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AMPLIA CIÊNCIAS: FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS EM CTS A PARTIR DA LUZ SÍNCROTRON

Taneska Santana Cal

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## AMPLIA CIÊNCIAS: FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS EM CTSA A PARTIR DA LUZ SÍNCROTRON

Taneska Santana Cal 1 , Rafaelle da Silva Souza 2 ,

1 PPGEFHC/UFBA/UEFS/Lahcic; taneska@gmail.com

2 Instituto Federal da Bahia/Seabra; rafaellessouza@gmail.com

Palavras-chave : Luz Síncrotron. CTS. Formação de Professores

O presente texto relata a experiência do curso de extensão intitulado Amplia Ciências -discutindo inovação tecnológica na educação básica . Foi oferecido pelo Instituto Federal da Bahia campus Seabra de modo remoto e ministrado pelas autoras desse artigo. Com o objetivo de propiciar debates acerca da produção científica brasileira e da inovação tecnológica de forma interdisciplinar a partir do diálogo sobre o uso de radiação síncrotron, possibilitou-se ricas discussões com os professores de ciencias da natureza. Inicialmente, essa proposta foi pensada para o modo presencial e apresentada por Souza e Cal (2020), porém devido a pandemia da Covid-19 sofreu adaptações - aqui discutidas.

Entre os conteúdos abordados, destaca-se o tema Matéria e Radiação com ênfase em sua importância ao longo da história. Será contemplada a Radiação Síncrotron a partir do acelerador de partículas Sirius - de 4ª geração, no qual feixes de elétrons serão acelerados a velocidades muito próximas da luz e ficarão circulando dentro de um anel de circunferência de 518 metros 24 horas por dia -, bem como suas linhas de atuação na pesquisa brasileira com foco nas aplicações tecnológicas (CNPEM, 2020). Foram também articulados alguns conceitos de Ondulatória e Física Moderna (matéria e raios X). A temática escolhida visa estimular a percepção de uma ciência contextualizada, pautada na história das ciências e em sua permanente construção e inovação de modo a articular a Ciência, Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA) (RESQUETTI, 2013).

Essa experiência voltada a formação continuada para professores de ciências se faz necessária devido a escassez de formações destinadas aos professores de ciências nos anos finais do ensino fundamental ou voltada apenas para Física (MORO; DULLIUS, 2020). É neste sentido que este trabalho contribuiu para pensar e repensar uma proposta de formação continuada com um grupo de

professores que atuam com o componente curricular de ciências nos anos finais do ensino fundamental e/ou no ensino médio. Para isso, contou-se com quarenta cursistas, sendo esses da Química, Física e Biologia de algumas regiões do país.

A sistematização do curso de extensão Amplia Ciências foi realizada a partir do ambiente Moodle IFBA como plataforma estruturada em dois módulos: 1º com duração de 12h + 3h encontros síncronos (15h); e 2° com duração: 23h + 2h encontros síncronos (25h); totalizando 40h. Para os encontros síncronos contou-se com a participação de mulheres cientistas brasileiras - o que proporcionou uma reflexão sobre a questão de gênero na ciência nacional, embora não fosse o foco do curso. As cientistas participantes foram: 1) Ma. Luanna Azevedo que abordou os recursos didáticos e uso de digitais aplicados ao ensino de ciências; 2) Dra. Eliade Lima com os Conceitos básicos de Mecanismos de Aceleração e os Raios Cósmicos; 3) Dra. Aline Ribeiro Passos, Dra. Ingrid Barcelos, Dra. Flávia Regina Estrada e Dra Carla Polo que são vinculadas ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e apresentaram temas específicos de suas áreas de atuação. Os encontros foram transmitidos no canal do You tube Café Cientifico com a Preta Taneska Cal, assim permitiu-se que pessoas não inscritas também pudesse acompanhar os encontros.

Entre os resultados obtidos, foi observado contribuições ao promover reflexão sobre a prática dos professores de Ciências da Natureza. Por exemplo, de acordo com as áreas de conhecimento em Terra e Universo apresentado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino médio, foi promovida uma discussão através de fórum Moodle. Quando questionado sobre a relevância de abordagens no âmbito da CTSA, tem-se:

Eu penso que, a divulgação científica tem uma importância para a sociedade em adquirir conhecimento sobre a ciência e como ela pode democratizar o acesso ao conhecimento científico levando ao letramento científico da sociedade, propiciando um debate mais amplo sobre as novas tendências. Sabemos que utilizamos na sociedade moderna vários instrumentos, processos e tarefas que se baseiam nos conceitos científicos e tecnológicos. Portanto, para que a sociedade mantenha informada, os jornalistas científicos, os pesquisadores, professores tem um papel primordial na consciência crítica da população brasileira. Para isso, é necessário professores capacitados para ensinar, os cientistas reservarem um tempo para a divulgação de suas pesquisas, e os meios de comunicação dedicarem um espaço para as temáticas científicas e educacional. Acredito que a tarefa de divulgar o conhecimento científico não é fácil devido a sua própria natureza, que possui sua linguagem própria e tem-se o cuidado de não banalizar o conhecimento de um determinado conceito - escritos de um cursista.

