MODELOS METODOLÓGICOS PESSOAIS E DOCENTES DO ENSINO SUPERIOR: OLHARES EM UM CURSO DE INOVAÇÃO
Fabricio Masaharu Oiwa Da Costa, Giselle Watanabe
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 23/07/2021
- Linha de pesquisa
- Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## MODELOS METODOLÓGICOS PESSOAIS E DOCENTES DO ENSINO SUPERIOR: OLHARES EM UM CURSO DE INOVAÇÃO
Palavras-Chave: Modelos Metodológicos Pessoais; Formação de Professores; Ensino de Física.
## CONCEPTUAL PHYSICS ORGANIZATIONS IN HIGHER EDUCATION: TEACHERS 'VIEWS IN AN INNOVATION COURSE
Keywords: Personal Methodological Models; Teacher training; Physics teaching
## Fabricio Masaharu Oiwa da Costa1, Giselle Watanabe2
1UFABC, fabricio.masaharu@aluno.ufabc.edu.br
2UFABC/Centro de Ciências Naturais e Humanas, giselle.watanabe@ufabc.edu.br
## Resumo Expandido
O processo formativo precisa considerar a visão de mundo, as concepções didático-pedagógicas e as práticas docentes. Isso permite vislumbrar uma formação que vincula conhecimentos, habilidades, crenças, instituições e sociedade, mostrando que a docência está permeada de regras, condições e escolhas. Segundo Tardif (2011), esse contexto se dá pelo processo educativo ser fruto e base das relações humanas.
Nesse sentido, o ponto de vista apontado por Tardif (2011) aponta a insuficiência da visão técnica no trabalho com o ser-humano. Em nossa visão, a complexidade, como parte da cultura humana e das relações criadas em sala de aula, ressalta a necessidade de aspectos sociais, culturais e históricos como conhecimentos integradores ao conhecimento científico-escolar, gerando maior significado à realidade escolar. Essa visão concorda com Contreras (2002), em que é necessário explorar as concepções, crenças e condições a que os docentes vivem, através da autoanálise e pesquisa, para obter processos formativos mais efetivos.
Porém, como atividade complexa, demanda contínuo questionamento dos impactos e autopercepção quanto sujeito no processo (PÓRLAN, 2017). Para tanto, o autor apresenta os Modelos Metodológicos Pessoais (MMP), que seriam modelos que englobam as ações e ideias docentes numa aula, sistematizando os aspectos implícitos e explícitos da prática docente, que segundo o autor, 'Estabelecer modelos metodológicos nos ajuda a compreender melhor a realidade da aula para poder intervir nela com maior rigor' (PÓRLAN, 2017, p. 38).
Diante disso, buscou-se estudar os MMP de professores de Física no ensino superior. A intenção com isso é identificar espaços de mudança que podem contribuir com a prática pedagógica, a partir das próprias concepções do docente.
## A Complexidade, a Criticidade e a Formação de Professores
Como brevemente salientado, os aspectos da complexidade e da criticidade apontam para uma formação de natureza envolvendo distintas realidades que permeiam a sociedade. Do ponto de vista da complexidade, segundo Morin (2011), a
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
sociedade atual tem enfrentado dificuldades ao optar a fragmentação do conhecimento ao passo que precisa resolver problemas cada vez mais complexos.
Para Freire (1968), existem dois pontos importantes a serem ressaltados, o da ação e da reflexão. Pode-se pensar na ação como o fazer concreto, que afetará diretamente a realidade, enquanto a reflexão residiria num âmbito mais abstrato, sendo no pensamento e no discurso. A ação não reflexiva torna-se imersa na realidade, cega e pouco preocupada com os fins com que a educação se dedica, e por outro lado, o discurso e a reflexão sem a ação torna-se vazio e sem significado aos sujeitos.
Dessa forma, complexidade e criticidade se correlacionam no sentido de uma formação integral do(a) docente. Considerando aspectos relacionados ao indivíduo, do sistema educacional, do coletivo e das relações existentes entre eles, num conjunto complexo que possui fator humano e social significativo no contexto educacional. Isso demanda questionar determinados padrões que são impostos, assim como problematizar o que está naturalizado na educação, tendo reflexos em seus diferentes âmbitos (WATANABE, 2012).
