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ENSINO DE FÍSICA E FORMAÇÃO DE PROFESSORES: PERSPECTIVAS DE DOCENTES SOBRE O USO DE EXPERIMENTOS DIDÁTICOS

Giovani Luis Correr, Eugenio Maria De França Ramos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ENSINO DE FÍSICA E FORMAÇÃO DE PROFESSORES: PERSPECTIVAS DE DOCENTES SOBRE O USO DE EXPERIMENTOS DIDÁTICOS

## Giovani Luis Correr , Eugenio Maria de França Ramos 1 2

1 UNESP, Licenciatura em Física e LaPEMID CEAPLA IGCE, giovani.correr@unesp.br 2 UNESP, LaPEMID CEAPLA IGCE, eugenio.ramos@unesp.br

Palavras-chave : Formação de Professores, Experimentos Didáticos, Professores Experimentadores

Apesar de ser reconhecida a importância do uso de experimentos nas atividades didáticas por pesquisadores e educadores, particularmente na área de Ensino de Física, podemos notar que o uso deste recurso didático em sala de aula é raro.

Utilizar experimentos como instrumento de ensino oferece alguns desafios aos professores, dentre eles:

-  Dominar o conteúdo;
-  Obter e organizar o material, muitas vezes tendo que arcar com os custos;
-  Possuir local adequado para realizar as atividades;
-  Dispor de tempo para o preparo.

Entretanto há docentes que apesar das adversidades, continuam a levar e a aprimorar experimentos para serem utilizados em sala de aula. Como indicado por Braga (2016), esses professores que demonstram uma preferência no uso de experimentos didáticos em sala de aula e se mostram capazes de enfrentar tais obstáculos serão nomeados como Professores Experimentadores e são o foco de interesse deste trabalho.

Este trabalho se caracterizou como uma pesquisa de cunho qualitativo e exploratório (GONSALVES, 2007), tendo a intenção de estudar de maneira exploratória a perspectiva sobre a experiência pessoal de formação e de prática docente de professores de física.

O instrumento de coleta de dados utilizado foi o de entrevista com roteiro semiestruturado. As entrevistas foram aprovadas pelo Comitê de Ética em pesquisa com seres humanos e atendidas as recomendações da legislação pertinente. Com o atual trabalho realizamos aprimoramento do tratamento de dados (transcrição e análise dos textos) e da análise de relatos orais captados nas entrevistas obtidas por Braga (2016), que fazem parte do acervo do Laboratório de Prática de Ensino, Materiais e Instrumentação Didática.

Para aprimorar o tratamento de dados explorarmos a utilização softwares de transcrição para obter uma transcrição 'bruta' diretamente do áudio, diferente do estudo de Braga, cujas transcrições foram parciais e de apenas alguns fragmentos.

O software utilizado nas transcrições foi um aplicativo online disponível na Internet Web Captioner (https://webcaptioner.com/) usados especificamente para

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

transcrição de áudios. A decisão de escolher este software foi porque é de livre acesso e por verificar a consistência de uma transcrição inicial. Após a chamada transcrição 'bruta', foi feita uma 'lapidação', para melhorar e adaptar a transcrição. Assim, ouve-se novamente a gravação de forma a corrigir a transcrição bruta com base em novo estudo dos áudios, de forma chegarmos à transcrição final.

Para a análise do texto, optamos por utilizar outro software livre, chamado Voyant Tools (https://voyant-tools.org/), com o qual pode-se estudar frequências de palavras, seus contextos, além de obter gráficos e outras formas de representação.

Por meio do Voyant Tools, foi possível fazer uma análise da frequência em que termos relacionados a conteúdos de Física aparecem nas entrevistas, ampliando de maneira significativa a análise de Braga (2016). Podemos ver esses resultados na Tabela 1:

Tabela 01: Frequência de termos de conteúdo de física nas entrevistas.

Fonte: os autores

É possível observar pelos dados da tabela 1 a diferença de repertório entre os professores. Os professores C e D, sendo recém-formados, possuem menos variedade nas menções a áreas dos conteúdos de Física (4 áreas) em relação aos professores A e B (respectivamente 6 e 8 áreas), sendo esses últimos professores mais experientes. É possível que a prática docente pode ser decisiva na ampliação do conhecimento de conteúdos de Física.

Também se evidencia com esses dados a predominância de alguns conteúdos entre os professores como Mecânica, Eletricidade e Eletrostática, preferências essas que parecem refletir a formação inicial desses professores na graduação.

Aprofundamos a análise das entrevistas selecionando dois trechos que refletem a preocupação dos professores com a segurança dos alunos. Para o Professor C, há um limite intransponível para alguns experimentos, particularmente radioatividade.

... numa aula de física nuclear o professor [...] não vai levar nada radioativo que prejudique a saúde de todo mundo. [...] tem que pensar não em qual é o mais relevante, mas onde usar. Em todas as

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áreas da física é possível usar experimento, quase todas ... Professor C

Situação semelhante é apresentada de outra forma pelo Professor B:

Quando eu fazia Geologia, teve um professor que levou umas cápsulas radioativas, então você leva isso, a cápsula lá em si tá tudo bem, mas e se você for de forma irrestrita [...] Não pode ser irrestrito, eu acho que é assim, é bem amplo, mas precisa ver restrições - Professor B

Em ambos os casos, os professores demonstram receio sobre experimentos didáticos de Física Nuclear, que é apresentado como uma impossibilidade e uma hipótese interditada, tratando-se de experimentos.

Entretanto, a vivência do professor B permite vislumbrar uma possibilidade e para C uma interdição. B e C desvelam que a formação é fundamental para o desempenho docente, visto que a formação complementar de B o permite refletir melhor sobre a segurança da exposição limitada à radiação ionizante, curiosamente por sua experiência na graduação em outro curso (Geologia).

Aprofundando nosso estudo verificamos a possiblidade de fazer experimentos de física nuclear com segurança, com a utilização da câmara de nuvens proposta por Lagana (2011) para estudar a radiação oriunda de raios cósmicos, fonte natural de radiação.

A localização do experimento proposto por Laganá sugere que a formação dos professores experimentadores poderia ser enriquecida por meio do hábito de acesso a literatura especializada, como, no caso de Laganá, a Revista Brasileira de Ensino de Física. Entretanto nas entrevistas analisadas, nenhum dos professores fez menção a essa prática de estudos ou de prática, sugerindo uma lacuna na formação inicial para atividades que poderíamos chamar de autoformação.

Com relação a formação dos professores, as impossibilidades como a da temática de Física Nuclear não refletem apenas a importante preocupação com a segurança, mas lacunas na sua formação. Formação essa que também reflete preferências e facilidades, como se evidencia em temáticas como Mecânica e Elétrica.

Entendemos que o estudo realizado permitiu obter avanços significativos na análise das entrevistas com a implementações de softwares de transcrição, que facilitaram o processo de transcrição, e de análise, que ampliaram as possibilidades da análise anteriores.

## Referências

BRAGA, J. G. Professores experimentadores : perspectivas de docentes de física sobre o uso de experimentos didáticos na educação básica. 2016. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Física) - UNESP, [ S. l. ], 2016.

GONSALVES, E. P. Conversas sobre iniciação à pesquisa científica . Campinas, SP: Alinea. 2007.

LAGANÁ, C. Estudo de raios cósmicos utilizando uma câmara de nuvens de baixo custo . Revista Brasileira de Ensino de Física 33, 3 (2011)

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.