SEQUÊNCIA DIDÁTICA 6C-PCMA PARA O ENSINO DE FÍSICA
Lisboa Coutinho, Gilvandenys L. Sales, Darkson F. Costa
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 23/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## SEQUÊNCIA DIDÁTICA 6C/PCMA PARA O ENSINO DE FÍSICA
Lisboa Coutinho 1 , Gilvandenys L. Sales , Darkson F. Costa 2 3
- 1 IFCE/PGECM/Campus Fortaleza, antonio.lisboa.coutinho74@aluno.ifce.edu.br 2 IFCE/PGECM/Campus Fortaleza, denyssales@ifce.edu.br
- 3 IFCE/PGECM/Campus Fortaleza, darkson.fernandes.costa07@aluno.ifce.edu.br
Palavras-chave : Ensino de Física; Sequência Didática, 6C/PCMA
## Resumo
A condução didática de um conteúdo no ensino de Física apresenta-se por vezes restrita ou limitada a somente o livro didático, um planejamento tipo semanário (tabela contendo: dia da aula, conteúdo abordado, página do livro, exercício indicado na aula e outro que deve ser enviado para casa) e um modelo avaliativo (geralmente adota-se exames escritos ou virtuais), seguindo um receituário tradicional. Por vezes são adicionados experimentos reais ou on-line (através de simuladores), um relatório com resultados e, quando muito, uma apresentação expositiva.
Constata-se a carência de uma interligação entre cada uma dessas etapas, que permita um sequenciamento metodológico mínimo. Para tanto, são sugeridas, em alguns casos, adoção de sequências didáticas, tais como: P.O.E. - Predizer, Observar e Explicar (MILLÁN E VILLA, 2011), CAV - Ciclo de Aprendizagem Vivencial (KOLB, 1984), UEPS - Unidades de Ensino Potencialmente Significativas (MOREIRA, 2016) e 3MPs - Três Momentos Pedagógicos (MUENCHEN E DELIZOICOV, 2014).
Assim sendo como forma de contributo, no presente texto será abordada a denominada Metodologia dos 6Cs, acrônimo de Consolidação, Conscientização, Constatação, Comparação, Convergência e Confirmação, proposta inicialmente por Sales (2005) com a denominação PCMA (Procedimento Cognitivo Metodológico de Apreensão), composta apenas pelos cinco primeiros "Cs" da sequência acima citada. A sequência encontra-se nos trabalhos de (SILVA et al., 2015), (SANTOS, 2017, 2019), (SALES, 2011, 2014, 2019), (DA SILVA e JÚNIOR, 2019) e (MOURÃO, 2020), sendo ainda objeto de mais dois textos dissertativos concluídos no PGECM do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará em 2021.
A sequência possui sua origem em obra dissertativa inicialmente sugerida para o ensino de Física Moderna e Contemporânea (FMC), no contexto da Física Quântica. Possui em sua fundamentação a influência de três estudiosos: Alexander Medviediev, Juan Ignacio Pozo e Marcos Antonio Moreira.
É organizada em três planos divisionais, sendo os mesmos inicialmente sugeridos por Medviedviev (GARNIER; BEDNARZ; ULANOVSKAYA, 1996): plano fenomenológico, plano das representações e plano aparato-matemático-formal. E possui como base os conceitos discutidos nos textos de duas obras, sendo de Pozo, Echeverría (1998) e Pozo (2002), bem como no modelo de Mudança Conceitual apresentado por Moreira e Greca (2003). Todavia, em 2019 ocorreu uma
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
substituição do termo -mudança conceitual‖ para a denominação de -evolução conceitual" vinculada ao quinto C, decorrente de revisões e reflexões realizadas pelo seu autor. Abaixo é apresentado um mapa conceitual esquematizando os 6Cs (FIGURA 1).
Figura 01: Metodologia 6C - Fonte: Sales (2005, 2019). Adaptada pelo autor.
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Tomando-se como base o mapa, seguem-se as fases e os seus correspondentes delineamentos para cada um dos componentes da sequência didática.
