USO DE METODOLOGIAS ALTERNATIVAS NO ESTUDO DE FUNDAMENTOS DE RELATIVIDADE RESTRITA
Erica Jeani Costa De Santana E Silva, Prof. Dr. Paulo Willyam Simão De Oliveira, Prof. Dr. Gilvandenys Leite Sales
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 23/07/2021
- Linha de pesquisa
- Mídias Digitais, Divulgação E Comunicação Científica No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## USO DE METODOLOGIAS ALTERNATIVAS NO ESTUDO DE FUNDAMENTOS DE RELATIVIDADE RESTRITA
Erica Jeani Costa de Santana e Silva¹, Prof. Dr. Paulo Willyam Simão de Oliveira², Prof. Dr. Gilvandenys Leite Sales³
1 IFCE/PGECM/Campus Fortaleza. e-mail: jeani.erica61@aluno.ifce.edu.br 2 IFCE/Departamento de Licenciatura em Física/Campus Fortaleza, e-mail: pwfisica@gmail.com ³ IFCE/PGECM/Campus Fortaleza. e-mail: denyssales@ifce.edu.br
Palavras-chave : Relatividade. Michelson-Morley. Metodologia ativa.
## Resumo
Não só no Brasil, mas no mundo inteiro, a Educação vem sofrendo mudanças decorrentes das consequências que a aceleração tecnológica traz para a sociedade. Seja tanto no sentido de repensar o que ensinar ou mesmo de como reavaliar o ensino propriamente dito, visto que o ser humano é afetado pelas novas perspectivas do mundo contemporâneo. Sabe-se bem que 'aos poucos a escola se tornará mais flexível, aberta, inovadora. Será mais criativa e menos cheia de imposições e obrigações' (MORAN; MASETTO; BEHRENS, 2013, p. 67). A educação tradicional tem seu foco naquele que repassa a informação: o professor. Enquanto o aluno, tratado apenas como aquele que recebe a informação, é ausentado do processo de construção do próprio conhecimento e não aprende a ser uma pessoa plena e criativa, por exemplo (MORAN; MASETTO; BEHRENS, 2013).
Tendo como campo de inspiração a turma de Física Moderna, do período 2018.2, do curso de Licenciatura em Física do IFCE campus Fortaleza, os dados colhidos mediante questionário pré-teste para os alunos permitiram inferir algumas questões que motivaram a especificação do tema. O primeiro ponto motivador da ideia foi que alguns alunos relataram ter dificuldade na aprendizagem dos conteúdos da disciplina de Física Moderna e o segundo se deu perante 100% da turma ter excluído o experimento de Michelson-Morley da lista dos conteúdos que eles estavam considerando mais fáceis de estudar em sala, naquele semestre.
Já com relação ao conteúdo a ser ministrado na metodologia de aula proposta aqui, a escolha deu-se tanto pela questão de afinidade com o tema por parte da autora do presente trabalho como pela confirmação, mediante questionário pré-teste, de que os conhecimentos do experimento de Michelson-Morley não estão considerados entre os mais fáceis de aprender.
Portanto, a escola precisa se reinventar, os professores, as aulas, a metodologia aplicada, a fim de experimentar um novo meio em que os alunos possam desenvolver-se rica e integralmente. Além do sucesso profissional, mas também para um progresso pessoal do estudante, é necessária uma nova abordagem, e as metodologias ativas podem ser uma resposta para tais problemas.
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
Recursos tecnológicos por si só não quebram os velhos conceitos, é preciso repensar a prática pedagógica em si. Deve haver um questionamento acerca não só da realidade do professor, mas também daqueles que participam da educação como um todo, focando, se possível e principalmente, naquele que se espera atingir. Para tanto, Diesel; Leila; Neunman (2017) refletem:
Ademais, acredita-se que toda e qualquer ação proposta com a intenção de ensinar deve ser pensada na perspectiva daqueles que dela participarão, que via de regra, deverão apreciá-la. Desse modo, o planejamento e a organização de situações de aprendizagem deverão ser focados nas atividades dos estudantes, posto que é a aprendizagem destes, o objetivo principal da ação educativa (DIESEL; LEILA; NEUNMAN, 2017, p. 270).
A metodologia ativa propõe o aluno como sujeito histórico, com experiências pessoais que importam e são levadas em conta no processo de ensino-aprendizagem - o seu sentimento, a sua curiosidade e a sua capacidade de tomada de decisões são fortemente importantes nesse novo pensar didático. A individualidade do aluno também é repensada, 'os estudantes ocupam o centro das ações educativas e o conhecimento é construído de forma colaborativa' (DIESEL; LEILA; NEUNMAN, 2017, p. 271), sendo os professores apenas facilitadores desse processo.
