Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

A ORIGEM DO UNIVERSO DE UM PONTO DE VISTA HISTÓRICO PARA COMBATER VISÕES DISTORCIDAS DE CIÊNCIA

Gabriel Vian, Giovani Voloski, Robison José, Aline Portella Biscaino, Danuce M. Dudek

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
História, Filosofia E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2021

Texto completo

## A ORIGEM DO UNIVERSO DE UM PONTO DE VISTA HISTÓRICO PARA COMBATER VISÕES DISTORCIDAS DE CIÊNCIA

## Gabriel Vian 1 , Giovani Voloski 2 , Robison José 3 , Aline Portella Biscaino 4 , Danuce M. Dudek 5 ,

- 1 Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), gabrielvian2010@hotmail.com;
- 2 Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), giovanivoloski@hotmail.com;
- 3 Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), robisonjose@hotmail.com;
- 4 Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), aline.biscaino@uffs.edu.br;
- 5 Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), danuce.dudek@uffs.edu.br;

Palavras-chave : Abordagem histórica; Visões distorcidas de ciências; Big Bang.

## Resumo expandido

É natural pensar que a presença de conteúdos científicos e de professores com formação científica nas escolas sejam condições suficientes para os alunos desenvolverem uma imagem adequada da construção do conhecimento científico. Entretanto, segundo Pérez et al. (2001) uma série de estudos têm mostrado que isso não ocorre e que o ensino frequentemente transmite algumas concepções que se afastam da forma como os conhecimentos científicos são produzidos e construídos. Os alunos, possíveis futuros docentes, podem carregar estas concepções para a docência.

Assim, o resultado dos estudos mostra que as concepções dos estudantes tendem a se aproximar de uma imagem 'popular' da ciência: ligada à um método científico único, algorítmico, bem definido, infalível (visão rígida); marcada por um empirismo extremo, que destaca o papel neutro da observação, marginalizando o papel essencial das hipóteses e teorias como norteadoras do processo (concepção empíricoindutivista); atrelada à visão de que os conhecimentos científicos evoluem de maneira linear, puramente acumulativa, desconsiderando os períodos de crise e processos de remodelações profundas (visão acumulativa); associada à ideia que a ciência é relegada a uma minoria de gênios isolados que promovem descobertas revolucionárias (visão individualista e elitista). Essas visões distorcidas de ciência constituem uma problemática no âmbito do ensino de ciências, pois concepções epistemológicas inadequadas são grandes obstáculos à renovação do ensino de ciências (PÉREZ et al ., 2001).

Exposta a problemática das visões distorcidas de ciência propõem-se oportunizar reflexões a fim de desconstruir e evitar o desenvolvimento dessas distorções em estudantes, para tal pode-se utilizar um enfoque histórico nas aulas de ciências. Nesse sentido, o objetivo desse trabalho é apresentar um recorte histórico do desenvolvimento da teoria da origem do universo, para que o professor de ciências possa repensar o desenvolvimento da ciência e a combater visões distorcidas.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Segundo Matthews (1995), há uma série de vantagens no enfoque histórico, dentre elas: uma melhor compreensão dos conceitos científicos, baseada no desenvolvimento histórico destes; a humanização da ciência e a demonstração de como a ciência é mutável e passível de transformações; uma compreensão mais completa do método científico. Além de enriquecer as aulas de ciências, esse enfoque auxilia o professor no combate às visões distorcidas de ciência encontradas nos estudantes.

Um assunto que pode ser explorado usando o enfoque histórico é o da origem do universo. Abordar tal assunto significa estudar quem foram os cientistas e filósofos que pensaram e contribuíram para o problema da origem do universo ao longo da história. Esse assunto pode motivar reflexões e despertar interesse, além de ser amparado pela atual Base Nacional Comum Curricular (BNCC), pois se refere às habilidades requeridas no âmbito das Ciências da Natureza de 'Analisar e discutir modelos, teorias e leis propostas em diferentes épocas e culturas para comparar distintas explicações sobre o surgimento e a evolução da Vida, da Terra e do Universo com as teorias científicas aceitas atualmente' (BRASIL, 2018, p.557).

Em especial, pode-se combater a visão elitista (e individualista) de ciência através de uma abordagem histórica da atual teoria da origem do universo (Big Bang), pois a mesma é fruto da contribuição contínua de vários cientistas de diferentes épocas. A começar com Albert Einstein (1879-1955), cuja teoria da Relatividade Geral (R.G.), em 1915, deu base para uma nova análise do universo. Um universo outrora estático e com tempo absoluto, passou a ser um universo onde tempo e espaço afetam um ao outro e com base nessa teoria, entre 1922 e 1927, dois físicos: Alexander Friedmann (1888-1925) e George Lemaître (1894-1966) chegaram ao resultado do universo em expansão. As descobertas foram independentes, e Lemaître concluiu que o universo teve origem de um estado em que toda a matéria estava concentrada em uma região muito pequena - eis a hipótese do Big Bang (MARTINS, 1994).

