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ATOMIC: UM JOGO PARA DEBATER DILEMAS ÉTICOS ENVOLVENDO A BOMBA ATÔMICA

Phelipe Góis, Alexandre Bagdonas, Samantha De Lemos Souza

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
História, Filosofia E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ATOMIC: UM JOGO PARA DEBATER DILEMAS ÉTICOS ENVOLVENDO A BOMBA ATÔMICA

## Phelipe Góis 1 , Alexandre Bagdonas 2 , Samantha de Lemos Souza³

- 1 Universidade Federal de Lavras, phelipe.gois@estudante.ufla.br
- 2 Universidade Federal de Lavras, alexandre.bagdonas@ufla.br
- 3 Universidade Federal de Lavras, samanthalemoss@gmail.com

Palavras-chave : Física nuclear; Ética; Jogo didático.

## Resumo expandido

Através de estratégias didáticas para o ensino com base em história e filosofia da ciência (HFC), como narrativas históricas (SCHIFFER; GUERRA, 2019), teatro (SEABRA, 2018; SOUZA 2019) e jogos didáticos (BAGDONAS; ZANETIC; GURGEL, 2014; BAGDONAS, 2015; 2020), temos como objetivo apresentar a ciência em produção, enfatizando cientistas como pessoas com fraquezas, forças, ambições e sentimentos, mostrando que a ciência é influenciada pelo contexto histórico, social, econômico e cultural.

Ética e valores são elementos centrais para o engajamento dos cidadãos em questões controversas envolvendo a ciência, complexas ou pouco definidas, que envolvem conteúdos interdisciplinares, denominadas Questões Sociocientíficas (QSC) (CONRADO; NUNES NETO, 2018). Para seu enfrentamento, conteúdos científicos são importantes, mas permeados de outros elementos, como conhecimentos filosóficos e políticos, que têm papel essencial para uma educação transformadora, que vise a reflexão, discussão e ação coletiva (HODSON, 2018). Nos dedicamos ao estudo de casos históricos que permitem integrar essa abordagem histórico-filosófica à educação CTSA, para promover visões mais complexas sobre 'natureza da ciência' e preparar os jovens para a cidadania (STRIEDER, 2012).

Para investigar as visões éticas dos estudantes iremos utilizar o jogo didático, 'ATOMIC', que emergiu de estudos envolvendo história da física nuclear durante a Segunda Guerra Mundial tendo como principais personagens: Einstein, Heisenberg, Bohr e Oppenheimer.

- O objetivo desta pesquisa é investigar as decisões dos jogadores sobre questões éticas em uma intervenção na formação inicial de professores, categorizando em tendências éticas seus argumentos durante o jogo.

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Figura 01: Descrição das fases do jogo

Uma das principais fontes de estudo foi a peça Copenhague de Michael Frayn (CARDOSO, 2015), buscando equilibrar rigor e diversão, com aspectos lúdicos e pedagógicos do jogo (BAGDONAS, 2020).

A criação dos personagens, enredo e problemas se deu em reuniões, com licenciandos em física, mestrandos em ensino de física e bolsistas Bic Jr. Buscamos equilibrar o rigor requerido por estudos profissionais de HFC no ensino (Martins, 2006), com abordagens lúdicas, tentando tornar o texto mais atraente para os alunos. Para criar o jogo, além do estudo da história da física nuclear, os membros do grupo de pesquisa elaboraram problemas didáticos que permitissem engajamento dos jogadores, promovendo debates relevantes para a educação de Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA).

Como categorias prévias, estudadas durante a criação do jogo, empregamos três teorias filosóficas sobre ética: Ética Utilitarista, Ética Deontológica e Ética das Virtudes, na intenção de problematizar o egoísmo ético):

## 1 Egoísmo Ético:

Cada pessoa deve procurar exclusivamente o seu próprio autointeresse. Essa é a moralidade do egoísmo. Ela sustenta que o nosso único dever é fazer o que é melhor para nós. As outras pessoas importam só na medida em que elas podem nos beneficiar (RACHELS; RACHELS, p.71, 2013).

