ESTUDO EXPLORATÓRIO DAS DISSERTAÇÕES DO MNPEF NA REGIÃO NORDESTE NO PERÍODO 2015-2019
Rafael Nunes Costa, Wagner Duarte José
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 23/07/2021
- Linha de pesquisa
- Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ESTUDO EXPLORATÓRIO DAS DISSERTAÇÕES DO MNPEF NA REGIÃO NORDESTE NO PERÍODO 2015-2019
## Rafael Nunes Costa 1 , Wagner Duarte José 2
1 Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, rafael.nunes.costa@hotmail.com
2 Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas, wagnerjose@uesb.edu.br
Palavras-chave
: MNPEF, Pesquisa Exploratória, Nordeste
## Resumo expandido
O Programa Nacional de Mestrado Profissional em Ensino de Física (MNPEF) é uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Física, voltado a professores que ministram física na Educação Básica. O programa é desenvolvido em rede em todas as regiões do País desde 2013, conta com a participação de 63 instituições (polos) autorizados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (MOREIRA, STUDART, VIANNA, 2016).
Neste trabalho apresentamos resultados preliminares de uma pesquisa documental do tipo exploratória (LIMA, MIOTO, 2007) sobre as dissertações produzidas pelo MNPEF no período 2015-2019 na região Nordeste. Nosso objetivo foi caracterizar essas produções identificando as instituições envolvidas, as áreas e tópicos da Física, enquanto potencial catalisador da formação continuada e da melhoria do ensino na região. Visando futuro aprofundamento da pesquisa, focalizamos a área que apresentou maior número de dissertações, destacando os tópicos de conhecimentos escolares pertinentes.
Identificamos 20 polos na página eletrônica do programa (http://www.www1.fisica.org.br/mnpef/), conforme o ano de credenciamento: 2013 Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Universidade Federal de Sergipe (UFS); 2014 - Universidade Estadual do Ceará (UECE), Universidade Federal do Piauí (UFPI), Universidade Regional do Cariri (URCA), Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC); 2015 - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Estadual Vale do Aracaju (UVA-IFCE), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMASluiz). Estes polos estão localizados na Figura 1, a seguir:
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Figura 01: Localização aproximada dos 20 pólos do MNPEF - Região Nordeste.
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Coletamos as dissertações disponibilizadas diretamente na página dos polos. A Tabela 1 apresenta o número de dissertações defendidas no período 20152019, considerando o Estado e a Instituição (não encontramos dissertações publicadas pelos polos: IFMA-Sluiz, IFRN, UEFS, UFMA e UNEB).
Tabela 01: Dissertações produzidas na região Nordeste no período 2015-2019.
Verificamos que, do total de 308 produções em 5 anos, UFERSA (36 dissertações) e UECE (32) ultrapassam a faixa de 30 dissertações cada, enquanto UFC
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(29), UFPI (29), UNIVASF (23), UESC (22) e URCA (21) estão na faixa entre 20 e 30 produções. Na faixa entre 10 e 20 produções encontram-se UFRPE (19), UFS (17), UFRN (16), UEPB (16), UFPE (13), UFAL (13), UESB (12), UVA-IFCE (10). Com exceção da UFS e UFAL, todos os polos dessa última faixa foram credenciados em 2015, enquanto que os credenciamentos em anos anteriores se misturam entre as três faixas, sugerindo que as dinâmicas dos polos são diversas.
Referenciados na classificação de Casanova e Zara (2020), porém fazendo algumas adaptações, consideramos as seguintes áreas da Física : Mecânica, Ter1 mologia e Termodinâmica, Eletricidade e Magnetismo, Óptica, Ondulatória, Astronomia, Física Geral, Física Moderna e História da Física. Assim como esses autores, agrupamos em Física Geral as dissertações que abrangem mais de uma área. Os resultados que obtivemos estão destacados na Tabela 2:
Tabela 02: Número de dissertações segundo as áreas da Física no período 2015-2019.
