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FÍSICA, TEATRO E LITERATURA: UMA ATIVIDADE SOBRE ESPELHOS PLANOS COM O TEXTO O MENINO NO ESPELHO

Ingrid Oliveira De Sousa

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
Interdisciplinaridade No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## FÍSICA, TEATRO E LITERATURA: UMA ATIVIDADE SOBRE ESPELHOS PLANOS COM O TEXTO O MENINO NO ESPELHO

## Ingrid Sousa 1

1 Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, ingridsousa.fisica.ensino@gmail.com

Palavras-chave : Física, Teatro e Literatura; Produção textual; Ensino de Física.

## Resumo expandido

No artigo Física e literatura: construindo uma ponte entre as duas culturas, Zanetic (2006) aponta a necessidade do uso da literatura no ensino de física, apresentando ao discente uma física contextualizada e humanizada: 'não devemos reforçar uma visão de mundo que supervalorize o pensamento científico em detrimento de outras formas de saber e conhecer' (2006, p. 56).

Neste relato de experiência apresentamos uma situação de ensino de física desenvolvida na forma de uma representação teatral com o texto O menino no espelho , de Fernando Sabino, versando sobre o conteúdo de espelhos planos. O objetivo foi contextualizar os conhecimentos de física por meio da encenação de monólogos elaborados pelos educandos.

A importância da atividade consiste na potencialidade da articulação da física com outros campos de conhecimento e expressão humana, inclusive o das artes. Há tempos, o ensino tradicional nas escolas limita as possibilidades do discente ser agente no seu processo de aprendizagem. 'Em geral, o conhecimento científico é apresentado como verdadeiro e definitivo, com base num pobre Método Científico ancorado num empirismo seguidor de regras bem estabelecidas' (ZANETIC, 2006, p. 59). Já nas artes sempre há o que fazer e o que criar.

Realizamos a atividade numa turma do segundo ano do ensino médio de uma escola pública de ensino técnico profissional, que contava em média com 20 estudantes frequentes, no tempo de 6 horas aula, na forma de regência escolar vinculada a uma disciplina de estágio supervisionado em Física.

Nas primeiras duas aulas ministramos o conteúdo sobre espelho plano de modo tradicional, apresentando como ocorre o processo de reflexão da luz e a definição de imagem enantiomorfa. Ao final, realizamos uma reflexão e respondemos em nosso diário de bordo o que faríamos de diferente nas aulas. Nesse momento, percebemos que aquela não era a forma como queríamos abordar o conteúdo. Se nos vemos no espelho todos os dias, com certeza ele é para nós muito mais que reflexão do objeto, é também um momento de auto reflexão. Tomando consciência daquilo que somos e fazemos, assumimos o que Freire (1996) argumenta, que pensar a própria prática é a melhor maneira de pensar certo.

Planejamos a atividade e na semana seguinte demos início a sua aplicação, imprimimos e distribuímos o texto O menino no espelho aos educandos, e realizamos a sua leitura comentando sobre a implicações da obra e da importância que damos à nossa imagem. O texto narra a história de um menino que começa a conversar com seu reflexo, que acaba ganhado vida e fazendo companhia a ele. O espelho era

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

apontado como um mediador da verdade, aquele que mostra os nossos desejos e medos.

Ao final da discussão propusemos que eles, nossos educandos, realizassem uma encenação teatral acerca da discussão levantada, e que em trios elaborassem uma estória reflexiva sobre o espelho e como nos vemos nele. O monólogo criado poderia ser uma história de qualquer gênero, seja terror, comédia, romance ou outro. Uma moldura de aproximadamente 60cm x 80cm, confeccionada em madeira, fez parte da encenação representando o espelho.

Tendo elaborado o enredo, na apresentação, um estudante fez o papel de narrador e os outros dois representaram um, a pessoa frente ao 'espelho' (moldura), ou seja, o objeto, e o outro, a imagem formada atrás 'dele' (da moldura). A fala do narrador devia conter os conceitos de espelho que haviam sido estudados na aula enquanto os movimentos do objeto e da imagem no 'espelho' deveriam ser correspondentes entre si. A Figura 1 a seguir mostra a encenação de dois grupos dos enredos que produziram.

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Figura 01: Dois grupos de estudantes realizam a encenação dos seus enredos .

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Os estudantes produziram estórias de terror, de autoaceitação, de comédia e de drama. Um trecho presente num dos enredos seguiu da seguinte forma: ' eu, insegura, sozinha, em meio a várias pessoas, me vejo presa em meus pensamentos e as vezes tropeço nas minhas próprias frases. A vida é como um espelho e a maneira como nos vemos... ' As estudantes fizeram uma pausa e choraram verdadeiramente. Depois, relataram que a atividade foi muito intensa, que pensar o próprio reflexo é muito difícil. Somos seres que, em nossa completude, necessitamos muito mais que o saber cientifico, necessitamos de um encontro pessoal com nós mesmos nos percebendo no mundo a desenvolver habilidades que facilitem nossa estadia no universo.

Cada equipe teve seu desempenho avaliado pela turma considerando as seguintes questões: A narração consegue apresentar os conceitos científicos sobre espelho? Os movimentos da imagem e do objeto fazem referência ao nosso comportamento diante de um espelho plano? Há relação entre a trama criada e a trama do texto de Fernando Sabino? É perceptível quem é a imagem e quem é o objeto? Houve harmonia entre a equipe? A turma discutiu sobre os pontos positivos e negativos de cada apresentação e a própria equipe avaliada conseguiu tirar conclusões sobre seu desempenho. Assim, a maioria das questões foram respondidas positivamente pela turma para todas as equipes, e concluímos em conjunto que é possível nos apropriarmos de conceitos científicos mediante a literatura e o teatro.

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Desse modo, os educandos sentiram-se participantes do processo avaliativo, pois todos colaboraram e ao final, com exceção de duas estudantes, a turma afirmou ter se sentido muito satisfeita ao escrever e apresentar o monólogo, destacou as diferenças entre as aulas tradicionais de física, afirmando que aulas como essa os motivam a estudarem ciências, e que fariam novamente mesmo que tenha sido trabalhosa.

Finalmente, mesmo com as limitações de nossa atividade, como o pouco tempo para articulá-la e a dificuldade para encontrar um texto que se encaixasse na proposta, verificamos que é muito positivo os estudantes vivenciarem experiências como essa na escola. Nossos resultados foram animadores e de encontro aos obtidos por Dutra e Júdice (2001) e Assis et al. (2016). Parafraseando Lima e Ricardo (2015), concluímos que o uso da literatura e da arte no ensino torna prazeroso estudar física e ciências, facilita o trabalho do professor e fomenta a curiosidade dos educandos.

## Referências

ASSIS, Alice et al. Metamorfose na sala de aula: desfazendo estigmas na disciplina de Física a partir do teatro. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , [s. l.], v. 33, n. 1, p. 33-50, 2016.

DUTRA, G.; JÚDICE, R.: Física e Teatro: Uma parceria que deu certo. Física na Escola , [s. l.], 2001.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa . 25. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

RICARDO, E. C.; LIMA, L. G.: Física e Literatura: uma revisão bibliográfica. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , [s. l.], 2015.

ZANETIC, J.: Física e Cultura. Ciencia e Cultura vol.57 n°3 São Paulo. 2005.

ZANETIC, J.: Física e literatura: construindo uma ponte entre as duas culturas. História, Ciências, Saúde - Manguinhos, v. 13 (suplemento), p. 55-70, outubro 2006.

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