## 2 Ética Utilitarista:

Uma ação é correta se ela produz a maior soma possível de felicidade sobre a infelicidade. Para determinar se uma ação é correta, os utilitaristas acreditam que devemos olhar para o que acontece como resultado da ação. Esta ideia é central para a teoria. (RACHELS; RACHELS, p.114-116, 2013).

## 3 Ética deontológica:

Quando você está pensando em fazer alguma coisa, pergunte que regra você seguiria se você realmente fizesse aquilo. Essa regra será a 'máxima' do seu ato. Então pergunte se você está querendo que a sua máxima se torne uma lei universal. Em outras palavras, você permitiria que a sua regra fosse seguida por todas as pessoas durante todos os tempos? Se sim, então a sua máxima é acertada e a sua ação é aceitável. Mas, se não, então a sua ação é proibida (RACHELS; RACHELS, p.131, 2013).

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- 4 Ética das virtudes: Nessa teoria, deve-se perguntar 'O que eu devo fazer?', e a resposta para essa pergunta é relativamente simples, devo agir da mesma forma que uma pessoa virtuosa agiria (BONJOUR; BAKER, 2010).

Virtudes são pontos medianos entre extremos: uma virtude é 'uma mediania por referência a dois vícios: um de excesso e outro de deficiência'. Coragem é uma mediania entre os dois extremos da covardia e da temeridade é covardia correr de qualquer perigo, ao passo que é temeridade arriscar demais (RACHELS; RACHELS, p.162-163, 2013).

- O jogo foi investigado, durante o ensino remoto na pandemia (COVID-19), em uma disciplina de Licenciatura em Física, que contou com nove estudantes.
- A figura 2, mostra como as teorias éticas Deontológica e Utilitarista podem se combinar com tendências belicistas ou pacifistas. Utilizamos ele como ferramenta de análise para classificar as posturas dos jogadores.

Figura 02: Diagrama Bidimensional com as teorias éticas

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Como os dados estão em análise, apresentaremos tendências encontradas como resultados parciais:

## Utilitarista Pacifista:

'Claro que eu não gostaria que esse ato gerasse uma corrida armamentista pelo domínio dessa tecnologia, mas o ato de informar aos outros países sobre a atual situação na esperança de que eles pudessem intervir no holocausto que a Alemanha estava realizando faria com que eu enviasse a carta.' (Aluno 1).

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## Utilitarista Militarista:

'O pior problema que poderia acontecer seria os dois lados conseguirem construí-la ao mesmo tempo. Talvez eu nem estaria aqui para inferir o que teria acontecido. Eu teria tido a mesma atitude, pois Hitler já havia começado muito errado.' (Aluno 2).

Nota-se nesses argumentos, opiniões pacifistas e militaristas sobre o envio da carta e as consequências da decisão ética. Grande parte dos argumentos foram pacifistas.

## Deontológica Militarista:

' É fácil opinar quando se tem um conhecimento histórico das consequências dos atos de Einstein. Da mesma forma que é fácil criticar quando não se está na posição da pessoa. Einstein cumpriu o seu dever de cidadão acolhido e informou o presidente.' (Aluno 3).

Vemos aqui uma tendência a universalizar a norma ética, é sempre um dever informar quando a questão é relacionada à soberania nacional.

Na análise ainda, não encontramos a tendência 'Deontológica Pacifista'. Na continuidade desta pesquisa, aprofundaremos a análise dos argumentos utilizados pelos estudantes. Os resultados preliminares apontam que a investigação sobre concepções de licenciandos sobre ética em propostas como esta, tem potencial para problematizar posturas egoístas e fomentar tomadas de decisões mais conscientes em QSC que demonstram a contextualização histórica e social da ciência.

