Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

DESAFIOS E SOLUÇÕES INICIAIS PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA CULTURA MAKER EM UMA ESCOLA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE ANGICOS/RN: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Vinícius Sátiro, Enai Taveira, Vivaldo Miranda, Pablo Silva, Gislene Borges

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Interdisciplinaridade No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2021

Texto completo

## DESAFIOS E SOLUÇÕES INICIAIS PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA CULTURA MAKER EM UMA ESCOLA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE ANGICOS/RN: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Vinícius Sátiro 1 , Enai Taveira 2 , Vivaldo Miranda 3 , Pablo Silva 4 , Gislene Borges 5

1 Universidade Federal Rural do Semi-Árido/DCETI/BCT, viniciuscomnet2@gmail.com 2 Universidade Federal Rural do Semi-Árido/DCETI/BCT, enai@ufersa.edu.br 3 Universidade Federal Rural do Semi-Árido/DCETI/BCT, vivaldomirandaneto@hotmail.com 4 Universidade Federal Rural do Semi-Árido/DCETI/BCT, pabloklisnskan@gmail.com 5 Universidade Federal Rural do Semi-Árido/DCETI/BCT,gislene.borges@ufersa.edu.br

Palavras-chave : Cultura maker; Interdisciplinaridade; Ensino de Ciências.

## Resumo Expandido

Nos últimos anos diversos estudos têm destacado a importância da interação entre diferentes áreas do conhecimento em sala de aula, fornecendo discussões acerca dos impactos e desafios no processo de implementação efetiva da interdisciplinaridade. Nesse contexto, uma das possibilidades de incorporação de um ensino de Física interdisciplinar é a implementação da cultura maker (CM). A CM objetiva a mão na massa e possibilita a formulação e a solução de problemas - criar, alterar ou construir um determinado objeto e/ou projeto é o foco. Em espaços makers, o aluno é o protagonista no processo de aprendizagem, podendo-se fazer uso de robótica, programação, marcenarias e materiais recicláveis. No dia a dia escolar, a implementação da CM no ensino de Física pode enfrentar alguns desafios, tais como: não existência de equipamentos e instrumentos para o desenvolvimento de projetos; não diálogo de professores da escola de diferentes áreas do conhecimento e a não formação continuada dos professores, quanto ao conhecimento de metodologias ativas de ensino e de temas da engenharia, em especial, da eletrônica e da robótica.

Neste trabalho, será apresentado o relato de experiência de um projeto de extensão, em fase de desenvolvimento, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). A ação tem como objetivo principal a melhoria do ensino de ciências da natureza e suas tecnologias (CNTs) na Escola Estadual de Tempo Integral Professor Francisco Veras (EEPFV), situada no município de Angicos/RN, por meio de contribuições para uma maior incorporação de atividades práticas que possam ser desenvolvidas de forma interdisciplinar e da criação de um ambiente físico favorável para implementação da CM.

As primeiras atividades da ação de extensão foram: identificação das condições físicas para a implementação da CM; pesquisa da estrutura curricular implementada na escola e análise da disposição dos docentes quanto à implementação de atividades com características interdisciplinares.

O Programa de Fortalecimento do Ensino Médio no RN (ProMédio) está entre as políticas educacionais adotadas pelo estado nos últimos anos. Tal programa prevê um ensino integral com estrutura curricular que conta com disciplinas comuns à base curricular nacional e atividades didático-pedagógicas, entre as quais, estão as atividades práticas pré-experimentais e experimentais (APEs) .

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

19 a 30 de julho de 2021 - Online

As APEs, conforme dados disponibilizados pela Secretaria de educação do estado, devem ser desenvolvidas em laboratórios e campos de pesquisa. Na EEPFV, conforme a direção, ocorre rodízio de professores que ministram essa disciplina e os conteúdos abordados dependem da formação do docente.

No que se refere à estrutura física, observou-se que, apesar da escola possuir espaço e equipamentos destinados às práticas experimentais, os materiais do laboratório estavam encaixotados e apresentando sujidades generalizadas, conforme registrado na Figura 1.

Figura 01: Equipamentos danificados presentes no laboratório da escola ( inicialmente inativo ).

