EXPERIMENTOS E ENSINO DE FÍSICA: ESTUDO SOBRE INSTRUMENTOS, RECURSOS E POSSIBILIDADES DIDÁTICAS
Ricardo Costa Dobrowisch, Eugenio Maria De França Ramos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 23/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## EXPERIMENTOS E ENSINO DE FÍSICA: ESTUDO SOBRE INSTRUMENTOS, RECURSOS E POSSIBILIDADES DIDÁTICAS
Ricardo Costa Dobrowisch 1 , Eugenio Maria de França Ramos 2 .
1 UNESP, Licenciatura em Física e LaPEMID CEAPLA IGCE, costa.dobrowisch@unesp.br
2 UNESP, LaPEMID CEAPLA IGCE, eugenio.ramos@unesp.br
Palavras-chave : Experimentos Didáticos, Laboratórios Didáticos, Tipos de Laboratório
No momento em que falamos em atividades experimentais no contexto de disciplinas científicas, é senso comum entre pesquisadores e educadores que tal recurso didático é importante para o processo de ensino e aprendizagem (GASPAR, 2014; RABONI, 2002).
Entretanto, ao visitarmos escolas de Educação Básica, é frequente encontrarmos laboratórios didáticos fechados e com materiais com sinais de pouco uso, evidenciando que até mesmo docentes que reconhecem a importância do uso de atividades experimentais, não fazem uso deste recurso didático em suas aulas (SILVA, 2012). Quando docentes são questionados a respeito das causas de não utilizarem atividades experimentais em suas aulas, apontam deficiências na falta de materiais e de equipamentos (GASPAR, 2014). Justificativas que parecem plausíveis, à primeira vista, mas não representam adequadamente o que observamos na escola de Educação Básica desta pesquisa.
Em estudos anteriores, junto ao Laboratório de Prática de Ensino, Materiais e Instrumentação Didática - LaPEMID, conseguimos reunir registros de materiais didáticos experimentais, brinquedos, jogos e experimentos confeccionados com materiais simples, que possam apoiar as atividades de Ensino de Física e a formação inicial de professores.
Deste acervo nos concentramos em nosso estudo aqui relatado nos materiais didáticos experimentais encontrados ou destinados ao uso escolar, especialmente para laboratórios didáticos. Nossos registros reúnem imagens de materiais didáticos experimentais e reproduções digitais de documentos, como manuais de utilização, de uma amostra de duas escolas públicas na cidade de Rio Claro, uma delas com um laboratório com pouco uso (escola 1) e outra com materiais adquiridos por volta de 2015 pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Escola 2).
Também procuramos coletar outros documentos, tais como materiais bibliográficos (livros e artigos) e iconográficos, particularmente imagens de aparatos didáticos experimentais antigos e contemporâneos em websites portugueses, espanhóis, italianos e franceses.
Lino, Ramos & Benetti (2019) aprofundaram aspectos peculiares do acervo da Escola 1, no qual havíamos encontrado experimentos misteriosos - isto é, não reconhecidos por nós - que o laboratório mais antigo possuía, como o areômetro de Nicholson. Tal acervo da Escola 1 possuía uma quantidade significativa de experimentos que não se encontram mais no currículo de Física contemporâneo, que, como o Areômetro de Nicholson, refletem influências francesas e portuguesas
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
no currículo escolar de meados da primeira metade do século XX, que implicaram na aquisição de tais equipamentos, possivelmente no período de 1950 a 1970, para a Escola 1.
Na atual fase de nosso trabalho procuramos aprofundar a identificação e obtenção de outras informações sobre os materiais presentes no laboratório, para isso organizando um banco de dados, registrando-os em forma de inventário como representado no quadro abaixo:
Quadro 1: Modelo Esquemático do Código de Referência Para a Nova Nomenclatura dos Arquivos.
Fonte: UNESP, LaPEMID CEAPLA IGCE
Os registros identificados até o momento permitiram perceber alguns aspectos da possível utilização ou como tais aparatos estavam planejados para as atividades de ensino.
