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MENINAS DO RADIUM: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DO USO DAS MÍDIAS DIGITAIS COMO INSTRUMENTO PARA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E INCLUSÃO DE GÊNERO NAS CIÊNCIAS EXATAS NA PANDEMIA DE COVID- 19

Viviane Morcelle, Thainá Neves, Gabrielle Freitas, Amanda Souza, Érico Mata, , Thainá Neves, Beatriz Pessoa, Cecília Barbosa, Vanessa Ferreira, Karine Gagno, Juliana Coutinho, Liliane Morcelle, Marcos Gonçalves

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Questões Curriculares No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## MENINAS DO RADIUM: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DO USO DAS MÍDIAS DIGITAIS COMO INSTRUMENTO PARA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E INCLUSÃO DE GÊNERO NAS CIÊNCIAS EXATAS NA PANDEMIA DE COVID- 19

Viviane Morcelle , Thainá Neves 1 1,2 , Cecília Barbosa , Vanessa 3 Ferreira , Érico Mata , Juliana Coutinho , Amanda Souza , Karine Gomes , 4 1 5 1 4 Liliane Morcelle , Marcos da Silva Gonçalves , Beatriz Pessoa , Gabrielle 6 7 2 Freitas 1

1 UFRRJ/DEFIS, vivianemorcelle@gmail.com, thaina.neves2@gmail.com, ericomatta@gmail.com, amandaasouzaaa@hotmail.com, gabriel.le-freitas@hotmail.com

2 UFRRJ/PROEXT/Bolsista do Projeto Meninas do Radium, thaina.neves2@gmail.com , beampessoa21@gmail.com

3

UPE/FISMAT, barbosa.c.s@outlook.com

4

UFRRJ/PPGEduCIMAT, tr.vanessa.ferreira@gmail.com, karinegagno@gmail.com

5

UFRJ/PEMAT, julianasmendonca@gmail.com

6

UFRJ/HESFA, lilianemorcellesmsrio@gmail.com

7 Pré-Vestibular Comunitário Amor em Ensinar, marcossg@gmail.com

Palavras-chave : Questões de Gênero; Divulgação Científica; Ciências Exatas

## Resumo expandido

O feminismo é um movimento que busca lutar contra as desigualdades de gênero. Ao longo de séculos, mulheres têm lutado por seus direitos. Luta essa que se estende até hoje e que inclui a busca por espaço nas universidades, especialmente no que tange o acesso, permanência e ascensão na carreira na área de Ciências Exatas (CE). Atualmente, uma minoria das mulheres pesquisadoras consegue ascender e adquirir uma bolsa de produtividade (CE) no CNPq no Brasil. E se falarmos de mulheres negras, o número é ainda menor. Efeitos conhecidos como tesoura e Matilda demonstram como mulheres são excluídas ao longo de sua trajetória profissional dentro da Academia, desde a graduação (MORCELLE, 2019). Mesmo Madame Curie enfrentou muitos obstáculos impostos pelo machismo até se consagrar e ganhar dois prêmios Nobel em áreas distintas das Ciências. Ainda assim, seus trabalhos foram questionados e não atingiu o ápice. Seu ingresso foi negado na academia de ciências de Paris. As relações nos laboratórios e grupos de pesquisas são tomadas de subjetividades, que incluem gênero, raça e classe social ainda hoje, bem como na época de Curie.

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

- O 'Meninas do Radium: A periferia também faz Ciência' é um projeto de extensão do departamento de Física da UFRRJ, que tem por objetivo o desenvolvimento de atividades de pesquisa e extensão, que visam a equidade de gênero no campo das CE dentro da perspectiva interseccional. Uma vez que para se alcançar uma equidade real, esta deve ser pensada em termos de gênero, raça, classe e anticapacitismo, eliminando todos os modos de opressão e exploração. Estando em consonância com os objetivos do Desenvolvimento Sustentável estipulados pela ONU (ONU, 2020), como a Redução das Desigualdades.
- O início das atividades do Meninas do Radium ocorreu em outubro de 2018 na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), cujo o tema central foi 'Ciência para a Redução das Desigualdades', visto que o projeto visa a promoção dos direitos humanos e da justiça social. Através da divulgação científica, direitos humanos, História da Ciência e Ensino de Física desenvolvemos atividades como palestras, oficinas, minicursos, rodas de conversas, mesas redondas dentre outras.

