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PARTINDO DE CONTRADIÇÕES SOCIAIS NO CONTEXTO DA VIDA DOS DISCENTES

Victor Mozart Tavares Leal Rosa, Nelson Barrelo Júnior, Lucia Da Cruz De Almeida

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## PARTINDO DE CONTRADIÇÕES SOCIAIS NO CONTEXTO DA VIDA DOS DISCENTES

## Victor Mozart Tavares Leal Rosa , Nelson Barrelo Junior , Lucia da Cruz de 1 2 Almeida 3

- 1 Universidade Federal Fluminense/Curso de Licenciatura em Física, victormozart@id.uff.br 2 SPRACE-São Paulo Research and Analysis Center, nbarrelo@gmail.com

Palavras-chave : Física; Ensino por investigação; Problematização.

## Resumo expandido

O ensino por investigação não é uma abordagem metodológica recente (GUIDOTTI; HECKLER, 2017) na educação em Ciências, porém tem recebido bastante atenção por se contrapor ao modelo tradicional, caracterizado, respectivamente, pela transmissão e recepção passiva dos conhecimentos pelo professor e estudantes. Nessa perspectiva, o ensino por investigação pressupõe um processo reflexivo. Nas palavras de Azevedo e Marcelino (2018),

[é] preciso repensar a atividade pedagógica de modo que os alunos tenham a capacidade de não só compreender o mundo em que vivem, mas também de transformá-lo (s/p).

Sendo assim, como parte da monografia de um dos autores, este trabalho consiste na apresentação dos principais elementos que balizaram a proposição de uma Sequência de Ensino por Investigação (SEI), decorrente de um processo reflexivo voltado a atividades pedagógicas para estudantes do Ensino Médio de uma escola pública da rede estadual do RJ, conhecida como Brasil-China.

Para a construção da SEI, recorremos às etapas evidenciadas na literatura pertinente (BORGES, 2002; CARVALHO, 2013; ZÔMPERO; LABURÚ, 2011), sistematizando-a nas seguintes: escolha do objeto de estudo e constituição do problema; resolução do problema; sistematização coletiva dos conhecimentos; comunicação dos conhecimentos, na forma escrita e/ou representativa por desenhos; leitura de texto e aplicações dos conhecimentos a novas situações.

Para construção do problema buscamos apoio nos estudos e explicação de Solino e Gehlen (2015) sobre pelo menos duas características do problema nas propostas de ensino por investigação: o ponto de partida é o conteúdo a ser ensinado ou é uma abordagem temática. Optamos pela segunda em decorrência do nosso interesse na Abordagem Temática Freiriana (ATF) (DELIZOICOV; ANGOTTI; PERNAMBUCO, 2002) e nos pressupostos sociointeracionistas e histórico-culturais de Vigotski (SOLINO; SASSERON, 2018) que asseveram que o problema significativo é aquele que surge por meio de situações ou práticas sociais contraditórias vivenciadas pelos alunos.

Com essa premissa, dentre os diversos elementos contextuais presentes no entorno da área da sede da escola, encontra-se o Destacamento 1/3 do 3º GBM do

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) e, indiretamente, as ações dessa Corporação têm relação com o cotidiano dos estudantes e tornaram-se mais evidentes, dentre outras situações sociais, no socorro a indivíduos com propensão ao suicídio, devido à Pandemia da COVID-19 e ao consequente isolamento social. Nesse contexto, optamos por privilegiar, como objeto de estudo, o equipamento colchão de ar ( safety air cushion ), utilizado em resgates de pessoas em situação potencial de suicídio ou em risco com probabilidade de quedas de alturas dentro de um determinado limite, por nos parecer um equipamento bastante apropriado para as pretensões da SEI, tanto em relação ao conteúdo científico quanto a um problema social familiar aos estudantes e em evidência em 2020 e 2021. Como consequência desta opção, o conteúdo subordinado à 'Pandemia da Covid-19 e a sua influência na propensão a casos de suicídios' refere-se à grandeza física Impulso (variação do Momento Linear) e, em conformidade com o cronograma e o planejamento didático da disciplina de Física da escola, destina-se a turmas de primeiro ano do Ensino Médio.

A SEI consiste em seis etapas, sendo, resumidamente: primeira -construção de estratégias para problematizar o objeto de estudo; segunda -atividade experimental, em grupos de estudantes, com o uso de bexigas com água e uma lona representando, respectivamente, alguém que cai de um prédio e o colchão de ar, visando a formulação e testes de hipóteses e a criação de um modelo físico para funcionamento do colchão de ar; terceira - exposição, discussão, defesa e refutação dos modelos criados; quarta - sistematização individual; quinta - leitura de texto para a constituição de fundamentação teórica; sexta - exibição de vídeos para análise e discussão sobre o tema.