<!-- image -->

A coordenação do projeto conversou com a direção da escola e com professores da área de CNTs, apresentou aos docentes o que seria a CM e os professores mostraram-se abertos a conhecer e experimentar esta nova abordagem. Contudo, apresentaram receio quanto ao planejamento e implementação das práticas em sala de aula, devido ao não domínio de conteúdos relacionados com a engenharia, como por exemplo, temas de eletrônica. Nesta perspectiva, foi acordado que a próxima etapa da ação seria a reestruturação do laboratório, com a preparação física para formulação do espaço/ambiente maker. A implementação dar-se-ia, inicialmente, na disciplina de APEs, ocorrendo um planejamento com a participação de todos os professores da área de CNTs.

A reestruturação laboratorial ocorreu por meio da participação de membros do projeto, constituído por professores das áreas de Física e Matemática, técnico de laboratório de Física e estudantes dos cursos Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia, Licenciatura em Computação e Sistema da Informação. As etapas foram: catalogação de equipamentos e instrumentos da escola, transferência dos equipamentos para uma oficina nas dependências da UFERSA, identificação dos equipamentos danificados que poderiam ser revitalizados, planejamento e criação de kits educacionais e materiais que permitissem a estruturação do espaço maker.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

O projeto contou com a parceria do Programa de Educação Tutorial Conexões Comunidade do Campo, possibilitando a compra de alguns componentes, tais como, arduinos, placas de circuitos e leds. Contudo, diante do pouco recurso, a maior parte dos kits de ensino foram criados com componentes que tiveram a sucata como origem. Na Figura 2, é possível identificar materiais que serão usados para a criação de projetos.

Figura 02: Materiais que foram incorporados ao laboratório.

<!-- image -->

Na Figura 3, é possível observar algumas representações de experimentos apresentadas aos professores, que foram incorporados à escola desmontados, uma vez que, na proposta da CM os estudantes precisam investigar, refletir, criar hipóteses e analisar de forma crítica situações e problemas. Na parte superior da figura, lado esquerdo, tem-se a representação de um projeto que permite o estudo de circuitos elétricos, de percepção de cores do olho humano e de formação de cores secundárias (comumente estudados de forma separada). Enquanto que no lado direito, tem-se um exemplo um circuito eletrônico que possibilita o estudo de elementos de uma matriz. Na parte inferior, lado esquerdo, tem-se um projeto que une a eletrônica e o estudo do movimento e no lado direito, tem-se um experimento que pode ser usado para estudar cinemática rotacional e geometria.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Figura 03: Exemplos de experimentos levados aos professores da escola para o desenvolvimento de abordagens interdisciplinares.

<!-- image -->

Após o processo de reestruturação laboratorial, finalizado pouco antes do início da pandemia da COVID-19, foi possível observar, conforme relato da direção e do docente coordenador da área de CNTs, uma motivação maior dos professores para aprender novas metodologias de ensino e para implementar a CM. Estão atuando na ação extensionista estudantes e professores com formações técnicas distintas e diferentes áreas da Ciência e Tecnologia, esta caraterística multidisciplinar da equipe possibilitou o planejamento e criação de materiais a serem utilizados no espaço maker criado na escola. Além disso, o perfil dos membros da ação, possibilita que seja feita uma formação docente (segunda etapa da ação) para os professores, tanto técnica quanto pedagógica. Estudantes dos cursos de Sistema da Informação e Licenciatura em Computação farão a formação voltada para o uso da eletrônica e da robótica educacional.

## Referências

AUGUSTO, T. G. da Silva; CALDEIRA, A. M. de A.; CALUZI, J. J.; NARDI, R. Interdisciplinaridade: concepções de professores da área de ciências da natureza em formação em serviço. Ciênc. Educ (Bauru) [online]. 2004, vol. 10, n.2, pp. 277289

HALVERSON, E.; SHERIDAN, K. The maker movement in education . Harvard Educational Review, v. 84, n. 4, p. 495-504, 2014. Acesso em: 8 de mar. 2021 Rev. Bras. Ensino Fís.

MOREIRA, Marco Antonio. Desafios no ensino da física. [online]. 2021, vol.43, suppl.1, e20200451.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.