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Uma reflexão sobre os objetivos ao ensinar física de partículas no ensino médio: um estudo baseado em artigos acadêmicos nacionais

João Pedro Ghidini, Marcelo Gameiro Munhoz

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
Questões Curriculares No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## Uma reflexão sobre os objetivos ao ensinar física de partículas no ensino médio: um estudo baseado em artigos acadêmicos nacionais

## João Pedro Ghidini 1 , Marcelo Gameiro Munhoz 2

- 1 Instituto de Física/Universidade de São Paulo, joao.ghidini.silva@usp.br
- 2 Instituto de Física/Universidade de São Paulo, munhoz@if.usp.br

Palavras-chave : Física de Partículas, Análise Textual Discursiva, Estado da Arte.

## Resumo expandido

Com a intensificação das pesquisas em ensino de Física de Partículas (FP), em especial nas últimas duas décadas, algumas inquietações de diferentes naturezas podem surgir, sendo uma delas quanto aos objetivos educacionais que se pretende atingir. Romanowski e Ens (2006) apontam que na área da Educação uma das alternativas para tentar responder essas inquietações são as pesquisas do tipo Estado da Arte. Estudos desse tipo buscam compreender um determinado aspecto sobre a produção de conhecimento de uma área. No entanto, não há uma metodologia específica associada a ela, permitindo diferentes abordagens. Por outro lado, a Análise Textual Discursiva (ATD) (MORAES, 2003) vem sendo utilizada em pesquisas qualitativas no ensino de ciências, principalmente em fenômenos associados à compreensão de texto escrito (SOUZA; GALIAZZI; SCHMIDT, 2016). Dentro desse contexto, realizamos uma pesquisa do tipo Estado da Arte, tendo como metodologia a Análise Textual Discursiva , afim de identificar quais as justificativas explicitadas para a inserção da física de partículas no ensino médio , tendo como corpus de análise artigos publicados digitalmente nos Simpósios Nacional de Ensino de Física (SNEF), Encontros de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF) e em Periódicos Nacionais (MOSINAHTI; LONDERO, 2017) até o ano de 2017, totalizando 40 artigos. A metodologia prevê um ciclo que engloba três etapas: desmontagem dos textos, o processo de categorização e a captação do emergente. Dentre suas possíveis características, para fins desse trabalho, destacamos: parte-se do princípio que toda leitura já é uma interpretação; o ciclo deve ser vivenciado duas vezes; do ponto de vista teórico se assume o conhecimento tácito do pesquisador bem como o próprio conhecimento emergente da análise. Tendo isso em consideração, dentro das possibilidades metodológicas, decidimos adotar a leitura do explícito, que assume que algumas interpretações podem ser compartilhadas com relativa facilidade entre diferentes leitores. A partir da desmontagem dos textos se originam unidades de análise, que são trechos retirados dos artigos, em que a partir de um processo de comparação e contraste dão origem às categorias emergentes. Desse modo, unidades de análise diferentes de um mesmo artigo podem compor diferentes categorias. Com as categorias, pode-se elaborar argumentos que operam no regime da verossimilhança, afim de realizar a construção de um metatexto, que é a captação do emergente . A figura 01 ilustra esse processo.

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Figura 01: Esquematização da metodologia

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Com esse processo elaboramos 8 categorias que tentaremos descrever brevemente, sendo elas: (I) Educação Científica: aponta que a FP é um conhecimento dinâmico, com influência social, e/ou política, defendendo a problematização desse conhecimento em sua dimensão social; (II) Perspectiva Científica do Mundo : ressalta aspectos associados aos conceitos científicos desse conhecimento, algumas vezes afirmando que o interesse por esses conceitos partem dos próprios alunos; (III) Normatização : utilizam como embasamento diretrizes curriculares; (IV) Valorização da Carreira Científica: afirma o potencial desse conhecimento em atrair os jovens para a carreira científica; (V) Didática: Ressalta o leque de possibilidades didáticas para ensinar a FP, por vezes contextualizando dentro da física moderna e contemporânea; (VI) Visibilidade : apontam que está presente no cotidiano, principalmente através da mídia, (mas sem problematizar esse aspecto); (VII) Consenso: afirma que há um consenso de que a FP deve estar presente no ensino médio; (VIII) Não explicitado : não conseguimos identificar alguma justificativa explícita.

Tabela 01: Porcentagem de participação dos artigos em cada categoria.

