EXPERIMENTAÇÃO EM FÍSICA USANDO MATERIAIS SIMPLES: PRÁTICA DOCENTE EM UMA ESCOLA MÉDIA PÚBLICA
Heydson Henrique Brito Da Silva, João Pedro Sousa De Menezes Sá, Renato Nunes Ramalho
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 23/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## EXPERIMENTAÇÃO EM FÍSICA USANDO MATERIAIS SIMPLES: PRÁTICA DOCENTE EM UMA ESCOLA MÉDIA PÚBLICA
## Heydson Henrique Brito da Silva 1 , João Pedro Sousa de Menezes Sá 2 , Renato Nunes Ramalho 3
- 1 Universidade Federal de Pernambuco/Centro Acadêmico do Agreste/Núcleo de Formação Docente, heydson.henrique@ufpe.br
2 Universidade Federal de Campina Grande/Centro de Formação de Professores jp.pedro.sms@gmail.com
- 3 Universidade Federal de Campina Grande/Centro de Formação de Professores e Escola Cidadã Integral EEFM Prof. Crispim Coelho (Cajazeiras-PB) renatoramalho2610@gmail.com
Palavras-chave : Ensino de Física; Experimentação; Materiais Simples e Reciclados.
## Resumo expandido
Um dos grandes desafios atuais do ensino básico nas escolas é construir uma ponte entre o conhecimento teórico e o cotidiano dos alunos. A ausência desse vínculo gera desinteresse entre os alunos e atinge também os próprios professores, principalmente na disciplina de física, já que é considerada uma disciplina difícil de ser ensinada. Embora a escassez de recursos financeiros e o tempo limitado que os educadores de ensino médio, por exemplo, dispõem para conceber suas aulas mais atraentes sejam fatores que contribuam para o cenário dominante nas escolas, o obstáculo principal é de natureza cultural.
Historicamente verifica-se que a disciplina de Física é tratada como um grande empecilho para estudantes do ensino médio, por se tratar de um campo que se requer certa habilidade matemática e capacidade de compreensão intuitiva. Como consequência, as notas obtidas pelos alunos apresentam resultados insatisfatórios na grande maioria dos casos, como, por exemplo, no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).
Além dos problemas físicos-temporais e filosóficos, ainda se encontra mais um agravante: o problema regional. Vivemos numa realidade onde o Brasil se encontra entre os países que possuem mais baixos índices de educação do mundo, de acordo com os últimos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (em inglês, PISA ) no ano de 2015, com problemas culturais bárbaros como os altos índices de evasão, piorando com a carência de profissionais adequados para as disciplinas (MELO; CAMPOS; ALMEIDA, 2015). Apesar das tamanhas adversidades, deve-se lembrar que o tamanho dos feitos é proporcional às dificuldades que são vencidas. Não se pode mudar ao bel prazer o animus dos alunos, mas o intermediador pode direcionar seu animus para garantir uma aprendizagem significativa e transformadora na vida dos mesmos.
A carência de motivação e de contextualização estão entre os principais fatores relacionados aos problemas enfrentados no ensino, como afirmam Bonadiman e Nonenmacher (2007, p. 197):
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
Muitas das dificuldades enfrentadas pelo professor de Física em sala de aula, principalmente as relacionadas com a questão do gostar e do aprender, a nosso ver podem ser contornadas por ele mesmo, com o auxílio de uma metodologia adequada de ensino (BONADIMAN; NONENMACHER, 2007, p. 197).
Um fato observado na literatura é o consenso da maioria dos autores em afirmar que o conhecimento do aluno no ensino de Física é mais eficaz ao associar a teoria com atividades experimentais (MARQUES et al., 2017; SANTOS; OSTERMANN, 2005). Além disto, esta ponte entre teoria e prática se torna mais eficaz quando o aluno é capaz de construir seu próprio experimento, pois sua participação em cada etapa desta construção lhe dá uma maior compreensão do funcionamento do aparato e lhe motiva para uma conclusão bem-sucedida, entendendo melhor o resultado final, que é a observação do fenômeno físico envolvido.
Portanto, é imprescindível uma proposta de Extensão Universitária que busque o desenvolvimento de uma metodologia de ensino simples, factível e de baixo custo, com a imprescindível participação dos alunos e professores no processo de aprendizado, na qual a participação do bolsista (e de voluntários, caso existam) seja essencialmente facilitadora do processo pedagógico. Dessa forma, justifica-se a experimentação no ensino de Física como ferramenta auxiliar ao processo ensinoaprendizagem ou como sendo o próprio processo da construção do conhecimento científico, a fim de minimizar os problemas enfrentados nas escolas de ensino médio e contribuir positivamente no processo de formação do cidadão.
Neste trabalho mostraremos como um projeto de Extensão pode amenizar problemas enfrentados em sala de aula em relação ao processo de ensinoaprendizagem. Não lidaremos aqui do recorte mais harmonioso das áreas de conhecimento ou de como deveria ser o currículo, e sim de como estimular e potencializar seu aprendizado. Especificamente, iremos aqui relatar o desenvolvimento de um projeto de extensão em Física financiado pelo Programa de Bolsas de Extensão (PROBEX) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
No projeto, alunos de Licenciatura em Física realizaram a construção de experimentos utilizando matérias simples, de baixo custo e até materiais recicláveis, em conjunto com alunos e o professor de turmas das três séries do ensino médio da Escola Cidadã Integral E.E.F.M. Crispim Coelho, localizada na cidade de CajazeirasPB. Os objetivos desta ação foram de: 1- Suprir deficiências dessas escolas em atividades práticas de laboratório; 2- Propiciar um ensino de melhor qualidade; e 3auxiliar na capacitação e aprimoramento dos professores de Física dessas instituições de ensino quanto à realização de experimentos e apoio às aulas teóricas
Esta ação extensionista dos bolsistas e voluntários permitiu mitigar os problemas decorrentes do grande número de alunos em sala, permitindo mais proximidade às especificidades do aluno. Além disso, o tempo em sala tornou-se otimizado, trazendo mais flexibilidade na ação intermediadora, tanto no planejamento de atividades (com mais opções e viabilidade de execução) quanto na prática das aulas. Com a experimentação, visamos aguçar a curiosidade do aluno, o engajamento na disciplina, a noção dos limites das teorias, como também estimular a autoconfiança e a autoestima através de abordagens lúdicas e interativas.
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## Referências
BONADIMAN, H.; NONENMACHER, S. E. B. O gostar e o aprender no ensino de Física: uma proposta metodológica. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 24, n. 2, p. 194-223 2007. ,
MARQUES, A. P. A. Z. et al . Team Based Learning : Uma metodologia ativa para auxilio no processo de aprendizagem. Colloquium Humanarum , v. 14, n. Especial, p. 699-707, 2017.
MELO, M. G. A.; CAMPOS, J. S.; ALMEIDA, W. S. Dificuldades enfrentadas por Professores de Ciências para ensinar Física no Ensino Fundamental. Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia, v. 8, n. 4, 2015.
SANTOS, F. R. V.; OSTERMANN, F. A prática do professor e a pesquisa em ensino de Física: novos elementos para repensar essa relação. Caderno Catarinense de Ensino de Física , v. 22, n. 3, p. 316-337, 2005.
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