Pelo estado de uso (pequenos danos nas superfícies e pinturas) que os experimentos da Escola 1 o laboratório didático já foi uma estratégia didática em tempos passados e que (b) na Escola 2 nem todos os materiais comprados foram utilizados;
Pela quantidade e variedade de cada aparato experimental, que o laboratório da Escola 1 permitia o uso de diferentes procedimentos de ensino (FERREIRA, 1978; ANDRADE, 2010), como:
- (a) trabalho em grupos simultâneos, uma vez que existem vários exemplares de um mesmo experimento),
- (b) demonstrações (experimentos de cátedra) no caso de temáticas específicas, como transformadores elétricos e alguns temas de hidrostática experimentos, uma vez que se encontraram apenas um exemplar de determinados experimentos,
- (c) laboratório de projetos, isto é, projetos confeccionados pelos estudantes, uma vez que encontramos exemplares sem manuais, rótulos ou caixas protetoras (panela de pressão, chuveiros elétricos, quadros de circuitos elétricos).
Quanto à variedade de experimentos na Escola 2, nota-se uma abrangência para conteúdos dos três anos letivos de Ensino Médio. Quanto a quantidade, apenas um exemplar por experimento, os materiais da Escola 2 evidenciam um enfoque para atividades demonstrativas ou trabalho em pequenos grupos de estudo, aumentando significativamente o tempo de aula para determinados experimentos, considerando uma sala de aula com 40 estudantes.
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Outra evidência interessante no laboratório da Escola 1, foi encontrarmos materiais com excelente estado de conservação, como equipamentos com vidros finos ou aparatos como os transformadores. Tendo em vista outros materiais semelhantes com danos, entendemos que tal situação possa indicar a preferência para determinados conteúdos e não para outros no uso do laboratório naquela escola. No caso da Escola 2, embora um acervo muito recente, o bom estado de conservação pode evidenciar pouca utilização de tais aparatos, particularmente pelo estado que se encontram nas caixas de proteção e até mesmo pelo estado de tais embalagens.
Percebemos que, com o refinamento da organização dos registros e a ampliação da base de dados, será possível analisar outras características dos materiais, como até mesmo um panorama dos conteúdos que representam.
- O estudo realizado se caracteriza como qualitativo e exploratório (LÜDKE; ANDRÉ, 2013), tendo como procedimento de coleta de dados a pesquisa de campo e documental (GONSALVES, 2007) de materiais didáticos presentes no laboratório da escola e no acervo digital do Laboratório de Prática de Ensino, Materiais e Instrumentação Didática.
## Referências
FERREIRA, N. C. Proposta de laboratório para a escola brasileira - um ensaio sobre a instrumentação no ensino médio de física. Dissertação (Mestrado), USP: São Paulo. 1978.
GASPAR, A. Atividades experimentais no ensino de Física: Uma nova visão baseada na teoria de Vigotski. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2014.
GONSALVES, E. P. Conversas sobre iniciação à pesquisa científica. Campinas, SP: Alinea. 2007.
- LINO, N. T. ; RAMOS, E. M. de F. ; BENETTI, B. Materiais experimentais: explorando um laboratório de Física sem utilização. In: MEMBIELA, PEDRO; CEBREIROS, MARIA ISABEL; VIDAL, MANUEL. (Org.). Panorama Actual de la enseñanza de las ciencias. 1ed.Bardabás, Espanha: Educación Editora, 2019, v. 1, p. 191-196.
- LÜDKE, M. e ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. Rio de Janeiro, EPU, 2013.
RABONI, P. C. A. Atividades práticas de ciências naturais na formação de professores para as séries iniciais. Tese (Doutorado em Educação) Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas. 2002.
SILVA, A. L. da. Laboratório didático: perspectivas experimentais do ensino de física no nível médio . 2012. 61 f. Trabalho de conclusão de curso (licenciatura - Física) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Instituto de Geociências e Ciências Exatas, 2012..
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.