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MUDANÇAS CLIMÁTICAS COMO TEMA NORTEADOR DE UMA UNIDADE DE ENSINO POTENCIALMENTE SIGNIFICATIVA INTERDISCIPLINAR

Rafaella Cruz Ferreira, Marcelo Silva Sthel, Maria Priscila Pessanha De Castro

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
Interdisciplinaridade No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## MUDANÇAS CLIMÁTICAS COMO TEMA NORTEADOR DE UMA UNIDADE DE ENSINO POTENCIALMENTE SIGNIFICATIVA INTERDISCIPLINAR

## Rafaella Cruz Ferreira 1 , Marcelo Silva Sthel 2 , Maria Priscila Pessanha de Castro 3

- 1 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF)/Colégio Estadual Benta Pereira/rafaellacruzferreira@gmail.com
- 2 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF)/ Laboratório de Ciências Físicas/sthel@uenf.br

Palavras-chave : Alterações Climáticas; Interdisciplinaridade; Unidade de Ensino Potencialmente Significativa.

## Resumo expandido

- O tema mudanças climáticas e seus impactos para a atual e as futuras gerações tem ocupado uma posição de destaque nas discussões ambientais em escala global e tem despertado um crescente interesse entre pesquisadores e estudiosos de diferentes áreas do conhecimento nas últimas décadas (AULT, 2020; SENIOR et al ., 2019; BROWN, CALDEIRA, 2017; GIDDENS, 2010; BECK, 2010; ROCKSTRÖM et al ., 2009; FLANNERY, 2007; CRUTZEN, 2002).

Entretanto, a compreensão do contexto e dos desdobramentos inerentes às mudanças climáticas não é unilateral e configura-se como um desafio diante da complexidade envolvida neste fenômeno de alcance global. Para o sociólogo francês Edgar Morin (2007), atribuir complexidade à uma realidade significa '[...] compreender que jamais poderemos escapar da incerteza e que jamais poderemos ter um saber total, apresentando assim maneiras diversificadas de se compreender a realidade' (MORIN, 2007, p. 69).

Face à natureza complexa e abrangente das alterações climáticas, seu entendimento demanda um diálogo entre as áreas do conhecimento, em uma perspectiva interdisciplinar que favoreça a integração de saberes, com a finalidade de 'tentar restituir, ainda que de maneira parcial, o caráter de totalidade, de complexidade e de hibridação do mundo real, dentro do qual e sobre o qual todos pretendemos atuar' (RAYNAUT, 2011, p. 84).

Convém destacar que, abordagens interdisciplinares vêm sendo discutidas e incentivadas no âmbito educacional brasileiro sob diferentes aspectos, influenciando e norteando tanto a elaboração de documentos oficiais que regem a educação básica quanto a organização e a gestão de currículos escolares (BRASIL, 2018, 2013, 2000).

Não obstante, a realidade na qual o sistema educacional nacional está imerso pouco tem contribuído para a implementação de práticas efetivamente interdisciplinares. Um empecilho que dificulta a ocorrência de tais ações está

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relacionado ao modo tradicional de organização curricular caracterizado pela descontextualização e a fragmentação do conhecimento (JAPIASSÚ, 1994).

Perante o exposto, as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica destacam que 'a organização curricular deve fundamentar-se em metodologia interdisciplinar, que rompa com a fragmentação do conhecimento e a segmentação presentes na organização disciplinar tradicionalmente adotada de forma linear' (BRASIL, 2013, p. 244).

Outrossim, um ensino interdisciplinar objetivaria formar alunos com uma visão global de mundo, capazes de articular, religar, contextualizar, situar-se num contexto e, se possível, globalizar e reunir os conhecimentos adquiridos (MORIN, 2002).

Neste sentido, a abordagem interdisciplinar do tema mudanças climáticas, como sugerido neste trabalho, emerge como uma necessidade perante a organização curricular tradicional, favorecendo o entendimento dos conceitos físicos e químicos envolvidos, bem como dos efeitos derivados da ação do homem sobre a biosfera.

