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SALA DE AULA INVERTIDA: UMA PROPOSTA DE METODOLOGIA ATIVA APRA O ENSINO DE FÍSICA NO ENSINO MÉDIO

Pâmela Andreza Padilha, Juliano Camillo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
Tecnologias Da Informação E Comunicação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## SALA DE AULA INVERTIDA: UMA PROPOSTA DE METODOLOGIA ATIVA PARA O ENSINO DA DISCIPLINA DE FÍSICA NO ENSINO MÉDIO

## Pâmela Andreza Padilha¹, Juliano Camillo²

1 Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica (PPGECT/UFSC), pamelaandreza07@gmail.com ² Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica (PPGECT/UFSC) e Departamento de Metodologia de Ensino (MEN/CED/UFSC), julianocamillo@gmail.com

Palavras-chave : Ensino de Física; Sala de Aula Invertida; Metodologia.

## Resumo expandido

A grande evolução tecnológica ocorrida nas últimas décadas propiciou o surgimento de uma nova realidade: a digital. Diversos setores da sociedade, incluindo o campo educacional, passaram por transformações diante desse novo cenário. As metodologias de ensino tradicionais passaram a não mais serem atrativas para o aluno do século XXI, um indivíduo tecnológico, que enseja por mudanças no seu processo educativo. É nesse contexto que emergem as metodologias ativas de aprendizagem.

As metodologias ativas de aprendizagem encontram-se na convergência entre a prática pedagógica e as novas Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs), o que tem sido apontado por pesquisadores como um processo que traz inúmeros benefícios para o fazer educacional. Por exemplo, por meio das TDICs, aproxima-se a escola da realidade do estudante, já que os meios digitais já se encontram enraizados no cotidiano da sociedade. Além disso, é possível potencializar o processo de ensino e aprendizagem, oferecendo maior autonomia e protagonismo ao aluno, flexibilidade e otimização do tempo de estudo, personalização do ensino, comprometimento, aprofundamento e ampliação dos conceitos e conteúdos estudados, entre outros (PUGLIESE, 2017).

Dentre as várias possibilidades de metodologias ativas, tem-se a sala de aula invertida, ou flipped classroom , que se trata de uma metodologia híbrida, ou seja, que mescla o ensino tradicional em sala de aula com o ambiente virtual. De acordo com Bergmann e Sams (2019), idealizadores dessa metodologia, a sala de aula invertida, como o próprio nome diz, inverte as tradicionais relações aluno-professor. É o aluno que fica responsável por estudar o conteúdo, por meio do material disponibilizado pelo professor antes da aula, em ambiente virtual, ao passo que o encontro presencial em sala de aula é utilizado para discussão sobre os diferentes pontos de vista e para sanar dúvidas, enriquecendo o processo de ensino-aprendizagem.

No que diz respeito à disciplina de Física, Monteiro (2016) argumenta que, historicamente, o docente dessa disciplina tem, na maioria das vezes, uma postura tradicional e catedrática em relação aos métodos de ensino, proporcionando pouco diálogo e troca de saberes entre professor e aluno. Partindo da hipótese de que as metodologias ativas, em específico a sala de aula invertida, podem potencializar o

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

ensino, o estudo aqui apresentado objetivou discutir as possibilidades do uso dessa metodologia como facilitadora do processo de ensino e aprendizagem da disciplina de Física no Ensino Médio de escolas públicas.

Para tanto, realizou-se inicialmente um levantamento bibliográfico sobre o ensino de Física e suas peculiaridades, com intuito de estabelecer o panorama e justificar a problemática apresentada. A partir dos resultados encontrados, elaborou-se um questionário, modelo de survey , com questões abertas e fechadas, destinado para professores que lecionam a disciplina de Física no nível básico, a fim de evidenciar as suas concepções sobre a utilização da sala de aula invertida no ensino de Física, bem como trazer uma reflexão sobre como essa metodologia ativa poderia ser implementada e os seus benefícios na promoção de uma prática docente contemporânea. A análise de dados apoiou-se em uma abordagem quali-quantitativa, de forma a quantificar e correlacionar os dados levantados.