## Referências

BAGDONAS, A. ZANETIC, J. GURGEL, I. Controvérsias sobre a natureza da ciência como enfoque curricular para o ensino da física: o ensino de história da cosmologia por meio de um jogo didático. Revista Brasileira de História da Ciência , Rio de Janeiro, v. 7, n. 2, p. 242-260, 2014.

BAGDONAS, A. Controvérsias Envolvendo a Natureza da Ciência em Sequências Didáticas Sobre Cosmologia. Tese (Doutorado entre Interunidades em Ensino de Ciências) - Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, 2015.

BAGDONAS, A. Propostas para a educação científica com base em estudos de história da física na primeira metade do século XX em uma abordagem transnacional. Rio de Janeiro-RJ. Revista Em Construção: arquivos de epistemologia histórica e estudos de ciência. v. 4, n.7, p. 113 - 123, 2020.

BONJOUR, L.; BAKER, A. (Ed.). Philosophical problems: an annotated anthology. New York: Pearson Longman, 2007. (Specifically, chapter 5: Morality and moral problems ).

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CARDOSO, L. F. M. Versão brasileira da peça de teatro Copenhagen (de Michael Frayn) para fins didáticos, Revista Hipótese, Itapetininga, v. 1, n.1, p. 109-174, 2015.

CARSON, C.; HOLLINGER, D. Reappraising Oppenheimer: Centennial Studies and Reflections. Berkeley Papers in History of Science, Volume 21. Berkeley: Office for History of Science and Technology, University of California, 2005. Pp. Xii+413.

CASSIDY, D. C. Beyond uncertainty: Heisenberg, quantum physics, and the bomb. New York: Bellevue Literary Press, 2009.

CONRADO, D. M; NUNES-NETO, N. Questões sociocientíficas: fundamentos, propostas de ensino e perspectivas para ações sociopolíticas [online]. Salvador: EDUFBA, 2018, pp. 27-57.

GALISON, P. L.; HOLTON, G; SCHWEBER, S. S. (Ed.). Einstein for the 21st century: His legacy in science, art, and modern culture. Princeton University Press, 2018.

HODSON, D. Realçando o papel da ética e da política na educação científica: algumas considerações teóricas e práticas sobre questões sociocientíficas. In: CONRADO, D. M; NUNES-NETO, N. Questões sociocientíficas: fundamentos, propostas de ensino e perspectivas para ações sociopolíticas [online]. Salvador: EDUFBA, 2018, pp. 27-57.

MARTINS, R. de A. Introdução: a história das ciências e seus usos na educação. In: SILVA, C.C. (Org.) Estudos de história e filosofia das ciências: subsídios para aplicação no ensino. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2006, p. xviixxx.

RACHELS, J; RACHELS, S. Os elementos da filosofia moral , 7ª ed, AMGH Editora Ltda, Porto Alegre, 2013.

SCHIFFER, H; GUERRA, A. Problematizando Práticas Científicas em Aulas de Física: o uso de uma História Interrompida para se Discutir Ciência de Forma Epistemológica-Contextual. Revista Brasileira De Pesquisa Em Educação Em Ciências , v. 19, p. 95-127, 2019.

SEABRA, M. E. Problematizando o estudo da cosmologia para a Educação Básica : Por que a noite é escura? Dissertação, Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física, Universidade Federal de Lavras (UFLA), Lavras, 2018.

SOUZA, S. L. De. Contribuições de um texto teatral histórico para o estudo da física nuclear no ensino médio . Dissertação, Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física, Universidade Federal de Lavras (UFLA), Lavras, 2019.

STRIEDER, Roseline. Abordagens CTS na educação científica no Brasil: sentidos e perspectivas . 2012. 283f. Tese (Doutorado) - Programa Interunidades em Ensino de Ciências, Faculdade de Educação, Instituto de Física, Instituto de Química, Instituto de Biologia/Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.