QUESTÕES SOCIOCIENTÍFICAS, TECNOLOGIA E SIMULAÇÃO: O PAPEL DA FORMAÇÃO CRÍTICA
Angelo Antonio Santos De Oliveira, Cinthia Leticia De Carvalho Roversi Genovese, Luiz Gonzaga Roversi Genovese, Ualyson Toledo Do Carmo, Lucas Galvão Lagares
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 22/07/2021
- Linha de pesquisa
- Questões Curriculares No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2021
Texto completo
## QUESTÕES SOCIOCIENTÍFICAS, TECNOLOGIA E SIMULAÇÃO: O PAPEL DA FORMAÇÃO CRÍTICA
Ângelo Antônio Santos de Oliveira 1 , Cinthia Leticia de Carvalho Roversi Genovese 2 , Luiz Gonzaga Roversi Genovese 3 , Ualyson Toledo do Carmo 4 , Lucas Galvão Lagares 5
1 UFG/PPGECM-UFG/angelosantos66@gmail.com
2 UFG/Faculdade de Educação/cinthialeticia@ufg.br
3 UFG/Instituto de Física/lgenovese@ufg.br
4 UFG/Colégio Estadual Jornalista Luiz Gonzaga Contart, fisicoualyson@gmail.com
5 UFG/Instituto de Física/lucas.lagares2@gmail.com
Palavras-chave : ensino de física; simulações; questão sociocientífica
## Resumo expandido
Questões sociocientíficas são baseadas em temas controversos da ciência e tecnologia para o desenvolvimento de atividades de cunho crítico. Nessa perspectiva, não há uma resposta certa, pois os estudantes são incentivados a se posicionarem com base em argumentos lógicos sobre determinado tema, contribuindo para uma cultura de participação em sala de aula (REIS, 1999).
Entretanto, também é desafio dos professores desenvolverem a capacidade de mediar as discussões sem definir qual resposta é a certa, preocupando-se com o debate em si. Reis (1999) explica que
[...] os alunos aos 14 anos já desenvolveram 'uma incapacidade treinada' para pensarem independentemente. Neste contexto, qualquer tentativa de alteração da mentalidade dos alunos só será possível através de uma alteração da mentalidade dos professores, que se reflicta em uma mudança das práticas e do professor em sala de aula. (REIS, 1999, p.108).
Atualmente, esta transformação das práticas dos professores é influenciada por uma nova conjuntura tecnológica, pois o cotidiano está constantemente se modificando à medida que novas tecnologias surgem, alterando o que se entende por bem-estar, cultura e políticas públicas (MARTINS; PAIXÃO, 2011). Neste sentido, as práticas dos professores devem buscar uma contextualização, bem como promover discussões que destaquem o aspecto social intrínseco à tecnologia, em busca do rompimento com a visão tecnocrática e determinística (FEENBERG; 2017).
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Nessa perspectiva, através de uma abordagem qualitativa e partindo da teoria crítica da tecnologia de Feenberg (2017), o trabalho propõe a discussão sobre o uso de simulações computacionais no ensino de física como uma questão sociocientífica.
A expressão Teoria Crítica aparece pela primeira vez nos escritos de Horkheimer, em oposição ao que o autor considera como Teoria Tradicional. O caráter crítico refere-se à compreensão do sistema capitalista, para promover uma sociedade sem opressão nem exploração (NOBRE, 2004).
Essa concepção contribui para o entendimento de como a ciência, e em especial a tecnologia, colaboram para a manutenção das estratificações sociais atuais. Influenciado por Horkheimer e outros teóricos críticos, Feenberg (2017) apresenta o que ele chama de 'Teoria crítica da tecnologia', onde expõe a relação intrínseca entre tecnologia e sociedade, ao buscar uma abordagem não determinística.
Segundo o determinismo, o progresso técnico parece seguir um curso unilinear e fixo, desde as configurações menos avançadas até as configurações mais avançadas. [...] tal conclusão baseia-se em duas asserções de plausibilidade desigual: primeiro, que o progresso técnico procede a partir dos níveis mais baixos de desenvolvimento para os mais altos; segundo, que esse desenvolvimento segue uma sucessão única de etapas necessárias. [...] O determinismo também afirma que as instituições sociais têm que se adaptar aos 'imperativos' da base tecnológica. (FEENBERG, 2017, p. 80)
O autor conclui que estas premissas deterministas apresentam a tecnologia fora de contexto, gerando a si mesma, como fundamento da sociedade atual. Portanto, para garantir as potencialidades democráticas da industrialização moderna é preciso desafiar tais premissas. Pensando nisso, um objetivo das questões sociocientíficas é contribuir para a formação de estudantes capazes de assumir decisões e responsabilidades em suas vidas, ao lidarem com as inovações científicas e tecnológicas na sociedade (GENOVESE; GENOVESE; CARVALHO, 2017). As próprias simulações devem ser alvo de uma análise crítica do seu uso em sala de aula. Professor e estudantes devem considerar quais aspectos podem ser negativos para o processo de ensino e aprendizagem.
