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ADOÇÃO DE COTAS ÉTNICAS E SOCIAIS NO INSTITUTO DE FÍSICA DA USP: MAPEAMENTO E AÇÕES

Guilherme Da Silva Santos, Caetano Rodrigues Miranda

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
Interdisciplinaridade No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ADOÇÃO DE COTAS ÉTNICAS E SOCIAIS NO INSTITUTO DE FÍSICA DA USP: MAPEAMENTO E AÇÕES

## Guilherme da Silva Santos 1 , Caetano Rodrigues Miranda 2

- 1 Instituto de Física da Universidade de São Paulo, guiss@usp.br
- 2 Instituto de Física da Universidade São Paulo, crmiranda@usp.br

Palavras-chave : Cotas, Acolhimento, Diversidade

A plena implementação de cotas de ingresso de alunos pretos, pardos, indígenas (PPI's) e de escola pública (EP) no Instituto de Física da USP (IFUSP) ocorreu a partir de 2018. Dado que esse grupo de discentes enfrenta inúmeros desafios à conclusão do curso, zelar pela permanência dos alunos cotistas é de extrema importância para garantir a diversidade e inclusão com a excelência no ambiente universitário. Neste trabalho procuramos: i) realizar um levantamento histórico do processo de implementação de cotas no IFUSP e ii) mapeamento das experiências dos cotistas para delinear propostas de ações futuras, seja de acolhimento e acompanhamento continuado. Realizamos a análise das atas das reuniões da congregação, órgão máximo deliberativo do IFUSP, cobrindo o período de 2006 a 2020 [1]. Foi possível reconstruir o processo histórico da implementação das cotas, bem como recuperar os posicionamentos antagônicos ao longo do processo de seus representantes e ações que levaram a implementação das cotas em 2018. A primeira iniciativa para inclusão foi o INCLUSP (Programa de Inclusão da USP), criado em 2008, que buscava incentivar discentes provindo de maiorias étnicas e sociais minorizadas a ingressarem na universidade. Esse programa funcionava como um sistema de crédito no vestibular que poderia chegar até 20% de acréscimo na sua nota. Posteriormente, foi criado o PASUSP (Programa de Assistência Social da USP) em 2009. No qual, era estimulada a participação desses alunos antes da conclusão do ensino médio, já no 2° ano, com um aumento em 5% em sua nota final. Esses programas embrionários perduraram até o ano de 2016 [2]. A partir de 2009, a congregação apenas tangenciou os assuntos referentes a implementação das cotas. O tema de cotas foi retomado em 2016 em função do movimento estudantil de ocupação, no qual a implementação efetiva de cotas fez parte das reivindicações centrais no período. Bem como, pressão para adoção de sistemas de cotas raciais e sociais pela USP. Durante essas discussões, identificamos vários argumentos contra, em que muitos acreditavam que a implementação era de caráter demagógico e que tal ação resultaria na diminuição do rendimento acadêmico da universidade. Existia também uma preocupação que os alunos cotistas teriam dificuldade em seguir os assuntos abordados nas aulas, visão em contradição com várias pesquisas científicas apresentadas nas reuniões, e pelo grupo de trabalho (GT) formado para essa discussão. Em contraponto, representantes expressaram que a adoção das cotas tem como papel afirmar uma maior diversidade na universidade e lutar contra a discriminação e desigualdade social. Entretanto, além da entrada desses discentes ao instituto, era preciso garantir a sua permanência criando ações para tal, como por exemplo uma ampliação de bolsas e auxílios, ou

seja, não é apenas ingressar, sendo fundamental assegurar o suporte para esses discentes até a conclusão do curso. Logo, por meio dessas discussões, a implementação foi aprovada em meados de 2017, seguindo o plano de implementação proposto por um grupo de trabalho (GT). Após esse levantamento, mapeamos a quantidade de alunos cotistas atualmente no IFUSP, que pôde ser obtida a partir dos editais dos vestibulares anteriores da Fuvest, desde 2018. Além do ingresso via Fuvest, também foram incluídos os alunos que ingressaram via SiSU. O processo de cotas foi realizado de forma escalonada onde 35% dos alunos ingressantes seriam cotistas em 2018, chegando a 50% em 2021. Os alunos PPI's formariam cerca de 15% do total desses alunos ingressantes até 2021, que é a porcentagem dessa população no estado de São Paulo, atendendo a demanda imposta de representatividade. Em uma segunda fase, procuramos no projeto, entender o processo de recepção, vivências, personas, desafios e críticas dos discentes cotistas no IFUSP. Para o mapeamento dessas questões, foram realizadas entrevistas online em torno das experiências, percepções e sugestões de melhoras por meio dos relatos individuais dos entrevistados. Para se ter uma visão mais plural dessas experiências, entrevistamos a convite, discentes cotistas de diferentes turnos, pretos, pardos e de escola pública, bem como distintas origens geográficas. É preciso salientar que nenhum indígena foi entrevistado. Nessa fase foram selecionados 8 discentes, cujos relatos foram gravados e analisados em conjunto. Os depoimentos mostraram pontos recorrentes, como: i) a falta de sentimento de pertencimento ao ambiente acadêmico da USP, ii) problemas de atraso educacional devido ao ensino médio, iii) desconhecimento dos ingressantes quanto aos programas de permanência estudantil em relação a bolsas e auxílios, iv) dificuldades de permanência, apesar da USP já oferecer soluções. Em sequência aos relatos, o projeto visou a proposição de medidas simples e ações coletivas, focando no acompanhamento, na informação e mentoria desde do ingresso desses alunos à vida universitária e ao decorrer dela. Nesse processo estão sendo propostas ações, intervenções e discussões ao longo do curso afim de minimizar os problemas relatados. Foi importante identificar o papel crucial da semana de recepção para repassar informações quanto aos programas de auxilio oferecidos pela universidade e orientar quanto a navegação dentro do ambiente universitário. Para tanto, o projeto está elaborando um guia de sobrevivência para os ingressantes em 2021, oferecendo a partir de mentoria coletiva, dicas e apoios de como seguir o curso e suprimir prováveis lacunas vindas do ensino médio. Também os depoimentos mostraram a necessidade de um acompanhamento contínuo desses alunos, que podem vir através de roda de conversa, no qual, serão sugeridos ações e estudos que visam fortalecer a ideia de permanência dos alunos, favorecendo também a integração entre os corpos discente e docente do IFUSP. Em uma próxima fase, mapearemos a questão de desistências e a avaliação das ações adotadas. Tanto o mapeamento histórico de adoção das cotas quanto as entrevistas realizadas sobre as vivências dos alunos cotistas fundamentaram a proposição de ações para consolidar as ações afirmativas, para potencialmente assegurar a permanência deles no IFUSP. Tais ações podem contribuir para diminuição da desigualdade social no Brasil, bem como melhorar o acolhimento, garantindo a diversidade e representatividade de maiorias minorizadas no ambiente acadêmico.

## REFERÊNCIAS

[1] Disponível em: https://portal.if.usp.br/ataac/pt-br/node/4899, acessado em: 11/03/2021.

[2] Disponível em: < https://jornal.usp.br/especial/inclusp-ajuda-candidatos-maspede-medidas-complementares/>. Acessado em: 11 de março de 2021.

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