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PROPOSTAS DE ENSINO SOBRE LUZ E COR NOS ÚLTIMOS 10 ANOS DE SNEF: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Rafael Vitor Terto Ferreira, Tassiana Fernanda Genzini De Carvalho

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## PROPOSTAS DE ENSINO SOBRE LUZ E COR NOS ÚLTIMOS 10 ANOS DE SNEF: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

## Rafael Vitor Terto Ferreira 1 , Tassiana Fernanda Genzini de Carvalho 2

- 1 Universidade Federal de Pernambuco, rafaelterto1999@gmail.com
- 2 Universidade Federal de Pernambuco, tassiana.fgcarvalho@ufpe.br

Palavras-chave : Revisão Bibliográfica; Ensino de Óptica; Luz e Cores.

## Resumo expandido

A física no ensino médio constantemente é vivenciada de maneira mecânica, construída por fórmulas e exercícios, sem muita conexão com o cotidiano. Esse aspecto pode trazer a sensação de que mesmo presente em nossas vidas, a disciplina que poderia nos responder grandes questionamentos e trazer novos, limita-se a mostrar contas e quantidades abstratas, sem impulsionar nosso entendimento da natureza. Na óptica não é diferente, pois geralmente fala-se pouco quanto aos fenômenos da luz, enfatizando 'leis e modelos geométricos' que retratam o 'trajeto da luz' em 'espelhos e lentes' nos cronogramas e materiais didáticos.

Devido a esses fatores, alguns professores buscam ensinar, elaborando ou replicando propostas com o objetivo de dar um novo direcionamento ao ensino de óptica. Os resultados e discussões por vezes mostram-se interessantes, sendo encaminhadas aos periódicos e anais de educação científica. Foi em uma dessas fontes, o Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF), em que decidimos buscar os trabalhos relacionados aos temas da óptica física, especificamente luz e cores, nos últimos 10 anos.

Aqui exploraremos por meio de uma revisão bibliográfica os resultados encontrados na análise das últimas 5 edições do SNEF- 2011 à 2019 - quanto às propostas didáticas sobre luz e cor. Para isso, selecionamos 109 artigos, partindo da procura das palavras-chaves nos campos de pesquisa dos eventos -desconsiderando aquelas que a topologia da palavra significava alguma categoria filosófica, ou pedagógica. Identificamos inicialmente 30 artigos que se encaixavam com o quesito luz ou cor, condizentes com a perspectiva que procurávamos, e por fim, encontramos 7 artigos com o enfoque que buscamos.

Distribuímos os 7 trabalhos (Figura 01) pelo público alvo da atividade proposta, alguns indicaram mais de um público, o que justifica a soma dos valores das barras acima da quantidade analisada.

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Figura 01 : Quantidade de propostas por público alvo

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Nos anos iniciais, a aposta é na Alfabetização Científica, defendendo que os alunos, diante das atividades investigativas, trabalhem a lógica, construam conhecimentos além do senso comum e sejam estimulados a curiosidade (GONZATTI, et al., 2015; CAMPOS e OLIVEIRA, 2017; COSTA, et al., 2019).

Para os anos finais do Ensino Fundamental não foram encontrados trabalhos. No ensino médio, encontramos preocupações como o desinteresse dos alunos, professores despreparados e/ou a falta de materiais inovadores, indicando que a principal consequência dessas coisas é que os alunos não compreendem conceitos básicos da fenomenologia da luz. Assim, as propostas procuram inovar, com metodologias e/ou temáticas motivadoras para os estudantes desenvolverem os conhecimentos científicos (ASSIS, et al., 2011; FERREIRA e DIAS, 2017; SILVA, et al., 2017, SILVA e SANTOS, 2019). Para a EJA o sentido é semelhante (FERREIRA e DIAS, 2017), associando o uso de eletrônicos para desenvolver conceitos sobre luzes monocromáticas.

