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Um Projeto Pedagógico Interdisciplinar sobre Física, Arte e Literatura

Ana Márcia Lopes Pereira, Suzerléa Leite Barreto, Maxwell Roger Da Purificação Siqueira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
Interdisciplinaridade No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## UM PROJETO PEDAGÓGICO INTERDISCIPLINAR SOBRE FÍSICA, ARTE E LITERATURA

## Ana Márcia Lopes Pereira 1 , Suzerlea Leite Barreto 2 , Maxwell Roger da Purificação Siqueira 3

1 Colégio Estadual de Ipiaú, marciaana5050@gmail.com

- 2 Complexo Integrado de Educação de Ipiaú, lealeitebarreto@hotmail.com
- 3 Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas-UESC, mrpsiqueira@uesc.br

Palavras-chave: Interdisciplinaridade; Ensino de Física; Ensino Médio

Considerando os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, que definem como uma das habilidades, para o final da escolaridade básica, a percepção da Física como parte integrante da cultura contemporânea, identificando sua presença nas manifestações artísticas ou literárias, este trabalho tem como objetivo relacionar a Física, à Arte e à Literatura, por meio da interdisciplinaridade, no intuito de contextualizar e viabilizar sua compreensão.

Para isso, propõe-se uma prática docente interdisciplinar, desenvolvida em um colégio de Ensino Médio de tempo integral, do estado da Bahia, por meio do projeto pedagógico Model'art, que acontece há 18 anos e que, desta vez, une Física, Arte e Literatura em atividades desenvolvidas pelos alunos e oficinas, que são realizadas de modo a não interferir no planejamento anual das disciplinas. O projeto é uma alternativa ao modelo tradicional de ensino e articula tópicos de Física Moderna e Contemporânea, Física Quântica e Literatura, à música, à dança e ao teatro, tornando o processo ensino-aprendizagem mais inclusivo e atrativo, de modo a não apenas despertar no aluno o interesse pela Física, pela Ciências, pela Literatura e pelas Artes, nos seus variados ramos e modalidades, como também estimular a criatividade e o desenvolvimento físico, mental e social.

A inquietação dos pesquisadores que se dedicam a abordagem interdisciplinar no ensino data do início da década de 1960 (Fazenda, 2008) e, ainda assim, poucas mudanças ocorreram no ensino de Física na sala de aula, na perspectiva da interdisciplinaridade. Isso se deve a vários fatores, desde a dificuldade de relacionar conhecimentos de disciplinas diferentes, até mesmo o entendimento do que venha a ser, de fato, interdisciplinaridade.

Nesse sentido, Augusto et al. (2004) constatam que:

há ainda, muitas lacunas (entre elas, destaca-se a falta de compreensão do significado do conceito de interdisciplinaridade), que devem ser supridas para a realização de projetos que possam alcançar maiores níveis de integração entre as disciplinas. (p.288)

A adaptação dos conteúdos das disciplinas para o contexto interdisciplinar, gerando uma relação harmoniosa entre eles, de modo que resulte em uma complementação recíproca de conhecimentos, talvez seja um dos entraves para a sua prática.

Quando Fazenda (2011) associa o atitudinal à definição de interdisciplinaridade, percebe-se que, para a autora, não se trata apenas de uma prática adotada em uma ou outra atividade pedagógica, mas algo que é incorporado à prática docente, de modo que o raciocínio passa a ser interdisciplinar. Pode-se dizer que a interdisciplinaridade envolve sensibilização e internalização.

É inegável que a prática da interdisciplinaridade é instigante. Ela desafia o professor a ampliar o conhecimento, não só da sua disciplina, mas também de outras e a identificar o elo entre elas. Logo, as atividades interdisciplinares se tornam mais fáceis quando acontece a integração entre professores de áreas diferentes.

Com a elaboração da Base Nacional Comum Curricular, o Ensino Médio tem sido objeto de discussões, principalmente no que se refere ao ensino propedêutico, descontextualizado e compartimentalizado praticado nas escolas. E quando se trata do ensino da Física, ressalta-se duas tendências: a Física como possibilidade de compreensão do mundo e a Física como cultura, base para alfabetização científica. Sendo assim, espera-se um ensino que permita uma nova percepção da realidade, relacionando a Física com outros aspectos, o que, segundo Zanetic (2005), é crucial para a compreensão do papel cultural desta ciência.