Fase 1 - Consolidação dos conhecimentos prévios: -certificação de que o aluno já domina e sabe as teorias e conceitos ligados [...] [ao conteúdo a ser ensinado]‖ (SILVA et al., 2015; SALES, 2019). Nessa fase o professor introduz no ambiente da aula vivências particulares adquiridas ao seu cotidiano, bem como situações diárias dos alunos. No ensino de Física os saberes preexistentes de um estudante são componentes fundamentais para que suscite a incorporação de novos conhecimentos. A oportunidade propiciar um brainstorming , um teste prévio ou apenas uma arguição. É importante registrar as ideias e insights durante essa fase, seja em fichamentos ou Diários de Bordo.
Fase 2 - Conscientização de conflitos empíricos: -para modificar seus esquemas, o aluno precisa perceber a situação conflitiva entre os conceitos clássicos [e os novos conceitos de forma empírica]‖ (SILVA et al., 2015; SALES, 2019). A apresentação de um novo ‗aparato' de estudo, seja: experimento, simulação, demonstração de um fenômeno, instrumento científico, pode e/ou deve provocar certo ‗desconforto' conceitual no estudante e, consequentemente, fomentar um conflito cognitivo. Ademais, é desejável que surja na fase uma alteração ou uma mudança nos seus esquemas mentais e/ou conceituais. Tratar com ‗situações conflitantes' - leia-se: a dúvida, o questionamento, a incerteza ou o próprio erro é essencial para o fortalecimento da próxima fase.
Fase 3 - Constatação das concepções alternativas: -auxiliado pelo professor, faz-se uma reestruturação teórica na busca de teorias alternativas para melhor justificar o fenômeno em estudo‖ (SILVA et al., 2015; SALES, 2019). Por intermédio do conflito existente, o educador deve instigar resoluções, assim como estratagemas que instiguem o educando a identificar uma solução que explique o fenômeno estudado. Sugerir a criação de um projeto, o uso de instrumento tecnológico e/ou
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laboratorial que proporcione o desenvolvimento de links para o aprendizado, i.e., daquilo que o aluno sabe e concebe para o que deve ser compreendido.
Fase 4 - Comparação com teorias científicas: -formulam-se e apresentam-se as novas teorias advindas [...] [da Mecânica, Ondulatória e Eletricidade]‖ (SILVA et al., 2015; SALES, 2019). Comparar com outras teorias ou exemplos que permitam solucionar o fenômeno estudado. O educador deve agir como coparticipe na reorganização teórica ou juntamente na pesquisa de conceitos novos.
Fase 5 - Convergência para uma evolução conceitual: -auxiliado pelo uso do [recurso pedagógico], o aluno modifica então suas concepções prévias‖ (SILVA et al., 2015; SALES, 2019). Nessa fase espera-se certa ‗evolução' conceitual pela utilização de recursos, sejam: metacognitivos (Mapas Conceituais, por exemplo), tecnológicos, laboratoriais, ou ainda virtuais, de maneira que suceda uma alteração no compreender e no assimilar do aluno perante o conteúdo abordado e/ou estudado.
Fase 6 - Confirmação por meio de fórmulas (SALES, 2019). Experienciado o fenômeno ou o conceito físico, bem como compreendido e assimilado seus fundamentos, o educando deve ordenar ou registrar os resultados obtidos em gráficos, mapas, diagramas, tabelas ou, ainda, quando desejável, classificar de maneira legível e sistemática, ao contrário de somente ‗matematizar' ou ‗equacionar' tais valores, como bem assinala Mazur (2015) em sua crítica a ideia de ‗receitas'.
Em conclusão, propõem-se um cenário aplicável em contextos que envolvam aulas presenciais, híbridas e a distância (FIGURA 2).
Figura 02: Cenário 6C/PCMA - Fonte: Elaborada pelo autor.
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Dessa forma a sequência 6C/PCMA apresenta-se como percurso metodológico com elementos satisfatórios, ou melhor, proveitosos, confirmando-se, a priori , sua aplicabilidade no ensino de Física e Ciências, bem como demonstrando sua adaptabilidade a diversos contextos de ensino. Favorecendo professores (em
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seus planejamentos) e alunos (estes agora cientes dos passos que serão tomados do transcorrer dos seus estudos).
## Referências
GARNIER, C.; BEDNARZ, N.; ULANOVSKAYA, I. Após Vygotsky e Piaget: perspectiva social e construtivista escolas russas e ocidental. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
DA SILVA, João Batista; JÚNIOR, José Ademir Damasceno. Procedimento Cognitivo Metodológico de Apreensão: uma sequência didática para ensino de física. Saberes e Práticas no Ensino de Ciências e Matemática, p. 56. V 9. N 3. 2019.
