO AO PROFESSOR COMO ESTRATÉGIA DE APROXIMAÇÃO ENTRE MUSEU E ESCOLA

## Débora Garcia 1 , Silvia Martins 2

- 1 Universidade Federal de Uberlândia/ Instituto de Física/ Museu DICA, deboragarciakkd@gmail.com
- 2 Universidade Federal de Uberlândia/ Instituto de Física/ Museu DICA, smartins@ufu.br

Palavras-chave : Relação museu-escola, museus de ciência, papel educativo.

## Resumo expandido

Os museus acompanham a sociedade por muito tempo e sempre estão sofrendo mudanças marcantes no seu papel social e educativo, passando de meros armazéns de objetos para espaços de aprendizado. A percepção do campo educativo nos museus foi fortalecida ao longo do século XX, principalmente com a diversificação e aumento no atendimento específico do público. (Marandino, 2005). Desde então a dimensão educativa vem sendo debatida em diferentes fóruns de discussão e por cientistas de várias formações com o objetivo de estabelecer um compromisso maior com o público, principalmente os grupos escolares (professores e estudantes), e tornar a prática de visitação algo comum nas atividades desenvolvidas na educação formal. (GRUZMAN e SIQUEIRA, 2007)

É importante ter uma dimensão educativa nos museus a fim de ter uma interação de qualidade com o público, principalmente das escolas que representam o principal público do museu (Jacobucci, 2008). Para Lopes (1991) a falta de definição de um projeto educativo, no entanto, leva os professores a não perceberem que os papéis educacionais do museu e da escola são diferentes. Nas palavras de Lopes (1991, p.453) '[...] serviços educativos em museus devem ser encarados como elo de ligação básica entre pesquisadores e o público, escolar ou não, como articulação necessária entre a pesquisa da realidade museológica e sua divulgação pública.'

Enquanto parte do setor educativo do Museu Diversão com Ciência e Arte (Dica), do Instituto de Física (Infis) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), reconhecemos a função social e educativa dos museus de ciências para com a sociedade. Nesse contexto, este trabalho apresenta a proposta de elaboração de um caderno de apoio para os professores da educação básica que possa ser disponibilizado nas escolas e para os professores parceiros do Dica.

Figura 01: Capa do Caderno de apoio aos professores

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Acreditamos que a elaboração de materiais de apoio e canais de comunicação com a escola são importantes tanto para promover o diálogo e a aproximação do público, com as atividades expositivas, quanto estabelecer as diretrizes estruturais e de ação da instituição.

A proposta de elaboração deste caderno se deu a partir do levantamento das principais dúvidas dos professores que visitaram o museu, seja no processo de agendamento, preparação e realização da visita. Esses dados evidenciaram que os professores que visitam o museu muitas vezes não conhecem suas atividades, mesmo quando estão disponíveis no site e, de maneira geral, não se preparam para a realização da visita.

Nesse sentido, acreditamos que a estruturação de um caderno de apoio pode ajudar o museu a apresentar aos professores a missão e os objetivos do museu enquanto espaço de educação, bem como as diferenças entre o museu e a escola (LOPES, 1991; MARANDINO, 2008). O 'Caderno de Apoio ao Professor' do Museu Dica é, então, organizado da seguinte forma:

- 1. Apresentação: Em que o Museu e seus objetivos são apresentados aos professores. Nesse tópico, é apresentado um breve histórico do Museu Dica, além de suas exposições e atividades, buscando oferecer ao professor um panorama das ações oferecidas pelo museu.
- 2. Reflexões sobre a relação entre o Museu e a Escola: Neste tópico buscamos apresentar reflexões sobre o papel educacional do museu e da escola, com o intuito de estabelecer as principais diferenças entre as duas instituições. Nesse tópico, o modelo de Allard e Boucher (1991) é apresentado como um método pedagógico para ser usado na fase de execução das atividades no Museu, sendo dividida em três momentos: antes, durante e depois da visita.
- 3. Dicas e Sugestões: além de discussões e reflexões acerca desses 3 momentos trazemos algumas sugestões de atividades desenvolvidas pela equipe educativa do Dica, em parceria com professores e em projetos de graduação -Licenciatura em Física (OLIVEIRA, 2017; NETO, 2017; BARROS, 2017; RAMOS, 2016; MAESTRI, 2015) e pós graduação Mestrado Profissional em Ensino de Ciências e Matemática (MAESTRI, 2020; ALVES, 2019; NUNES, 2017; MOTA, 2017), com o intuito de orientar e inspirar os professores na elaboração de suas propostas educativas. Também direcionamos um campo para auxiliar como participar dos eventos Brincando e Aprendendo, Ciência Viva e Cine Dica.
- 4. Canais de Comunicação: Neste tópico disponibilizamos os canais de contato com a equipe do museu (e-mail, telefone, site e perfis nas redes sociais) e disponibilizamos um link com um formulário para que os professores possam nos trazer um retorno sobre as propostas desse caderno com suas impressões e sugestões.