Para professores, as propostas mencionam os desafios do ensino e apresentam possibilidades metodológicas, como propriedades e recursos intermediadas em formações de apoio e continuadas, para colaborar com a reflexão do professor sobre a dinâmica de ensino-aprendizagem (GONZATTI, et al., 2015; SILVA e SANTOS, 2019).

Em nosso trabalho, podemos perceber que nos artigos selecionados, além de abordar o mesmo tema físico e apontar o público da atividade, tratam de diferentes contextos e posicionamentos. Organizamos então alguns critérios para caracterizar as propostas sobre o conceito físico das cores: concepções alternativas; experimentos; interdisciplinaridade; Física Moderna e Contemporânea (FMC); e motivação. Os dados são apresentados na Figura 02.

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Figura 02 : Caracterização dos trabalhos referente ao tema de luz e cores

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Verificamos que, na abordagem sobre conhecimentos prévios foi utilizada da teoria de Ausubel (ASSIS, et al., 2011; COSTA, et al., 2019), da análise do desenvolvimento cognitivo, sendo citadas as teorias de Piaget e de Vygotsky (COSTA, et al., 2019), dos 'princípios epistemológicos e teóricos da educação científica e do ensino/aprendizagem por investigação' (GONZATTI et al., 2015, p. 3) representados da educação básica ao ensino superior.

A presença de experimentos mostrou-se unânime, da educação infantil à formação continuada dos docentes, para abordar o conceito físico de cor. Eles foram apontados como motivadores para questionamentos, discussões e formulações de hipótese, embora oferecesse aos professores certo risco em sua elaboração, pelas possíveis manifestações dos alunos quanto ao tema (GONZATTI et al., 2015). Uma outra defesa pela experimentação foi a necessidade de desenvolver a percepção visual, considerada um dos sentidos mais importantes para o desenvolvimento cognitivo do ser humano (COSTA, et al., 2019).

Nos artigos analisados, a interdisciplinaridade ficou evidenciada com o uso da arte, tratando da concepção poética das cores - luz e pigmento - apresentando, por exemplo, a teoria de Goethe que traduz as cores para a visão artística (GONZATTI, et al., 2015; FERREIRA e DIAS, 2017; COSTA, et al., 2019). Foram observadas dinâmicas da fabricação de cores e do comportamento diante da luz, da exploração da pigmentação de materiais e de noções de espectro, que são atividades que podem ser exploradas entre as disciplinas de artes e química (GONZATTI, et al., 2015).

Já quanto a FMC, os autores apontam uma alternativa para ser trabalhada nos anos iniciais do Ensino Fundamental, utilizando analogias para explicar o funcionamento de lâmpadas fluorescentes e incandescentes na perspectiva microscópica, e como a interação da luz com os corpos nos faz observá-los (CAMPOS e OLIVEIRA, 2017).

A maioria dos artigos mencionaram a motivação, ou interesse dos participantes, como fatores que contribuem com a aprendizagem (GONZATTI, et al., 2015; SILVA, et al., 2017). Diante disso, algumas trouxeram como proposta o uso da

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educação não-formal e a importância de se estabelecer relações com o cotidiano (FERREIRA e DIAS, 2017; SILVA e SANTOS, 2019).

Com base na análise dos últimos 10 anos do SNEF, notamos muitos artigos abordando diferentes contextos da óptica, sendo a grande maioria sobre o caráter geométrico, as ondas eletromagnéticas e a física quântica. Apesar disso, percebemos que o estudo de luz e cor é quase omitido, dando pouca atenção a um dos principais elementos que nos traz percepção do mundo. Consideramos a necessidade de mais discussões sobre a temática, a fim de oferecer uma educação mais significativa para os diferentes contextos sociais.