Para a captação do emergente optamos por um metatexto mais interpretativo, que realiza um afastamento maior do corpus , exercitando reflexões sobre as próprias categorias (MORAES, 2003). Destacamos duas categorias protagonistas: Educação Científica e Perspectiva Científica do Mundo. A metodologia utilizada, em detrimento

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das particularidades, buscou identificar quais seriam as 'linhas argumentativas' que aparecem nas justificativas da inserção da FP. É necessário notar também que falar sobre um nicho de pesquisa não é somente falar do que ele é , mas também do que ele pode ser (MOURA, 2021). Nesse sentido, é possível identificar algumas preocupações e críticas sobre a natureza dos conceitos e conhecimentos da FP que estão sendo ensinados. Um exemplo a nível internacional é o levantamento de Passon, Zügge &amp; Grebe-Ellis (2019), que realizam uma crítica a 'concepção herdada' da FP, que sintetizamos como uma valorização dos aspectos descritivos em detrimento de fenomenológicos e explicativos, sem levar em consideração seus aspectos quânticos e por vezes uma abordagem que apresenta as partículas como uma 'Lista de Compras' (Laundry List) (HOBSON, 2011). Nacionalmente, Ostermann (2020) relatou preocupação semelhante quanto à compreensão dos princípios físicos e indicou como a FP pode se vincular com outras linhas de pesquisas (consolidadas e emergentes) dentro do ensino de ciências, como o CTS crítico, as pesquisas decoloniais, e preocupações com problemas sociais mais graves como a desigualdade social e o racismo estrutural. Nesse contexto, o mapeamento das justificativas ganham relevância. Se é utilizado como justificativa os conceitos e conhecimentos da FP, podendo seguir uma linha curricular sobre o seu valor social, então é necessário se atentar à natureza do conhecimento que está sendo ensinado, verificando se ele não está sendo profundamente descaracterizado, como apontam os autores citados. Por outro lado, parece ser importante também estabelecer diálogo mais estreito com as diferentes linhas de pesquisa dentro do ensino de ciências, ainda que isso não implique em uniformização do discurso. O levantamento de Coll, France e Taylor (2005) é um bom exemplo de como algumas linhas de pesquisa podem colocar o foco do ensino de ciências em determinados aspectos que não são os conteúdos que a ciência elabora, mas podendo ser, por exemplo, centralizado em elementos da Natureza da Ciência (NoS), com autores que defendem que não é um problema se os estudantes entenderem errado o conteúdo científico. As justificativas podem ou não ser mutuamente excludentes, a depender de suas particularidades. Acreditamos que é necessário uma maior clareza e explicitação desse debate.

## Referências

COLL, R. K., FRANCE, B. &amp; TAYLOR, I. The role of models/and analogies in science education: implications from research. International Journal of Science Education. v. 7, n. 2. p. 183-198. 2005.

HOBSON, A. (2011) Teaching Elementary Particle Physics, part I Physics Teaching , v. 49, 12-5.

MORAES R. Uma tempestade de luz: a compreensão possibilitada pela análise textual discursiva. Ciência &amp; Educação (Bauru) . v.9(2):p.191-211. 2003

MOSINAHTI, G. L. LONDERO, L. AS PESQUISAS SOBRE O ENSINO DE FÍSICA DE PARTÍCULAS: UM ESTUDO BASEADO EM PERIÓDICOS CIENTÍFICOS. In: XXII Simpósio Nacional de Ensino de Física - SNEF, 2017.

MOURA, C. B. Science education research practices and its boundaries: on methodological and epistemological challenges. Cultural Studies of Science Education . 2021.

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OSTERMANN, F. IPPOG-Brasil Live Stream. 2020 . (2h04m14s) Disponível em: &lt;https://www.youtube.com/watch?v=YxNSKFMLwc8&gt;. Acesso em 16 de março de 2021.

PASSON, O., ZÜGGE, T., GREBE-ELLIS, J. Pitfalls in the teaching of elementary particle physics. Physics Education. 54, p. 1-17. 2019.

ROMANOWSKI J.P. ENS R.T. As pesquisas denominadas do tipo" estado da arte" em educação. Revista diálogo educacional. v. 6(19):p.37-50. 2006

SOUSA R.S. GALIAZZI M.C. SCHMIDT E.B. Interpretações fenomenológicas e hermenêuticas a partir da análise textual discursiva: a compreensão em pesquisas na educação em ciências. Revista Pesquisa Qualitativa. Dec v. 30;4(6):p.311-33. 2016

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