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UTILIZAÇÃO DE FERRAMENTAS DIGITAIS NO ESTUDO DE CONCEITOS DO SOM PARA ALUNOS COM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: UM ESTUDO DE CASO

Janeide Lima Alecrim, Paulo Simeão Carvalho, Angela Maria Dos Santos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## UTILIZAÇÃO DE FERRAMENTAS DIGITAIS NO ESTUDO DE CONCEITOS DO SOM PARA ALUNOS COM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: UM ESTUDO DE CASO

Janeide Lima Alecrim 1 , Paulo Simeão Carvalho 2 , Angela Maria Dos Santos 3

1 Universidade Federal do Amazonas/I.E.A.A, janeide\_lima@ufam.edu.br

2 Universidade do Porto/DFA-FCUP, psimeao@fc.up.pt

3 Instituto Federal do Paraná/Campus Curitiba, angela.dossantos@ifpr.edu.br

Palavras-chave : Ensino de Física, Aprendizagem Significativa, Recursos Digitais

## Resumo expandido

Até a ocorrência da pandemia de Covid-19, iniciada em fins de 2019, as salas de aula, em um grande percentual, estavam agraciadas com o tradicionalismo didático, sendo este o preferido por muitos docentes em relação às aulas com maior diversidade tecnológica, seja por falta de treinamento no uso desses recursos, seja por dificuldades em seu manuseio (SCHUHMACHER, 2017 e SANTOS et al , 2018) ou por falta de interesse no seu uso visto, ser necessário maior tempo na escolha destes, na preparação da aula e adaptação dos recursos às dificuldades dos alunos. Com o agravamento da pandemia, que persiste até o momento, as salas de aula sofreram adaptações para uma nova realidade, o ensino remoto, obrigando tanto docentes à preparação de novos materiais educativos quanto alunos ao uso de recursos digitais em tempo recorde, com ou sem capacitação para seu manuseio/uso.

A sala de aula consiste em uma diversidade de alunos cuja forma de aprender depende de fatores intrínsecos de cada indivíduo. Este trabalho teve como objetivo avaliar se o uso de metodologias diferentes das usadas tradicionalmente nas aulas regulares e recursos educativos potencialmente ativos, quando explorados em aulas de apoio ao ensino curricular do 8º ano do terceiro ciclo do ensino básico em Portugal, propiciam, aos alunos que apresentam Dificuldades de Aprendizagem (DA) dos conceitos da ciência Física do Domínio Som, uma recuperação na aprendizagem de conteúdos lecionados.

As Teorias da Aprendizagem norteadoras desta investigação foram as desenvolvidas por Lev Vygotsky para o qual a relação interpessoal é mediadora dos processos de pensamentos, do aprendizado e da constituição do sujeito (DAMIANI, 2008) e David Ausubel , com seu conceito de aprendizagem significativa, que indica que a aprendizagem ' ocorre quando a nova informação ancora-se em conceitos ou

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

proposições relevantes, preexistentes na estrutura cognitiva do aprendiz ' (MOREIRA, 2014, p.161).

Uma sala de aula com o pensamento voltado para um ensino mais dinâmico, norteado por métodos mais ativos e interessantes é de extrema importância para o aluno. Nestas condições, o aluno torna-se corresponsável por seu processo de aprendizado, tendendo a ter uma postura mais ativa, um forte senso de participação e autonomia, cabendo ao professor orientar, guiar e habilitar o aluno nesse novo papel (MORAN, 2015), o que gera um aprendizado mais significativo.

Tal concepção educativa estimula processos construtivos de ação-reflexãoação (FREIRE, 2006), promove a colaboração e cooperação entre os alunos, oportuniza a evolução de sua capacidade crítica e reflexiva em relação ao que estão fazendo e vincula a aprendizagem aos aspectos significativos da sua realidade, ao explorar atitudes que provocam melhorias no seu desempenho intelectual, educacional e profissional (VALENTE et al , 2018).