KOLB, David A. Experiential learning: experience as the source of learning and development. Englewood Cliffs, New Jersey: Prentice Hall. 1984.
MAZUR, E. Peer instruction: a revolução da aprendizagem ativa. Tradução de Anatólio Laschuk. Porto Alegre: Penso Editora, 2015.
MILLÁN, G. H.; VILLA, N. M. L. Precedir, observar, explicar e indagar: estratégias efectivas en el aprendizaje de las ciencias. Educació Química EduQ, n. 9, p. 4-12, 2011.
MOREIRA, M. A. Unidade de Ensino Potencialmente Significativa. Prof. Marco Antonio Moreira, Porto Alegre, 2016. Disponível em: http://moreira.if.ufrgs.br/. Acesso em: 1 jan. 2021.
MOREIRA, M. A.; GRECA, I. M. A Mudança Conceitual: análise crítica e propostas à luz da Teoria da Aprendizagem Significativa. Ciência e Educação, Bauru, v. 9, n. 2, p. 301-315,2003.
MOURÃO, M. F. A influência da metodologia PCMA na aquisição de conceitos de Física Moderna: um estudo de caso com alunos do ensino médio no IFCE. Dissertação (Mestrado) - Curso de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, Fortaleza, 2020.
MUENCHEN, C.; DELIZOICOV, D. Os três momentos pedagógicos e o contexto de produção do livro -Física‖. Ciência & Educação, Bauru, v. 20, n. 3, p. 617-638, 2014.
POZO, J. I. Teorias Cognitivas da Aprendizagem. Tradução de Juan Acuña Llorens. 2ª. ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.
POZO, J. I.; ECHEVERRÍA, M. D. P. P. A solução de problemas: aprender a resolver, resolver para aprender. Porto Alegre: Artmed, 1998.
SALES, G. L. QUANTUM: Um Software para Aprendizagem dos Conceitos da Física Moderna e Contemporânea. Dissertação (Mestrado) - Mestrado Integrado Profissional em Computação Aplicada do Centro de Ciências e Tecnologia, da Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, 2005.
SALES, G. L. Competências tecno-pedagógicas para o ensino ciências. Professor Denys Sales, 2011. Disponível em: https://pt.slideshare.net/denyssales/competnciastecnopedaggicasensinocincias. Acesso em: 1 jan. 2021.
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SALES, G. L. Metodologia para o ensino e a aprendizagem de ciências. Professor Denys Sales, 2014. Disponível em: https://pt.slideshare.net/denyssales/competnciastecnopedaggicasensinocincias. Conferência Nacional de Educação Matemática e Ensino de Ciências - CONEMCI 2014, Sobral. Acesso em: 1 jan. 2021.
SALES, G. L. Procedimento Cognitivo Metodológico de Apreensão ou Metodologia dos 6Cs. Professor Denys Sales, 2019. Disponível em: http://professordenyssales.blogspot.com/2019/05/metodologia-dos-6-csfundamentadoem.html. Acesso em: 1 jan. 2021.
SANTOS, R. L. D. Aplicação de uma metodologia envolvendo Mudanças Conceituais no ensino de Física Moderna e Contemporânea. Dissertação (Mestrado) - Curso de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, Fortaleza, 2017.
SANTOS, R L D; SALES, Gilvandenys Leite; CASTRO, Juscileide; VIDAL, Eloisa Maia. Gamificação e objetos de aprendizagem para mudanças conceituais no ensino de física moderna e contemporânea. In: Actas del XV Congresso Internacional Gallego-Português de Psicopedagogía / II Congreso de la Asociación Científica Internacional de Psicopedagogía:(A Coruña, 4-6 de setembro de 2019). ISBN 97884-9749-726-8. 2019. p. 469-480 Disponível em em: shorturl.at/jzAF7 Acessado em: 20 mar 2021
SILVA, J. B. D. et al. Mudança Conceitual em Óptica Geométrica facilitada pelo uso de TDIC. CBIE-LACLO - Anais do XXI Workshop de Informática na Escola (WIE 2015). Anais [...]. , Maceió, p. 1-17, 2015.
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