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As obras didáticas de Robert Resnick e Robert Eisberg e a História do Ensino de Física Moderna no Século XX

André Fantin, Ivã Gurgel

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
História, Filosofia E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## As obras didáticas de Robert Resnick e Robert Eisberg e a História do Ensino de Física Moderna no século XX

## André Fantin 1 , Ivã Gurgel 2

- 1 Universidade de São Paulo, Instituto de Física, andre.fantin@usp.br
- 2 Universidade de São Paulo, Instituto de Física, gurgel@usp.br

Palavras-chave : Eisberg e Resnick; História da Física; Livro Didático

## Resumo expandido

O trabalho apresentado tem como seu principal objeto de estudo o livro didático Física Quântica , de Robert Eisberg e Robert Resnick (EISBERG & RESNICK, 1974; 1985). A pesquisa insere-se em uma tradição que situa-se na interface da História da Física, da História da Educação e da História do Livro e da Leitura (SIMON, 2013; 2016). A pergunta de pesquisa mais ampla que dá bases à investigação apresentada foi inicialmente sondada pelo historiador Silvan Schweber (SCHWEBER, 1986): por que a Física produzida a partir da segunda metade do século XX soa tão diferente da Física produzida anteriormente? Em particular, por que a Física da segunda metade do século XX parece ter tão pouco apreço pelos fundamentos da Física, que eram parte da prática teórica até esse momento? Schweber identificou as causas dessa transformação com a mudança de eixo geográfico da Física da Europa para os EUA, onde predominava uma física experimental e fenomenológica, com pouca tradição teórica, e onde os poucos físicos com inclinações à reflexão filosófica a promoviam à moda pragmatista, a filosofia eminentemente americana de Charles Peirce, John Dewey e Willian James. Assim, quando o desenvolvimento da teoria física ficou a cargo dos americanos, ele o foi carregado em linhas pragmatistas, quando não instrumentalistas. O trabalho de Schweber abre uma linha de explorações históricas muito ricas, e possíveis de serem abordadas de muitas perspectivas historiográficas. David Kaiser levou a cabo parte desse empreendimento, em toda a sua diversidade, estudando a componente geopolítica da fertilidade da Física em parte desse período (KAISER, 2002), a auto identificação dos físicos com a cultura da nova classe média americana (KAISER, 2004), a resistência a esse movimento disciplinar como uma contracultura (KAISER, 2011) e, de particular interesse para nós, o movimento de avanço e retração dessa concepção de Física nos livros didáticos, especialmente os de Física Moderna (KAISER, 2007). Kaiser identifica, com a queda nas matrículas nas pós-graduações de Ciências, em particular de Física, em meados dos anos 1960, causada pela suspensão de um até então massivo investimento estatal, majoritariamente militar,

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

uma ascensão de certa sensibilidade a questões conceituais e de fundamentos nos livros didáticos de Física. Isso representou uma virada completa em relação ao período de 1930-1950, em que os livros foram paulatinamente expurgados de conteúdo mais conceitual, tendo caráter mais 'técnico', predominando dispositivos de cálculo eficientes, refletindo a prática da Física como um 'get the numbers out'. Um dos livros identificados por Kaiser que opera aquela renascença dos tópicos conceituais e filosóficos da Física Moderna é o Física Quântica . Segundo ele, a característica específica desse livro que representa essa virada é o grande número de 'questões' qualitativas ao final dos capítulos, que demandam discussão para além da obtenção de resultados numéricos. Partindo desse apontamento, discutimos quais demandas específicas ajudaram a constituir essa forma final, tão disruptiva da tradição do Física Quântica . Também apresentamos como o texto apresenta tópicos de fundamentos, em particular interpretações da Física Quântica. A comum asserção de que os livros didáticos promoveram a dita interpretação 'ortodoxa' da Mecânica Quântica ('de Copenhague', cuja unidade e consistência é problematizada por filósofos e historiadores, vide Howard (2004) e Chevalley (1999)) é problematizada pela pesquisa de Kaiser, que aponta um colapso do antirrealismo das exposições dos livros didáticos em um instrumentalismo 'de cálculos'. Assim, é interessante avaliar como um livro da segunda periodização dos livros didáticos de Moderna, 'renascentista', conduz essa questão. A pesquisa busca clarificar a dinâmica de formação e sustentação de certas culturas de pesquisa da Física (adotamos o conceito de culturas quânticas de Joas & Hartz (2019), pois converge com nossas ideias do papel da formação na prática das ciências) nas décadas seguintes à publicação do livro, uma vez que teve influência na formação dos pesquisadores desse período. Apresentaremos o perfil biográfico de Robert Resnick e Robert Eisberg, destacando suas atividades como autores de diversos livros didáticos, em particular Physics for Students of Science and Engineering , Basic Concepts of Relativity and Early Quantum Theory , que Resnick co-escreveu com David Halliday (HALLIDAY & RESNICK, 1960; 1985), Introduction to Special Relativity , de Resnick (RESNICK, 1968), Fundamentals of Modern Physics , de Eisberg (EISBERG, 1961) e Physics: Foundations and Applications , co-escrito por Eisberg e Lawrence Lerner (LERNER & EISBERG, 1981; 1984). Identificamos as diferentes ênfases sobre o conhecimento físico, epistemologia, metodologia científica e posições pedagógicas explicitadas nessas obras, o que nos permite produzir uma análise comparativa da evolução desses pontos e do uso de certos recursos didáticos em cada obra. Junto a informações biográficas dos autores obtidas de outras fontes, esse conhecimento nos permite atribuir diferentes papéis a cada autor na composição do texto do Física Quântica , um estágio importante no mapeamento das demandas envolvendo a obra.

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## Referências

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