O ENSINO DE FÍSICA POR MEIO DE ABORDAGENS TEATRAIS
Paula Rolin Schmitz, Aline Cristiane Pan, Terrimar Ignácio Pasqualetto
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 23/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## O ENSINO DE FÍSICA POR MEIO DE ABORDAGENS TEATRAIS
## Paula Rolin Schmitz 1,2 , Aline Cristiane Pan 2 , Terrimar Ignácio Pasqualetto 2,3
1 Escola Estadual de Ensino Médio Affonso Charlier, paulaschmitz@outlook.com
- 2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul/ Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física, aline.pan@ufrgs.br
Palavras-chave : Peças Teatrais; Ensino de Física; Processos de Ensino Aprendizagem.
## Resumo expandido
O modelo de ensino que se perpetua no Brasil é o de testagem, que tem como intuito treinar seus alunos em reproduzir respostas de curto prazo, visto que classificamos escolas de acordo com seus índices de aprovações (MOREIRA, 2018). Nota-se em nosso país uma postura de educação bancária (FREIRE, 1987), em que os discentes têm o conhecimento depositado em si sem levar em consideração seu saber prévio (MOREIRA, 2011). Para mudar esse método deve-se considerar a trajetória de vida do aluno, assim como seu meio social, cultural e econômico. A mudança na postura profissional dos professores é necessária para que ocorra uma ruptura de diálogos discriminatórios em sala de aula, a ideia de que os docentes possuem uma responsabilidade social e democrática para com seus alunos é reforçada por Freire (1987). A prática baseada na homogeneidade, desconsidera as diferenças dos sujeitos que dela participam, tornando protagonista os resultados e não os processos acerca da construção do conhecimento (DAYRELL, 1996).
As peças teatrais mostram-se como uma possibilidade de metodologia colaborativa que utiliza da arte para fomentar os recortes históricos do desenvolvimento científico, por intermédio de discussões e interpretações, que potencializam a mobilização e motivação dos alunos para os processos de ensinoaprendizagem (MIRABEAU et al , 2011). Sendo assim, este trabalho analisa cinco artigos dos periódicos Caderno Brasileiro de Ensino de Física e A Física na Escola, que registram experiências sobre a montagem, preparação e apresentação de peças teatrais no Ensino de Física. Seus enfoques são referentes ao aprendizado proporcionado aos discentes por meio da abordagem de períodos e indivíduos importantes para a História da Ciência proposta por professores de Física. Cabe ressaltar que esta busca foi feita no acervo digital das revistas, desde suas primeiras publicações, datadas desde 1984 pelo Caderno Brasileiro de Ensino de Física e desde 2000 pela A Física na Escola, resultando apenas nestes cinco artigos relacionado a peças teatrais e o Ensino de Física.
Júdice e Dutra (2001) retratam a atividade realizada em uma escola particular de Belo Horizonte, que fez parte do festival de teatro do colégio idealizado pelos professores de Física, História e Artes Cênicas, em que todos os alunos do 1° ano do Ensino Médio elaboram peças teatrais. O espetáculo é utilizado como uma
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
estratégia de avaliação e aprendizagem, tem como principais exigências que a apresentação seja de caráter biográfico incluindo, no mínimo, uma cena de contextualização histórica e de exposição do trabalho do cientista escolhido. Carvalho (2006) narra a prática realizada com discentes da 8° série do Ensino Fundamental, em que o texto teatral é elaborado pelos idealizadores do projeto da escola, as demais séries participam do projeto, mas de maneira distinta, apresentam trabalhos como maquetes e cartazes. Esta peça não possui o caráter biográfico. É um diálogo que ocorre entre um avô e seus netos em que se discorre sobre a beleza do céu, durante a conversa sobre as concepções acerca do Universo surgem os personagens históricos para apresentar rapidamente suas ideias. Braga e Medina (2010) descrevem o que foi realizado em uma escola privada da cidade do Rio de Janeiro, com alunos do 1° ano do Ensino Médio de maneira voluntária, uma ação multidisciplinar, em que os professores elaboram uma adaptação da peça 'A Vida de Galileu' de Bertolt Brecht e, conjuntamente com seus alunos fazem um trabalho de imersão acerca da ciência, arte, política, religião e filosofia. Assis et al (2016) discorrem sobre a importância da formação continuada do docente com o relato da metamorfose de um aluno estigmatizado por rótulos, o estudante, de escola pública, foi modificado pela ação de sua professora de trabalhar com a representação teatral, adaptada por ela, sobre a vida de Albert Einstein. A iniciativa partiu da docente como uma atividade de sua formação e, proporciona a mudança de estigma desse aluno através de reflexões acerca da ciência e sociedade. Lira e Schivani (2020), contam sobre a atividade extracurricular, realizada em uma escola pública da cidade de Natal, onde os estudantes são voluntários do 1° ao 3° ano do Ensino Médio. A tarefa é baseada em textos didáticos adaptados e transformados em roteiros teatrais pelos próprios alunos. Para auxiliar no desenvolvimento da produção e encenações foram realizados jogos teatrais para que os envolvidos se integrassem melhor entre si, com seu personagem e com os múltiplos conhecimentos do tema abordado.
