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As peculiaridades da educação não formal em Astronomia no Brasil através de uma revisão sistemática de literatura

Leandro Donizete Moraes, Ismar Frango Silveira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
Interdisciplinaridade No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## AS PECULIARIDADES DA EDUCAÇÃO NÃO FORMAL EM ASTRONOMIA NO BRASIL ATRAVÉS DE UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DE LITERATURA

Leandro Donizete Moraes 1 , Ismar Frango Silveira 2

- 1 Universidade Cruzeiro do Sul/Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática/profleandromoraes@hotmail.com
- 2 Universidade Cruzeiro do Sul/Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática/ismar.silveira@cruzeirodosul.edu.br

Palavras-chave : Revisão sistemática de literatura; Educação não formal; Educação em Astronomia.

## Resumo expandido

Além do ensino formal, que ocorre nas escolas através de cronogramas específicos, avaliações e tempos próprios, a Astronomia também pode ser ensinada na educação não formal e na educação informal. Marques (2017) explica que a educação não formal é um tipo de educação que possui maior flexibilidade em relação aos locais e tempos de aprendizado. Dentre os chamados espaços não formais, temos os observatórios, planetários e centros de ciências. Já a educação informal, de acordo com Gohn (2006), ocorre sem intencionalidade através da socialização, conversas entre amigos, comportamentos e crenças.

A educação não formal em Astronomia pode aproximar o público do conhecimento astronômico através de atividades realizadas em diferentes tempos e espaços. Deste modo, o presente trabalho apresenta uma revisão sistemática da literatura através do Estado da Arte da educação não formal em Astronomia no Brasil. De acordo com Megid Neto (2009), o Estado da Arte busca conhecer características e tendências de um campo de conhecimento por meio da produção acadêmica relacionada a este campo.

Os procedimentos metodológicos foram norteados à luz da análise de conteúdo de Bardin (2006) através de três fases: a pré-análise; a exploração do material e o tratamento dos resultados, inferência e interpretação.

Segundo Bardin (2006), na pré-análise é realizada a organização, por meio da escolha de documentos, formulação de hipóteses e objetivos e também a elaboração de indicadores que possam nortear a fundamentação da interpretação final. Já na segunda fase, exploração do material, é realizada a codificação do material, definição de categorias de análise e unidades de registro e de contexto. Por fim, na terceira fase existe o tratamento dos resultados, inferências e interpretações.

A revisão sistemática partiu de três levantamentos bibliográficos. O primeiro analisou teses e dissertações através do Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de Pessoal de Nível Superior - CAPES entre 2008 e 2018. O segundo levantamento analisou artigos acadêmicos no Portal de Periódicos da CAPES entre

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2009 e 2019. O terceiro levantamento analisou trabalhos apresentados nas cinco últimas edições, entre 2011 e 2019, das Reuniões Anuais da Sociedade Astronômica Brasileira - Reuniões da SAB, do Simpósio Nacional de Educação em Astronomia SNEA, do Simpósio Nacional de Ensino de Física - SNEF, do Encontro de Pesquisa em Ensino de Física - EPEF e do Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências - ENPEC.

Após selecionar os materiais e realizar os procedimentos da análise de conteúdo, foram selecionadas 40 teses e dissertações, 225 artigos acadêmicos e 328 trabalhos apresentados em eventos científicos. A pesquisa contou com as seguintes categorias de análise: Ano de publicação; Distribuição geográfica; Instituição de origem; Conteúdos e Focos e subfocos temáticos. Deste modo,

Ao analisar o ano de publicação, foi observado que não houve aumento significativo na quantidade de produções nos anos analisados. Em 2008, por exemplo, não foi identificada nenhuma tese ou dissertação sobre a temática e, em 2017, houve a maior produção, com 12 teses e dissertações. Porém, nos próximos anos esta produção diminuiu consideravelmente. Sobre os artigos científicos e trabalhos em eventos, também existiu variação nesta quantidade, não ocorrendo aumentos na produção. Estes fatos reforçam a necessidade de mais produções na área.