Além disso, a interdisciplinaridade pode servir como uma ponte integradora que favoreça a contextualização e a cooperação mútua entre os saberes, contribuindo para a formação de cidadãos conscientes, responsáveis e engajados com a preservação do meio ambiente e com o uso sustentável de seus recursos, em prol da continuidade da vida na Terra (JACOBI et al ., 2015).

Sob essa perspectiva, a adoção de metodologias diversificadas no ensino de Ciências, incentivada tanto por estudiosos (CARVALHO, 2013; MOREIRA, 2013, 2011; SÁ; QUEIROZ, 2009; LINHARES; REIS, 2008; KRASILCHICK, 2004) quanto por documentos oficiais que norteiam a educação básica (BRASIL, 2018, 2013, 2000, 1996), pode se configurar como uma boa alternativa para auxiliar o desenvolvimento e implementação de ações efetivamente interdisciplinares no âmbito educacional brasileiro. Em especial, é preciso pensar em metodologias diferenciadas que atendam às especificidades e características do público do nível médio da modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

No que se refere à introdução de tais metodologias, a Base Nacional Comum Curricular recomenda:

Selecionar e aplicar metodologias e estratégias didático-pedagógicas diversificadas, recorrendo a ritmos diferenciados e a conteúdos complementares, se necessário, para trabalhar com as necessidades de diferentes grupos de alunos, suas famílias e cultura de origem, suas comunidades, seus grupos de socialização etc. (BRASIL, 2018, p. 17).

Nesse contexto, uma metodologia que tem se destacado como potencial estratégia para a promoção da aprendizagem significativa é a Unidade de Ensino Potencialmente Significativa (UEPS), sequência didática proposta pelo professor e doutor Marco Antonio Moreira e fundamentada pela Teoria da Aprendizagem Significativa (TAS) de David Ausubel (MOREIRA, 2011).

Diante deste cenário, o presente trabalho tem por objetivo investigar a potencialidade de uma sequência didática, ancorada em uma UEPS, construída sob um enfoque interdisciplinar entre a Física e a Química, como subsídio para a promoção da aprendizagem significativa de conceitos relativos ao tema mudanças climáticas em nível médio na modalidade EJA de ensino.

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A aplicação da sequência didática será efetuada em uma turma de nível médio da modalidade EJA do Colégio Estadual Benta Pereira, localizado no município de Campos dos Goytacazes/RJ.

Vale destacar que, tanto os conceitos do componente curricular de Física quanto de Química estarão em conformidade com as habilidades e as competências da Base Nacional Comum Curricular - BNCC (BRASIL, 2018) e com as orientações curriculares presentes nos documentos oficiais que regem a educação básica (BRASIL, 2013, 2000).

Os fundamentos teóricos sustentam-se na TAS de Ausubel (AUSUBEL, 1963) e nas contribuições de Joseph Novak para reforçar esta teoria, conferindo-lhe um toque humanista (NOVAK, 1981).

No que se refere à metodologia de pesquisa, a investigação possui viés qualitativo, no âmbito da pesquisa-ação que favorece a interação cooperativa de todos os envolvidos no processo, em busca de soluções transformadoras que resultem em intervenções práticas em prol de melhorias na realidade (THIOLLENT, 2011).

No contexto educacional, o processo investigativo delineado pela pesquisaação configura-se como 'uma estratégia para o desenvolvimento de professores e pesquisadores de modo que eles possam utilizar suas pesquisas para aprimorar seu ensino e, em decorrência, o aprendizado de seus alunos' (TRIPP, 2005, p. 445).

Por fim, espera-se que a UEPS de cunho interdisciplinar sobre mudanças climáticas se configure como uma alternativa viável para a promoção da aprendizagem significativa na modalidade EJA de ensino, suscitando nos estudantes um maior interesse por questões ambientais e incentivando-os à tomada de atitudes sustentáveis em prol da preservação ambiental e da manutenção da vida no planeta.

## Referências

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