UM ESTUDO SOBRE A (IN) VISIBILIDADE DAS MULHERES NA FÍSICA NAS ESCOLAS DA REDE BÁSICA DE ENSINO
Fernanda Barbieri De Lara, Fernanda Renata Almeida Ribeiro, Andresa Da Costa Ribeiro
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 23/07/2021
- Linha de pesquisa
- Questões Curriculares No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## UM ESTUDO SOBRE A (IN) VISIBILIDADE DAS MULHERES NA FÍSICA NAS ESCOLAS DA REDE BÁSICA DE ENSINO
## Fernanda Barbieri de Lara 1 , Fernanda Renata Almeida Ribeiro 2 , Andresa da Costa Ribeiro 3
- 1 Universidade Estadual do Centro-Oeste/Departamento de Física/ferbarbieri21@gmail.com 2 Universidade Estadual do Centro-Oeste/Departamento de Química/fernandarenata@outlook.com 3 Universidade Estadual do Centro-Oeste/Departamento de Física/desa.ribeiro@hotmail.com
Palavras-chave : Física, Educação científica, Mulheres na Física
## Resumo expandido
Ao longo dos últimos anos muito se têm discutido sobre o papel das mulheres no desenvolvimento tecnológico e social da sociedade mundial (BRANDÃO et al., 2020; FARINON, 2018; MELO; RODRIGUES, 2018). Como é sabido, o desenvolvimento científico dos últimos dois séculos foi creditado ao gênero masculino, tanto no mundo, como no Brasil (MELO; RODRIGUES, 2018).
Nos campos dos saberes científicos - da Matemática, Física e Química há quase uma 'invisibilidade' feminina (MELO; RODRIGUES, 2018), fruto de um processo de muitos séculos, em que o papel da mulher era restrito aos cuidados da casa e filhos. Ou seja, historicamente, ao falar sobre o papel da mulher na sociedade, vê-se que grande parte se resumia a executar trabalhos domésticos em sua casa (ou nas casas de outrem), sendo este 'trabalho' iniciado muito cedo afastando essas meninas da escola, reduzindo o acesso ao conhecimento e impedindo assim sua entrada na educação básica.
Segundo Tuesta et al. (2019), a participação de homens é consideravelmente maior que a de mulheres para quase todas as subáreas das Ciências Exatas e da Terra e diante deste panorama é necessário estratégias para mostrar aos jovens que, apesar de serem poucas, há mulheres que foram responsáveis por grandes avanços científicos e tecnológicos ao longo da história.
Frente a esta realidade, o presente trabalho visa, fazer um primeiro diagnóstico sobre o conhecimento dos alunos do ensino médio da rede pública sobre a presença feminina na ciência. A partir dessa ação buscar-se-á as melhores estratégias de atividades para promover um aumento na motivação destas alunas na procura pela área das ciências exatas, predominantemente masculina.
Os dados apresentados e discutidos provêm de respostas obtidas por meio de um questionário online sobre o conhecimento dos alunos sobre a presença feminina na ciência. Participaram do questionário 116 discentes da rede pública sendo 63 (54,3%) do sexo feminino, 52 (44,8%) do sexo masculino e 1 (0,9%) que optou pela não identificação. Todos os alunos estavam cursando o ensino médio, sendo que 54 (47,8%) estavam na 1ª série, 32 (28,3%) na 2ª série e 27 (23,9%) na 3ª série.
Primeiramente analisou-se quantitativamente o conhecimento dos estudantes sobre a existência de mulheres cientistas. Para isso fez-se a seguinte pergunta: 'Você conhece alguma cientista mulher que seja famosa?'.
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XX a XX de julho de 2021 - Online
Dos 116 estudantes 75 responderam que não conheciam nenhuma cientista do sexo feminina famosa e 41 responderam que conheciam. O resultado encontrado para esta primeira pergunta indica que há alunos que reconhecem e sabem da participação feminina na ciência. No entanto, o percentual destes alunos é baixo perfazendo 35,3% do total de estudantes analisados (Fig. 1).
Figura 1. Percentual de alunos da rede pública que conhecem mulheres cientistas
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A invisibilidade feminina é consequência de uma construção histórica na qual a mulher é considerada inadequada para o meio científico (GONÇALVES et al. 2019; NUNES et al. 2020). Esta percepção acaba produzindo até hoje a omissão a mulher na historiografia. Ao se pensar nos cientistas da área de Física, por exemplo, grande parte das pessoas pensam automaticamente em Isaac Newton e Albert Einstein ou outras figuras masculinas. Na verdade, a presença feminina nessa área vem de longa data. As físicas Laura Bassi (1711-1778) e Marie Curie (1867-1934) são exemplos de cientistas que conseguiram furar o bloqueio e estudaram ou lecionaram em universidades no século passado e revolucionaram a ciência da época (MELO; RODRIGUES 2018). No entanto, não é dado pelos docentes em suas aulas a estas cientistas o mesmo protagonismo, o que pode explicar o resultado encontrado.
Caso os estudantes lembrassem de alguma cientista mulher era necessário identificá-la, para que fosse possível inferir qual a melhor estratégia de divulgação em trabalhos futuros. Esta segunda pergunta foi analisada a partir da Análise de conteúdo de Bardin (2011). Para tal, foi elaborada uma Unidade de Contexto (UC) e de Registro (UR) e com base nas respostas foi possível levantar inferências a respeito das noções dos alunos quanto à questão investigada. Para isso foi realizado o questionamento: 'Se conhece, qual o nome dela?' No quadro 01 estão dispostas as respectivas UR e UC.
