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Mulheres na Ciência: Narrativas Imersivas em Vídeos 360$^o$

Dindara S. Galvão, Renata B. Biazzi, Gustavo C. Morais, Caetano R. Miranda

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Questões Curriculares No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## MULHERES NA CIÊNCIA: NARRATIVAS IMERSIVAS EM VÍDEOS 360°

## Dindara S. Galvão 1 , Renata B. Biazzi 2 , Gustavo C. Morais 3 , Caetano R. Miranda 4

- 1 Instituto de Física da Universidade de São Paulo , dindara.galvao@usp.br
- 2 Instituto de Física da Universidade de São Paulo , renata.biazzi@usp.br
- 3 Instituto de Física da Universidade de São Paulo , gustavo.chagas.morais@usp.br
- 4 Instituto de Física da Universidade de São Paulo , crmiranda@usp.br

Palavras-chave : Gênero, ciência-arte, realidade virtual.

## Resumo expandido

O presente trabalho visa utilizar a linguagem artística como ferramenta para despertar a atenção do público para questões de gênero dentro da ciência, questionar a disparidade do número de homens e mulheres nas carreiras científicas e investigar e expor os obstáculos que as mulheres enfrentam para permanecer nessas carreiras. Visa também, abrir espaço para discutir o tema e que sejam pensadas e propostas soluções a fim de criar um ambiente mais acolhedor para elas, beneficiando assim toda a comunidade científica.

Dentre as linguagens artísticas, foi escolhido o audiovisual, por meio da produção de um curta metragem. Com o diferencial tecnológico de ser gravado em 360°, produzindo uma realidade virtual, para que por meio dessa técnica, se pudesse obter um engajamento maior do público, bem como aumentar a empatia causada pelo filme, por meio da imersão que a tecnologia usada proporciona.

Um formulário, a fim de coletar vivências e percepções sobre o tema foi produzido e disseminado dentro da comunidade da Universidade de São Paulo (USP), focando principalmente em cursos de ciências exatas (Física, Matemática, Estatística, Geofísica, Astronomia, Ciências Atmosféricas e Química). Também foram usadas algumas entrevistas com docentes e pesquisadoras tanto do Instituto de Física da USP (IFUSP) quanto do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN).

Uma análise detalhada dos dados obtidos a partir do formulário e das entrevistas, mostrou os tópicos mais recorrentes, e a partir deles, foram elencados temas em que as dez cenas do curta-metragem foram baseadas. A saber, foram:

- - Menosprezo das capacidades intelectuais da mulher, e serem ignoradas em atividades em grupo com outros homens.
- - Mansplaining e Manterrupting [1].
- - Preconceito sofrido e falta de flexibilização da carreira com a maternidade.

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- - Sexualização, objetificação e Assédio, bem como a falta de uma rede de apoio e canais efetivos de denúncia, que levem a uma punição real do agressor e para que novos casos sejam inibidos.

As cenas foram gravadas com uma câmera Gear 360°, que permite a obtenção de imagens em 360° e produção em realidade virtual. Assim sendo possível a experimentação da tecnologia de vídeos imersivos que permite colocar o espectador tanto na posição de observador como também forçando-o a assumir uma posição de protagonista na cena, como se estivesse interagindo diretamente com os atores. Utilizou-se também a linguagem teatral como ferramenta para aumentar este fator imersivo, com efeitos sonoros, de iluminação e cenografia contribuindo para uma atmosfera mais intimista.

Após o processo de montagem e produção final, o curta-metragem foi disponibilizado na plataforma de compartilhamento de vídeos Youtube e amplamente divulgado por meio de redes sociais, atingindo cerca de duas mil visualizações [2]. O cartaz do curta pode ser encontrado na Figura 1 abaixo.

Figura 1 Cartaz do curta metragem.

