A integração das tecnologias da informação e comunicação com as atividades experimentais no ensino de Física.
Naamã Lobosco Rodrigues Machado, Dioni Paulo Pastorio
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 22/07/2021
- Linha de pesquisa
- Questões Curriculares No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A integração das tecnologias da informação e comunicação com as atividades experimentais no ensino de Física
## Naamã Lobosco Rodrigues Machado¹, Dioni Paulo Pastorio²
¹Universidade Federal do Rio Grande do Sul/ Instituto de Física/ naamalrm@hotmail.com ²Universidade Federal do Rio Grande do Sul/ Instituto de Física/ dionipastorio@hotmail.com
Palavras chave: TIC, Atividades experimentais, Ensino de Física
Durante a história da humanidade, a comunicação vem sendo algo fundamental para a sobrevivência de diversas sociedades humanas. Nos dias atuais, a comunicação segue tendo um papel extremamente importante, visto que qualquer pessoa pode se comunicar com alguém do outro lado do planeta quase que instantaneamente, o que difere do perfil de comunicação datado no passado. Essa mudança drástica nas características da comunicação se dá essencialmente ao aparecimento das tecnologias de informação e comunicação (TIC).
As TIC's são todos os recursos tecnológicos que propiciem ou facilitem a comunicação e a troca de informações, ou seja, elas podem ser softwares de computadores, smartphones , ou hardwares como webcam, caixas de som, dentre outras (FIOLHAIS e TRINDADE, 2003).
Nesse contexto, pesquisas apontam que as tecnologias no ensino contribuem a desenvolver o aprendizado dos estudantes, tornando-os profissionais mais 'modernos', ou seja, melhor preparados para o mercado de trabalho (TRENTIN, SILVA e ROSA, 2018).
Paralelamente, as atividades experimentais são, há muito tempo, extremamente difundidas e utilizadas, o que evidencia sua importância no âmbito do Ensino de Física (EF) (LIMA & TAKAHASHI, 2013). Além disso, o seu uso pode promover o desenvolvimento de habilidades nos estudantes, tais como o trabalho colaborativo (LIMA & TAKAHASHI, 2013). Outro aspecto a ser destacado é a melhora na comunicação e no uso da linguagem (HEIDEMANN, ARAÚJO & VEIT, 2017), já que lhes é exigido que relatem e expliquem a realização da atividade, favorecendo o desenvolvimento das funções psíquicas superiores, em especial das operações sensório-motoras e de atenção (TRENTIN, SILVA e ROSA, 2018).
Nesse sentido, Borges (apud TRENTIN, SILVA e ROSA, 2018) explicita que o ensino de ciências necessita de aulas experimentais em laboratório, por se tratar de uma disciplina de natureza experimental, e que negar isso, é 'destituir o conhecimento científico de seu contexto' reduzindo-o apenas a leis, fórmulas e aplicações matemáticas.
Com isso, o presente trabalho trata de um recorte de uma pesquisa maior, onde buscamos compreender e analisar, através de uma revisão sistemática da literatura, como as TIC são utilizadas juntamente com as atividades experimentais no EF e ciências.
O início da pesquisa se deu pela escolha do material que seria analisado. Assim sendo, optamos pela plataforma SUCUPIRA 1 (importante ferramenta para análise de periódicos) a qual é utilizada como base de referência do sistema nacional de pós-graduação. Através dessa plataforma, selecionamos as revistas a serem analisadas. Utilizamos a classificação mais recente disponível. Além disso, no campo de 'área de avaliação' foi selecionado a área de ensino. Por fim, no filtro 'classificação' foram selecionados os qualis capes A1, A2 e B1 por serem os extratos de melhor avaliação.
Com os filtros definidos, iniciamos a busca por revistas que tivessem como seu foco e escopo temas referentes ao EF e Educação em Ciências e com sua publicação em português. A partir disso, selecionamos 35, através da leitura do foco e escopo das mesmas. Após isso, acessamos o site das revistas e utilizando o motor de busca, pesquisamos as seguintes palavras-chave: 'atividades experimentais', 'atividade experimental', 'experimento' e 'experimentação'. Com isso, foram selecionados 83 artigos..
Com o corpus de análise definido passamos à leitura e análise dos trabalhos para respondermos algumas questões pré-estabelecidas. Porém aqui, iremos abordar apenas dois desses questionamentos.
## 1. Quais conteúdos de física o artigo aborda?
A partir deste questionamento tínhamos o objetivo de identificar quais são os conteúdos de física mais abordados nos trabalhos publicados. Para tal, compilamos os resultados em treze categorias criadas e organizadas com base no livro texto ' Fundamentos de física' (Halliday & Resnick, 2016) e apresentadas na figura 01.
