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FÍSICA E PINTURA: DIMENSÕES DE UMA RELAÇÃO E SUAS POTENCIALIDADES NO ENSINO DE FÍSICA

Paulo César De Almeida Raboni, Cristiano Amaral Garboggini Di Giorgi, Tiago Carneiro Gomes

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
06/06/2011
Linha de pesquisa
Ensino / Aprendizagem / Avaliação Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## FÍSICA E PINTURA: DIMENSÕES DE UMA RELAÇÃO E SUAS POTENCIALIDADES NO ENSINO DE FÍSICA

## PHYSICS AND PAINTING: DIMENSIONS OF A RELATIONSHIP AND ITS POTENTIAL IN THE PHYSICS TEACHING

## Paulo César de Almeida Raboni 1 , Cristiano Amaral Garboggini Di Giorgi , Tiago 2 Carneiro Gomes 3

- 1 UNESP - Presidente Prudente/Departamento de Educação, raboni@fct.unesp.br
- 2 UNESP - Presidente Prudente/Departamento de Educação, digiorgi@ig.com.br
- 3 UNESP - Presidente Prudente/Departamento de Física, Química e Biologia, tiagocunesp@gmail.com

## Introdução

Neste trabalho são discutidas possibilidades de uso das relações entre a Física e a Pintura no Ensino Médio. A partir das propostas de ensino oficiais, que já incorporam a necessidade de rever a abordagem tradicional e formalista dos conceitos da Física, e de propostas de outros autores que afirmam a necessidade de dar outros sentidos aos conceitos físicos, mostramos como o desenvolvimento da Física e da Pintura indicam aproximações, e como estas podem contribuir para a compreensão de conceitos da Física e de outras disciplinas, bem como para a compreensão da realidade em seu sentido mais amplo. Apresentamos algumas sugestões de como a relação entre a Física e a Pintura poderia estar presente no ensino de Física, enriquecendo-o e contribuindo para contextualizá-lo.

A proposta de relacionar Física e Arte já está presente na literatura sobre o ensino da disciplina, sendo João Zanetic (2006) o autor brasileiro que melhor tem explorado esse tema, discutindo especialmente a contribuição que a grande literatura de ficção pode oferecer para esse fim. Está igualmente presente nos atuais Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) do Ensino Médio, na medida em que na relação entre Física e Pintura encontram-se dimensões e aspectos históricos, socioculturais e técnicos valorizados pelo documento. Segundo os PCN:

Através da organização curricular por áreas e da compreensão da concepção transdisciplinar e matricial, que articula as linguagens, a Filosofia, as ciências naturais e humanas e as tecnologias, pretendemos contribuir para que, gradativamente, se vá superando o tratamento estanque, compartimentalizado, que caracteriza o conhecimento escolar. (BRASIL, 2000, p.21)

## Física e Pintura: busca de relações

A titulo de exemplo apresentaremos brevemente três modalidades de relações entre Física e pintura que procuramos estabelecer. Na primeira modalidade, o autor do quadro representa elementos da realidade modificados pela teoria Física em foco. Como exemplo, dois quadros de Salvador Dali.

No quadro A desintegração da persistência da memória (1952-54), Dali realiza a junção da teoria quântica - representada pelo chão em blocos - com a teoria da relatividade - representada pelos relógios moles, que significam a fluidez do tempo através do espaço. Outro quadro importante é A desmaterialização do nariz de Nero (1947), cujo foco está na romã dentro de um grande bloco de concreto, com sementes em sua volta, representando, a fruta, a bomba atômica, e o bloco, a humanidade, ou seja, o domínio do homem sobre essa arma poderosa. (ANDRADE et al, 2007; PARKINSON, 2004).