Podemos observar a evolução na quantidade de dissertações defendidas nos quatro primeiros anos e estabilidade no ano 2019 (94 dissertações) comparado ao anterior (97). Considerando o total de dissertações produzidas por área, verificamos que Mecânica possui maior número (81), seguida de Eletricidade e Magnetismo (56), Física Geral (45) e Física Moderna (40). Esta última supera Termologia e Termodinâmica (23), Óptica (16) e Ondulatória (15), sinalizando o esforço do programa em inserir tópicos de Física Moderna na educação básica. Devemos registrar que Astronomia também se destaca com 25 produções, possivelmente pelo interesse que os estudantes possuem por esse tema. O gráfico 1 a seguir apresenta os percentuais relativos anuais da produção em cada área.
Podemos observar que Mecânica se apresenta como majoritária em praticamente todos os anos, com exceção de 2017, no qual Física Geral é proeminente. Esta área mantém-se acima de 20% nos três primeiros anos e diminui abruptamente nos dois últimos, ou seja, os conteúdos estão mais fechados em 2018 e 2019, dois anos marcados pela presença de Eletricidade e Magnetismo. Há uma presença sin-
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gela da História de Física (5% em 2017) sugerindo que o curso não destaca a contento as especificidades da pesquisa nessa área.
Gráfico 01: Percentuais relativos anuais das produções em cada área da Física.
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A Tabela 4 destaca as dissertações produzidas na área da Mecânica por polo no período 2015-2019.
Tabela 04: Número de dissertações produzidas pelas instituições no período 2015-2019.
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Podemos verificar significativo aumento significativo no número de dissertações com foco em Mecânica nos anos 2018-2019, quando os polos cadastrados em 2015 passaram a somar maior volume de produção. Em 2019, a UFPI chega a produzir 8 dissertações nessa área, enquanto a maior parte dos polos tem sua produção distribuída ao longo dos anos. UFPE e URCA produziram maior percentual relativo de todas as suas dissertações, em torno de 38%, focalizadas em Mecânica (5 para 13 na UFPE, 8 para 21 na URCA). A Tabela 5 apresenta os tópicos de conteúdos escolares abordados nas dissertações referentes a esta área.
Tabela 05: Número de dissertações produzidas segundo tópicos de Mecânica.
Observamos nesta tabela que Cinemática e Dinâmica são os tópicos mais abordados, com 67 produções distribuídas em todos os polos. Aproximadamente metade dos polos produziram ao menos uma dissertação focalizando a Hidrostática, enquanto apenas UFS e UEPB produziram uma dissertação em Estática, e a UFPE, a única em Hidrodinâmica. Esses dados permitem identificarmos facilmente os conteúdos da Mecânica presentes nos produtos educacionais, os quais, podem ser utilizados em sala de aula.
Em conclusão, nossos resultados permitem inferir que há forte correlação com os conhecimentos escolares ministrados nas escolas, haja visto que os produtos educacionais devem ser aplicados em situações concretas de ensino, nas quais Mecânica, Eletricidade, ao lado de Termologia e Termodinâmica, são áreas ensinadas preponderantemente. Contraditoriamente, preocupa-nos a pouca possibilidade concreta de inserção de tópicos de Física Moderna e Contemporânea, Astronomia ou contribuições mais acentuadas em História e Filosofia da Ciência em sala. Trabalhos como esse podem contribuir efetivamente no mapeamento e avaliação da pro-
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dução científica do MNPEF no país, e na disseminação e divulgação dessas produções, facilitando as buscas de interesse do professor, que está na ponta do processo e, muitas vezes, dispõe de pouco tempo para realizar esse levantamento.
## Referências
LIMA, T. C. S.; MIOTO, R. C. T. Procedimentos metodológicos na construção do conhecimento científico: a pesquisa bibliográfica. Rev. Katál. Florianópolis, v. 10, n. esp., p. 37-45, 2007.
ZARA, R. A.; CASANOVA, S. S. Análise dos Produtos Educacionais provenientes do Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física. Arquivos do Mundi , v. 24, n. 3, p. 267-276, 2000.
MOREIRA, M. A.; STUDART, N. A.; VIANNA, D. M. O Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (MNPEF): uma experiência em larga escala no Brasil . Latin American Journal ot Physics Education , v. 10, n. 4, p. 4327(1-6), 2016.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.