## Referências

ASSIS, Giuller F.; JESUS, Hugo N.; SILVA, Keila S. P.; FERREIRA, Ricardo R. F.; GOMES, Marcio N.; SANTOS JR, Sauli. Formação conceitual a partir da experimentação: uma proposta metodológica para formação do conceito físico de cor. In: Simpósio Nacional De Ensino De Física (19 : 2011 : Manaus, AM). Atas... São Paulo: Sociedade Brasileira de Física, 2011. Disponível em: &lt;https://sec.sbfisica.org.br/eventos/snef/xix/sys/resumos/T0255-1.pdf&gt; Acesso em: 22 de janeiro de 2021.

CAMPOS, Alexandre; OLIVEIRA, Maria G. Espectroscopia para crianças? Explicações causais de crianças para a produção de luz. In: Simpósio Nacional De Ensino De Física (22 : 2017 : São Carlos, SP). Atas... São Paulo: Sociedade Brasileira de Física, 2017. Disponível em:

&lt;https://sec.sbfisica.org.br/eventos/snef/xxii/sys/resumos/T1254-1.pdf&gt; Acesso em: 19 de janeiro de 2021.

COSTA, Vinicius P.; GONSALVES, Verônica; CARVALHO, Emilly J.; SANTOS, Samara O.; SANTOS, Raiane A.; NASCIMENTO, Marilene B. C.; ARAÚJO, Renato S.; JESUS, Marília A. C.. A física das cores na educação infantil. In: Simpósio Nacional De Ensino De Física (23 : 2019 : Salvador, BA). Atas... São Paulo: Sociedade Brasileira de Física, 2019. Disponível em: &lt;https://sec.sbfisica.org.br/eventos/snef/xxiii/sys/resumos/T0790-1.pdf&gt; Acesso em: 29 de janeiro de 2021.

FERREIRA, Carlos A. A.; DIAS, Marco A. Artes Plásticas e o funcionamento das telas dos dispositivos eletrônicos para o ensino de óptica na educação básica. In: Simpósio Nacional De Ensino De Física (22 : 2017 : São Carlos, SP). Atas... São Paulo: Sociedade Brasileira de Física, 2017. Disponível em: &lt;https://sec.sbfisica.org.br/eventos/snef/xxii/sys/resumos/T0915-1.pdf&gt; Acesso em: 19 de janeiro de 2021.

GONZATTI, Sonia E. M.; GIONGO, Ieda M.; HERBER, Jane; QUAERIERI, Maria T.; GERHARDT, Alana. O estudo das cores como uma possibilidade para o ensino de ciências nos anos iniciais. In: Simpósio Nacional De Ensino De Física (21 : 2015 : Uberlândia, MG). Atas... São Paulo: Sociedade Brasileira de Física, 2016. Disponível em:

&lt;http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/xxi/sys/resumos/T0527-1.pdf&gt; Acesso em: 21 de janeiro de 2021.

SILVA, Marcos N.; SANTOS, Adevailton B.. Conceitos científicos, construção e manipulação do experimento sombras coloridas. In: Simpósio Nacional De

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Ensino De Física (23 : 2019 : Salvador, BA). Atas... São Paulo: Sociedade Brasileira de Física, 2011. Disponível em:

&lt;https://sec.sbfisica.org.br/eventos/snef/xxiii/sys/resumos/T0686-1.pdf&gt; Acesso em: 18 de janeiro de 2021.

SILVA, Taynara N.; ARAUJO, Bruno; CARVALHO, Gabriel; TONON, Rodrigo; MARTINS, Vinícius; ALBUQUERQUE, Vanessa; LEITE, Cristina. Uma proposta didática no contexto do pibid: luz, cores e visão. In: Simpósio Nacional De Ensino De Física (22 : 2017 : São Carlos, SP). Atas... São Paulo: Sociedade Brasileira de Física, 2017. Disponível em:

&lt;https://sec.sbfisica.org.br/eventos/snef/xxii/sys/resumos/T1058-1.pdf&gt; Acesso em: 19 de janeiro de 2021.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.