A desmaterialização do nariz de Nero, 1947 Salvador Dali

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A desintegração da persistência da memória, 1952-54, Salvador Dali

Na segunda modalidade de relacionamento, destacamos o trabalho de pintores realizados simultaneamente a pesquisas científicas sobre a natureza da luz e da cor. Por exemplo, os pintores impressionistas iniciaram trabalhos que reúnem os conhecimentos sobre as cores pigmento e cores luz, a lei dos contrastes de Chevreul, e a idéia de que as cores são misturadas nos olhos, pois eles acreditavam na teoria tricromática de Young. De fato, a união desses conceitos originou uma grande potencialidade na pintura, proporcionando luminosidade e, por consequência, uma expressividade das cores jamais vista antes. Os pintores, para expressar algum tom de azul cyan, por exemplo, inseriam na tela pinceladas de tons diferentes de verde, justapostos a tons diferentes de azul, dependendo do tipo de sensação ou sentimento que eles queriam passar através das cores. Como cada cor reflete um raio de luz, que incide no olho convergindo no fundo da retina, pela teoria de Young, os impressionistas faziam com que as cores de suas pinturas fossem misturadas nos olhos, e não de suas palhetas para as telas. Dessa forma, produziam cor pigmento das palhetas para as telas, e cor luz das telas para os nossos olhos, os quais se incubem de misturar os raios de luz incidentes, dando-nos a percepção de cores muito luminosas e expressivas (JANSON, 2001)

Na terceira modalidade, destacamos um outro ângulo sob o qual as relações entre Física e Arte também podem ser examinadas: sua aplicação tecnológica. Nas últimas três décadas, a arqueometria tem se estabelecido, com

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ampla utilização de métodos atômico-nucleares para análise, caracterização, conservação e restauração de obras de arte, objetos arqueológicos e de bens do patrimônio cultural em geral.

As técnicas analíticas nessas áreas da Física estão na interface entre a ciência pura e as aplicações diretas, permitindo um estudo detalhado dos objetos de arte e arqueologia, com a participação de historiadores da arte, arqueólogos e físicos. (JANSSENS et al, 2000).

Sabe-se que um grande problema relacionado ao mundo das artes é a falsificação de pinturas. Diante desse fato, físicos e historiadores da arte procuram métodos para prevenir ou denunciar a falsificação pictórica. Recentemente uma nova técnica aplicada por físicos tem levado à redução desse crime. Ela se baseia em padrões magnéticos encontrados nas pinturas. Como conseqüência, as pinturas podem apresentar uma magnetização intrínseca, e, portanto, um padrão magnético no momento em que foram criadas. Essa técnica, portanto, possibilita a catalogação e a identificação das obras de arte por companhias de seguros e museus, dificultando sua falsificação.

## Física e Arte: uma relação fecunda para o ensino

As influências mútuas entre a Física e a Arte têm no ensino médio amplo campo de desenvolvimento, pois elas favorecem uma melhor compreensão da realidade, porque iluminada pelos conceitos disciplinares, e permitem igualmente uma melhor apreensão desses conceitos, construídos a partir de situações de aprendizagem carregadas de sentidos.

Por fim, cabe ressaltar que o estudo dessas relações, assim como o da relação da Física com outras dimensões da cultura, deveria ser mais enfatizado nos cursos que formam bacharéis e licenciados em Física, de modo a ampliar sua formação e até, eventualmente, o seu próprio horizonte profissional.

## Referências

ANDRADE, Rodrigo R. D. et al. Influência da Física Moderna na obra de Salvador Dalí. Cad. Bras. Ens. Fís. ,v.24, n.3: p.400-423,dez. 2007.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio. Parte 1. Bases Legais. Brasília: MEC/SEMTEC, 2000.

JANSON, H. W. História geral da arte , vol. 3; Martins Fontes, 2001.

JANSSENS, K. et al. Use of Microscopic XRF for Non-destructive Analysis in Art and Archaeometry. X-RAY SPECTROMETRY X-Ray Spectrom . 29, 73-91 (2000).

PARKINSON, Gavin. Surrealism and Quantum Mechanics : Dispersal and Fragmentation in Art, Life, and Physics; University of Oxford; Science in Context 17(4), 557-577, 2004.

ZANETIC, J. Física e Arte: uma ponte entre duas culturas. Pro-Posições , v. 17, n. 1 (49) - jan./abr. 2006.

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