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ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS: UMA ANÁLISE DIAGNÓSTICA NO IFRN

Amadeu Silva Vieira, Ian Joseph Da Costa Silva, Thauã Magalhães Paulino Lucas, Maria Ameliane Lopes Da Silva, Messias Vilbert De Souza Santos, Thiago De Araújo Sobral Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
Questões Curriculares No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS: UMA ANÁLISE DIAGNÓSTICA NO IFRN

Amadeu Silva Vieira 1 , Ian Joseph da Costa Silva 1 , Thauã Magalhães Paulino Lucas 1 , Maria Ameliane Lopes da Silva 1 , Thiago de Araújo Sobral Silva 2 , Messias Vilbert de Souza Santos 1

1

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte Campus Nova Cruz (IFRN),

amadeuvieira2003@gmail.com

{ian.joseph, thaua.l, lopes.ameliane}@academico.ifrn.edu.br

messias.vilbert@ifrn.edu.br

2 Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte Campus Caicó (IFRN), thiago.sobral@ifrn.edu.br

Palavras-chave : algarismos significativos; experimentos quantitativos; currículo.

## Resumo expandido

Discussões sobre nanotecnologia, computadores quânticos e cosmologia impactam uma parcela da população cada vez mais jovem, dado o espaço que estes temas alcançaram nos meios de comunicação e salas de aula. Apesar disso, segundo dos Santos (2002), as ideias sobre mensuração e algarismos significativos (AS), basilares para compreensão das relações empírico-quantitativas dos fenômenos físicos, não são abordadas adequadamente nas instituições de ensino brasileiras, fazendo com que as informações e os dados tecnológicos sejam divulgados a um público que, muitas vezes, não tem condições de entendê-los.

Para compreender o tamanho da lacuna referida e seu alcance em instituições de ensino, optamos por uma abordagem diagnóstica. As hipóteses que motivaram o estudo foram transcritas em termos de afirmativas para um formulário online com 5 alternativas de resposta numa escala que variava da completa concordância, passando pela neutralidade, até a total discordância. Com este instrumento foram coletadas informações, junto aos professores de física do IFRN, sobre suas práticas pedagógicas na apresentação dos AS, o que possibilitou investigar o abandono da temática na instituição e assim apontar argumentos para esse tópico ser pouco abordado.

Por se tratar de uma pesquisa de opinião sobre AS, vale ressaltar a abrangência do estudo realizado. O IFRN, atualmente com 22 campi , conta com 75 professores de física. A enquete foi respondida por 35 docentes distribuídos em 17 campi . Cada professor leciona para 4 ou 5 turmas por ano com média de 40 alunos por turma. Assim, cada entrevistado leciona para 180 alunos em média, implicando em, aproximadamente, 6300 discentes atingidos a cada ano.

Antes da aplicação do formulário houve uma busca por exames vestibulares/Enem e livros de física do ensino médio (EM) a fim de localizar questões

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

e abordagens dos AS. Foram revisadas provas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) (2001-2013), Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN) (2008-2015), Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) (2013-2020), Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) (2009-2019) e doze livros didáticos (Quadro 01). Esse estudo preliminar evidenciou que: 1. os AS caíram em desuso, não sendo encontradas questões onde seja necessário o conhecimento do tema; 2. os livros que trazem AS não os conectam com os demais conteúdos e não os aplicam nos exercícios.

Aplicada a pesquisa, verificou-se que menos de 26% dos docentes entendem AS como um dos 5 temas mais fundamentais da disciplina, enquanto 20% acreditam ser um dos 5 menos fundamentais. Outrossim, 23% veem AS como um conteúdo fundamental para a compreensão dos fenômenos físicos neste nível. Este resultado é emblemático pois, segundo a maioria, em termos de fundamentação para outros conceitos, AS seria dispensável.

Quando questionados sobre o tempo dedicado à apresentação dos AS, apenas 37% dos professores utilizam duas ou mais horas-aula para expô-lo; 29% o descartam por falta de tempo e 6% costumam omiti-lo por não perceber sua aplicabilidade.

Especificando a aplicabilidade, 26% afirmam que os AS são necessários em questões do Enem/vestibulares, enquanto 37% se abstiveram. Esses percentuais causam estranheza, pois sugerem que 63% dos professores desconhecem que AS está em desuso nesses exames. Motivos possíveis desse desconhecimento: i. No IFRN, a disciplina é apresentada nos anos iniciais dos cursos, afastada da época do Enem/vestibulares; ii. o IFRN investe na formação técnica sem foco em vestibulares.

Em relação aos alunos, 83% dos professores concordam que estes têm dificuldades para representar medições simples e 63% entendem que o tema melhora a compreensão sobre a relação teoria e prática. Os que discordam podem estar baseados numa exposição unilateral do tema, conectando-se aos 86% que concordam que estudantes devem conhecer AS para realizar arredondamentos. Apenas 26% dos docentes exigem AS em soluções numéricas. Nesse caso, a rejeição de AS é justificada pela escassa utilização. Em contrapartida, 83% concordam que esse tema deve permanecer na ementa e 80% consideram que a maior parte da população brasileira o desconhece.

Quanto ao desenvolvimento das aulas sobre AS, 51% enxergam disparidades entre questões teóricas e experimentais. Entretanto, 97% concordam que, junto com experimentos quantitativos, este conteúdo promove debates sobre precisão, incerteza e ordem de grandeza. Dos professores que apresentam essa temática, 63% dizem fazê-lo com práticas quantitativas e 66% concordam que abordagens experimentais quantitativas requerem domínio de AS. Estes últimos percentuais demonstram uma percepção da necessidade dos AS em práticas quantitativas. Por outro lado, 60% concordam que as atividades experimentais no EM são, em sua maioria, qualitativas, sendo possível que essa predominância influencie no abandono desse conteúdo.

Do ponto de vista prático, AS nos colocam na posição de experimentadores e construtores de um saber significativo no ato de realizar medições (MORAES, 2015), pois dão base para um pensamento crítico e científico a nível médio, permitindo demonstrar facilmente restrições em teorias e modelos físicos. Portanto, empregar tempo suficiente em sua aplicação pode ser decisivo na criação de uma percepção empírico-quantitativa. Nessa perspectiva, sua omissão é muito preocupante.

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De acordo com os resultados da pesquisa, mesmo quando os AS são apresentados nas instituições de ensino, sua exposição perdura por algumas poucas aulas, sem revisão ou reforço ao longo do curso, o que se revela como um dos fatores para a desconexão entre teoria e prática.

A partir desse estudo diagnóstico da percepção dos professores do IFRN, quanto à importância dos AS em suas aulas, é possível e necessário listar sugestões de novas atividades experimentais quantitativas, cujas medições, realizadas pelos alunos, se alinhem à compreensão dos fenômenos físicos, o que pode revigorar o emprego dos AS. Dessa forma, entendemos esse trabalho como um norteador de futuras contribuições docentes no ensino de física objetivando, em última análise, o aprendizado dos discentes sobre o universo que estudam.

## Referências

DOS SANTOS, Ailton Martins. Mensuração, algarismos significativos e notação científica: um estudo diagnóstico do processo ensino-aprendizagem, considerando o cálculo e a precisão de medidas. 2002. Dissertação de Mestrado. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

MORAES, José Uibson Pereira; JUNIOR, Romualdo S. Silva. Experimentos didáticos no ensino de física com foco na aprendizagem significativa. Lat. Am. J. Phys. Educ. Vol, v. 9, n. 2, p. 2504-1, 2015.

Quadro 01: Livros didáticos pesquisados

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.