A hipótese de Lemaître do Big Bang foi amparada por teorias subjacentes, como a R.G., e esta por sua vez também teve contribuições prévias, sendo resultado da contribuição de vários outros cientistas e matemáticos: Riemann, Lorentz, Minkowski (PEDUZZI, 2009) e a ajuda direta do matemático Marcel Grossmann(PIRES, 2011). Assim não se deve pensar que Einstein é o único 'gênio' por trás R.G., o mesmo vale para Lemaître. A história mostra que a ciência não se desenvolve unicamente com a contribuição de 'gênios' - o que implica que a visão elitista é equivocada.

Posteriormente, a teoria do Big Bang foi acomodada na comunidade científica após a detecção acidental da radiação cósmica de fundo (RCF) em 1964 pelos físicos Arno Penzias (1933-) e Robert Wilson (1936-) que ganharam o prêmio Nobel por esse feito em 1978 (KEPLER e SARAIVA, 2000). A RCF é uma forte evidência a favor da teoria do Big Bang, pois ela havia sido prevista pelos físicos americanos George Gamow (1904-1968), Ralph Alpher (1921-2007) e Robert Herman (1914-1997) em 1948 (STEINER, 2006).

O fato de Penzias e Wilson terem chegado acidentalmente no resultado da RCF mostra que o desenvolvimento da ciência também se dá de forma acidental e por grupos distintos, sendo um empreendimento coletivo e diverso. Novamente, a visão

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

elitista de que seletos grupos de intelectuais são os que desenvolvem a ciência é contestada pela história.

Além disso, a ciência não apenas é desenvolvida por várias pessoas, como também pode-se chegar aos mesmos resultados independentemente como é o caso de Lemaître e Friedmann terem chegado ao mesmo resultado para a expansão do universo independentemente. O mesmo vale para a lei de Hubble-Lemaître, anteriormente conhecida como lei de Hubble, que foi renomeada em 2018, pois Lemaître havia chegado na mesma lei em 1927 (NATURE, 2018).

Por fim, oportunizou-se por meio de recortes históricos reflexões a respeito do desenvolvimento da ciência no intuito de combater a visão elitista. A história mostra como essa visão é dissonante, mostrando que a ciência se desenvolve muito mais pelo trabalho coletivo, cooperativo e por intercâmbio de descobertas. Assim, a abordagem histórica pode ser vantajosa nas aulas de ciência no sentido de promover um ensino que combata distorções e promova um entendimento mais integral da ciência, permitindo um ensino de ciência mais humanizada e significativa (MATTHEWS, 1995).

## Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Curricular Comum . Brasília, 2018.

Belgian priest recognized in Hubble-law name change . Nature, 2018. Disponível em: <https://www.nature.com/articles/d41586-018-07234-y>. Acesso em 18 set. 2020.

MARTINS, Roberto de Andrade. O universo: teorias sobre sua origem e evolução . São Paulo: Editora Moderna, 1994.

MATTHEWS, Michael S. História, filosofia e ensino de ciências: a tendência atual de reaproximação. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 12, n. 3, p. 164-214, 1995. Disponível em: < https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=5165906>. Acessado em 16 de fevereiro de 2021.

PEDUZZI, Luiz OQ. A relatividade einsteiniana: uma abordagem conceitual e epistemológica . Publicação Interna. Florianópolis: Departamento de Física, Universidade Federal de Santa Catarina, 2009.

PÉREZ, Daniel Gil, et al . Para uma imagem não deformada do trabalho científico. in: Ciência & Educação , v.7, n.2, p.125-153, 2001. Disponível em:

<https://docente.ifrn.edu.br/mauriciofacanha/ensinosuperior/disciplinas/epistemologia/artigos-e-demais-textos-para-estudo/gil-perez-etal.-para-uma-imagem-nao-deformada-do-trabalho-cientifico.-sao-paulo-cienciaeducacao-v.-7-n.-2-p.-125-153-2001/view>. Acessado em 16 de fevereiro de 2021.

PIRES, Antonio S. T. Evolução das ideias em Física. 2. ed. São Paulo: Editora Livraria de Física, 2011.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

SARAIVA, Maria de Fátima Oliveira, KEPLER, de Souza O. F. Astronomia e Astrofísica . 1. ed. Porto Alegre: Editora Livraria da Física, 2000.

STEINER, João E.. The origin of the universe. Estud. av. , São Paulo , v. 20, n. 58, p. 231-248, Dec. 2006 . Disponível em

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci\_arttext&pid=S0103-

40142006000300022&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 06 Mar. 2021.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.