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UMA NARRATIVA HISTÓRICA PARA O ENSINO DA REVOLUÇÃO COPERNICANA

Gabriel Henrique Geraldo Chaves Morais, Alexandre Bagdonas

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
História, Filosofia E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## UMA NARRATIVA HISTÓRICA PARA O ENSINO DA REVOLUÇÃO COPERNICANA

## Gabriel Henrique Geraldo Chaves Morais¹, Alexandre Bagdonas²

¹ UFLA/Departamento de educação em ciências físicas e matemática/ gabriel.morais2@estudante.ufla.com.br

² UFLA/Departamento de educação em ciências físicas e matemática/ alebagdonas@gmail.com

Palavras-chave : Narrativas históricas; ética; revolução copernicana.

## Resumo expandido

O historiador da ciência Roberto de Andrade Martins tem defendido a importância da história da ciência para educação científica há muitas décadas (Martins 1990). Assim como ele, outros historiadores, filósofos e sociólogos da ciência têm produzido contribuições importantes, que têm sido aproveitadas por pesquisadores de ensino de ciências para propor inovações didáticas na educação básica e formação de professores (Zanetic 1989, Silva 2006, Forato et al. 2011, Bagdonas, Zanetic e Gurgel 2014, Bagdonas 2019, Martins et al. 2014).

Entre 1988 e 2001, Martins (1998a, 1998b, 2001) apresentou três artigos criticando obras escritas pelo físico Marcelo Gleiser . Os dois artigos de 1998 foram 1 publicados no Caderno Brasileiro de Ensino de Física em duas partes. A primeira trata de erros conceituais envolvendo a Física Clássica: mecânica, termodinâmica e eletromagnetismo. A segunda parte aborda erros conceituais envolvendo a física moderna e contemporânea: relatividade, mecânica quântica, cosmologia e física de partículas. Nestes dois artigos, Roberto Martins enfatizou os aspectos didáticos e conceituais dos erros encontrados na leitura do livro 'A dança do universo', o primeiro livro de divulgação publicado por um autor até então desconhecido, que rapidamente obteve grande sucesso de vendas. Ele decidiu não enfatizar equívocos históricos, deixando para abordá-los em maior detalhe em outro artigo publicado em 2001, na Revista Brasileira de Ensino de Física. Neste artigo, o mesmo livro, 'A dança do universo' (Gleiser 1997) é tomado como exemplo a ser criticado, como modelo de 'Como não escrever sobre história da Física'.

Por outro lado, os textos de divulgação científica são defendidos devido seu potencial de promover problematizações e contextualizações, despertar o interesse a partir de uma linguagem mais instigante e motivadora e promover reflexões sobre a ciência como construção humana dialogando com a cultura (Salém e Kawamura 1996, Ribeiro e Kawamura 2008), mostrando-se como estratégias para ensinar não só conhecimentos científicos, mas também para divulgar o processo de produção da ciência, explicitando aspectos técnicos, o papel coletivo e relações sociais dentro da comunidade científica e também fora dela, abordando o papel social da ciência, as ações e relações dos cientistas com o espaço social que os cercam (Watanabe e

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

Kawamura 2015). O gênero discursivo da divulgação científica é especialmente interessante para propósitos educacionais, pois, assim como no caso das narrativas e da literatura, é maleável, adaptável, que permite um maior diálogo entre a ficção e a realidade com diferentes intenções didáticas (Zanotello e Almeida 2013, 2017).

As narrativas têm também sido defendidas como estratégia didática, como forma de favorecer a apresentação de conteúdos científicos e de ideias sobre a natureza da ciência num contexto social, histórico e cultural mais amplo (Ribeiro e Martins 2007, Gurgel e Watanabe 2017, Schiffer e Guerra 2019). Estas narrativas possuem elementos que as tornam especialmente memoráveis, tendo sido estudadas no âmbito da literatura, linguística, psicologia, antropologia e demais ciências humanas. Seu fator de atração, diferentemente dos textos científicos, não se baseia na perspectiva de descrever a realidade, com rigor e fidelidade, mas de promoverem reflexões sobre a vida com base em valores distintos, como credibilidade, imaginação, violação da canonicidade, criatividade e originalidade (Ribeiro e Martins 2007).

Por outro, esta oposição com a ciência, tem em si uma visão mais ortodoxa desta. Para autores com uma visão mais humanista da ciência, esta pode ser vista como marcada pelos mesmos valores (Crochick 2019, Bagdonas 2020). Por exemplo, para o físico e ensaísta francês Jean-Marc Lévy-Leblond as teorias científicas começam com enunciados que são como contos de fadas para crianças: 'Imagine um mundo sem ar, plano e que a Terra não se move' (Lévy-Leblond 2001, p. 573). Elas estão repletas de elementos imaginativos, como a geometria euclidiana e experimentos mentais, além de aparatos experimentais, que permitem imaginar e produzir fenômenos artificiais. Assim, Lévy-Leblond propõe que a ciência é como a poesia 'uma mentira que diz a verdade' (Lévy-Leblond 2001, p. 573).

