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QUESTÕES SOCIOAMBIENTAIS E ASPECTOS DA COMPLEXIDADE: QUAIS OS TEMAS MAIS SUGERIDOS ANTES E DURANTE A PANDEMIA?

Fernanda Carvalho, Giselle Watanabe

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Interdisciplinaridade No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## QUESTÕES SOCIOAMBIENTAIS E ASPECTOS DA COMPLEXIDADE: QUAIS OS TEMAS MAIS SUGERIDOS ANTES E DURANTE A PANDEMIA?

## Fernanda da Rocha Carvalho 1 , Giselle Watanabe 2

¹ Universidade Federal do ABC (UFABC)/ Programa Ensino, História e Filosofia das Ciências e Matemática/ carvalho.fernanda@ufabc.edu.br

² Universidade Federal do ABC (UFABC)/ Centro de Ciências Naturais e Humanas/giselle.watanabe@ufabc.edu.br

Palavras-chave : Ensino de Física; Questões socioambientais; Complexidade

## Resumo expandido

As mudanças vivenciadas ao longo dos últimos anos no campo social trouxeram para a escola a necessidade de um ensino de Física capaz de incorporar discussões de cunho político, cultural, econômico e socioambiental. Especialmente devido à pandemia da Covid-19, isto tornou-se ainda mais evidente. De certa forma, os conhecimentos escolares passaram a ter um novo sentido, por influência dessas mudanças: seja devido ao rumo que tomamos com as aulas remotas para evitar a transmissão do coronavírus e/ ou pelos direcionamentos dos documentos oficiais que já vinham sendo implementados. Dentre esses documentos destaca-se a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)(BRASIL, 2018) que aponta aponta para a necessidade de construir projetos de vida que envolvem reflexões não só em termos de estudo e trabalho, mas também em relação ao meio ambiente, participação social e atuação em âmbito local e global.

Mas como incorporar essa outra perspectiva no contexto do ensino e da aprendizagem? Do nosso ponto de vista, a Abordagem Temática (DELIZOICOV, ANGOTTI e PERNAMBUCO, 2002; DELIZOICOV, 2008) pode ser capaz de romper com a uniformidade conceitual tratadas nos currículos tradicionais dando espaço para o trabalho com temas. A Abordagem Temática traz uma reflexão sobre a necessidade de um posicionamento e conscientização dos protagonistas diante de um problema, o que vai ao encontro das ideias de Morin (2005) ao tratar da complexidade. Para o autor, uma abordagem estritamente simplificadora promove a inteligência cega dentro de um sistema de ideias, teorias, ideologias etc. Essa cegueira está ligada ao desenvolvimento de uma visão unidimensional, abstrata e neutra, que incapacita o sujeito de compreender o problema, reduzindo do complexo ao simples.

Em suma, um ensino que considere a realidade em que vivemos requer uma outra abordagem na escola. Para nós, isso se dá a partir do trabalho com temas e pautado por uma perspectiva mais complexa. Para considerar isso, não é possível tratar qualquer tema, mas aqueles abertos e dinâmicos, organizados também por conhecimentos científicos da Física. Tais temas voltam-se às questões socioambientais. A Educação Ambiental (EA) na perspectiva da complexidade traz em seu cerne preocupações como a forma de agir e lidar com o meio em transformação. Do ponto de vista de García (1998) refere-se à uma reorganização do saber e uma nova forma de atuar e tratar os problemas socioambientais de acordo com as esferas do conhecimento. A EA nesse contexto pode ser um dos

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

caminhos para que os indivíduos interpretem o mundo considerando também os riscos e as incertezas inerentes nas tomadas de decisão (BECK, 2010).

Para identificar os temas mais relevantes perguntamos aos estudantes da Universidade Federal do ABC, antes (2019) e durante (2021) a pandemia, quais as questões ou problemas ambientais que a escola deveria estudar e procuramos analisá-los do ponto de vista da complexidade. Assim, o objetivo deste trabalho é analisar os temas socioambientais sugeridos pelos graduandos antes e durante a pandemia, a fim de identificar uma possível mudança de interesse dos sujeitos no momento atual. Essa análise é fundamental para que possamos ser capazes de propor um ensino mais próximo da realidade atual dos alunos e das alunas.