Figura 01: Gráfico dos conteúdos de física abordados
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Com os resultados mostrados na figura 01, foi possível observarmos os
conteúdos mais recorrentes, aos quais destacamos: oscilações (19,16%), cinemática (14,16%) e eletromagnetismo (12,5%). Os números acima trazem um resultado já esperado: O alto número de publicações associadas ao estudo da Cinemática (ampla quantidade de representação em sala de aula) e o expressivo resultado de oscilações (associado a práticas experimentais de laboratório de Física).
Ainda, podemos perceber, que não há uma distribuição linear dos conteúdos. Esse fato é compreensível em nossa avaliação, uma vez que o tempo utilizado para o desenvolvimento dos conteúdos em sala de aula, não é uniforme, vide a considerável carga associada a cinemática e dinâmica desprendida pelos professores da educação básica no primeiro ano do ensino médio. 2
## 2. Quais os recursos tecnológicos mais utilizados
A partir da análise elaborada, destacamos os resultados na figura 02:
Figura 02: Gráfico dos recursos tecnológicos utilizados
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Podemos perceber duas categorias com poucos registros, são elas: os ambientes virtuais de aprendizagem (1,2%), que são softwares utilizados para o ensino à distância 3 (MONTEIRO, et al., 2013), e os equipamentos de mecatrônica (1,2%) (FORNAZA & WEBBER, 2014), ambos citados duas vezes. Em seguida, os equipamentos eletroeletrônicos possuem treze menções (7,6%), categoria essa que engloba equipamentos como celular, tablet e televisão. Além destas, temos a categoria de simulações computacionais, caracterizada pela integração entre simulações computacionais e aulas teóricas ou experimentais, contendo vinte e quatro menções (14,0%). Subsequente a isso, temos a categoria de softwares de análise, caracterizada pela visualização e análise do experimento físico através de softwares, contendo trinta e três citações (19,3%). Por fim a categoria mais citada nos artigos analisados foi a de equipamentos de laboratório, caracterizada pela natureza instrumental das atividades experimentais aliada a recursos tecnológicos, a mesma teve noventa e sete citações e correspondendo a 56,7% do total.
Como podemos observar a partir deste questionamento, a grande maioria dos recursos tecnológicos utilizados foram os equipamentos de laboratório, o que reflete o modo que as aulas de física ainda são ministradas atualmente, onde muitas vezes o docente expõe o experimento utilizando algum recurso básico, e pouco se vê o uso de softwares de análise e simulações computacionais.
A partir deste trabalho, temos o intuito de dar embasamento teórico para futuras pesquisas na área de integração das TIC com as atividades experimentais no ensino de Física e ciências, e ainda, elaborar uma proposta pedagógica que será implementada em uma das disciplinas do segundo autor do presente trabalho.
## Referências
FIOLHAIS, C.; TRINDADE, J. Física no Computador: o Computador como uma Ferramenta no Ensino e na Aprendizagem das Ciências FÍsicas. Rev. Bras. de Ens. de Fís., v. 25, n. 3, 2003
FORNAZA, R.; WEBBER, C. G. Robótica educacional aplicada à aprendizagem em física . RENOTE, V. 12 No 1, 2014
HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física , tradução Ronaldo Sérgio de Biasi, 10. ed. Rio de Janeiro, 2016.
HEIDEMANN, L. A.; ARAÚJO, I. S.; VEIT, E. A. Um estudo de caso explanatório sobre o desenvolvimento de atividades experimentais com enfoque no processo de modelagem científica para o ensino de Física . R. bras. Ens. Ci. Tecnol., Ponta Grossa, v. 10, n. 3, p. 379-405, 2017
LIMA, S. C.; TAKAHASHI, E. K. Construção de conceitos de eletricidade nos anos iniciais do Ensino Fundamental com uso de experimentação virtual. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 35, n. 2, 2013
MONTEIRO, M. A. A.; MONTEIRO, I. C. C.; GERMANO, J. S. E.; JUNIOR, F. S. Protótipo de uma atividade experimental o estudo da cinemática realizada remotamente . São paulo,Cad. Bras. Ens. Fís., v. 30, n. 1: p. 191-208, 2013
TRENTIN, M. A. S.; SILVA, M.; ROSA, C. T. W. Eletrodinâmica no ensino médio: uma sequência didática apoiada nas tecnologias e na experimentação. REnCiMa, v. 9, n.5, p. 94-113, 2018
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