ASTRONOMIA NOS TRABALHOS DOS SNEF NAS DUAS ÚLTIMAS DÉCADAS
Kauê Dalla Vecchia Simó, Maria Neuza Almeida Queiroz, Yassuko Hosoume
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 22/07/2021
- Linha de pesquisa
- Questões Curriculares No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ASTRONOMIA NOS TRABALHOS DOS SNEF NAS DUAS ÚLTIMAS DÉCADAS
## Kauê Dalla Vecchia Simó¹, Maria Neuza Almeida Queiroz², Yassuko Hosoume³
¹Escola Técnica Estadual Professor Edson Galvão, simokdv@hotmail.com
²Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, neuza.queiroz@ifnmg.edu.br ³Universidade de São Paulo, yhosoume@if.usp.br
Palavras-chave : Astronomia; SNEF; Produção Acadêmica.
Neste trabalho são apresentados os resultados de uma pesquisa a respeito da produção acadêmica sobre Educação em Astronomia a partir da análise das Atas dos Simpósios Nacionais de Ensino de Física (SNEF), evento bienal promovido pela Sociedade Brasileira de Física, no período de 1999 a 2019. Tivemos por objetivos traçar um panorama das principais tendências dessa produção com o intuito de avaliar suas contribuições no campo da Educação em Astronomia, além de identificar lacunas e necessidades da pesquisa nesse campo da educação.
Na área que se situa este trabalho, nas últimas duas décadas, diferentes trabalhos de natureza similar ao nosso têm sido realizados como, por exemplo, o trabalho de Bretones e Megid Neto (2005) que analisa a produção brasileira de teses e dissertações. Em outro trabalho, Bretones, Megid Neto e Canalle (2006) avaliaram os trabalhos apresentados nas Reuniões Anuais da Sociedade Astronômica Brasileira. Marrone Júnior (2007) e Iachel e Nardi (2010), por suas vezes, procuraram caracterizar a Educação em Astronomia a partir de artigos publicados em periódicos. Já Bussi e Bretones (2013) traçaram um panorama da área por meio da análise dos trabalhos apresentados nos Encontros Nacionais de Pesquisa em Educação em Ciências. Com o intuito de colaborar e ampliar essas pesquisas, nosso estudo, diferentemente, teve como foco a análise dos trabalhos apresentados nos SNEF.
Nosso material de pesquisa foi obtido a partir das Atas dos SNEF, onde localizamos 329 trabalhos. Utilizando a metodologia de Análise de Conteúdo (BARDIN, 2011), os trabalhos foram analisados e classificados em função dos seguintes descritores: ano de apresentação, nível escolar e conteúdo da Astronomia abordado. Tais descritores foram configurados com base em trabalhos similares (BRETONES; MEGID NETO; CANALLE, 2005; BUSSI; BRETONES, 2013) e na leitura preliminar dos resumos dos trabalhos.
- O Gráfico 1 mostra a distribuição dos trabalhos em função do ano de apresentação nos SNEF.
Gráfico 1: Distribuição dos trabalhos sobre Educação em Astronomia apresentados nos SNEF por ano de apresentação.
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Pode-se observar no Gráfico 1 que, apesar do número total de trabalhos apresentados em cada evento oscilar de ano para ano, há uma tendência de crescimento no número de trabalhos apresentados nos SNEF ao longo do tempo. De uma média de 20 trabalhos por evento na década de 2000, passou-se para uma média de 43 trabalhos na década seguinte, de modo que mais da metade dos trabalhos analisados (55%) foram apresentados nas últimas quatro edições do evento.
A Tabela 1 mostra os resultados referentes à distribuição dos trabalhos em relação ao nível escolar. Alguns trabalhos enquadram-se em mais de um nível escolar e por esse motivo o número total de classificações (370) ultrapassa o número total de trabalhos (329). As porcentagens indicadas na terceira coluna foram calculadas com base no número total de trabalhos.
Tabela 1: Distribuição dos trabalhos sobre Educação em Astronomia apresentados nos SNEF por nível escolar.
Da Tabela 1, constata-se que a maioria dos trabalhos (46%) são direcionados ao E.M. seguido do E.F. (25%). Há também uma produção significativa de trabalhos relacionados à um público escolar geral (24%), sem se especificar à um determinado nível escolar. Depois, em menor quantidade, seguem o E.S. e ENE, ambos com 8%, E.I. e E.J.A com 1% cada. Verifica-se, assim, uma maior preocupação com a Educação em Astronomia no E.F. e, principalmente, no E.M., em detrimento de outros níveis escolares.
No que diz respeito aos conteúdos abordados nos trabalhos, ao fazermos uma análise do material levantado, notamos que a maioria dos trabalhos (47%) realiza um tratamento mais geral dos conteúdos da Astronomia, sem focar em algum tema em específico. Os demais trabalhos (53%) foram classificados em sete categorias. Aqui, também, o conjunto de classificações ultrapassou o número total de documentos (329), pois houve trabalhos que trataram de dois ou mais conteúdos. Os resultados são mostrados na Tabela 2.