Sobre a região geográfica, foi observada uma distribuição desigual desta produção. As teses e dissertações foram produzidas no Sudeste e Sul. Este fato reforça a necessidade de incentivos para a realização destas pesquisas em mais regiões. Esta análise apresentou detalhes que permitem reflexões sobre a importância de ações em diferentes localidades e regiões para que mais pessoas aprendam Astronomia e existam mais pesquisas na área.

Foram identificados 17 tipos de instituições na amostra. As universidades federais foram representadas por mais produções. Foram identificadas diferentes instituições que promovem a educação formal e possuem atividades relacionadas com a educação não formal em Astronomia. Este fato reforça ainda mais a importância de aproximações entre a educação formal e a educação não formal.

Também foram observados diferentes tipos de espaços não formais. Porém, a produção acadêmica destes espaços é pequena em comparação com as instituições que promovem a educação formal. Sendo assim, é necessário realizar mais pesquisas nestes espaços que resultem em produções acadêmicas tanto para divulgar quanto para ampliar diferentes atividades e projetos.

Foram identificados 58 conteúdos nas produções analisadas. 144 produções acadêmicas não especificaram o conteúdo analisado. Também foram identificadas 141 produções acadêmicas sobre a educação em Astronomia e 86 sobre Astronomia observacional. A diversidade de conteúdos presentes nas produções acadêmicas demonstra as potencialidades da educação não formal em Astronomia quanto aos conteúdos abordados. Porém, existe uma pequena quantidade de produções acadêmicas sobre diversos conteúdos, como a Astronomia indígena e amadora, história da Astronomia, dentre outros, reforçando a necessidade de mais pesquisas relacionadas com estes conteúdos.

Foi apresentada uma diversidade de focos e subfocos temáticos na amostra. Porém, também é observada uma pequena quantidade de produções sobre a abordagem sociocultural, por exemplo. Desse modo, é necessária maior diversidade

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de focos e subfocos temáticos para que diferentes aspectos da educação não formal em Astronomia sejam investigados.

A diversidade de tipos de produções acadêmicas, instituições, conteúdos e focos e subfocos temáticos demonstram potencialidades da educação não formal em Astronomia. Também são observadas diversas tendências, como a abordagem da Astronomia moderna e as aproximações entre a educação formal e não formal.

Entretanto, dentre as fragilidades, a distribuição desigual da produção acadêmica em relação às regiões geográficas e instituições demonstra que são necessárias ações para que mais pesquisas sejam feitas em regiões e instituições diferentes. A abordagem de poucos conteúdos como a Astronomia indígena e cultural, Astronomia e meio ambiente e inclusão, também reforça a necessidade de maior diversidade nas pesquisas, projetos e atividades da área.

Os focos e subfocos temáticos trouxeram reflexões sobre a amplitude da área. Porém, também demonstraram a necessidade de abordar temas que são pouco explorados. Desse modo, esta pesquisa traz reflexões sobre uma área em expansão, com potencialidades, tendências e características relevantes e, ao mesmo tempo, com várias fragilidades e problemas que devem ser analisados pela comunidade acadêmica para que pesquisas, atividades e projetos sejam desenvolvidos em diferentes peculiaridades deste importante tipo de educação em Astronomia.

## Referências

BARDIN, L. Análise de conteúdo . Lisboa: Edições 70, 2006.

GOHN, M. G. Educação não formal nas instituições sociais. Revista Pedagógica , v. 18, n. 39, p. 59-75, 2016.

MARQUES, J. B. V. Educação Não-Formal e Divulgação de Astronomia no Brasil: Atores e Dinâmica da área na Perspectiva da Complexidade. 2017. 309 f. Tese (Doutorado em Educação). Universidade Federal de São Carlos. São Carlos.

MEGID NETO, J. Educação ambiental como campo de conhecimento: a contribuição das pesquisas acadêmicas para sua consolidação no Brasil. Pesquisa em Educação Ambiental , São Carlos, v. 4, n. 2, p. 95-110, 2009.

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