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HISTÓRIA DA ASTRONOMIA DE PERNAMBUCO: subsídios para uma abordagem histórica local no ensino de ciências

Énery Gislayne De Sousa Melo, Antonio Carlos Da Silva Miranda

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
História, Filosofia E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## HISTÓRIA DA ASTRONOMIA DE PERNAMBUCO: subsídios para uma abordagem histórica local no ensino de ciências

## Énery Gislayne de Sousa Melo 1 , Antonio Carlos da Silva Miranda 2

1 UNICAP/CCT, enery.melo@unicap.br

2 UFRPE/DF, antonio.smiranda@ufrpe.br

Palavras-chave : Ensino de Ciências; Astronomia de Pernambuco; História e Filosofia.

## Resumo expandido

A introdução de uma abordagem histórica e filosófica no ensino de ciências tem entre seus marcos principais a criação, em 2008, do projeto History and Philosophy in Science Teaching - HISPT. Através dessa iniciativa, pesquisadores de diversos países discutiram formas de melhorar os resultados das avaliações do ensino de ciências e como aumentar o interesse dos jovens pela área de ciências (KAPITANGO-A-SAMBA, 2011). Nesse mesmo sentido, no Brasil, em 1983, foi criada a Sociedade Brasileira de História da Ciência - SBHC; além disso, outros documentos de orientação do ensino passaram a discutir, de forma mais destacada os objetivos do ensino de ciências, a exemplo da Lei Nº 9394 - a Lei de Diretrizes e Bases, de 20 de dezembro de 1996, e os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNEM, publicados em 2002 (MELO, 2016). Mais recentemente, em 2018, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) destacou, em seu texto, a importância da abordagem histórica para uma compreensão da ciência como resultado de um empreendimento humano e social (LEITE et al., 2018). A BNCC do ensino médio apresenta como competência a ser desenvolvida nos estudantes: a capacidade de refletir sobre a história do planeta e do universo, considerando os diferentes contextos e controvérsias (BRASIL, 2018).

Um dos desafios identificados (MARTINS; BUFFON, 2017) para a implementação de uma abordagem histórica e filosófica no ensino é a escassez de material adequado. Em relação a história da astronomia do Brasil é possível localizar um acervo considerável no Museu de Astronomia - MAST. Contudo, há muito pouco sobre a história da astronomia de locais como Pernambuco, resumindo-se basicamente às publicações do professor Oscar Matsuura (MATSUURA, 2011; MATSUURA, 2013). Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo apresentar resultados iniciais de uma pesquisa bibliográfica, realizada em livros, artigos, dissertações e teses, sobre a história da astronomia pernambucana.

É importante destacar que a astronomia de Pernambuco tem contribuições extremamente importantes para a humanidade. O Recife abrigou o primeiro observatório da América do Sul, construído em 1639, no telhado do casarão onde residia o Conde João Maurício de Nassau. O local fora edificado especialmente para a atuação de Jorge Marcgrave e foi o primeiro erguido, não apenas no Brasil, mas no Novo Mundo. O observatório foi construído conforme modelo dos observatórios mais avançados na época. As observações realizadas por Margrave seguiam um método sistemático e preciso. Marcgrave utilizou a luneta apoiada em um pedestal,

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considerado algo inovador, e o Quadrante de 5 Pés construído pelo próprio cientista. Dessa forma, ele realizou as em Recife foram realizadas as primeiras observações sistemáticas do céu austral pelo cientista (MATSUURA, 2011).

Outros personagens importantes marcaram a história da astronomia de Pernambuco, como por exemplo, Mário Schenberg (1912-1990), que desenvolveu vários estudos no campo da Física teórica. Esse cientista, nascido em Recife, é considerado o primeiro astrofísico brasileiro, trabalhando com alguns dos mais destacados cientistas da época, Gleb Wataghin, Enrico Fermi, Wolfgang Pauli, Frédéric Joliot-Curie, George Gamow, Giuseppe Ochialini, Subrahmanyan Chandrasekhar, esse último veio a ganhar o Nobel em 1983. Schenberg, em 1983, recebeu o Prêmio Nacional de Ciência e Tecnologia do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, em História da Astronomia do Brasil. Contribuiu para o progresso da ciência brasileira, atuando na Academia Brasileira de Ciências, na Academia de Ciências do Estado de São Paulo e na Academia de Ciências da América Latina (COELHO, 2020). Na sua extensa biografia, destacamos o período em que foi diretor do departamento de Física da Universidade de São Paulo - USP, entre 1953 e 1961, período em que conseguiu adquirir o primeiro computador para a universidade. Atuou na política, tendo sido eleito duas vezes deputado, em 1946, pelo Partido Comunista Brasileiro; e, em 1962, pelo Partido Trabalhista Brasileiro, não conseguiu cumprir os mandatos devido à ditadura (SALINAS, 2015). Além disso, ele também era reconhecido como um importante crítico de arte, convivendo com artistas como Di Cavalcanti, Cândido Portinari, Pablo Picasso e Clarice Lispector. Em 1944, organizou a primeira exposição de Alfredo Volpi, um dos mais importantes artistas da segunda geração do modernismo (PISMEL, 2018).

