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LIVROS DIDÁTICOS DE FÍSICA NOS SNEF - 1970 À 2019

Maria Neuza Almeida Queiroz, Yassuko Hosoume, Kauê Dalla Vecchia Simó

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
Questões Curriculares No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## LIVROS DIDÁTICOS DE FÍSICA NOS SNEF - 1970 À 2019

Maria Neuza Almeida Queiroz 1 , Yassuko Hosoume 2 , Kauê Dalla Vecchia Simó 3

- 1 Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, neuza.queiroz@ifnmg.edu.br

2 Universidade de São Paulo, yhosoume@if.usp.br

- 3 Escola Técnica Estadual Professor Edson Galvão, simokdv@hotmail.com

## Palavras-chave : Livro Didático, Currículo, SNEF

O presente estudo traz um levantamento de pesquisas sobre livros didáticos (LD) de Física nos trabalhos apresentados nos Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF), nas modalidades Apresentações Orais e Painéis, abrangendo o período de 1970 à 2019, com o objetivo de compreender os enfoques das pesquisas, na perspectiva proposta por Choppin (2004), que sugere olhar para o LD para compreender o ensino de uma disciplina, podendo ser um estudo ao longo do tempo (abordagem diacrônica) ou em um dado momento da história (abordagem sincrônica), como propõe Hosoume et all (2011). Os resultados aqui apresentados, baseados nos trabalhos dos SNEF em um período de 40 anos, nos revela um panorama temporal das preocupações da área de ensino de física no que se refere ao currículo da disciplina.

O LD, sendo parte do 'pacote' das políticas públicas educacionais, há algumas décadas, é considerado elemento significativo do currículo prescrito (GOODSON, 1995; APPLE, 1997) em uma relação quase que inerente à sua existência, de modo que, muitas vezes, este se apresenta como uma fiel tradução do programa orientado no currículo oficial (CHOPPIN, 2004). Por outro lado, o LD se configura no que Young e Whitty (1977) denominam de 'currículo como prática', como concordam também Goodson (1995), Apple (1997), Delizoicov et al (2007), e outros. Como bem ressalta Pimenta e Gonçalvez (1990, p.22) 'se nada chega ao professor, o livro didático sempre chega', de modo que, em termos de materiais didáticos, se faz ferramenta principal de trabalho do professor no cotidiano escolar, o que evidencia a importância de se ter o LD como fonte de estudo, direcionado pela percepção desse recurso como elemento de um currículo, para compreensão de como se idealiza o ensino de uma disciplina em um dado contexto.

O material deste estudo foi obtido de documentos relativos aos SNEF (Boletins, Atas e Resumos), disponíveis no sítio eletrônico da Sociedade Brasileira de Física (SBF), localizados pelos termos 'livro didático' e 'livro-texto', obtendo um total de 155 trabalhos. O Gráfico 1 a seguir mostra a distribuição do quantitativo de trabalhos por ano do evento.

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Os dados do Gráfico 1 evidenciam que, até 2005, os quantitativos pouco variaram, indo de 1 a 7 trabalhos por evento, sendo que em alguns anos não se identificam pesquisas que tratam de LD, e que uma expansão maior ocorreu a partir do ano de 2007 com poucas variações entre um evento e outro, atingindo um pico maior no SNEF de 2015 com 30 pesquisas na linha do LD, correspondendo à aproximadamente 20% do quantitativo total de trabalhos localizados. Esse aumento do interesse em pesquisas sobre LD de Física a partir de 2007 pode ser justificado pela política de distribuição do LD para o Ensino Médio pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) a partir de 2006. Embora o envio do LD de Física às escolas tenha ocorrido somente a partir de 2009 (BRASIL, 2021), a previsão de distribuição, bem como os processos de análises dos materiais por avaliadores, pode ter gerado interesse em pesquisas sobre esse produto que chegaria às mãos dos professores e alunos nos anos seguintes. A continuação do programa, em tese, possibilitou a permanência do interesse de pesquisas nessa linha, uma vez que a maioria dos trabalhos se referem à estudos sobre LD de Física do PNLD.

Frente ao novo material de análise, reconstruímos as categorias de análise elaboradas por Hosoume et al. (2011) que fez um levantamento em resumos de teses e dissertações que abordam análises de conteúdos em LD de Física do ensino médio e superior, do período de 2006 à 2010, classificando tais estudos em 'diacrônicos (históricos/analise temporal longitudinal) e sincrônicos (recorte temporal/análise de profundidade)'. A categoria diacrônica (C1) comporta trabalhos que evidenciam elementos do LD reveladores de um processo histórico. Já a sincrônica (C2) trata-se de análise no LD em um determinado momento histórico. Ambas as categorias abarcam análises que buscam compreender, por meio dos LD, as finalidades do ensino, seus conteúdos e métodos (CHOPPIN, 2004) em diversas abordagens, por exemplo, o LD como instrumento de prática pedagógica (ensino) e foco nos conteúdos disciplinares. Com foco nessas abordagens, subdividimos as categorias C1 e C2 em subcategorias, conforme a seguir:

- C1a e C2a: Ensino/Conteúdos Pedagógicos : Pesquisas com foco nos conteúdos pedagógicos do LD, como exemplo, sugestões de atividades experimentais, filmes, leituras complementares, etc, ou de elementos das tendências pedagógicas da área, atuais ao contexto temporal do recorte de pesquisa.
- C1b e C2b: Ensino/Relações : Pesquisas que evidenciam como o professor e/ou aluno se relaciona, utiliza, escolhe o LD.
- C1c e C2c: Conteúdos Disciplinares/Análise externa : Pesquisas que evidenciam deficiências, erros conceituais ou inconsistências em relação ao saber de referência ou das orientações curriculares, e/ou justifica uma nova proposta de atividade ou forma de estruturação de conhecimentos presentes nos LD.
- C1d e C2d: Conteúdos Disciplinares/Análise Interna: Pesquisas que caracterizam ou aprofundam o conhecimento sobre o LD: conteúdos trazidos, supressão ou acréscimos de temas, incorporação de novas teorias.

Acrescentamos em nosso estudo a categoria Outros (C3) , para as pesquisas que tratam de produções acadêmicas sobre o LD, do LD como política pública, produção/comercialização, revisão de literatura, informatização, etc.

- O Gráfico 2 abaixo traz a distribuição quantitativa por categorias/abordagens dos trabalhos localizados, de acordo com os enfoques observados nas pesquisas pela leitura dos resumos.

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Gráfico 2 - Distribuição por Categorias/abordagens

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Conforme os dados do Gráfico 2, tem-se que a maioria dos trabalhos se acomodam na perspectiva sincrônica (86% - barras azuis), ou seja, poucas pesquisas (9% - barras verdes) dão enfoque à história da disciplina Física por meio desse recurso didático. Esse resultado é consonante com o que constatou Hosoume et al. (2011), o que, segundo as autoras, compromete a possibilidade de uma visão mais crítica dos currículos atuais. Observa-se uma maior prevalência de estudos com análises dos conteúdos disciplinares/análise externa, tanto na categoria sincrônica como na diacrônica (C1c e C2c), com o propósito principal de justificar novas propostas ou sugestões de desenvolvimento dos conteúdos, tendo assim, o LD como foco secundário, como ressalta Hosoume et al. (2011).

Quanto à categoria/abordagem Ensino, pesquisas que analisam conteúdos pedagógicos aparecem em quantidade significativa, o que indica a preocupação em colocar em debate as questões de ordem metodológica e epistemológica que baseiam um ensino matematizado em detrimento de propostas que levam em conta a contextualização, a observação e interpretação dos fenômenos. Já pesquisas que tratam da relação professor/aluno e LD são, a nosso ver, timidamente abordadas (13%). Evidencia-se a necessidade de colocar em pauta, especialmente, a importância do papel do professor na escolha não aleatória do LD, com foco na estruturação e seleção dos conteúdos, na linguagem e metodologias explícitas, permitindo aos docentes ampliar as possibilidades de utilização mais eficaz desse instrumento pedagógico no processo de ensino aprendizagem, como apontam Schirmer e Sauerwein (2015) e Souza e Garcia (2013).

Uma continuidade desse trabalho poderá ser encaminhada no sentido de uma análise mais profunda dos trabalhos levantados, pela leitura dos textos completos (análise interna), de modo a compreender as relações que embasam as diferentes abordagens das pesquisas. Propõe-se ainda expandir o estudo nessa linha para outros eventos relacionados ao ensino de Física, bem como para as principais revistas científicas da área de ensino.

## Referências

APPLE, M. W. Conhecimento Oficial: A Educação Democrática Numa Era Conservadora. Tradução de Maria Isabel Edelweis Bujes. Petrópolis,RJ: Vozes, 1997.

BRASIL Ministério da Educação . -Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - Histórico do Programa Nacional do Livro Didático. Disponível em: http://www.fnde.gov.br/programas/livro-didatico/livro-didatico-historico. Acesso em 20 Fev. 2021.

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CHOPPIN, A.. História dos livros e das edições didáticas: sobre o estado da arte. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 30, n. 3, p. 549-566, set./dez. 2004.

DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, José André; Pernambuco, MARTA. M. Ensino de Ciências: fundamentos e métodos . São Paulo: Cortez, 2007.

GOODSON, I.. Currículo: teoria e história . Petrópolis: Vozes, 1995.

HOSOUME, Y. et al . Um panorama das pesquisas em livros didáticos de Física a . partir dos resumos de teses e dissertações. In : XII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2011 Foz do Iguaçu. Anais ... Foz do Iguaçu, Jun. 2011.

PIMENTA, S. G.; GONÇALVES, C. L. Revendo o ensino de 2º grau, propondo a formação do professor . São Paulo: Cortez, 1990.

SOUZA, E. L.; GARCIA, N. M. D.. As pesquisas sobre o livro didático de Física e Ciências: temas e perspectivas presentes nos SNEFs. In.: Atas do XX Simpósio Nacional de Ensino de Física - SNEF. São Paulo, 2013.

SCHIRMER, S.B; SAUERWEIN, I. P. S.. Os trabalhos sobre livro didático no SNEF: subsídios Aos professores. In.: Atas do XXI Simpósio Nacional de Ensino de Física - SNEF. Uberlândia-MG, 2015.

YOUNG, M.F.D; WHITTY, G.. Society State and Schooling: Readigns on the Possibilities for radical Education . Falmer Press, 1977.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.