Nessa nova abordagem, conhecida como Aprendizagem Ativa (HAKE, 1998), a principal característica é ter o aluno como protagonista de sua formação mediante o uso de metodologias ativas de ensino. Atualmente há uma diversidade tanto de métodos quanto de estratégias na literatura que proporcionam um ensino mais ativo. Podem ser usados mais de um método ou estratégia de forma simultânea, neste caso o uso em conjunto tende a suprimir as desvantagens individuais de cada método e abrange um percentual maior de alunos devido ao seu estilo próprio de aprendizagem e conhecimento prévio (MORAN, 2015)

Neste trabalho de investigação foram usadas a Peer Instruction (MAZUR, 1997) (também conhecida por Instrução pelos Colegas), o P.O.E - Prever, Observar e Explicar (NEDELSKY, 1961; WHITE & GUNSTONE, 1992; e CHAMPAGNE et al., 1980) e o Inquiry-Based Science Education (IBSE) (WILHELM & WILHELM, 2010 e SMITH & WILHELM, 2006), cuja escolha considerou as dificuldades de aprendizagem apresentadas pelo público-alvo.

Esta pesquisa tem características de uma Investigação-Ação (PEREIRA et al , 2018 e THIOLLENT, 2002), cuja flexibilidade permite adaptar-se às situações reais da sala de aula mediante ciclos consecutivos de planificação, ação e avaliação reflexiva das ações implementadas, e de um Estudo de Caso (SILVA, 2018, YIN, 2015; VENNESSON, 2008; GIL, 2008; STAKE, 2005), no qual se valoriza e considera o papel dos sujeitos envolvidos. Tem caráter exploratório e experimental cuja natureza é essencialmente qualitativa (FIORENTINI & LORENZATO, 2012; GOLDENBERG, 2004) embora incorpore momentos de avaliação de aprendizagem quantitativa (MOREIRA & RIZZATTI, 2020 e CARDOSO, 2020).

Das técnicas de recolha de dados, a Observação Participante (Marietto, 2018) e a Entrevista Semi estruturada (FONTANA & FREY, 1994) foram utilizadas como técnicas não documentais na recolha de dados qualitativos. Para a recolha dos dados quantitativos fez-se uso de um teste diagnóstico para avaliar o conhecimento adquirido. Para as aulas fez-se uma planificação mediante a escolha

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dos recursos educativos (vídeos, simulações, atividades experimentais) em função do conteúdo a ser ministrado e posterior manuseio livre para trabalhar conteúdos, desenvolver a imaginação e aumentar a curiosidade dos alunos pelos conteúdos do Som.

Foi possível observar a evolução do raciocínio e da argumentação dos alunos e a construção do conhecimento mediante uma aprendizagem significativa dos conteúdos abordados durante a sequências das aulas (AUSUBEL, NOVAK E HANESIAN, 1980), mediados por debates com autonomia de questionamento e liberdade de expressarem-se sem restrições.

Um Teste Diagnóstico de Conhecimento (TDC) foi aplicado aos alunos das turmas do 8º ano, nas mesmas condições utilizadas no grupo de alunos cuja intervenção foi feita. No gráfico tem-se a distribuição do número de questões do teste acertadas pelos alunos, e caracteriza um resultado positivo (quase 90 % dos alunos a acertar mais de 50 % das questões do TDC) e efetivo da aplicação de aulas mais envolventes e participadas, com métodos e estratégias que potencializam uma aprendizagem mais ativa, para alunos com DA. Estes resultados indicam uma efetiva recuperação destes alunos em termos de sucesso na aprendizagem. De um Inquérito Motivacional tem-se a indicação da mudança de opinião dos alunos no que se refere à aprendizagem dos conteúdos de Física quando abordados em aulas mais dinâmicas e menos monótonas, como incentivado nesta investigação.

Dos resultados alcançados, entende-se que o uso de metodologias como as implementadas nesta investigação permitem aos alunos aprender de forma eficaz e descontraída, fazendo com que se destaquem nas situações que exigem capacidade de pensamento abstrato, pensamento complexo e criatividade.

Gráfico: Resultado do Teste Diagnóstico de Conhecimento aplicado ao Grupo de Intervenção (a vermelho) e aos demais alunos matriculados nas turmas de 8º ano da escola (a verde).

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## Referências

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