Até meados de março de 2020, nossa atuação se dava quase que exclusivamente no presencial, especialmente em escolas e universidades localizadas na periferia da cidade do Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense. Após o início da pandemia de Covid-19 foi necessário migrarmos para espaços virtuais, devido a necessidade de isolamento e o que se concretizou como um desafio, devido aos parcos recursos digitais das alunas, questões de saúde e a necessidade de adaptação do projeto e mesmo de experiência de suas integrantes para um cenário onde as mídias digitais eram o palco.

- O ' Meninas do Radium' iniciou suas atividades em mídias digitais através da oferta de um minicurso intitulado ' Introdução à Física Nuclear e Aplicações', exclusivamente para mulheres, ministrado em plataforma virtual de aprendizagem (AVA). Em seguida, iniciamos um canal no Youtube, em junho de 2020, onde apresentamos lives e oficinas periodicamente e quase que exclusivamente são ministradas por mulheres. Até o momento, foram 12 lives e 4 minicursos. Promovemos rodas de leitura de livros e artigos em diferentes plataformas. Também passamos a atuar em outras redes sociais como o Facebook, Instagram e WhatsApp, possuindo canais próprios. Além de ter atendido diversos convites para eventos e entrevistas.
- A migração para as mídias digitais fez, que de consumidoras de redes sociais e plataformas digitais, nos tornamos sujeitas de nossas redes e produtoras de conteúdo. Um dos resultados foi o protagonismo alcançado por nosso projeto, que saiu da periferia da região metropolitana para o resto do Brasil, com um público que vai do Acre ao Rio Grande do Sul e também trouxe outros espectadores, que incluem familiares de estudantes e membros da sociedade em geral. Esse alcance não seria possível sem o uso das mídias digitais, pois segundo Lemos (2003) a internet se consolida como a mais poderosa ferramenta de comunicação, dada a partir de sua popularização advinda dos movimentos de cibercultura iniciados ainda na década de 1980. Este fato, explica o grande uso das redes sociais entre os jovens, principlamente.Contudo, é importante refletirmos porque dentre tantos canais no YouTube voltados a temática da divulgação científica e mesmo de questões de gênero, como um canal iniciante obteve destaque.

Em nosso projeto, ao pensarmos a Ciência, o fazemos no sentido de superar as desigualdades e discutir as dificuldades impostas às mulheres para seguir a carreira em CE, bem como apresentar dispositivos para que elas possam ter um

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acesso e permanência de forma igualitária aos homens, principalmente no Brasil de hoje. Para isso, a partir da divulgação científica feita por mulheres, além de debater os temas pertinentes à ciência, o relacionamos às questões de gênero bem como à trajetória da palestrante. Trazendo assim estudantes para debaterem tais questões durante as lives, além de ouvi-las e dialogarmos.

Como resultados obtidos temos visibilidade que nossas redes têm alcançado, os convites para eventos on-line para discutir a pauta das questões de gênero na CE. Contudo, de maior destaque é o acolhimento por parte do público feminino, que não só faz suas denúncias em modo privado, mas se sente representado em nossas lives para falar sobre as barreiras que enfrentam e relatar a importância do projeto. Destacamos algumas a seguir:

"Como mulher trans, já ouvi e ouvi que Física não era meu lugar. Mulheres como vocês me dão esperança para continuar na luta." ( Estudante de Graduação).

'Fui tão humilhada na Física por ser mulher, que tentei suicídio e saí do curso. Agora que conheci vocês, penso em voltar.' (Ex- Estudante de Mestrado)

Os relatos são apenas dois, dentre cerca de uma centena, e expressam a importância do trabalho que desenvolvemos e do uso das mídias digitais para divulgação da ciência e inclusão de gênero feitas por mulheres para mulheres. Esperamos continuar a inspirar estudantes e pesquisadores nas CE bem como a entrar nesse debate. Que estas mulheres possam desenvolver projetos em que sejam protagonistas e que incentivem o desenvolvimento de iniciativas que promovam a equidade de gênero.

## Referências

LEMOS, A. Cibercultura: alguns pontos para compreender a nossa época . In: LEMOS, A.; CUNHA, P. (Org.). Olhares sobre a cibercultura . Porto Alegre: Sulina, 2003.

MORCELLE, V.; Freitas, G.; LUDWIG, Z. From School to University: An Overview on STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics) Gender in Brazil . Quarks: Brazilian Electronic Journal of Physics, Chemistry and Materials Science, v. 1 n. 1, p. 40-52, 2019.

ONU,2020. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br . Acessado em 02 de Junho de 2019.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.