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O vídeo foi também exibido em quatro sessões especiais, sendo duas na semana de recepção dos calouros do IFUSP, para instigar um questionamento e reflexão sobre a questão de gênero desde o ingresso na universidade. Foram feitas também exibições externas, a nível internacional, nas programações do 'Career Development Workshops for Women in Physics', organizado no The Abdus Salam International Centre for Theoretical Physics (ICTP) em Trieste, na Itália e do ICTP

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South American Institute for Fundamental Research (ICTP- SAIFR), em São Paulo ver Figura 2. Ao todo, aproximadamente 150 participantes, em sua maioria mulheres e da comunidade da Física, experimentaram a imersão.

Figura 2: Registro de exibição do curta no ICTP- SAIFR.

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Logo após cada sessão, os participantes eram convidados a voluntariamente expressar suas opiniões sobre o que haviam assistido, em um registro escrito. No total 91 pessoas contribuíram com impressões, sendo a maioria mulheres. Os registros foram analisados por dois dos autores, em separado, em um primeiro momento, e ideias gerais e palavras-chave foram extraídas dos registros. Sendo depois compiladas, comparadas, mescladas e classificadas de acordo com o número de aparições nos registros. De onde emergiram três ideias em destaque: i) verossimilhança e reconhecimento, ii) surgimento de sentimentos e emoções em relação às cenas, e iii) a percepção da relevância e implicações do filme.

Grande parte das mulheres relataram sentir que foram bem representadas no filme. Uma parte relatou ter sentido grandes emoções, como o choque com algumas situações, e sentimentos negativos e desconfortáveis, o que pode ser relacionado com o fato do público ter espontaneamente relatado terem vivido situações análogas às que foram retratadas, reação que revela um possível potencial para despertar empatia em quem nunca havia refletido sobre o tema.

O público como um todo sublinhou fortemente a relevância da obra e a necessidade de que seja divulgada massivamente, em particular ao público masculino. Ainda durante as sessões, o número de espectadores que expressaram terem tido uma epifania sobre as condições das pesquisadoras foi substancial. E como as situações retratadas nela transcendem os limites das carreiras da Ciência e Tecnologia.

Embora o trabalho abranja relatos de mulheres em todas as fases da carreira, são todos parte da comunidade de uma universidade, a USP. As situações nele representadas transcendem barreiras, e são muito parecidas com a de muitos outros lugares, inclusive outros países, como confirmado a partir dos relatos

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colhidos. Mas emergiu dos relatos também, a importância de considerar outras facetas específicas da realidade brasileira, que tangem questões étnicas e de classes sociais [3] bem como também LGBT+, que poderiam ser retratados em novos vídeos.

Em retrospecto, foi notável em todo o processo, o poder da linguagem artística, principalmente quando aliada a experiências imersivas em realidade virtual, para comunicar e suscitar a reflexão de questões delicadas e sensíveis aos espectadores. E a mesma junção de linguagens poderia ser utilizada também para difundir narrativas que atraiam mais mulheres para carreira científica, diminuindo o gargalo das estatísticas do número delas na ciência, e até mesmo para documentar, cobrir e destacar questões de outras minorias sub-representadas. Promovendo a importância de um ambiente diverso e convidativo, dentro do ambiente acadêmico.

## Referências

- [1] - Lauren M. Aycock, Zahra Hazari, Eric Brewe, Kathryn B. H. Clancy, Theodore Hodapp, and Renee Michelle Goertzen; Sexual harassment reported by undergraduate female physicists, Phys. Rev. Phys. Educ. Res. 15, 010121 (2019). DOI: https://link.aps.org/doi/10.1103/PhysRevPhysEducRes.15.010121
- [2] Women in Science: Immersive Narratives With 360° Videos, D. S. Galvão (Diretora), D. S. Galvão and C. R. Miranda (Produtores), Projeto Cri@tividade, (2019), disponível online: https://www.youtube.com/watch?v=qx4BvB4rxTc
- [3] K. Rosa, F. M. Mensah, Educational pathways of Black women physicists: Stories of experiencing and overcoming obstacles in life, Phys. Rev. Phys. Educ. Res. 12, 020113 (2016). DOI: https://doi.org/10.1103/PhysRevPhysEducRes.12.020113

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.