Quadro 2: Unidades de Registro em relação a segunda questão
UC: 'Identificação de cientistas famosas' , contém fragmentos textuais sobre identificação da cientista famosa.
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Cabe ressaltar aqui que para esta pergunta os alunos podiam citar o nome de mais de uma cientista. Como ficou evidente, Marie Curie é a cientista mulher mais conhecida. Este resultado já foi observado em outros estudos (CAVALLI, 2017; CUNHA, 2014) e pode ser devido as suas qualificações e extraordinária investigação científica que resultou na descoberta da radioquímica e a fez ser a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel. Além disso, ela também é a primeira (e única pessoa até hoje) a ganhar dois prêmios em duas áreas distintas (BOLZANI, 2017). Sua historiografia é tão conhecida que a leva hoje a ser a cientista mais citada nos materiais didáticos atuais (JANSEN, 2019) e este pode ser o motivo para o resultado encontrado.
Outro fato interessante é que cientistas de diferentes áreas da ciência foram citadas, tais como Rosalind Franklin, Katherine Johnson, Katie Bouman, Alice Ball etc. Esta considerável pluralidade de resultado leva a indagação da existência de outros meios de divulgação sobre a presença feminina na ciência. Dentre estes meios pode-se citar a produção de filmes, séries e a crescente democratização do acesso à internet, que se tornaram uma base sólida para a divulgação científica.
Conforme Bueno (2009, p.162), 'A divulgação científica compreende a [...] utilização de recursos, técnicas, processos e produtos (veículos ou canais) para a veiculação de informações científicas, tecnológicas ou associadas a inovações ao público leigo'. Unificando tais fatores, é perceptível a necessidade de tornar a escola um espaço incentivador da divulgação científica. Segundo Xavier e Gonçalves (2014), 'Quando a divulgação científica está voltada ao âmbito educacional seu objetivo se refere à ampliação do conhecimento e da compreensão do público sobre o processo científico [...]'. Não obstante, não basta apenas aderir à escola tal papel, é preciso também unir outros meios de divulgação ao processo.
Apresenta-se então como solução, um maior incentivo, dos professores do ensino médio à apresentação destas mulheres e os trabalhos desenvolvidos por elas ao longo dos tempos aos seus alunos, bem como, a preocupação com a criação de espaços, sejam livros ou plataformas digitais, para disseminar as informações relacionadas à existência das mulheres no âmbito científico.
## Referências
BARDIN, L. Análise de conteúdo 4a ed. Lisboa: Edições , v. 70, p. 1977, 2011.
BOLZANI, Vanderlan da Silva. Mulheres na ciência: por que ainda somos tão poucas?. Ciência e Cultura , São Paulo, v. 69, n. 4, p. 56-59, out. 2017. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.21800/2317-66602017000400017.
BRANDÃO, Alessandra Gomes et al . Mulher e ciência: a experiência do projeto menina na física e na engenharia. Brazilian Journal Of Development , Paraíba, v. 6, n. 6, p. 33124-33135, 2020. Brazilian Journal of Development.
http://dx.doi.org/10.34117/bjdv6n6-024.
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BUENO, Wilson Costa. Comunicação cientifica e divulgação científica: aproximações e rupturas conceituais. Informação & Informação , Londrina, v. 15, p. 1-12, 16 dez. 2010. Universidade Estadual de Londrina.
http://dx.doi.org/10.5433/1981-8920.2010v15nesp.p1.
CAVALLI, Mariana Bolake. A MULHER NA CIÊNCIA: INVESTIGAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DE UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA COM ALUNOS DA EDUCAÇÃO BÁSICA . 2017. 101 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Estadual do Oeste do Paraná -Unioeste, Cascavel, 2017.
CUNHA, Marcia Borin da et al . As mulheres na ciência: o interesse dasestudantes brasileiras pela carreira científica. Educación Química , México, v. 25, n. 4, p. 407-417, 2014.
FARINON, Daliany Maria. A influência da educação básica na ausência de mulheres no 'ser cientista': sobre representatividade nas ciências . 2018. 36 f. TCC (Graduação) - Curso de Química, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campo Mourão, 2018.
GONÇALVES, Vanessa Oliveira; GONZAGA, Kézia Ribeiro; PASSINI, Frederico; GATINHO, Malena Marilia; CARVALHO, Plauto Simão. A invisibilidade das mulheres na história da ciência: estudo de caso dos livros didáticos do sexto ao nono ano. Brazilian Journal of Development , Curitiba, v. 5, n. 9, p. 15463-15485, 2019. Brazilian Journal of Development. http://dx.doi.org/10.34117/bjdv5n9-129.
JANSEN, Ana Caroline Silva; PINHEIRO, Márcio Arthur Moura Machado; FEITOSA, Hiablena Thagna Aguiar. LUGAR DE MULHER É NA CIÊNCIA: ESTUDO SOBREREPRESENTATIVIDADE FEMININA EM LIVROS DIDÁTICOS DE QUÍMICA. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO , 6., 2019, Campina Grande. Anais [...] . Campina Grande: Realize, 2019.
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