DA IMAGINAÇÃO À DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA: ESTIMULANDO PROCESSOS CRIATIVOS EM CIÊNCIAS
Dindara S. Galvão, Caetano R. Miranda
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 22/07/2021
- Linha de pesquisa
- Interdisciplinaridade No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## DA IMAGINAÇÃO À DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA: ESTIMULANDO PROCESSOS CRIATIVOS EM CIÊNCIAS
## Dindara S. Galvão 1 , Caetano R. Miranda 2
- 1 Instituto de Física da Universidade de São Paulo, dindara.galvao@usp.br
- 2 Instituto de Física da Universidade de São Paulo, crmiranda@usp.br
Palavras-chave : Criatividade, Ciência-Arte, Divulgação científica.
## Resumo expandido
Apesar de inúmeros exemplos históricos mostrando a relevância das práticas criativas para o progresso científico [1-3], os aspectos da criatividade nas descobertas científicas e sua comunicação para o público leigo, são pouco ou nada explorados dentro dos processos de aprendizado dos cursos de ciências [4]. Na Física, o percurso metodológico capacita os alunos para a resolução de problemas e também lhes ensina métodos analíticos baseados nessas resoluções, não incorporando qualquer expressão artística ou criativa e levando a impressão que as práticas na ciência e arte são antagônicas. Nesse cenário, potenciais explorações entre arte e ciência e difusão do conhecimento são raramente incentivadas nos cursos de graduação de Física, ou mesmo desestimuladas em pró do rigor analítico.
Neste trabalho, apresentamos a proposta de uma disciplina enfatizando os Processos Criativos em Ciências para instigar e fomentar a natural curiosidade e imaginação dos discentes quanto aos fenômenos físicos e o papel social da Física. A disciplina foi planejada em torno da exploração de novos métodos de ensino e outros formatos de aprendizado através da observação e experimentação artística e comunicação científica.
Dentre os objetivos primários dessa proposta temos a apresentação do uso dos processos criativos como ferramenta poderosa para estimular a imaginação e exploração do desconhecido [5], instigando, desbloqueando e permitindo caminhos, estratégias e soluções originais na abordagem dos problemas em Física. Concomitantemente, a disciplina introduz elementos básicos da comunicação científica desde concepção e produção de conteúdo à disseminação do conhecimento transversalmente entre distintos públicos-alvos e mídias.
A partir da visão combinada entre experimentação das intersecções ciência-arte e a comunicação científica, procuramos na disciplina 'Processos Criativos em Ciências', estimular aspectos usualmente não priorizados nos cursos de graduação da Física. Em especial o desenvolvimento de habilidades humanas (soft) e técnicas (hard), dessa forma desconstruindo a pseudo incompatibilidade entre abordagens criativas e analíticas, e estimulando a sinergia dessas estratégias na formação e práticas físicas. Bem como, a consciência de seu papel social a partir da ampla difusão desse conhecimento.
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
Os ciclos das atividades foram planejados em três frentes: i) Concepção, ii) Exploração e experimentação, e iii) Realização e Disseminação. Na Concepção, ocorre a escolha dos temas de interesse, e quais técnicas, e processos criativos serão explorados. Ela se dá por meio de pesquisas, consultas, discussões e debates, podendo até mesmo serem convidados e consultados alguns especialistas do meio artístico e do científico.
Já na frente de Exploração e Experimentação, as práticas artísticas são introduzidas, tal como a documentação e a visualização científica. Também a criação do conteúdo nas mais variadas formas é planejada e onde os conceitos de inovação e divulgação são apresentados. Por último, na Realização e Disseminação, a criação artística acontece ou o protótipo dela. Aqui também se concretiza a produção do conteúdo para divulgação científica introduzido anteriormente. A troca e exposição da criação e divulgação do conteúdo virtualmente. Nesse percurso enfatizamos o processo e não a apenas a solução analítica de problemas, desenvolvendo o espírito crítico junto com o estímulo à originalidade e proatividade, assim como a investigação estética e trabalho colaborativos.
A disciplina está programada para trinta aulas (15 semanas) em duas sessões por semana, cada uma com duração de duas horas. As sessões são estruturadas em atividades em volta da concepção e confluências, experimentações artísticas e elementos da comunicação científica. Os temas a serem explorados são inicialmente propostos pelos próprios discentes. A partir desses temas, desenvolve-se experimentações artísticas intercaladas com práticas de comunicação em um crescendo dos distintos elementos base (palavra, som, imagem e experiências sensoriais). Desta forma, introduz-se as técnicas, explora-se a produção de conteúdo nos formatos de texto, áudio, vídeo e imersão e seus paralelos artísticos (literatura, música, audiovisual e performance). No decorrer do curso, desenvolve-se um projeto, integrando as várias experimentações, culminando em uma apresentação e disseminação ao público.
Para proporcionar um ambiente fértil a essas explorações, será necessário um espaço que seja uma combinação de laboratório, ateliê e estúdio, que favoreça o trabalho colaborativo e a investigação estética. Onde se possa experimentar a intersecção de temas científicos (com ênfase na Física), com as mais diversas áreas artísticas, como artes visuais, design, arquitetura, moda, mídias e gastronomia. Durante as experimentações, incentivaremos o uso de aplicativos e softwares livres e dispositivos de baixo custo para desenvolvimento de conteúdo e recursos recicláveis, para também promover ações de sustentabilidade.
O curso foi também concebido de modo a desmistificar o processo avaliativo, que por muitas vezes acaba assumindo um papel punitivo dentro do aprendizado. Neste caso, a avaliação é tratada como uma ferramenta de estímulo, que reforça o engajamento e a participação. Sendo realizada de modo contínuo no processo de exploração e juntamente com a comunicação das atividades. De modo a respeitar a pluralidade dos alunos, que podem ter aptidões diferentes nas etapas da elaboração dos trabalhos. Essa disciplina será oferecida pela primeira vez no segundo semestre de 2021, dentro do escopo de disciplinas optativas do Instituto de Física da USP. A cada oferecimento, os seus resultados serão continuamente avaliados e a disciplina pode ser ajustada quanto aos objetivos esperados e percepção dos discentes.
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Nessa experiência pioneira, ambiciona-se que a disciplina 'Processo Criativos em Ciências', possa preencher a lacuna nos cursos da Física quanto ao estímulo para os diálogos entre arte e ciência, bem como desperte e se crie a massa crítica tão necessária para uma comunicação científica mais efetiva e interessante. Ao mesmo tempo, instigue processos criativos em geral e a produção de trabalhos colaborativos que possam transpor os muros da universidade, promovendo um diálogo direto com a sociedade e evidenciando o papel social da Física e suas interseções com a arte.
## Referências
- [1] Charles Percy Snow (1963). The Two Cultures: And a Second Look: An Expanded Version of The Two Cultures and the Scientific Revolution. Cambridge University Press.
- [2] van't Hoff JH, Springer GF (1967) Imagination in science. New York: Springer- Verlag New York.
- [3] David Bohm (2011). Sobre a criatividade, Editora Unesp.
- [4] Yannis Hadzigeorgiou (2016). Imaginative Science Education: The Central Role of Imagination in Science Education. Springer.
- [5] Tom McLeish (2019) The Poetry and Music of Science: comparing Creativity in Science and Art, Oxford University Press.
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