Os escritos acima reflete a preocupação com um ensino de ciências que ajude consideravelmente nesse processo de articulação, explorando as informações científicas presentes no cotidiano do aluno e, ou, divulgadas pelos meios de comunicação através de uma análise crítica e reflexiva, oferecendo aos alunos a oportunidade da construção de uma postura de crítica e ativa na sociedade.

Além disso, como atividade final, foi proposto a construção colaborativa de sequências didáticas baseadas sobre as áreas de conhecimento em Terra e Universo, propostas pela BNCC para as Ciências da Natureza a ser organizado de forma interdisciplinar. Para essa atividade, apenas 17 cursistas se dispurezam a desenvolver e foram agrupados por região, totalizando 4 grupos. As proponetes do curso (autoras) se colocaram a disposição para mediar a realização da atividade. No Quadro 01, apresenta-se a distribuição dos grupos.

Quadro 01: Grupos organizados para construção colaborativa de sequência didática

As sequências didáticas foram apresentadas pelos grupos em encontro síncrono e, em geral, optaram por abordar a ciência moderna a partir da Radiação Sincrotron, demonstrando compreensão da temática proposta - não objetivo desse trabalho analisar as produções finais.

Para Krasilchik e Marandino (2004), o estudo das ciências da natureza deve provocar nos estudantes, e também na população em geral, a curiosidade, e levá-los a se dar conta do papel que esses conhecimentos têm em suas vidas,

especialmente para o pleno exercício da cidadania. Por sua vez, Bizzo (1998) afirma que o trabalho do professor de Ciências da Natureza deve ser pautado pelo sucesso do aluno. A mais recente versão da BNCC para o ensino médio (BRASIL, 2018) apresenta diversificadas áreas de conhecimentos na unidade temática Terra e Universo, da área das Ciências da Natureza. Piranha e Carneiro (2009) consideram que parte dos professores da educação básica reconhece a necessidade de aprofundar seus conhecimentos em Ciências da Terra.

Desse modo, esse trabalho mostra os primeiros passos para refletir sobre a formação de professores de ciências por meio de uma abordagem CTSA envolvendo um empreendimento brasilieiro e de grande importância para a ciência: o acelerador de partículas Sirius. Em trabalhos futuros, espera-se apresentar analises críticas sobre os resultados obtivos, afim de gerar conhecimento acâdemico para promover ações duradouras.

## Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. 2020. Orientações curriculares para o Ensino Médio: Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. Brasília, DF: MEC.

BIZZO, Nelio. Ciências: fácil ou difícil? .São Paulo, Ática, 1998. Giordan, Marcelo. A experimentação do ensino de ciência. Química nova na escola. nº 10, p.43 novembro, 1999.

CNPEM. Sirius - Por que você deve se orgulhar do novo acelerador de partículas brasileiro. CNPEM, 2017. Disponível em: <https://cnpem.br/sirius-por-que-vocedeve-se- orgulhar-do-novo- acelerador-de-particulas-brasileiro/>. Acesso em: 12 de jul. de 2020.

KRASILCHIK, M.; MARANDINO, M. Ensino de Ciências e Cidadania. Editora moderna. São Paulo, 2004.

MORO, F. T.; DULLIUS, M. M. Formação continuada de professores nas Ciências da Natureza: uma análise das publicações em periódicos. Interfaces da Educação. v. 11, n. 33; 2020.

RESQUETTI, S O. Uma sequência didática para o ensino da radioatividade no nível médio, com enfoque na História e Filosofia da Ciência e no Movimento CTS. Tese. Programa de Pós-Graduação em Educação para Ciência e Matemática do Centro de Ciências Exatas da Universidade Estadual de Maringá, 2013.

SOUZA, R. S.; CAL, T. S. Radiação Síncrotron no Brasil e a tecnologia no ensino de física: algumas propostas. XVIII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2020.

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