Os dados foram oriundos de 28 docentes da disciplina de Física, sendo 14 (50%) dos participantes do sexo feminino e 14 (50%) do sexo masculino. No que diz respeito à faixa etária, a maioria se encontra entre 31 e 39 anos (39,3%) e entre 40 e 48 anos (39,3%). A minoria dos participantes compreende a faixa etária entre 22 e 30 anos (10,7%) e acima de 48 anos (10,7%). Quanto ao tempo de serviço no magistério, a maior parte dos docentes participantes possuem mais de 15 anos de serviço (32,1%), seguido daqueles que lecionam de 6 a 10 anos (28,6%), indicando que maior parte possui um tempo expressivo de serviço. Já sobre o tipo de instituição em que atua, 67,9% dos participantes atuam no Ensino Médio de escolas públicas.

Os resultados obtidos revelam o entendimento dos professores sobre diversos aspectos positivos e negativos quanto ao uso da sala de aula invertida. Como aspectos positivos, os professores destacam que se trata de uma metodologia que promove o protagonismo do estudante na sua própria aprendizagem. Além disso, os professores apontam que o uso das tecnologias aumenta o engajamento do aluno no conteúdo e promove maior interação entre professor e aluno, bem como entre os próprios alunos.

Já sobre os pontos negativos, levantou-se a questão da falta de infraestrutura para a aplicação da sala de aula invertida, como acesso à internet e equipamentos eletrônicos: computadores, tablets, smartphones, entre outros. Também foi levantada a questão sobre a possível de falta de adesão dos alunos à metodologia. Isso pode indicar uma descrença dos docentes quanto ao uso da tecnologia no ambiente educacional, ligada a falta de formação para com o uso de tais ferramentas na prática cotidiana da sala de aula.

Além disso, foi levantado as concepções dos participantes sobre os caminhos necessários para o desenvolvimento e utilização da sala de aula invertida nas escolas públicas. Um dos caminhos apontados foi a necessidade de formação de professores para a utilização das TDICs no ambiente educacional, considerando que há uma defasagem entre as possibilidades que a tecnologia proporciona e o conhecimento necessário para efetivá-la.

Outro ponto citado diz respeito a necessidade de maior investimento do poder público em recursos tecnológicos voltados para educação, já que muitas instituições de ensino se encontram sem a infraestrutura necessária para a implementação da

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sala de aula invertida. Por fim, alguns participantes também ressaltaram o baixo estímulo a autonomia do estudante como desafio, sendo necessário construir condições para que estes consigam alcançar o protagonismo no seu processo de aprendizagem.

Assim, é possível concluir que, embora as metodologias ativas, em especial a sala de aula invertida, possam trazer benefícios para a prática docente no ensino de Física no Ensino Médio em escolas públicas, a sua ampla e eficiente utilização é atravessada por diversos obstáculos que devem ser superados, como a falta de formação dos profissionais de educação, falta de infraestrutura e a correta preparação dos alunos para usufruir das potencialidades que as tecnologias proporcionam para a sua formação educacional.

## Referências

BERGMANN, J.; SAMS, A. Sala de aula invertida: uma metodologia ativa de aprendizagem. Tradução de Afonso Celso da Cunha Serra. Rio de Janeiro: LTC, 2019.

MONTEIRO, M. A. A. O uso de tecnologias móveis no ensino de física: uma avaliação de seu impacto sobre a aprendizagem dos alunos. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , v.16, n.1, 2016. Disponível em: https://seer.ufmg.br/index.php/rbpec/article/download/2538/1939. Acesso em: 10 de dez. 2019.

PUGLIESE, G. O. Os modelos pedagógicos de ensino de ciências em dois programas educacionais baseados em STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics) . 2017. Dissertação (Mestrado em Genética e Biologia Molecular) -Instituto de Biologia, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2017. Disponível em: http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/331557/1/Pugliese\_Gusta-voOliveira\_M.pdf. Acesso em: 10 dez. 2019.

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