Diante da intenção de se conectar Física, Arte e Literatura, percebe-se inicialmente que, pelo fato de a primeira estar relacionada à razão, à exatidão e à precisão das medidas, enquanto que as outras, à emoção, à criatividade e à liberdade de expressão; conclui-se que elas fazem parte de áreas diferentes do conhecimento humano. Porém, esta ideia se desfaz quando se constata a presença da razão no Impressionismo ou a exatidão e a precisão no Cubismo, quando Pablo Picasso utilizou formas geométricas para representar a natureza. Vale destacar que grandes cientistas se dedicaram a Ciência e as Artes, a exemplo de Leonardo da Vinci.

Trabalhar com projetos pedagógicos pressupõe criar um ambiente dinâmico e criativo de aprendizagem extraclasse, que tanto favorece o desenvolvimento da autonomia, da solidariedade do trabalho em equipe, da liberdade e responsabilidade da busca de soluções, como oportuniza o aluno ser protagonista do processo de construção do conhecimento. Afinal, ele investiga, cria hipóteses, pesquisa e investe a sua aptidão e habilidade, na busca do saber, de acordo com a sua realidade cotidiana, suas expectativas e interesses próprios.

Para Batista et al. (2008), o desenvolvimento de projetos interdisciplinares é uma idealização coletiva, que envolve professores e alunos, e compreende várias fases: escolha do tema, identificação do que se sabe sobre o assunto, determinação das questões centrais, definição das estratégias de trabalho e desenvolvimento dessas estratégias, sistematização e apresentação, divulgação e avaliação.

A proposta pedagógica, quando implementada, já de início se pode perceber o envolvimento dos alunos na realização das atividades, de forma proativa, despertando o espírito investigativo e contribuindo positivamente para a aprendizagem.

Os alunos tiveram a oportunidade de participar de oficinas de Física Moderna e Contemporânea, Física Quântica e Vanguardas Europeias. A culminância ocorreu na forma de um musical (Figura 1), produzido pelos alunos e sob a orientação das professoras, envolvendo alguns temas dessas áreas da Física,

como, por exemplo, a Distorção do Espaço-Tempo (Figura 2); o Comportamento Dual da Luz (Figura 3); as Partículas Elementares (Figura 4) e o Átomo de Bohr (Figura 5).

Figura 1 - Abertura do Musical

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Figura 2 - Distorção espaço-tempo

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Figura 3 - Comportamento Dual da LuzFigura 4 - Partículas Elementares

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Figura 5 - O átomo de Bohr

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Espera-se, com este trabalho, não apenas apresentar uma possibilidade de inserção da interdisciplinaridade na prática docente, mas também, para o aluno, a inclusão proativa no processo de ensino-aprendizagem, principalmente daquele que não se sente motivado a estudar a disciplina Física pelo modelo tradicional de ensino. Almeja-se também que este projeto pedagógico interdisciplinar possibilite o desenvolvimento de saberes científicos essenciais à percepção da Física como cultura, viabilizando a construção de conhecimento de forma inclusiva e integrada, pois é desta forma que as Ciências, a Literatura e as Artes se manifestam no cotidiano.

## Referências

AUGUSTO, T. G. S.; CALDEIRA, A. M. A.; CALUZI, J. J.; NARDI, R. Interdisciplinaridade: Concepções de Professores da Área Ciências da Natureza em Formação em Serviço. Ciência &amp; Educação , v. 10, n. 2, p. 277-289, 2004.

BATISTA, I. L.; LAVAQUI, V.; SALVI, R. F. Interdisciplinaridade Escolar no Ensino Médio por meio de Trabalho com Projetos Pedagógicos. Investigações em Ensino de Ciências. V 13(2), pp. 209-239, 2008.

BRASIL. PCNEM + Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias . Secretaria de Educação Média e Tecnológica - Brasília: MEC; SEMTEC, 2002.

FAZENDA, I. C. A. Desafios e perspectivas do trabalho interdisciplinar no Ensino Fundamental: contribuições das pesquisas sobre interdisciplinaridade no Brasil: o reconhecimento de um percurso. Interdisciplinaridade , São Paulo, v.1, n. 1, out. 2011.

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- O que é interdisciplinaridade? São Paulo: Cortez, 2008. V. 01. 199 p.

ZANETIC, J. Física e Cultura. Ciência e Cultura , São Paulo, v. 57, n. 3, p. 21-24. 2005.

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