ANÁLISE DA PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS NAS AULAS NÃO PRESENCIAIS DE FÍSICA DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19
Guido Valmor Buss, Álvaro Emílio Leite
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 22/07/2021
- Linha de pesquisa
- Tecnologias Da Informação E Comunicação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ANÁLISE DA PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS NAS AULAS NÃO PRESENCIAIS DE FÍSICA DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19
## Guido Valmor Buss 1 , Álvaro Emílio Leite 2
1
UTFPR/PPGFCET, guidovbuss@yahoo.com.br
2
UTFPR/PPGFCET, alvaroemilioleite@gmail.com
Palavras-chave : Ensino Remoto, TIC na Física, COVID-19
## Resumo expandido
Devido à pandemia de Covid-19 que assolou o mundo, causada pelo vírus SARS-Cov-2, o ano de 2020 foi atípico para todos os setores da sociedade. Para a escola em especial, as transformações ocorreram em proporções gigantescas em um curto espaço de tempo. No estado do Paraná, 15 dias após ser decretada as primeiras medidas restritivas, alunos e professores das escolas estaduais passaram a realizar atividades de ensino-aprendizagem no formato remoto.
As aulas de todas as disciplinas foram ministradas em estúdio por alguns professores pertencentes ao quadro próprio do Estado e transmitidas ao vivo pela TV aberta e pela internet através de aplicativo 'Aula Paraná'. Os alunos que não conseguiam assistir as aulas ao vivo ainda tinham a possibilidade de acessar a gravação através do youtube. Como recurso interativo foi utilizada a plataforma Google Classroom, na qual os professores de cada colégio podiam postar atividades, disponibilizar seus próprios vídeos e manter contato com os alunos. A adaptação a um novo modelo de interação entre professores, alunos e materiais didáticos trouxe consequências para todo o sistema de ensino.
A metodologia para aplicação da pesquisa está na análise e participação no Ensino Remoto Emergencial (ERE), vale salientar que o sistema de Educação à Distância (EaD), segundo Rodrigues (2020), possui metodologia e concepção teórica que sustentam a teoria e a prática da EaD, enquanto que no ERE é considerado como um processo educacional temporário sendo uma adaptação curricular como alternativa para realização das atividades de ensino na duração do distanciamento social provocado pela pandemia, envolvendo o ensino remoto, mas que retornaria ao ensino presencial assim que este período terminasse (HODGES, C., MOORE, S., LOCKEE, B., TRUST, T., & BOND, A., 2020).
- O objetivo deste trabalho é apresentar uma parcela dessas consequências, focando nas dificuldades enfrentadas por alunos de três turmas de primeiros anos do período matutino de um colégio da rede pública estadual do Paraná.
Os dados foram produzidos durante seis meses, iniciando em abril e terminando em setembro, pelo professor da disciplina de Física, que é um dos autores deste trabalho, através da análise do uso do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) pelos alunos e, também, pelas respostas que eles forneceram às questões postadas nesse mesmo AVA.
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
Durante o período de realização da pesquisa, os alunos tiveram acesso à 47h de aulas de Física gravadas, sendo 90 minutos semanais ministrada em estúdio e disponibilizadas para todos os alunos dos primeiros anos do ensino médio da rede estadual, e 20 minutos semanais gravadas por iniciativa própria do professor de Física da escola. Nessas, o professor gravava resoluções de exercícios e esclarecia dúvidas postadas previamente pelos alunos no AVA. As respostas fornecidas pelos alunos às atividades propostas eram contabilizadas como presença e avaliação.
Nos primeiros dois meses de observação (abril e maio de 2020) os alunos tiveram acesso somente às aulas gravadas em estúdio e aos exercícios postados no AVA. Foi um período de grandes adaptações, tanto para professores quanto para alunos, que refletiu em uma evasão de mais de 50%. A tabela 1 mostra a quantidade de alunos que acessaram e participaram das atividades propostas durante os seis meses pesquisados.
Tabela 1: participação dos alunos no AVA nos meses de abril a setembro de 2021.
Fonte: os autores
Em termos de dificuldades iniciais apresentadas pelos alunos participantes, mesmo com auxílio do professor da disciplina e da equipe pedagógica, destaca-se dificuldades para acessar o AVA Google Classroom.
Outra dificuldade apontada por 56% dos alunos que estavam acessando o AVA foi a quantidade excessiva de exercícios que eram propostos. Para cada aula, havia cerca de 10 exercícios propostos, o que era muito na opinião dos alunos.
- O terceiro ponto de dificuldade dos alunos estava relacionado ao tempo de duração de cada aula. De acordo com os relatos, permanecer 45 minutos concentrado em aulas transmitidas pela TV era tarefa assaz difícil.
Frente a essas dificuldades, que certamente não eram exclusivas dos alunos aqui acompanhados, em reuniões dos diretores das escolas com representantes da Secretaria de Estado (SEED), estabeleceu-se um limite de 4 exercícios por aula. Entretanto, manteve-se o número de aulas semanais de cada disciplina e o tempo de 45 min de cada uma delas.
No terceiro e quarto mês (junho e julho) de acompanhamento, a equipe pedagógica fez um trabalho de chamamento dos alunos via telefone que resultou em um acréscimo na participação dos mesmos nas atividades do AVA. O acompanhamento das atividades e as conversas com esses alunos mostrou que as dificuldades de acesso diminuíram. Por outro lado, eles estavam se sentido cansados de assistir as aulas gravadas e de realizar as atividades on-line.
Nos dois meses seguintes (agosto e setembro), houve uma diminuição bastante significativa na participação dos alunos. Nesse período, a maior reclamação dizia respeito à obrigatoriedade de acesso ao AVA para garantir a presença. Além disso, muitos alunos apontaram a necessidade de encontrar um trabalho para ajudar na renda familiar. Em termos de quantidade de participantes, de acordo com a tabela
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- 1, houve somente em torno de 25,8% de participação nas atividades obrigatórias no AVA.
Diante desse cenário, que não era exclusivo das turmas analisadas, na tentativa de diminuir a evasão e a pressão sobre os alunos, a SEED reduziu para dois a quantidade de exercícios por aula e para 25 minutos o tempo de cada aula.
Em síntese, a análise mostrou que o ensino remoto com aulas gravadas e extensas, sem dar a oportunidade de interação síncrona com o professor ministrante, com vários exercícios e atividades padronizadas para todos os alunos da rede, não é proveitoso. Os alunos mostraram-se cansados e psicologicamente abalados com o formato e acabaram por abandonar os estudos em meio ao ano letivo.
Conhecendo os resultados do ano de 2020 a SEED propôs um novo modelo de ensino remoto no início de 2021. Neste, os professores transmitem suas aulas ao vivo somente para os alunos matriculados na turma. A eficiência deste novo modelo também merece ser analisada. Mas, de antemão é possível perceber um aumento significativo na interação de professores e alunos, o que certamente trará melhorias para o processo de ensino-aprendizagem.
## Referências
HODGES, C., MOORE, S., LOCKEE, B., TRUST, T., & BOND, A. (2020). The Difference Between Emergency Remote Teaching and Online Learning . March ,2020.
RODRIGUES, A. (2020). Ensino remoto na Educação Superior: desafios e conquistas em tempos de pandemia. SBC Horizontes, jun. 2020.
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