Os diagnósticos feitos pelos docentes das publicações apontam apenas efeitos positivos na aprendizagem de seus discentes. Cabe ressaltar que os relatos, embora se assemelhem, não produzem o mesmo resultado fechado. As instituições em que as práticas são desenvolvidas tem contextos socioeconômicos diferentes, em termos de infraestrutura as escolas privadas têm mais recursos, tanto tecnológicos como de espaços físicos, ademais a grade curricular, em sua maioria, inclui atividades extracurriculares, tais privilégios favorecem seus alunos. Júdice e Dutra (2001) e Braga e Medina (2010) justificam a escolha das peças teatrais no 1° ano do Ensino Médio em função de desmistificar os rótulos sobre a disciplina de Física e, que por serem realizadas nesta série não teriam a necessidade de ser reproduzida em outras. É necessário quebrar tais preconcepções como destacam, entretanto, limitar a prática do teatro científico a um determinado ano pode ser um erro. Pois, em todos os níveis escolares a prática pode produzir um significado distinto, assim como em cada aluno, as habilidades que serão desenvolvidas pelos discente, contemplam um grupo heterogêneo devido as funções como pesquisas, liderança, atuação, produção de figurino e cenário, etc. As produções das peças teatrais são pertinentes para auxiliar os alunos a compreender os processos acerca da construção científica e os impactos da história, cultura e sociedade em seu desenvolvimento. Além de, reproduzem uma metodologia de ensino colaborativa que faz com que os alunos se sintam capazes dentro de suas potencialidades e instigados a conhecer mais sobre a Ciência, a respeito de seu contexto histórico, dos indivíduos que estão envolvidos em sua produção e os que são oprimidos.
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Fazendo com que os estudantes repensem as suas ações que perpetuam os estereótipos e, que produzem rótulos sobre os conhecimentos e eles mesmos.
## Referências
ASSIS, A. et al. Metamorfose na sala de aula: desfazendo estigmas na disciplina de Física a partir do teatro. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 33, n. 1, p. 3350, 25 abr. 2016.
BRAGA, M. A. B.; MEDINA, M. N. O teatro como ferramenta de aprendizagem da física e de problematização da natureza da ciência. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 27, n. 2, p. 313-333, 1 jan. 2010.
CARVALHO, S. H. M. DE. Uma Viagem Pela Física e Astronomia Através do Teatro e da Dança. A Física na Escola , v. 7, n. 1, p. 11-16, 2006.
DAYRELL, J. A escola como espaço sócio-cultural. In: Juarez Dayrell. (Org.). Múltiplos Olhares sobre educação e cultura. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 1996.
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 17ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
JÚDICE, R.; DUTRA, G. Física e Teatro: Uma parceria que deu certo! A Física na Escola , v. 2, n. 1, p. 7-9, 2001.
LIRA, N.; SCHIVANI, M. Teatro no ensino de física: A energia em cena. A Física na Escola , v. 18, n. 2, p. 55-66, 2020.
MIRABEAU, T. A. et al. O teatro como estratégia dinamizadora no ensino de física. Atas do VIII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Campinas-SP , v. 5, 2011.
MOREIRA, M. A. ABANDONO DA NARRATIVA, ENSINO CENTRADO NO ALUNO E APRENDER A APRENDER CRITICAMENTE. Ensino, Saúde e Ambiente , v. 4, n. 1, 30 abr. 2011.
MOREIRA, M. A. Uma análise crítica do ensino de Física. Estudos Avançados , v. 32, n. 94, p. 73-80, dez. 2018.
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