De acordo com o Dicionário Inglês-Português de Cambridge University Press (2019), flip significa 'virar' ou também 'capotar'. Do inglês, flipped classroom é a chamada 'sala de aula invertida'. Ela surge como uma metodologia que vem para inverter, capotar, virar, mudar de sentido a forma como a aula tradicional ocorre, alterando a lógica comum vivenciada. Nessa abordagem, ao invés de o professor chegar em sala com o conteúdo para os alunos que não conhecem ainda o assunto, o que ocorre é que o educando tem 'prévio acesso ao material do curso - impresso ou online' (FGV/EAESP, 2015, p. 14) para então já chegar em sala discutindo sobre.
O que essa metodologia proporciona é a colaboração, o trabalho em equipe e a possibilidade de debates. Pois, anteriormente, o único que trazia a informação era o professor. Agora o aluno já aparece com um vislumbre do que será discutido, abrindo porta para novas possibilidades de diálogo. No entanto, só é possível a aplicação desta abordagem com a reserva anterior de um tempo para estudo, por parte do aluno.
Além de conferir autonomia e dar mais responsabilidade ao aprendiz (que conduz a sua própria aprendizagem), a sala de aula invertida permite que as dúvidas e lacunas sejam melhor sanadas, visto que o conteúdo foi estudado previamente. (FGV/EAESP, 2015).
Sobre o papel do professor nesse processo, Schneiders (2018) fala sobre ações que podem auxiliar no planejamento de uma aula. Como, por exemplo, tentar ter certeza de que os conteúdos foram, de fato, minimamente aprendidos bem como até utilizar-se de outras metodologias ativas para intensificar a sala de aula invertida. Schneiders (2018, p. 10) aconselha: 'certifique-se de que os conteúdos foram acessados e compreendidos pelos estudantes. Considere mediar um debate com o objetivo de identificar a leitura dos materiais e também as principais dúvidas resultantes dessa leitura'.
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Sendo assim, é evidente que a figura do professor, a do aluno e da forma de aprender e transmitir a informação são repensadas nessa abordagem proposta. Exige-se do aluno responsabilidades e desafios, e a figura do educador também não escapa dessa tarefa. E necessário um treino e preparação da mentalidade do docente para a realização da sala de aula invertida, bem como uma formação para que ele entenda e aplique até outras metodologias em sua aula, mas sempre garantindo que os alunos 'assumam o papel de protagonistas e agentes efetivos do seu aprendizado, de modo que possam produzir significados e apreender os conceitos que você planejou para essa unidade de aprendizagem' (SCHNEIDERS, 2018, p. 11).
## Referências
MORAN, José Manuel; MASETTO, Marcos T.; BEHRENS, Marilda Aparecida. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. 21. ed. rev. e atual. Campinas, SP: Papirus, 2013.
DIESEL, Aline; LEILA SANTOS BALDEZ, Alda; NEUNMAN MARTINS, Silvana. Os princípios das metodologias ativas de ensino: Uma abordagem teórica. Revista Thema, [s. l.], v. 14, n. 1, p. 268-288, 2017. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/313960490\_Os\_principios\_das\_metodologi as\_ativas\_de\_ensino\_uma\_abordagem\_teorica. Acesso em: 20 fev. 2021.
CAMBRIDGE UNIVERSITY PRESS. Cambridge Dictionary: Dicionário InglêsPortuguês. In: Cambridge Dictionary: Dicionário Inglês-Português. [S. l.], 2019. Disponível em: https://dictionary.cambridge.org/pt/dicionario/ingles-portugues/. Acesso em: 20 fev. 2021.
FGV/EAESP. SALA DE AULA INVERTIDA. Ei! Ensino Inoativo, São Paulo, v. Volume Especial, p. 1-43, 2015. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/285036367\_Tecnologia\_no\_Ensino\_Ei\_Ens ino\_Inovativo\_volume\_especial\_2015. Acesso em: 20 fev. 2021.
SCHNEIDERS, Luís Antônio. O método da sala de aula invertida (flipped classroom). Coletânea Cadernos Pedagógicos: Metodologias Ativas de Aprendizagem, Ladejado, ed. 1, p. 1-19, 2018. Disponível em: https://www.univates.br/editoraunivates/media/publicacoes/256/pdf\_256.pdf. Acesso em: 10 mar. 2021.
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