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A presença da Educação Ambiental em cursos de Física das instituições brasileiras

Letícia Barbieri Martins, Lidiane Silva Santos, Rosemar Ayres Do Santos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Questões Curriculares No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A PRESENÇA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM CURSOS DE FÍSICA DAS INSTITUIÇÕES BRASILEIRAS

Letícia Barbieri Martins¹, Lidiane Silva Santos², Rosemar Ayres dos Santos³

- 1 Universidade Federal da Fronteira Sul, leticiabmartins25@gmail.com
- 2 Universidade Federal da Fronteira Sul, lidi.s.santos@hotmail.com
- 3 Universidade Federal da Fronteira Sul, roseayres07@gmail.com

Palavras-chave : Educação Ambiental; Ensino de Física; Formação de Professores.

## Resumo expandido

A educação ambiental (EA) pode ser considerada um tema transversal, devendo ser tranversalizado pelos Componentes Curriculares (CCR), entretanto, muitas vezes, esta temática não é problematizada em sala de aula na Educação Básica com a alegação de que não há tempo hábil, que não é um tema usual e, ainda, que não há material de apoio para ser utilizado na sala de aula.

Entendemos a EA como [...] os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, [...] qualidade de vida e sua sustentabilidade (SCHULZ et al ., 2012, p. 3) e sua problematização se apresenta cada vez mais necessária em nossa sociedade, na perspectiva de uma educação que permita a formação de sujeitos capazes de uma leitura qualificada de mundo, com a construção de conhecimento científico-tecnológico (HANSEN; MARSANGO; SANTOS, 2019), capaz de formar e transformar realidades com sua práxis. Nesse sentido, Freire (1983) refere-se à necessidade de uma educação 'dialógica como essência da educação [...]' (p. 92).

E, a Física Ambiental possibilita ao professor esse diálogo ao apresentar as questões socioambientais sob a ótica dos conteúdos de Física, entre outros assuntos, permite a compreensão de fenômenos naturais. Considerando que a EA é fundamental para que as pessoas compreendam a necessidade de sustentabilidade e a importância de construir um futuro ambiental melhor para as próximas gerações e isso se dá através da problematização, do diálogo. Para Freire, o diálogo é uma necessidade existencial e é 'dialogando, problematizando a realidade que podemos emergir em consciência crítica' (1983, p. 18), dos estudantes.

Nesse contexto, investigamos: como são discutidos nos componentes curriculares dos cursos de Física das instituições brasileiras a Educação Ambiental? Há um componente curricular específico? Objetivamos de forma geral investigar os Projetos Pedagógicos de Curso (PPC) de Cursos de Física de instituições presentes no Ranking Universitário Folha - 2018 que estivessem disponíveis de forma on-line na Rede Mundial de Computadores, verificar como os cursos de Física discutem a EA nas suas grades curriculares, se oferecem ou não o CCR sobre o tema, quantas universidades oferecem verificando o Ranking.

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Para tal, realizamos uma pesquisa qualitativa, um estudo bibliográfico (GIL, 2008), para a qual nos valemos metodologicamente da análise de conteúdo (BARDIN, 2010) e tivemos como corpus de análise os PPC de cursos de Física das instituições presentes no Ranking Universitário Folha - 2018.

A escolha desse corpus se deve por entendermos que os cursos de formação de professores são importantes na formação ambiental, pois revelam-se como lócus de produção de saber científico-tecnológico, da formação de novos professores, produzindo sentido nas práticas educativas e exercendo influência sobre a problematização da EA. Para alcançar um futuro sustentável, esses contextos adquirem importância nas redes de conhecimentos, na formação de comportamentos e valores sociais ambientalmente sustentáveis. E, com esta investigação podemos entender 'que a ação transformadora da educação possui limites, ou seja, não é suficiente em si realizar uma práxis educativa cidadã, participativa e revolucionária, se isso não se relacionar diretamente com outras esferas da vida' (LOUREIRO, 2003, p. 4).

Assim, trazemos algumas reflexões a respeito dos resultados, de 149 instituições analisadas que possuem curso de Física (em um total de 296, distribuídos em licenciatura presencial e/ou Educação à distância (EAD) e Bacharelado), 37 não disponibilizam os PPC de forma on-line, não nos permitindo sua análise. Das 112 que foi possível analisarmos os PPC, observamos que algumas trazem EA de forma bem incipiente diluída em algum CCR e menos de 50% trazem CCR específico de EA, apenas 48 universidades a possuem como CCR na sua grade curricular do curso de Física.

Estas mesmas universidades tem como principal objetivo formar o professorreflexivo, capazes de associá-los às demais ciências, vislumbrando o ensino de EA para seus professores em formação inicial. Sendo assim, garantir a formação de licenciados em Física com um perfil profissional que os possibilite, dentre outros, a atuação com respeito aos direitos individuais e coletivos, problematizando, dialogando sobre conhecimentos de EA e comprometendo-se com a preservação do meio ambiente.

E, assim, o ensejo de um perfil desses professores em formação inicial que se comprometam com a preservação da biodiversidade no ambiente natural e construído, com sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida, conhecer e pautando-se na ética e na solidariedade enquanto ser humano, cidadão e profissionais, respeitando as diferenças culturais, políticas e religiosas, com o ensino dela. Pois,

Introduzir no sistema educativo escolar abordagens direcionadas à EA com vistas ao desenvolvimento sustentável faz do educador a peça-chave para refletir a prática pedagógica de forma crítica com as questões socioambientais no âmbito da proposta dos PCN, em que a EA tem por princípio articular práticas sociais escolares. Cria-se assim, um campo de possíveis relações com níveis de entendimentos sobre a temática socioambiental (UHMANN, 2013, p.241).

Com isso, podemos dizer que a EA é um campo aberto para a pesquisa, a extensão e o ensino e que necessita ser incentivada, ser mais trabalhada nas grades curriculares dos cursos de Física. Portanto, o que nos desafia hoje é entendermos que há necessidade de estuda-la não somente em um CCR fechado, mas, sim em vários, de forma transversal, interdisciplinar, com uma visão crítica e inovadora, como uma dimensão da educação. Essa EA exige de todos nós um

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compromisso pela renovação e transformação do mundo em que nós vivemos, que, neste ato nosso de mediar o conhecimento, também, carrega o amor que precisamos ter pelo mundo.

## Referências

BARDIN, L. Análise de conteúdo. 4. ed. Lisboa: Edições70, 2010.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido . 13. Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.

FREIRE; P. Educação como prática de liberdade . 24. Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.

GIL, A. Métodos e técnicas de pesquisa social . 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

HANSEN, T. R.; MARSANGO, D.; SANTOS, R. A. Práticas educativas CTS e Educação Ambiental na problematização dos valores presentes no direcionamento dado ao desenvolvimento científico-tecnológico. Rev. Eletrônica Mestr. Educ. Ambient . Rio Grande, Ed. Especial EDEA, n. 2, p. 118-129, 2019.

LOUREIRO, C. Premissas teóricas para uma educação ambiental transformadora . Ambiente e educação. Rio Grande, v. 8, n. 1, p. 37-57, 2003.

UHMANN, R. I. M. Educação Ambiental como tema Transversal na Educação . In: GÜLLICH, R. I. da C. (Org.). Didática das Ciências . Curitiba: Prismas, 2013, p. 237258.

SCHULZ, M . et al. Educação ambiental na educação básica e superior segundo licenciandos de ciências biológicas e professores em exercício . Rev. Eletrônica Mestr. Educ. Ambient . Rio Grande, v. 29, p. 1-12, 2012.

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