As aulas de Física, notórias pelas abstrações, podem se beneficiar de simulações computacionais, que são ilustrativas, mas além disso elas compreendem uma vasta classe de tecnologias, indo de vídeos à realidade virtual (MEDEIROS;
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
MEDEIROS, 2002). Escolas privadas já vêm investindo em plataformas de ensino que, entre outras ferramentas, possuem acesso a simulações e laboratórios virtuais. Em contrapartida, o descaso do poder público com esse tipo de investimento é inaceitável, visto que a inclusão digital é fundamental para a inclusão social e democrática no atual contexto histórico. Sobre isso, Grossi, Costa e Santos (2013), dizem que
[...] a inclusão digital tem que perpassar pela inclusão social. Incluir digitalmente significa, antes de tudo, melhorar as condições de vida de uma determinada região ou comunidade com ajuda da tecnologia [...] Portanto, a inclusão digital ultrapassa os limites da simples instalação de laboratório de informática, da concessão do uso da internet e/ou permitir o aprendizado do uso de softwares e hardwares. (GROSSI; COSTA; SANTOS, 2013, p. 76)
Portanto, as simulações computacionais também possuem o potencial de contribuir para inclusão digital, através da discussão em sala de aula sobre a desigualdade de acesso digital e proporcionando aos estudantes experiências práticas com hardwares e softwares .
Ainda pensando no uso direto em sala de aula, destaca-se que apesar do caráter motivador e interativo, as simulações são representações, nunca algo real. Baseada em modelos, a simulação geralmente é carregada de simplificações idealizadas para a demonstração de um processo, portanto, professores devem ficar atentos, pois podem levar a concepções errôneas sobre os fenômenos estudados (MEDEIROS; MEDEIROS, 2002).
As simulações computacionais também se beneficiam de novas tecnologias e são ferramentas úteis em pesquisas científicas, como por exemplo o uso de computadores quânticos para simular fenômenos físicos que dificilmente seriam acessíveis de outra forma (BROWN; MUNRO; KENDO, 2010). Ainda cabe um questionamento: qual a contribuição das simulações para o aumento da tecnocracia? Isso porque com sistemas mais complexos e com exclusividade de acesso por parte de técnicos, não existe democracia no que diz respeito às decisões tecnológicas (FEENBERG, 2017).
Atualmente existem simulações em jogos que recriam uma gama de situações diferentes, e com o advento de computadores de baixo custo, surgem novas possibilidades para o ensino de ciências (LUNETTA, 1981).
Como parte de um futuro próximo, o fato é que a simulação computacional tende a ganhar cada vez mais espaço na sociedade em geral, e é pertinente que
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
professores de ciências saibam como abordar não só este tema, mas toda a questão tecnológica, de maneira crítica e contextualizada, como parte de suas aulas. Então, como forma de continuar os estudos nessa área, futuramente será feita a implementação e análise de atividades em sala de aula utilizando simuladores, onde serão destacadas as impressões/relações que estudantes e professores podem (ou não) formar com esta ferramenta.
## Referências
BROWN, K. L; MUNRO, W. J; KENDON, V. M; Using Quantum Computers for Quantum Simulation. Entropy , v.12, n.11. 2010. Disponível em: https://www.mdpi.com/1099-4300/12/11/2268. Acesso em 15 jan. 2021.
FEENBERG, Andrew. Entre a razão e a experiência : ensaios sobre tecnologia e modernidade. Tradução de Eduardo Beira; Cristiano Cruz e Ricardo Neder. Portugal: MIT Press, 2017.
GENOVESE, C. L. C.; GENOVESE, L. G. R; CARVALHO, W. L. P. Questões sociocientíficas: origens, características, perspectivas e possibilidades de implementação no ensino de ciências a partir dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Amazônia : Revista de Educação em Ciências e Matemática, Belém, v. 15, n. 34, jul/dez, 2019.
GROSSI, M. G. R; COSTA, J. W; SANTOS, A. J. A exclusão digital: o reflexo da desigualdade social no Brasil. Nuances , Presidente Prudente, v. 24, n. 2, p. 68-85, 2013. Disponível em: http://dx.doi.org/10.14572/nuances.v24i2.2480. Acesso em: 21 jan. 2021.
LUNETTA, V. N; HOFSTEIN. Simulations in science education. Science Education , v.65, n.3, p. 243-252. 1981. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/sce.3730650302. Acesso em 20 jan. 2021.
MARTINS, I. P; PAIXÃO M. F. Perspectivas atuais Ciência-Tecnologia-Sociedade no ensino e na investigação em educação em ciência. In: AULER, D. (org.). CTS e educação científica : desafios, tendências e resultados de pesquisas. Brasília: Editora UnB, 2011. p. 73- 97.
MEDEIROS, A; MEDEIROS C. F. Possibilidades e limitações das simulações computacionais no Ensino de Física. Revista Brasileira de Ensino de Física , São Paulo, v. 24, n. 2, p.77-86, 2002.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
REIS, P. R. A discussão de assuntos controversos no ensino das ciências. Inovação , São Paulo, v. 12, p.107-112, 1999.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.