Outro personagem a ser apresentado é Johannes Michael Antonius Polman (1927 - 1987). Natural da Holanda, chegou ao Recife em 1952, trazendo um telescópio de 4'. Padre Polman, como era conhecido, foi professor de ciências do Colégio São João, no bairro da Várzea, no Recife. Ele foi responsável pela criação do Clube Estudantil de Astronomia - CEA (1972) e da Sociedade Astronômica do Recife - SAR (1973). Polman construiu, em 1974, um observatório astronômico com cúpula e vários instrumentos nas dependências do Colégio. Além disso, destacou-se como astrônomo amador, conhecido no país e internacionalmente pelas suas observações metódicas e dados precisos. Em 1981, foi nomeado conselheiro da organização internacional de astrônomos amadores, a International Union of Amateur Astromers -IUAA, com sede em Bruxelas, na Bélgica, e diretor da seção de ocultações por asteroides da Liga Iber-Americana de Astronomia - Liada. Muitos dos ex-alunos do Padre Polman deram continuidade aos seus trabalhos de pesquisa e divulgação astronômica, como por exemplo: Sérgio Alcântara, Lauro Rosas, Pierson Barreto, Antonio Carlos da Silva Miranda e Sérgio Galdino, ex-diretores da SAR; Antônio Barata e Lupércio Bezerra, ex-diretores do CEA (MIRANDA, 2013).

Outros fatos ainda se sobressaem na história de Pernambuco, por exemplo, as chuvas de meteoros nas cidades de Serra do Magé (1923) e em Santa Filomena (2020). Esses eventos, também, podem ser explorados para uma abordagem histórica do ensino de ciências e, por isso, estão sendo estudados. Os resultados são tema publicações futuras pelos pesquisadores deste trabalho.

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## Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Ensino Médio. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica , 2018.

COELHO, Alexander Brilhante. Mário Schenberg na rede científica transnacional de Gleb Wataghin: a primeira geração de físicos brasileiros. Em Construção , n. 7, p. 55 - 78, 2020.

KAPITANGO-A-SAMBA, Kilwangy Kya. História e filosofia de ciência no ensino de ciências naturais: o consenso e as perspectivas a partir de documentos oficiais, pesquisas e visões dos formadores. Tese (Doutorado em Ensino das Ciências e Matemática) - Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, São Paulo: USP, 2011.

LEITE, Maria Regina Vieira; GUARNIERI, Patrícia; CORTELA, Beatriz S. C.; GATTI, Sandra Regina Teodoro. Base Nacional Comum Curricular e História e Filosofia da Ciência: tipos de abordagens presentes no tópico Ciências da Natureza e suas Tecnologias. In: Encontro Paulista de Pesquisa em Ensino de Química, X, 2019, Bauru-São Paulo. Anais. Bauru-São Paulo: EPPEQ, 2019.

MARTINS, Milene Rodrigues; BUFFON, Alessandra Daniela. A História da Ciência no currículo de Física do Ensino Médio. ACTIO: docência em ciências , v. 2, n. 1, p. 420437, 2017.

MATSUURA, Oscar Toshiaki. O Observatório no Telhado . Recife-PE: Editora CEPE, 2011.

MATSUURA, Oscar Toshiaki (org.). História da Astronomia no Brasil. Recife-PE: CEPE, 2013. v.1.

MATSUURA, Oscar Toshiaki (org.). História da Astronomia no Brasil. Recife-PE: CEPE, 2013. v.2.

MELO, E G. S. A Natureza da Ciência na formação inicial de professores de Física: contribuições do teatro científico-experimental. 2016. Tese (Doutorado em Ensino das Ciências - Programa de Pós-Graduação em Ensino das Ciências) - Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, Recife, PE, 2016.

MIRANDA, Antonio Carlos da Silva. Mário Schenberg, pioneiro da astrofísica teórica brasileira. In: MATSUURA, Oscar Toshiaki (org.). História da Astronomia no Brasil . Recife-PE: CEPE, 2013. v.1. p.461-484.

PISMEL, Ana Paula Cattai. Shenberg e as Bienais. 2018. Tese (Doutoro em Estética e História da Arte - Programa de Pós-Graduação em Estética e História da Arte) Universidade de São Paulo - USP, São Paulo, 2018.

SALINAS, Sílvio A. O Cientista e o Político - Mário Schenberg. Revista Estudos Avançados , v. 29, n. 84, p. 377-380, 2015.

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