ASPECTOS DA EDUCAÇÃO PARA O RISCO: USANDO AS NOTÍCIAS FALSAS PARA MOBILIZAR UMA FORMAÇÃO MAIS CRÍTICA
Gabriel Do Prado Cuzziol, Fernanda Da Rocha Carvalho, Giselle Watanabe
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 23/07/2021
- Linha de pesquisa
- Tecnológica E Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ASPECTOS DA EDUCAÇÃO PARA O RISCO: USANDO AS NOTÍCIAS FALSAS PARA MOBILIZAR UMA FORMAÇÃO MAIS CRÍTICA
## Gabriel do Prado Cuzziol¹, Fernanda da Rocha Carvalho², Giselle Watanabe³
- 1 Universidade Federal do ABC (UFABC)/ Programa Ensino, História e Filosofia das Ciências e Matemática/ prado.cuzziol@aluno.ufabc.edu.br
- 2 Universidade Federal do ABC (UFABC)/ Programa Ensino, História e Filosofia das Ciências e Matemática/ carvalho.fernanda@ufabc.edu.br
3 Universidade Federal do ABC (UFABC)/ Centro de Ciências Naturais e Humanas/giselle.watanabe@ufabc.edu.br
Palavras-chave : Ensino de Física; Educação para o risco; Fake News.
## Resumo expandido
O Vivemos numa sociedade pautada pelo aumento da quantidade e velocidade das informações produzidas. Essa 'agilidade' nem sempre garante conhecimento, principalmente tratando-se de situações de incertezas e riscos (Beck, 2010). As divulgações de notícias falsas, também chamadas de fake news, acabam por propagar mensagens inverídicas e podem afetar a tomada de decisões individuais e coletivas, por exemplo, nos campos político, econômico, entre outros. As informações, geralmente sem comprovação científica, podem interferir em diversos campos da sociedade, tornando-as um risco. Situações de risco, para Beck (2010), são aquelas em que a vivência e o bem-estar humano são afetados.
Diante disso, parece fundamental uma formação escolar pautada em aspectos da criticidade para lidar com o risco. Essa preocupação é apontada na Base Nacional Comum Curricular (2018) que traz duas competências para o ensino médio referentes ao combate das fake news, sendo a habilidade EM13LP39 que orienta usar procedimentos de checagem de fatos e a habilidade EM13LP40 que traz a discussão quanto à disseminação de fake news. Na visão de Beck (2010), deve haver uma construção das relações sociais e históricas que existem em uma sociedade de risco, assim, a reflexividade na formação do indivíduo torna-se necessária para se posicionar frente aos problemas. Já para García (1998), o desenvolvimento de uma educação ambiental mais crítica não deve ser distanciada de outras esferas do conhecimento. Para ele, o processo de ensino-aprendizagem deve pautar-se em ações que levem à complexificação do conhecimento. Esses apontamentos nos levam à necessidade de elencarmos nossas ações em uma Educação para o Risco que busca desenvolver um comportamento responsável face a situações de perigo, por meio da identificação e mitigação de riscos; e um posicionamento crítico frente a esses cenários.
Considerando a pertinência de buscar uma Educação para o Risco, este trabalho discute uma proposta de aulas introduzida a partir de fake news. A proposta trata de questões socioambientais nas aulas de Física, considerando formas de analisar mais criticamente as informações falsas apresentadas pela mídia. A intenção é aproximar da realidade dos estudantes e discutir a importância da ciência para combater as notícias que invadem nosso cotidiano.
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
A proposta baseia-se nos pressupostos da Abordagem Temática (DELIZOICOV, et. al. 2002), tomando-se como referência os três momentos pedagógicos, caracterizados pela problematização inicial, organização do conhecimento e aplicação do conhecimento. Para esse trabalho discute-se apenas a problematização inicial visto que é onde há a mobilização a partir das fake news.
A construção da proposta sobre Emergências Climáticas contou com a colaboração do grupo de pesquisa dos autores, com foco nas aulas de Física. A proposta está dividida em 4 Momentos, que consistem em: (i) uma aproximação com a temática do aquecimento global (AG), pela problematização das fake news; (ii) uma organização do conhecimento escolar quanto aos conceitos de calor e temperatura; (iii) discussões sobre fluxo de energia, reforçando as relações entre os gases poluentes; (iv) uma questão problematizadora sobre o AG com objetivo de compreender os argumentos dos estudantes desenvolvidos na proposta.
O Momento 1, representado na Figura 1, tem como objetivo discutir como se analisa uma notícia, a fim de propiciar uma visão embasada na ciência.
Figura 1: Momento 1 da proposta de aula sobre AG
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O Momento 1 inicia-se com uma atividade de investigação das informações compartilhadas nas redes sociais. Para tal, propõe-se um fato ocorrido em um programa de rádio nos Estados Unidos em 1938. A notícia transmitia que 'marcianos estavam saindo de naves com armas laser para invadir os Estados Unidos', porém tratava-se de uma peça de radioteatro. A partir disso, apresentou-se os impactos e riscos das fake news. Salienta-se que esse episódio causou pânico na população, com milhares de ligações aos serviços emergenciais. Assim, propomos abordar as consequências da desinformação e a confiança no conteúdo. Posteriormente, apresenta-se alguns tweets que envolvem a temática do AG e uma reflexão: 'diante da reportagem/postagem, você vai estudar para curtir, estudar para compartilhar ou estudar para comentar?'. A finalização do Momento 1 traz a verificação das hipóteses sobre o tema, porém destaca-se que o Momento 2 segue com o objetivo de trazer elementos da Física para embasar suas respostas em argumentos científicos.
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Das perspectivas deste trabalho, ao tratar das Emergências Climáticas, devese considerar as características e indefinições que são próprias de sistemas complexos. Portanto, não se trata de reduzir as questões no âmbito inicial da proposta, mas problematizá-las e apontar possíveis polêmicas e convergências. Ademais, como trata-se de um tema presente na mídia, é essencial buscar o diálogo com as veiculações recentes e os aspectos mais frequentes pelos quais a questão do AG é apresentada. Nesse sentido, a busca de propagação de informações pautadas na ciência torna-se crucial para que cada aluno possa desenvolver um olhar mais crítico e complexo referente às situações do cotidiano, especialmente àquelas ligadas ao risco, para que se possibilite o desenvolvimento de um posicionamento mais embasado frente aos perigos que vivemos.
Desta forma, podemos concluir que a problematização inicial busca trazer contribuições para a educação ambiental, de uma visão crítica e reflexiva, através da aproximação com uma problemática atual: as fake news. Assim, não se propõe apontar soluções individuais para enfrentar as questões ambientais, nem desconsiderar os compromissos coletivos que devemos assumir. Não se pretende apontar fórmulas mágicas, nem simples, nem imediatas. Mas, certamente, pretendese que, a partir dos encaminhamentos desenvolvidos, possam ser explicitadas relações mais amplas do tema. Ressalta-se que esse trabalho é um recorte de um projeto de sequência de aulas sobre emergências climáticas.
## Referências
BECK, U. Sociedade de Risco. São Paulo: Editora 34. 2010.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média. Base Nacional Comum Curricular. Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Brasília: MEC. 2017.
DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A.; PERNAMBUCO, M. M. Ensino de Ciências: Fundamentos e Métodos. São Paulo: Cortez, 2002.
GARCÍA, J. E. Hacia una teoría alternativa sobre los contenidos escolares. Espanha: Díada Editora S. L. 1998.
MORAES, R.; GALIAZZI, M. C. Análise Textual Discursiva. Ijuí, Editora Unijuí. 2007.
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