Tabela 2: Conteúdos abordados nos trabalhos sobre Educação em Astronomia apresentados nos SNEF.
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Dentre os trabalhos que abordam algum conteúdo em específico, as categorias de menor frequência são: T(2%) - estudos relativos à caracterização do planeta Terra do ponto de vista de suas dimensões, formato, posicionamento no Universo e sistemas de localização na sua superfície; GU (6%) - trabalhos que relacionam-se com a lei geral da gravitação como órbita dos planetas, força peso e leis de Kepler; OC (8%) - estudos relativos à observação do céu como, por exemplo, observatórios, planetários, instrumentos de observação e movimentos dos astros no céu; e SS (9%) - trabalhos relativos à caracterização dos corpos que constituem o Sistema Solar como Sol, Lua, planetas, satélites, asteroides e cometas.
Com maiores porcentagens de ocorrência, encontram-se: U (10%) - trabalhos que tratam de elementos e objetos do Universo tais como estrelas, galáxias, constelações, Big Bang, buracos negros, Cosmologia e Astrobiologia; HC (12%) estudos que analisam historicamente e culturalmente conceitos da Astronomia como os modelos geocêntricos, heliocêntrico e cosmogônicos; e FC (13%) - trabalhos que abordam as fases da Lua, eclipses, estações do ano, movimentos da Terra e marés.
Dos resultados aqui apresentados, pode-se concluir que o campo da Educação em Astronomia vem crescendo no âmbito dos SNEF, principalmente nos últimos dez anos, indicando um crescente interesse pela área que também foi verificado por Bretones, Megid Neto e Canalle (2006) e Bussi e Bretones (2013). Essa tendência de aumento pode ser entendida em função da influência de documentos e programas oficiais tais como os Parâmetros Curriculares Nacionais, as Propostas Curriculares Estaduais e o Programa Nacional do Livro Didático, que norteiam e estabelecem diretriz para a Educação em Astronomia em nosso país. Outro fator que contribui para esse aumento é o crescimento de cursos de formação inicial e continuada e de espaços não formais de divulgação da Astronomia.
No que se refere ao nível escolar, o predomínio de trabalhos voltados para o E.M. e E.F. pode ser entendido em função de uma maior inclusão de temas relativos à Astronomia nas propostas curriculares estaduais e municipais. Já o número considerável de trabalhos voltados para o E.M. pode estar relacionado com o fato da Astronomia ser, geralmente, utilizada como desencadeadora e motivadora no Ensino de Física, além da própria natureza dos SNEF, os quais visam os estudos referentes à disciplina de Física.
Com base nos resultados aqui apresentados, destacamos que, apesar da área de Educação em Astronomia estar crescendo no âmbito dos SNEF, existem níveis escolares (E.I., E.S. e E.J.A) e conteúdos (T, GU, OC e SS) pouco explorados nos trabalhos apresentados no período analisado, podendo serem abordados em futuras investigações.
Para trabalhos futuros, seria oportuno estudos que investiguem: as causas das oscilações no número total de trabalhos apresentados em cada um dos eventos; os focos temáticos dos trabalhos; a relação entre o número de trabalhos apresentado e o nível escolar em cada evento; e a relação entre os níveis escolares e os conteúdos da Astronomia abordados nos trabalhos.
Por fim, acreditamos que este estudo, juntamente com outros já desenvolvidos, soma mais um esforço no sentido de sistematizar e compreender a produção acadêmica na área de Educação em Astronomia.
## Referências
BARDIN, L. Análise de conteúdo . São Paulo: Edições 70, 2011.
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BRETONES, P. S.; MEGID NETO, J. Tendências de teses e dissertações sobre ensino de Astronomia no Brasil. Boletim da Sociedade Astronômica Brasileira , São Paulo, v. 24, n. 2, p. 35-43, 2005.
BRETONES, P. S.; MEGID NETO, J.; CANALLE, J. B.G. A educação em Astronomia nos trabalhos das reuniões anuais da Sociedade Astronômica Brasileira. Boletim da Sociedade Astronômica Brasileira , São Paulo, v. 26, n. 2, p. 55-72, 2006.
BUSSI, B.; BRETONES, P. S. Educação em Astronomia nos trabalhos dos ENPECs de 1997 a 2011. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCÇÃO EM CIÊNCIAS, 9., 2013, Águas de Lindóia. Anais... Águas de Lindóia, 2013.
GONÇALVES, P. C. S.; BRETONES, P. S. Um panorama de pesquisas do campo da educação sobre a Lua e suas fases. Ciência & Educação , Bauru, v. 26, 2020.
IACHEL, G.; NARDI, R. Algumas tendências das publicações relacionadas à Astronomia em periódicos brasileiros de ensino de Física nas últimas décadas. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências , v. 12, n. 02, p. 225-238, 2010.
MARRONE JÚNIOR, J. Um perfil da pesquisa em ensino de Astronomia no Brasil a partir da análise de periódicos de ensino de Ciências. 2007. 253 f. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Educação Matemática) - Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2007.
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