Desse modo, entendemos que o caderno deve apresentar o museu e também trazer reflexões sobre as possibilidades educativas e de colaboração entre ambos os espaços. Assim, buscamos apresentar no caderno, o modelo proposto por Allard e Boucher (1991, apud MARANDINO, 2008, p.2) que ' explica as diferenças e negocia os conflitos a partir da estruturação de um método de trabalho comum. Esse modelo é dividido em três fases: diagnóstico, execução e avaliação .' E também ajuda a

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estabelecer o trabalho colaborativo entre as equipes pedagógicas do museu e da escola.

Destacamos, no entanto, que é na fase de execução que as atividades do museu têm uma maior capacidade de dialogar com a visita do grupo escolar. Essa etapa é dividida em três momentos: antes, durante e depois da visita ao museu. Nesse sentido, buscamos apresentar no caderno as exposições e atividades existentes no museu Dica, além de discussões e reflexões acerca desses três momentos e algumas sugestões de atividades com o intuito de orientar e inspirar os professores na elaboração de suas propostas educativas.

Esperamos, assim, colaborar para que os professores, antes da visita à instituição, possam estabelecer critérios com os estudantes em relação às atividades a serem realizadas. Acreditamos que esse planejamento prévio e diálogo com a turma torna a visita um instrumento de troca e reflexão crítica, de forma que ambos construam o conhecimento. (COSTA e WAZENKESKI, 2015).

Em suma, esperamos que a partir deste material o museu possa melhorar sua relação com o professor, evidenciando para os professores e para sua própria equipe de monitores que o museu deve ser parceiro da escola, mas não é uma extensão da sala de aula. (LOPES,1991).

## Referências

ALVES, S. E. Um olhar sobre o programa de formação continuada no Museu Dica: memória e identidade.2019. Dissertação(Mestrado) - Universidade Federal de Uberlândia, Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática. Uberlândia, 2019.

BARROS, M. Construindo Artefatos Digitais para o Museu DICA: Contribuições para a formação de professores de Física. 2017. Trabalho de Conclusão de Curso (Física licenciatura)- Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de física (INFIS). Uberlândia, 2017.

COSTA, H. H. F. G.; WAZENKESKI, V. F. A importância das ações educativas nos museus. Ágora.Santa Cruz do Sul, v.17,n. 02,p. 64-73, jul./dez. 2015. Disponível em: http://dx.doi.org/10.17058/agora.v17i2.6336.

JACOBUCCI, D. F. C. Contribuições dos espaços não-formais de educação para a formação da cultura científica. Revista Em Extensão, v. 7, n. 1, 5 nov. 2008.

LOPES, M. M. A favor da desescolarização dos museus. Educação &amp; Sociedade, nº40. Dezembro/ 91. P. 443 -454.x

MAESTRI, P. F. Roberto Silvestre e a astronomia: Duas décadas de inspiração para a população de Uberlândia. 2020. Dissertação(Mestrado) - Universidade Federal de Uberlândia, Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática. Uberlândia, 2020.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_. Dos Planetas Anões às Galáxias: ampliando as ações de divulgação da astronomia na Trilha do Sistema Solar. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Física licenciatura)- Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de física (INFIS). Uberlândia, 2015.

MARANDINO, Martha.Educação em museus: a mediação em foco. Organização Martha Marandino.São Paulo, SP: Geenf / FEUSP, 2008.

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MARANDINO, M. Museus de Ciências como Espaços de Educação In: Museus: dos Gabinetes de Curiosidades à Museologia Moderna. Belo Horizonte: Argumentum, 2005, p. 165-176.

MOTA, S. A. G. A feira de ciência viva e os professores da educação básica. 2017. Dissertação(Mestrado) - Universidade Federal de Uberlândia, Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática. Uberlândia, 2017.

NETO, L. B. Relato de Experiência sobre a Construção da Comunicação da Mostra de Física Itinerante do Museu DICA. 2017. Trabalho de Conclusão de Curso (Física licenciatura)- Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de física (INFIS). Uberlândia, 2017.

NUNES, N. A. Praça Passarinhar: Investigação dos bastidores da transposição museográfica de uma exposição do Museu Diversão com Ciência e Arte(DICA). 2017.Dissertação(Mestrado) - Universidade Federal de Uberlândia, Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática. Uberlândia, 2017.

OLIVEIRA, G. A. A História do Átomo em Exposição.2017.Trabalho de Conclusão de Curso (Física licenciatura)- Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de física (INFIS). Uberlândia, 2017.

RAMOS, M. C. Luz e vida: uma proposta de formação continuada de professores. 2016. Dissertação(Mestrado) - Universidade Federal de Uberlândia, Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática. Uberlândia, 2016.

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