CLUBES DE CIÊNCIAS COMO ESPAÇO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO ÂMBITO DE UNIDADES DE ENSINO
Andreia Vaz Gomes, Cleci Teresinha Werner Da Rosa
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 23/07/2021
- Linha de pesquisa
- Tecnológica E Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## CLUBES DE CIÊNCIAS COMO ESPAÇO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA NO ÂMBITO DE UNIDADES DE ENSINO
## ANDRÉIA VAZ GOMES¹
## CLECI TERESINHA WERNER DA ROSA 2
- 1. Universidade de Passo Fundo/PPGECM/50393@upf.br
- 2. Universidade de Passo Fundo/ PPGECM / cwerner@upf.br
## RESUMO
A escola há muito, se encontra em meio a desafios que vão para além de mediar conhecimento, como também trabalhar a formação cidadã crítica-reflexiva dos alunos. A complexidade da vida cotidiana e o desenvolvimento pleno dos alunos perpassa por uma infinidade de demandas e a escola, assim como os professores, deve estar preparada para construir objetivos e sua aplicação na vida real. Deve, também, ter condição de dar sentido ao que se aprende e o protagonismo dos jovens. É preciso aproximar a realidade cotidiana dos alunos com as aprendizagens escolares para que, além de um ensino com significado, eles sejam capazes de interferir na sua própria vivência, transformando e criando estratégias de trabalhos cooperativos, empreendedores e de valorização à autonomia e ao compromisso. Pode-se criar espaços para que estas reflexões aconteçam em um ambiente diferente da sala de aula, propício a tratar de situações que ocorrem na comunidade, com pessoas participativas, questionadoras, criativas e mobilizadoras e, para isso acontecer, é necessário que se crie possibilidades. Couto e Laranjeiras (2017) afirmam que esses espaços são propostos para desenvolver um trabalho de educação científica extraclasse e interdisciplinar, dada sua intenção de trabalhar com as áreas do conhecimento. Ainda assim, a qualidade destes momentos na escola propõe ferramentas que focam na criatividade, na contextualização significativa e na problematização na construção de conceitos de ciências. Nesse contexto, os Clubes de Ciências podem se constituir em tais espaços que, além de favorecedores da construção de conhecimentos científicos, podem contribuir para a formação de cidadãos críticos, reflexivos e investigadores. Esses ambientes surgiram no Brasil por volta da década de 1950 como espaço de vivências do método científico, como propunham os projetos de ensino de ciências da época, replicando a ideia estereotipada do trabalho dos cientistas cuja prioridade estava na construção de artefatos tecnológicos (MANCUSO, 1996). Atualmente, tem-se outra visão que entende tais espaços como lugares capazes de 'tornar o ensino de ciências significativo', onde processos de investigação interagem com o cotidiano dos estudantes (SANTOS et al. , 2010). Partindo-se dessa compreensão, entende-se que os ambientes não-formais podem se tornar aliados pedagógicos para a realização de projetos de iniciação e divulgação científicas executados por estudantes, professores e demais segmentos da comunidade escolar (SANTOS et al. , 2010 ; MANCUSO, 1996). Criar-se, então, uma perspectiva em que o clube de Ciências se torna protagonista para o desencadeamento de mudanças no ambiente escolar no que se refere às práticas pedagógicas, pois os profissionais envolvidos neste processo começam a ter uma visão diferenciada e a perceber diferentes formas de ensinar. A
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
perspectiva descrita toma como referência o trabalho realizado na implantação do 'Clube de Ciências Decolar', na escola estadual José Aparecido Ribeiro/MT, no ano de 2019. Essa implementação foi realizada em etapas, partindo de um levantamento entre os alunos via uso de formulário, com perguntas relacionadas a iniciação científica. As respostas mostraram que poucos alunos estavam familiarizados com o tema. Assim, na etapa seguinte, buscou-se instrumentá-los quanto ao assunto por meio de palestras e oficinas com temas pertinentes. Aqui, contou-se com a palestra de iniciação científica ministrada pelo Professor dr. Paulo Cesar Venere da UFMT que trouxe grande contribuição para a disseminação do projeto trabalhando a problemática de uma pesquisa de campo e, ainda, com a realização oficinas ministradas por profissionais da escola e também alunos bolsistas da UNEMAT. As temáticas abordadas foram, mulheres na ciência, resíduos eletrônicos com visita técnica a uma empresa local, vacinas, dentre outros. No prosseguimento, estruturou-se o espaço onde as atividades realizadas pudessem oportunizar aos alunos ambientes de pesquisa e busca por solução de problemáticas presentes no cotidiano, tais como as queimadas, questão que tem afetado a comunidade de Mato Grosso com muita intensidade nos últimos três anos. A partir dessas atividades, resgatou-se a feira de ciências na unidade de ensino, onde os trabalhos eleitos pela comunidade externa tiveram a oportunidade de participação em feiras e mostras científicas externas (regionais e estaduais) com premiações de bolsas de Iniciação Científica Júnior e, ainda, foi organizada e implementada a horta escolar. Frente à pandemia, em 2020 mantiveram-se as atividades através de oficinas on-line e a participação em eventos externos que foram ofertados remotamente, oportunizando novamente a premiação de bolsas de Iniciação Científica Júnior. Ainda como resultado, identificamos o interesse de alguns alunos na possibilidade de dar continuidade aos estudos, recorrendo a bolsas no exterior (estão em fase de seleção). Constatou-se, até o momento, que a iniciativa do Clube de Ciências na escola provocou uma mudança nos alunos quanto ao interesse pela área das Ciências bem como o engajamento nas atividades propostas neste espaço e fundamentalmente a iniciação científica. Esperase, em um futuro próximo, que sejam retomadas as atividades presenciais para que se oportunize ainda mais ações que deem continuidade ao projeto.
Palavras chave: Clube de ciências; Ensino; Iniciação Científica
## BIBLIOGRAFIA
COUTO, M. R. de A. M; LARANJEIRAS, C. C . Os Clubes de Ciências e a Iniciação à Ciência : uma proposta de organização no Ensino Médio. 2017. Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino de Ciências) - Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências, Universidade de Brasília, Brasília, 2017.
MANCUSO, R.; LIMA, V. M. R.; BANDEIRA, V. A .. Clubes de Ciências: criação, funcionamento, dinamização. Porto Alegre: SE/CECIRS, 1996.
SANTOS, J. dos; e col. Estruturação e consolidação de Clubes de Ciências em escolas públicas do Litoral do Paraná. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, 2, 2010, Curitiba. Anais... Curitiba. Universidade Federal do Paraná, 2010.
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