## Caminhos da Pesquisa
Este trabalho trata-se de um recorte de uma pesquisa de doutorado em cursos de formação inicial e continuada para professores do ensino básico e superior. Neste resumo, apresenta-se a parte voltada aos professores do ensino superior, através do curso 'Ciclo de Inovação Docente' proposto na Universidade Federal do ABC (UFABC), cujo objetivo foi refletir sobre a prática pedagógica de professores do Bacharelado em Física. Os professores estão indicados aqui por S1 até S4.
Para captar os dados foram utilizados o Diário do Professor (PÓRLAN, 2016) e os MMP. Deste modo: (1) as anotações de campo dos pesquisadores; (2) a descrição da prática pelos docentes e graduandos; e (3) a sistematização da prática através de modelos. Para tanto, os cursistas foram requisitados a responder duas questões:
- · Descreva como é a tua aula habitualmente. Para tanto, discorra sobre o início, desenvolvimento e finalização da aula.
- · Desenhe o seu Modelo Metodológico Pessoal.
A Análise do Conteúdo (BARDIN, 2016) foi utilizada, conforme ilustrado na Figura 1 .
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Figura 1: Esquema de análise do Modelo Metodológico Pessoal
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Assim como na Figura 1, o processo analítico foi dividido em quatro etapas. A primeira, consistiu na organização das falas com significado e dos MMP dos participantes, enquanto a segunda etapa visou explorar as ideias presentes nesses dados. Em seguida, na terceira etapa, ocorreu a inferência das ideias e convergência das categorias. Como resultado, as Figuras 2 e 3 , refletem os MMP's dos docentes pesquisados.
Quanto ao MMP de S1, o início se dá pelas Dúvidas (Du) e Introdução (In), centralizando as atividades na Teoria (T) e nos Exemplos (E), ao final é colocado Exercícios pelo Professor (ExP) e pelo Aluno (ExA), no geral, a descrição das aulas se relaciona bastante com o MMP, em que se mostram momentos bem definidos para cada ação e sem participação ativa do estudante. O MMP de S3 segue uma estrutura similar de aula.
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Figura 2: Diário do Professor e MMP de S1
No MMP de S2 existe um conjunto de conexões, criando um circuito que se volta principalmente à Teoria (T). Para iniciar, há uma Revisão (R) e Justificativa (J), seguido pelo circuito de Teoria (T), Exemplos (Ex), Exercícios do Professor (ExP) e Conversas (CI), e ao final, Exercícios dos Estudantes (ExA). No geral, percebe-se
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momentos bem definidos, alguns conceituais e outros, em menor proporção, com participação dos estudantes. O MMP de S4 segue uma estrutura similar de aula.
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Figura 3: Diário do Professor e MMP de S2
## Considerações Finais
O objetivo deste trabalho foi estudar os MMP de professores do Ensino Superior. Os docentes pesquisados possuem a preocupação conceitual em suas aulas, ilustrado pela Teoria (T), centralizada em seus modelos. Foi notado que o docente assume o papel de ilustrar os exemplos e resolver os exercícios que são propostos, enquanto em algumas aulas, há alguma abertura para a participação ativa dos estudantes. Com isso, nota-se um possível ponto de aprimoramento nas aulas de S1 e S3. Portanto, no geral, os MMP apresentam grande potencial para inserção de elementos de criticidade e complexidade, mesmo que pontualmente nas aulas, como exemplo, foi citado o aumento da participação ativa dos estudantes.
## Referências
CONTRERAS, J. A autonomia de professores. São Paulo: Cortez, 2002.
FREIRE, Ana Maria Araújo (Org.). Política e Educação . 1. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2014
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 63. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1968
PORLAN, Rafael; MARTÍN, José. El diario del profesor: un recurso para la investigación en el aula . Díada, 2016.
PORLÁN, R. et al. Enseñanza universitaria - Cómo mejorarla. , 1 ed., Ediciones Morata, Madrid 2017.
TARDIF, Maurice; LESSARD, Claude, 'O Trabalho Docente Elementos para uma Teoria da Docência como Profissão de Interações Humanas' , 6 ed., Petrópolis: Editora Vozes, 2011.
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WATANABE, G. Aspectos da complexidade: contribuições da física para a compreensão do tema ambiental. 2012. 262 f. Tese (Doutorado em Ensino de Física) - Ensino de Ciências (Física, Química e Biologia), Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.