Devido ao advento da Pandemia da Covid-19 e suas restrições ao convívio social que resultou no impedimento às atividades presenciais nas escolas, a proposta da SEI não pode ser executada no período previsto (novembro de 2020), todavia, entendemos que com o retorno ao ensino presencial, essa etapa será concretizada, oportunizando a continuidade da nossa investigação. Nesse sentido, ressaltamos que os resultados do nosso trabalho são parciais, levando-se em conta que se referem ao processo prático-reflexivo docente que necessariamente deve anteceder as etapas da SEI junto aos estudantes, visto que a realização das mesmas exige do professor mais do que saber o que ensinar. Ao invés do papel de expositor, cabe ao professor atuar como um questionador, argumentando, conduzindo perguntas, propondo desafios e auxiliando os alunos na organização do conhecimento e no desenvolvimento do significado da temática em foco, já que como esclarecem Oliveira e Obara (2018), o ensino por investigação demanda

[...] uma ampla interação entre professor e aluno, sendo que o primeiro utiliza de sua experiência para orientar e questionar seus alunos, permitindo a progressiva construção de conceitos (p. 66).

Nesse sentido, o processo de criação da SEI reafirmou a nossa percepção sobre a potencialidade do Ensino por Investigação como metodologia que promove a participação dos discentes, transforma a sala de aula em espaço de diálogos que favorecem o desenvolvimento da capacidade de argumentação no Ensino de Ciências e a Alfabetização Científica no ambiente escolar.

Em relação aos recursos didáticos, cabe esclarecer que em contraposição a exigências materiais e condições de infraestrutura sofisticadas, a construção da SEI permite afirmar que há um leque de opções que se adequam às condições da maioria das escolas brasileiras.

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Além disso, esta metodologia fundamentada nos princípios da ATF corrobora para uma aprendizagem da Ciência mais humanizadora, pois é por meio de contradições sociais, ou seja, situações críticas presentes na vida dos alunos que nascem as problematizações para o início da atividade pedagógica.

Por fim, almejamos que, do mesmo modo que a proposição da SEI aflorou a motivação de seus elaboradores, a sua execução desperte o interesse dos discentes, motivando-os a construção de um novo olhar sobre a temática suicídio por meio das discussões com os colegas mediadas pelo professor. Ademais, almejamos que a SEI seja potencializadora para superação de possíveis concepções ingênuas, preconceituosas e de senso comum sobre o tema e de uma transformação da qualidade de vida dos discentes e da comunidade.

## Referências

AZEVEDO, Lília do Espírito Santo; MARCELINO, Valéria de Souza. Ensino tradicional ou por investigação: percepção de professores acerca de sua prática. Caderno Temático - Olhar de Professor , v. 21, n. 1, 2018.

BORGES, Antônio Tarciso. Novos rumos para o laboratório escolar de ciências. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 19, n. 3: p. 291-313. Dez. 2002.

CARVALHO, Anna Maria Pessoa de. O ensino de Ciências e a proposição de sequências de ensino investigativas (cap. 1). In: CARVALHO, Anna Maria Pessoa de (Org.). Ensino de ciências por investigação: condições para a implementação em sala de aula . São Paulo: Cengage Learning, 2013, p. 1-20.

DELIZOICOV, Demétrio; ANGOTTI, José André Peres; PERNAMBUCO, Marta Maria Castanho Almeida. Ensino de ciências: fundamentos e métodos . 3. ed. São Paulo: Cortez, 2002. 364 p. (Docência em formação: Ensino fundamental)

GUIDOTTI, Charles; HECKLER, Valmir. Investigação na educação em ciências: concepções e aspectos históricos. Revista Thema , v.14, n. 3, 2017, p. 191-209.

OLIVEIRA, André Luis; OBARA, Ana Tiyomi. O ensino de ciências por investigação: vivências e práticas reflexivas de professores em formação inicial e continuada. Investigações em Ensino de Ciências , v. 23, n. 2, 2018, p. 65-87.

SOLINO, Ana Paula; GEHLEN, Simoni Tormölhen. O papel da problematização freireana em aulas de ciências/física: articulações entre a abordagem temática freireana e o ensino de ciências por investigação. Ciência e Educação , Bauru, v. 21, n. 4, 2015, p. 911-930.

SOLINO, Ana Paula; SASSERON, Lúcia Helena. Investigando a significação de problemas em sequências de ensino investigativa. Investigações em Ensino de Ciências , v. 23, n. 2, 2018, p. 104-129.

ZÔMPERO, Andreia Freitas; LABURÚ, Carlos Eduardo. Atividades investigativas no ensino de ciências: aspectos históricos e diferentes abordagens. Ensaio - Pesquisa em Educação em Ciências , v. 13, n. 3, p. 67-80, 2011.

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