Pensando no ensino sobre Revolução Copernicana, há muitos trabalhos disponíveis baseados no uso de história e filosofia da ciência, como o Projeto Harvard 2 , apostilas de cursos de 'Evolução dos Conceitos da Física' da UFSC 3 e 'Gravitação' USP (Polati e Zanetic 2017), além obras com enfoque filosófico (Chalmers 1993). Há também textos e narrativas disponíveis, como a peça de teatro de Brecht 'A vida de Galileu' 4 (Brecht 1977, Braga e Medina 2010).

Para seu uso no ensino médio, criaremos uma narrativa histórica com o intuito de promover discussões sobre ética na ciência. Estas discussões têm sido cada vez mais urgentes nos processos de ensino e aprendizagem (Nunes-Neto & Conrado no prelo). Durante a criação do texto, aprofundaremos os estudos sobre a história de Galileu. Inspirados pela peça de Brecht, abordaremos as relações existentes entre ele e outros cientistas e o contexto político e social da época (um momento de transformação na concepção do universo, ocorrida no início da Idade Moderna, saindo do modelo geocêntrico de percepção para a proposição de um sistema planetário heliocêntrico) (Machado 2017). Além disso, debateremos as visões equivocadas sobre a natureza da ciência e os dilemas éticos em torno da figura do cientista. Como gatilho para tais debates, por exemplo, refletiremos sobre os momentos em que o cientista esteve envolvido em conflitos com o julgamento religioso, onde recebeu ameaças da inquisição por apoiar publicamente as idéias copernicanicanas, entre outros.

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Espera-se por fim, que este trabalho provoque reflexões enfocadas à construção de narrativas históricas, quais as potencialidades destas narrativas como ferramentas para se discutir ética na ciência e quais as dificuldades encontradas durante a construção e aplicação de um texto científico em aulas de física.

## Referências

BAGDONAS, Alexandre; ZANETIC, João; GURGEL, Ivã (2014). Controvérsias sobre a natureza da ciência como enfoque curricular para o ensino da física : o ensino de história da cosmologia por meio de um jogo didático. Revista Brasileira de História da Ciência, v. 7, p. 242, 2014.

BAGDONAS, Alexandre. História da Física para o Ensino de Física como Cultura: Debates sobre a Neutralidade da Ciência no Período Entreguerras . In: MARTINS, A. F. P. (Org.). Física, Cultura e Ensino de Ciências. São Paulo: Livraria da Física, Cap. 8. p. 195-214, 2019.

BAGDONAS, Alexandre . A favor e contra o método: a tensão entre racionalismo e anarquismo epistemológico na controvérsia entre Big Bang e Estado Estacionário. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 37, n. 3, p. 1250-1277, 2020.

BRAGA, Marco Antonio Barbosa; MEDINA, Márcio N. O teatro como ferramenta de aprendizagem da física e de problematização da natureza da ciência. Caderno brasileiro de ensino de física , v. 27, n. 2, p. 313-333, 2010.

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CHALMERS, Alan. F. O que é ciência afinal? São Paulo: Editora Brasiliende, 1993.

CROCHICK, Leonardo. A ficção criadora do real. In: MARTINS, André Ferrer Pinto (org.). Física, Cultura e Ensino de Ciências. São Paulo: Livraria da Física, 2019. Cap. 8. p. 195-214.

FORATO, Thais. C. M.; PIETROCOLA, Maurício.; MARTINS, Roberto. A. Historiografia e natureza da ciência na sala de aula. Caderno Brasileiro de Ensino de Física,Florianópolis,v. 28, n. 1, p. 27-59, 2011.

GLEISER, Marcelo. A dança do universo: dos mitos de criação ao big-bang. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras (Editora Schwarcz), 1997.

GURGEL, Ivã. WATANABE, Graciela.. A elaboração de narrativas em aulas de física: a aprendizagem em ciências como manifestação cultural . São Paulo: livraria da Física, 2017.

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MACHADO, Yuri Alexander Michelutti. Diálogo e conhecimento no Ensino de Física : contribuições a partir das epistemologias de Paulo Freire e Galileu Galilei. 2017. Dissertação (Mestrado em Ensino de Física) - Ensino de Ciências (Física, Química e Biologia), University of São Paulo, São Paulo, 2017. doi:10.11606/D.81.2018.tde-05072018-140342. Acesso em: 2021-03-18.

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