O levantamento dos dados consistiu em analisar as respostas obtidas a partir da produção escrita de 27 participantes em 2019 e 13 participantes em 2021, ao questionar: 'Na sua opinião, quais as principais questões ou problemas ambientais que a escola básica atual deveria abordar nas aulas de ciências?'. Os sujeitos dessa pesquisa são graduandos do curso da licenciatura em Física e do Bacharelado em Ciência e Tecnologia. Metodologicamente, as respostas dos participantes são analisadas e categorizadas utilizando a Análise Textual Discursiva (MORAES e GALIAZZI, 2007), que considera a construção das categorias temáticas. O Quadro 1 apresenta os principais temas sugeridos nos anos de 2019 e 2021.

Quadro 1: os temas sugeridos pelos graduandos.

Quanto aos temas sugeridos em 2019 observa-se que os assuntos sobre descartes e resíduos de materiais estão mencionados, com uma frequência de 7% nas respostas; com 18% apareceu o assunto sobre desmatamento e efeito estufa; com 29% o tema aquecimento global e a questão socioambiental trazida pelos alunos de 2019 se concentra na temática poluição com 37%. Quanto aos temas

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sugeridos em 2021, o assunto predominante é o aquecimento global com 61% das respostas. Destaca-se ainda que 53% aponta para o desmatamento, 38% para a poluição e 23% para o efeito estufa.

No que se refere aos temas convergentes entre os grupos, aparecem: aquecimento global, efeito estufa, mudanças climáticas e desmatamento. Já os temas que divergem entre os grupos tem-se: sustentabilidade e descartes de lixos (para a turma de 2019) e consumo de água, 3Rs e proliferação de doenças (para a turma de 2021).

Esses resultados indicam que o tema aquecimento global continua sendo uma preocupação dos sujeitos, estando a questão do desmatamento como aquela que mais cresceu no ano da pandemia. Essa preocupação pode ser reflexo das políticas públicas adotadas pelo atual governo, especialmente no que se refere aos últimos acontecimentos na Amazônia e Pantanal. A questão da proliferação de doenças indicadas no ano de 2021 também mostra preocupação em trazer para a escola uma reflexão próxima da realidade atual dos alunos e das alunas.

Ainda que essa seja uma reflexão inicial, esse trabalho 1 reconhece que os temas socioambientais analisados se aproximam de forma tímida das condições sociais, políticas, econômicas etc. Nesse sentido, considera-se a necessidade de uma formação mais crítica e pautada na complexidade. Isso implicaria na promoção de uma visão mais dinâmica e articulada com outras esferas do conhecimento, permitindo ao sujeito se posicionar diante dos riscos presentes em nosso dia-a-dia que surgem, por exemplo, de discursos pautados no negacionismo da ciência, no desrespeito ao isolamento social, no aumento da emissão dos poluentes justificado pela economia capitalista.

## Referências

BECK, U. Sociedade de Risco. São Paulo: Editora 34. 2010

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média. Ensino Médio: Orientações educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Brasília: MEC. 2002

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média. Base Nacional Comum Curricular. Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Brasília: MEC. 2017

DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A.; PERNAMBUCO, M. M. Ensino de Ciências: Fundamentos e Métodos. São Paulo: Cortez, 2002.

GARCÍA, J. E. Hacia una teoría alternativa sobre los contenidos escolares. Espanha: Díada Editora S. L. 1998

GARCÍA, J. E. Educación ambiental, constructivismo y complejidad. Série Fundamental, n21. Espanha: Díada Editora S. L. 2004

MORAES, R.; GALIAZZI, M. C. Análise Textual Discursiva. Ijuí, Editora Unijuí. 2007

MORIN, E. Introdução ao pensamento complexo. 3ª ed. Porto Alegre: Sulina. 2005

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