ARGUMENTOS PRODUZIDOS POR ALUNOS DIANTE DE UM PROBLEMA ENVOLVENDO DILATAÇÃO TÉRMICA
Felipe Aragão Freire, Adjane Da Costa Tourinho E Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 23/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ARGUMENTOS PRODUZIDOS POR ALUNOS DIANTE DE UM PROBLEMA ENVOLVENDO DILATAÇÃO TÉRMICA
Felipe Aragão Freire 1 , Adjane da Costa Tourinho e Silva 2
1 PPGECIMA / UFS, felipearagaofreire@hotmail.com
2 PPGECIMA / UFS, adtourinho@terra.com.br
Palavras-chave : Argumentação; Ensino de Física; Dilatação Térmica
## Resumo expandido
A Base Nacional Comum Curricular define um conjunto de aprendizagens essenciais a serem desenvolvidas pelos alunos, ao longo de toda a Educação Básica, que contribuam para o desenvolvimento de competências gerais. Uma delas é: 'Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns [...]' (BRASIL, 2018, p.9). A argumentação pode ser entendida como uma atividade verbal e social de raciocínio, desenvolvida por um locutor (falante ou escritor) cujo interesse é promover a aceitabilidade de um ponto de vista controverso por meio de uma série de proposições que visam justificar ou refutar o ponto de vista ante um julgamento racional (VAN EEMEREN; GROOTENDORST, 2004). Jiménez-Aleixandre e Erduran (2007) consideram, no mínimo, dois dos significados da argumentação apresentados na literatura relevantes para o ensino de ciências: justificação do conhecimento e persuasão. Nessa perspectiva, apresentamos discussões e alguns resultados de uma pesquisa de mestrado, que teve como objetivo analisar os argumentos elaborados por alunos, ao longo de uma Sequência de Ensino Investigativa (SEI) de Física. A SEI, estruturada com inspiração no Ciclo Investigativo proposto por Pedaste et al. (2015), buscou proporcionar oportunidades para os alunos elaborarem explicações e argumentos com base em evidências sobre a dilatação térmica dos sólidos. Ela foi aplicada para um grupo de alunos da 2ª série do Ensino Médio do Colégio de Aplicação de uma universidade federal. Inicialmente planejada para ser trabalhada de forma presencial, a SEI precisou ser adaptada para o formato on-line por conta da pandemia do coronavírus. Os três encontros, realizados por meio de videoconferências, foram gravados em vídeo e transcritos. Também foi possível a coleta dos dados do material instrucional e dos comentários participativos no chat da plataforma virtual. Selecionamos um segmento temporal que mostra a construção e reconstrução de argumentos, por parte dos alunos, para resolução de um questionamento específico. O momento em questão aconteceu no final do segundo encontro. Os alunos já haviam se familiarizado com os conceitos de dilatação e coeficiente de dilatação. Foi apresentada a eles uma série de informações sobre a restauração dental e os materiais mais utilizados neste procedimento, através de: texto discutindo a finalidade da técnica, abordando características dos materiais utilizados e indicando prós e contras de cada um; imagem de um mesmo tipo de dente restaurado com três dos cinco materiais abordados; valor do coeficiente de dilatação do esmalte dentário; quadro com os valores de coeficiente de dilatação, durabilidade
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
e custo de cada material. Os alunos tiveram que responder ao questionamento do Quadro 1, abaixo:
## Quadro 01: Questionamento restauração dental
Imagine a seguinte situação: você precisa de uma restauração em um dos seus dentes. Baseando-se em todas as informações apresentadas anteriormente, qual material você escolheria para que o seu dentista realizasse o procedimento? Justifique a sua resposta.
Para verificarmos a estrutura dos argumentos escritos pelos alunos utilizamos o Padrão de Argumento de Toulmin (TAP), identificando quais elementos apareceram nas respostas apresentadas. Para inspeção da qualidade desses argumentos consideramos as combinações dos elementos propostos no TAP (ERDURAN et al., 2004), verificando também a frequência com que os elementos aparecem (SÁ; KASSEBOEHMER; QUEIROZ, 2014). Do total de alunos do grupo analisado (11), apenas 7 responderam ao questionamento. Em um momento posterior à elaboração de suas escolhas, os alunos tiveram que explaná-las para toda a turma ao longo de um processo de discussão mediado pelo professor. O professor questionou se os alunos consideraram prós e contras que cada material tem para pesar na sua decisão. Outro aspecto, trazido à discussão pelo professor foi o tipo de dente que seria restaurado. Passada a fase de discussão o professor solicitou que os alunos tornassem a responder este item. Do total de alunos, apenas seis responderam. Para cada aluno foi atribuído um código em substituição ao seu nome.
Figura 01: Argumentos antes e depois da discussão
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Para Toulmin (2006), a estrutura de um argumento é composta por conclusão (C), dados (D) e garantia de inferência (W). Para além, a presença de conhecimento de base (B), qualificador (Q) e refutador (R) tornam a estrutura mais complexa. Verificamos que, antes do momento de discussão, os argumentos escritos que
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apresentaram uma maior frequência de elementos do TAP foram elaborados pelos alunos A7, A1 e A6, sendo o primeiro com a ocorrência de 8 para o total de elementos constituintes (1C, 4D, 1W, 1B e 1R) e os demais com 7 ocorrências, sendo o argumento de A1 composto por 1C, 3D e 3R e o de A6 por 1C, 3D e 3W. Assim, o argumento escrito por A6 não possui refutadores em sua estrutura, já o argumento de A1 sobressaiu aos demais por trazer em sua estrutura três. Os refutadores aparecem apenas em 3 dos 7 argumentos (A1, A3 e A7) apresentados antes da discussão, enquanto que, após a discussão, em apenas um dos argumentos (A2) tal elemento não aparece. Os argumentos de A7, A8, e A1 sobressaíram-se aos demais, por apresentarem em suas estruturas, respectivamente, 18, 15 e 11 ocorrências, considerando-se os elementos C, D, W e R. Verificamos que os argumentos deste grupo de alunos, elaborados após a discussão, apresentaram uma ocorrência mais ampla no número de elementos do TAP e maior variedade em relação aos tipos de elementos. Além disso, dois dos argumentos (A7 e A8) apresentados após a discussão têm, em cada composição, mais de uma conclusão. Argumentos desse tipo não foram observados no grupo apresentado anteriormente. Foi possível verificar também que todos os argumentos elaborados após o momento de discussão fizeram uso de garantias de inferência explícitas. Percebemos, assim, um movimento de evolução nos argumentos elaborados pelos alunos após os momentos de discussão junto ao professor, visto que foram apresentados argumentos com maior variedade e ocorrência de elementos do TAP. Isso caracteriza argumentos mais complexos e elaborados. Acreditamos que os momentos de discussão entre professor e toda a turma serviram para instigar nos alunos a necessidade de elaboração de argumentos mais complexos, quer seja para explicação de pontos pouco explorados ou para acrescentar elementos que justificassem ou expandissem suas escolhas.
## Referências
BRASIL. Ministério da Educação; Secretaria de Educação Básica; Conselho
Nacional de Educação; Câmara de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular . Brasília: MEC, 2018. Disponível em:
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC\_EI\_EF\_110518\_versaofinal\_sit e.pdf. Acesso em: 10 jan. 2021.
ERDURAN, S.; SIMON, S.; OSBORNE, J. TAPping into argumentation: Developments in the application of Toulmin's argument pattern for studying science discourse . Science Education , v. 88, n. 6, p. 915-933, 2004. DOI: 10.1002/sce.20012 .
JIMÉNEZ-ALEIXANDRE, M. P.; ERDURAN, S. Argumentation in science education: An overview. In : ERDURAN, S. M.; JIMÉNEZ-ALEIXANDRE, M. P. (ed.). Argumentation in Science education : Perspectives from classroom-based research. Dordrecht: Springer, 2007. p. 3-27.
PEDASTE et al. Phases of inquiry-based learning: Definitions and the inquiry cycle. Educational Research Review , v. 14, p. 47-61, 2015. DOI://doi.org/10.1016/j.edurev.2015.02.003.
SÁ, L. P.; KASSEBOEHMER, A. C.; QUEIROZ, S. L. Esquema de argumento de Toulmin como instrumento de ensino: explorando possibilidades . Ensaio: Pesquisa em Educação em Ciências , v. 16, p. 147-170, 2014.
TOULMIN, S. Os usos do argumento . São Paulo: Contraponto, 2006.
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van EEMEREN, F. H.; GROOTENDORST, R. A systematic theory of argumentation : the pragma-dialectical approach. New York: Cambridge University Press, 2004.
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